a norte de alvalade

Por certo muitos Sportinguistas não se importariam de ficar mais velhos um mês no imediato, de forma a que os dias que ainda nos separam do inicio dos trabalhos da equipa de futebol tivessem passado. Dessa forma já poderíamos estar a constatar quais serão as grandes diferenças que a chegada de Jesus representará no desempenho da equipa, em particular na resposta aos diferentes momentos que um jogo de futebol coloca.

Poucos não se lembrarão do impacto que aquele que é o nosso actual treinador provocou na equipa do eterno rival e até de forma mais abrangente no futebol nacional, conquistando um campeonato em que não apenas venceu como o fez com elevada nota artística. Será possível conseguir repetir o mesmo feito, agora na equipa do seu coração? É tão impossível não o desejar como responder com segurança a esta pergunta. Mas é quase certo que, independentemente dos resultados, as diferenças serão notórias.

Que Jesus é este agora

O Jorge Jesus que chega agora ao Sporting é um treinador no zénite da carreira. A ambição é a mesma de sempre, as responsabilidades são agora ainda maiores, devido ao estatuto adquirido. Algumas derrotas inesperadas e até dolorosas conferiram-lhe algum realismo e atitude mais cínica, provavelmente fundamentais no título que acaba de conquistar.

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Responsabilidade total

Uma diferença radical relativamente ao que sucedeu nos dois anos anteriores será a responsabilidade do treinador no recrutamento de jogadores. Dificilmente Jorge Jesus não assumirá a total responsabilidade na escolha quer dos jogadores a dispensar como a adquirir. Depois do muito que se disse sobre o novo treinador e a formação será particularmente curioso observar o destino de alguns dos jogadores sobre os quais se reclamavam oportunidades na equipa principal. Ou que impressão causarão em JJ jogadores que, tendo chegado o ano passado com o selo de reforços, se ficaram pela desilusão. Terá algum deles direito à ressurreição?

jesus sporting
É hora de perceber o que é que Jorge Jesus pode trazer ao Sporting
Fonte: Sporting Clube de Portugal

4x4x2 ou 4x3x3?

Muito se fala já na possibilidade de a equipa abandonar o 4x3x3. Não me parecendo importante a disposição mas, sim, o equilíbrio e a eficácia; é natural que para a escolha seja determinante os jogadores à disposição de JJ.

É muita a curiosidade para perceber quem chegará para o centro da defesa com estatuto de titular indiscutível e quem lhe fará companhia. Toda a equipa terá que defender, mas será com os elementos do sector que trabalhará mais até apurar as melhores armas da sua equipa, determinantes para o seu modelo de jogo, muitas vezes asfixiante para o adversário, que é a transição e organização defensiva. O controlo da profundidade será um conceito que terá de ser completamente compreendido e dominado por uma equipa que jogará quase sempre em cima do meio-campo adversário.

Se a escolha recair no 4x4x2, é muito natural que Adrien e William tenham de reciclar as funções até agora desempenhadas, habituando-se a jogar de forma ainda mais coordenada. Adrien poderá ser um dos jogadores que melhores benefícios poderão recolher, para tal terá que melhorar a qualidade das suas decisões quer no que diz respeito à condução e entrega da bola quer no posicionamento e reacção à perda.

A qualidade individual dos elementos mais criativos é outro factor fundamental nas equipas de JJ. É ela a responsável por desmontar os tradicionais autocarros do nosso campeonato. Criatividade e velocidade de execução serão palavras que veremos mais vezes pronunciar. Para que tal aconteça é importante não falhar na escolha do substituto de Nani assim como na permanência de Carrillo. Este não só poderá manter a preponderância no nosso jogo, como revelam o número de assistências obtido, como antecipo que possa ainda crescer no número de finalizações.

Sendo também de esperar a chegada de um novo homem para o centro do ataque, será curioso perceber qual o perfil escolhido. E se JJ optará pelo homem de referência no ataque, à semelhança do que fazia Cardozo, ou se a escolha recairá numa dupla menos posicional. Quem será o segundo nome do ataque é outra das questões a atrair atenção. Fala-se muito em Montero, também em João Mário. Não descartaria a possibilidade de Labyad, conseguindo este debelar muito rapidamente as suas debilidades no momento de decidir, vir a ter um papel de destaque.

Uma mudança que se estima venha a ocorrer e que poderá ter importância decisiva em alguns jogos é uso de jogadas estudadas, aquilo a que se convencionou chamar bolas paradas. Num campeonato cujos potenciais vencedores ficam quase sempre definidos nas jornadas que levam o campeonato até ao Natal, falta saber quanto tempo precisará JJ para montar uma equipa à imagem e semelhança do melhor que já foi capaz.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

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