Confesso que, desde o anúncio da sua criação, sempre desprezei a Taça da Liga. Mas a forma como perdemos as duas primeiras finais (a primeira, com o Setúbal, por pura incompetência; a segunda, com o Benfica, devido a uma má decisão do árbitro mesmo no fim do jogo) agudizou e de que maneira esse meu sentimento. No entanto, não o nego: este ano queria mesmo vencê-la. O Sporting não ganha um título desde 2008 e está agora a renascer depois da pior fase da sua História; não havendo ainda estofo para o triunfo no campeonato, seria importante vencer uma das outras provas.

Desde o último Sábado, isso passou a ser impossível. E, como não podia deixar de ser com tudo o que envolve o Porto, os acontecimentos foram tudo menos transparentes. A segunda parte no Dragão começou com mais de quatro minutos de atraso, situação que viola a alínea 7 j) do artigo 23º do Regulamento da Liga. Segundo o Record de ontem, um dos convocados do Marítimo, que pediu anonimato (medo de represálias…?), referiu que a espera “foi anormal” e que “não é hábito esperar tanto tempo pelo adversário”. O clube já veio entretanto desmentir (sinal de que a desavença com o Porto por causa de Kléber está ultrapassada?), mas tudo isto é no mínimo intrigante. Sobre o penálti, apenas um comentário: na altura do Estoril-Sporting, não me juntei àqueles que reivindicavam um penálti sobre Montero. Para mim, tanto se aceitava marcar falta como deixar seguir o jogo. Mas é interessante ver a diferença de critérios. A somar a tudo isto, acrescento que o árbitro do Porto-Marítimo era Manuel Mota, o mesmo que anulou um golo limpo a Slimani que tirou o Sporting da liderança do campeonato. Estranhas, estas coincidências que pendem sempre para o mesmo lado.

Relembro que já a vitória do Porto com o Penafiel tinha sido polémica, uma vez que o quarto golo (aquele que os colocou à frente do Sporting) foi marcado em fora-de-jogo. Montero fica com a fama, outros com o proveito… Claro que tudo isto é discutido durante um dia ou dois, mas depois cai em saco roto e surgem desculpas como “os árbitros também erram”, “todos os grandes são beneficiados”, “o Porto foi prejudicado num jogo contra o Chaves, em 1987”, etc. Andamos nisto há mais de 30 anos. E, desta vez, o processo de branqueamento até começou mais cedo: mal os jogos tinham acabado, a TVI já dizia que tinha sido uma “jornada fantástica”… Ainda assim, é com alguma surpresa que noto que a teoria do Porto não coincide com a prática: dizem desprezar a Taça da Liga mas, na hora da verdade, usam todos os meios para continuar em prova e ainda festejam como se de um título se tratasse.

"Montero com o Estoril e Ghilas com o Marítimo: dois lances semelhantes, duas interpretações diferentes. Não é preciso dizer quem saiu beneficiado"
“Montero com o Estoril e Ghilas com o Marítimo: dois lances semelhantes, duas interpretações diferentes. Não é preciso dizer quem saiu beneficiado”

Posto isto, defendo que o Sporting deve retirar-se desta competição fraudulenta. Não sendo isso possível, apoiarei a medida de jogar com os juniores, já no ano que vem. Aliás, iria mesmo mais longe: o Sporting deveria adoptar uma posição de força, ameaçando com falta de comparência já no jogo contra a Académica – e, se nada mudar, jogar sob protesto. É verdade que a competição é diferente, mas a podridão é a mesma.

No meio disto tudo, parvos são os Sportinguistas, que perdem tempo e paciência a discutir com quem só sabe desconversar e ainda se fica rir. Não quero estar a confundir as coisas porque, dos pouquíssimos portistas que existem aqui em Lisboa, conheço quem saiba de que massa é feito Pinto da Costa e constate o óbvio – ou seja, que muitos dos títulos do Porto foram alcançados com recurso a métodos ilícitos. A esses, nada tenho a dizer. Mas aos restantes digo que, se insistem em branquear Pinto da Costa, não podem depois dizer uma palavra que seja contra a corrupção que grassa noutras áreas do país. Pura e simplesmente não têm moral para isso.

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Entretanto, Vítor Pereira, Presidente do Conselho de Arbitragem, veio dizer que as propostas do Sporting “não melhoram nada”, recusando o debate sobre a transparência no sector. Em vez disso, talvez devesse comentar as declarações de Paulo Fonseca, que dão cobertura às duras críticas do seu presidente à arbitragem e que chegam ao ponto de dizer que “existe uma campanha concertada para fragilizar o Porto e promover” Sporting e Benfica. Fosse alguém do Sporting a afirmar tal coisa e, muito provavelmente, haveria novo boicote aos nossos jogos por parte dos árbitros. É por estas e por outras que o dia em que Pinto da Costa deixar a presidência do Porto será aquele em que terá início, no futebol português, a desinfestação de uma praga com mais de três décadas. A boa notícia é que já faltou mais. Enquanto isso não acontece, porém, lá teremos de nos contentar com este futebol mesquinho… E, voltando ao jogo do Dragão, numa coisa dou razão a Paulo Fonseca, treinador a prazo do clube mais corrupto de Portugal: o que se passou no Sábado foi mesmo uma vitória “à Porto”.

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O João Sousa anseia pelo dia em que os sportinguistas materializem o orgulho que têm no ecletismo do clube numa afluência massiva às modalidades. Porque, segundo ele, elas são uma parte importantíssima da identidade do clube. Deseja ardentemente a construção de um pavilhão e defende a aposta nos futebolistas da casa, enquadrados por 2 ou 3 jogadores de nível internacional que permitam lutar por títulos. Bate-se por um Sporting sério, organizado e vencedor.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.