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“Perdoa-me” Temporada 2 | Sporting CP perdoa Rafael Leão?

Nuno Almeida · 3 min

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Bem sei que vivemos um período em que se apela essencialmente à união, tentando esquecer as diferenças, para que possamos estar todos concentrados contra um inimigo comum. E apesar de concordar com isso, não concordo que devamos dar sempre a outra face a quem nos agride. Ou até podemos, mas na sociedade em que vivemos iremos sair sempre a perder. Não fiquem à espera de justiça divina.

Pois bem, depois de algumas notícias e afirmações que surgiram esta semana relativamente a alguns jogadores, poderemos perceber mais um pouco porque é que o Sporting está sempre a perder, e agora não estava a referir-me especificamente aos jogos em campo.

Li que um “ilustre” Sportinguista tinha vindo dizer que o Sporting deveria perdoar o “Filho Pródigo”, referindo-se a Rafael Leão. Ora, para quem não sabe, a expressão “Filho Pródigo” vem de uma passagem na bíblia que conta que um de dois filhos decide abandonar a casa do pai e pede a sua parte da herança, que perde com jogo e prostituição, vendo-se obrigado a voltar a casa, onde é recebido de braços abertos.

No caso de Rafael Leão, o pai não é o Sporting. Aliás, o pai é que forçou a que o atleta não voltasse ao clube que o formou. Assim, se o filho pródigo perdeu o que ganhou, ou não ganhou o que perspectivava ganhar, que volte então a casa do seu pai e lhe peça a devida compensação. Não é o Sporting que deve servir de pai adoptivo, agora que parece não ter outras opções. Tenho a certeza de que o pai o receberá de braços abertos e terá pronto para ele um banquete a celebrar a sua volta. Mas que não se queira servir novamente do Sporting para reaver a sua herança.

Rafael Leão
A rescisão do jovem avançado volta a estar no ponto de mira do universo leonino
Fonte: FIFA

Mas eu até acredito que isso possa acontecer, a perceber pelo clube simpático, e de boas maneiras em que o Sporting se tornou. Passámos a ser o clube que dá a outra face, seja quem for o agressor, e qualquer que seja a agressão.

Por sermos assim é que devemos ser o único clube, (pelo menos entre os três grandes somos) que vê constantemente o capitão de equipa a forçar a saída. Principalmente quando o capitão é oriundo das camadas jovens do clube. Sim, estou a lembrar João Moutinho, Adrien Silva, Rui Patrício e William Carvalho.

Quando temos os nossos capitães a dar esse exemplo, com o clube a permitir, a aceder e depois pôr a hipótese de volta quando as coisas não correm de feição, o que acham que vai acontecer com os outros jogadores? Como se costuma dizer, “se queres ser respeitado, dá-te ao respeito”, e o Sporting, ao permitir constantemente estas situações, como a de Rafael Leão é exemplo, não se dá ao respeito, deixando passar a imagem aos jogadores que podem sair quando quiserem, precisando apenas de pressionar o clube.

Assim, teremos constantemente jogadores que mal entram na equipa principal do Sporting, sejam eles da formação ou não, começam de imediato a pensar quando poderão sair para outros clubes, em vez de se concentrarem no clube, em ganhar pelo mesmo e daí conseguir outros voos, se surgirem. Também, por aí, o Sporting fica a perder para os outros, porque não tem os jogadores determinados em ajudar o clube, mas apenas à espera da primeira oportunidade para desertar.

Depois tentam voltar, qual programa “perdoa-me” de meados da década de 90. Cabe ao Sporting decidir se quer dar-se ao respeito.

Fonte: Lille OSC 

Artigo revisto por Joana Mendes

Nuno Almeida

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