A posição de guarda redes é a mais complicada de um jogo coletivo. O protagonista da baliza pode fazer um jogo imaculado, mas o seu erro é considerado como o mais caro de todos, pois pode valer um golo ao adversário. Por isso, ser guarda redes é ter de lidar muitas vezes com a ingratidão.

Por ser a posição mais difícil do terreno, são necessárias várias características específicas para a assumir. No Sporting Clube de Portugal, as balizas têm sido, geralmente, portos seguros, onde os adeptos “verde e brancos” podem ter confiança e esperança. Obviamente existem algumas exceções, como a baliza do andebol na época passada, ou até mesmo a baliza da equipa de futebol, entre o período de Peter Schmeichel e o atual reinado de Rui Patrício. Tiago, Nelson Pereira e Ricardo eram bons guarda redes, mas nunca deram 100% de garantias como o gigante dinamarquês e o titular da seleção portuguesa, curiosamente ambos com o título de campeões da Europa de seleções no currículo.

Começo precisamente pela equipa de futebol. Rui Patrício quase dispensa apresentações, tal o estatuto que tem em Alvalade de há alguns anos a esta parte. Muito forte no 1×1 com os avançados contrários, o internacional português, melhor guarda redes do último Europeu de seleções, tem evoluído bastante nos dois capítulos menos fortes: as saídas a cruzamentos e o jogo de pés. Entre os postes, é um guardião muito seguro, calmo e tranquilo. Consegue passar essa serenidade aos seus colegas da defesa e é um dos principais baluartes do clube na atualidade. Alvo de muitas críticas no início, Rui Patrício foi sempre aposta dos treinadores que passaram no Sporting e é constantemente associado a grandes clubes europeus. Felizmente ainda não foi tempo de sair de Alvalade. O suplente do campeão europeu foi um dos temas mais falados no último mercado de transferências. Azbe Jug e o jovem Stojkovic viveram tempos difíceis no estágio que decorreu na Suíça, tendo “obrigado” a que a estrutura leonina procurasse um reforço para a baliza.

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Eduardo foi um dos nomes falados, mas o escolhido foi outro internacional português. Beto, formado no Sporting, regressou à casa-mãe e, apesar de ainda não ter jogado, conseguiu criar uma grande empatia com os adeptos. Além de ser um elemento importante no balneário, a sua experiência pode ser fundamental para ajudar o clube a atingir os seus objetivos. Já jogou, entre outros, no FC Porto e nos espanhois do Sevilha. Tem no seu palmarés três Ligas Europa e um campeonato português, o que atesta bem aquilo que Beto pode acrescentar aos “leões”. Ainda no futebol, o já falado Stojkovic e Pedro Silva trabalham na equipa B para virem a ser o futuro da baliza leonina.

Marcão é o guardião do futsal "verde e branco" Fonte: Sporting CP
Marcão é o guardião do futsal “verde e branco”
Fonte: Sporting CP

Contudo, existem mais três modalidades coletivas onde o Sporting tem enorme qualidade nas balizas. No futsal, mesmo depois do final de carreira do icónico João Benedito, os “leões” têm Marcão e André Sousa. O brasileiro, que já foi campeão pelo Sporting e, anteriormente, pelo Benfica, é, quanto a mim, o melhor guardião a atuar no futsal português. Fortíssimo a jogar com os pés, tapa a baliza como poucos na modalidade. Já ganhou tudo o que havia para ganhar no nosso país e é um garante indiscutível de qualidade. André Sousa também é um excelente valor confirmado no nosso futsal. Ultimamente tem tido algum azar com as lesões, mas continua a ser uma excelente alternativa a Marcão. Além disso, já provou capacidades para lutar pela titularidade na seleção nacional. Gonçalo Portugal, o terceiro guarda redes, é o futuro do clube. Continua a ganhar experiência para um dia se assumir como o dono da baliza leonina.