Há cerca de dois anos atrás, o Sporting CP e o Manchester City fecharam um acordo. A parceria tinha como objetivo permitir que ambos os clubes contratassem jogadores de qualidade, através da partilha dos passes dos mesmos. O acordo também envolve os departamentos de “scouting” de ambos os emblemas,no qual ficou decidido a cooperação de ambos os departamentos, na observação de jovens promessas.

Além de tudo isto, a aliança acordou a cedência de diretos de preferência de jovens promessas do Sporting CP ao Manchester City e também ficou decidido que jogadores sem espaço no emblema inglês, podem vir jogar para Alvalade, através de acordos sob a forma de empréstimo, muitos deles com cláusulas de compra baixas.

Uma parceira que segundo muitos sportinguistas iria transformar o Sporting CP numa espécie de “clube-satélite” do colosso inglês. Acabou por beneficiar ambos os clubes, sem que os mesmos tivessem dependentes um do outro.

Até agora, os únicos jogadores que passaram por esta “ponte aérea” foram Félix Correia e Pedro Porro.

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Félix Correia, no ano em que foi selada a parceira, era considerado uma das maiores promessas da Academia de Alcochete: o jogador estava perto de acabar o contrato e corria o risco de sair a custo zero. Através do acordo, o jogador foi contratado pelos “Citizens” a troco de um valor muito irrisório (pouco superior a quatro milhões de euros). O Sporting CP com isto acabava por perder uma das maiores promessas.

Com a camisola do Manchester City, Félix nunca jogou na equipa principal e atualmente joga nos sub-23 da Juventus, tendo sido contratado a troco de dez milhões ao clube de Manchester. O Sporting CP saiu a perder com esta situação, mas podia ter sido pior. O atleta não ia renovar e através da pareceria conseguiu “lucrar” com o jogador, outro pormenor importante é que a academia de Alcochete foi sempre conhecida como o “Viveiro de Extremos” (exemplo mais obvio desta conotação é o maior símbolo da academia: Cristiano Ronaldo).

Pode ter perdido Félix, mas, tanto na academia, como equipa principal, existem outros extremos de qualidade, que são e que podem vir a ser aposta, como os casos de Jovane ou Joelson, respetivamente.

Já Porro fez o sentido inverso ao de Félix. O jovem lateral não entrava nos planos de Pep Guardiola e estava sem espaço na equipa de Manchester. Para a sua posição “havia”, porque ainda estão lá: Kyle Walker e um conhecido dos portugueses, João Cancelo. Veio para Alvalade, num negócio em que ficou acordado um empréstimo de dois anos, com clausula de compra de oito milhões.

Nesta transferência, ambos os clubes beneficiaram, o Manchester City conseguiu “livrar-se” de um ativo que não contava e o Sporting CP acabou por receber uma “pechincha”. Porro assim que chegou a Portugal, causou impacto na liga: foi o melhor lateral direito da competição e peça-chave que levou Sporting ao título, após 19 anos de “seca” de campeonatos nacionais.

Pedro Porro chegou do Manchester City, viu e… foi titular na equipa campeã nacional
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Até ao dia de hoje, só estes dois negócios é que se concretizaram, através da parceria. Mas o mais provável e que daqui para a frente o City e o Sporting CP façam entre si mais negócios.

Através do acordo, os verdes e brancos deverão lucrar bastante, com a venda dos seus ativos que interessarem aos Citizens. O último jogador ventilado como alvo da equipa de Guardiola, foi Nuno Mendes que se enquadra no jogador que os responsáveis do clube inglês procuram contratar: jovem, com margem de progressão e que possa ficar durante vários no clube.

O Sporting CP, por sua vez, através desta aliança pode ver um “local” perfeito a contratar jogadores de qualidade e baratos, como o negócio de Porro: um jogador que não entra nas contas do Manchester City, que vem com um custo baixo e que causará impacto devido à sua qualidade. Neste “perfil” jogadores como: Yangel Herrera, Filip Stevanovic, Liam Delap, Yan Couto ou Claudio Gomes poderiam ser alvo interessantes para o clube verde e branco.

Em muitas parcerias podemos dizer que alguém sai sempre a perder, mas nesta, pessoalmente, acho que ambos saíram a ganhar.

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