Bem sei que vivemos um período em que se apela essencialmente à união, tentando esquecer as diferenças, para que possamos estar todos concentrados contra um inimigo comum. E apesar de concordar com isso, não concordo que devamos dar sempre a outra face a quem nos agride. Ou até podemos, mas na sociedade em que vivemos iremos sair sempre a perder. Não fiquem à espera de justiça divina.

Pois bem, depois de algumas notícias e afirmações que surgiram esta semana relativamente a alguns jogadores, poderemos perceber mais um pouco porque é que o Sporting está sempre a perder, e agora não estava a referir-me especificamente aos jogos em campo.

Li que um “ilustre” Sportinguista tinha vindo dizer que o Sporting deveria perdoar o “Filho Pródigo”, referindo-se a Rafael Leão. Ora, para quem não sabe, a expressão “Filho Pródigo” vem de uma passagem na bíblia que conta que um de dois filhos decide abandonar a casa do pai e pede a sua parte da herança, que perde com jogo e prostituição, vendo-se obrigado a voltar a casa, onde é recebido de braços abertos.

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No caso de Rafael Leão, o pai não é o Sporting. Aliás, o pai é que forçou a que o atleta não voltasse ao clube que o formou. Assim, se o filho pródigo perdeu o que ganhou, ou não ganhou o que perspectivava ganhar, que volte então a casa do seu pai e lhe peça a devida compensação. Não é o Sporting que deve servir de pai adoptivo, agora que parece não ter outras opções. Tenho a certeza de que o pai o receberá de braços abertos e terá pronto para ele um banquete a celebrar a sua volta. Mas que não se queira servir novamente do Sporting para reaver a sua herança.

Rafael Leão
A rescisão do jovem avançado volta a estar no ponto de mira do universo leonino
Fonte: FIFA

Mas eu até acredito que isso possa acontecer, a perceber pelo clube simpático, e de boas maneiras em que o Sporting se tornou. Passámos a ser o clube que dá a outra face, seja quem for o agressor, e qualquer que seja a agressão.

Por sermos assim é que devemos ser o único clube, (pelo menos entre os três grandes somos) que vê constantemente o capitão de equipa a forçar a saída. Principalmente quando o capitão é oriundo das camadas jovens do clube. Sim, estou a lembrar João Moutinho, Adrien Silva, Rui Patrício e William Carvalho.

Quando temos os nossos capitães a dar esse exemplo, com o clube a permitir, a aceder e depois pôr a hipótese de volta quando as coisas não correm de feição, o que acham que vai acontecer com os outros jogadores? Como se costuma dizer, “se queres ser respeitado, dá-te ao respeito”, e o Sporting, ao permitir constantemente estas situações, como a de Rafael Leão é exemplo, não se dá ao respeito, deixando passar a imagem aos jogadores que podem sair quando quiserem, precisando apenas de pressionar o clube.

Assim, teremos constantemente jogadores que mal entram na equipa principal do Sporting, sejam eles da formação ou não, começam de imediato a pensar quando poderão sair para outros clubes, em vez de se concentrarem no clube, em ganhar pelo mesmo e daí conseguir outros voos, se surgirem. Também, por aí, o Sporting fica a perder para os outros, porque não tem os jogadores determinados em ajudar o clube, mas apenas à espera da primeira oportunidade para desertar.

Depois tentam voltar, qual programa “perdoa-me” de meados da década de 90. Cabe ao Sporting decidir se quer dar-se ao respeito.

Fonte: Lille OSC 

Artigo revisto por Joana Mendes

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Nascido no seio de uma família adepta de um clube rival, criou ligação ao Sporting através de amigos. Ainda que de um meio rural, onde era muito difícil ver jogos ao vivo do clube de coração, e em tempos de menos pujança futebolística, a vontade de ser Sporting foi crescendo, passando a defender com garras e dentes o Sporting Clube de Portugal.                                                                                                                                                 O Nuno não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.