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«Se não for para jogar no Sporting CP, não quero voltar a Portugal» – Entrevista BnR com Luiz Phellype

Francisco Grácio Martins · 18 min

Luiz Phellype
Foto: FC Tokyo

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Professor Neca entrevista À BnR

Estava o sol a pôr-se em Tóquio e em Portugal nascera há poucas horas. Luiz Phellype, conta, é um jogador na plenitude das capacidades ultrapassada que está a lesão no joelho direito que o afastou dos relvados durante mais de um ano. A falta de espaço no Sporting CP levou-o a três empréstimos consecutivos. Atualmente, joga no FC Tokyo, clube que, em novembro, vai decidir se ativa a opção de compra que tem sobre o jogador. Luiz Phellype garante que só vai voltar a Portugal se for para jogar no Sporting CP.

– Terra do sol nascente –

«Os japoneses ficam uma hora depois do treino, quase todos os dias, a melhorar algum aspeto do jogo»

Bola na RedeFoste para o Japão em julho. Como tem estado a correr a adaptação?

Luiz Phellype: Essa é a parte mais difícil. Fiz a minha carreira toda na Europa, dos 18 aos 28 anos, e aqui é tudo diferente. Acho que já estou adaptado, mas, ao início, era difícil lidar com o fuso horário e com a alimentação, por exemplo. Nas primeiras semanas, estava muito calor aqui e sentia-me muito cansado. Agora, estou melhor, porque também estou a fazer um trabalho diferente com o clube.

Bola na RedeOu seja, o clube está a ajudar-te a minimizar os impactos das diferenças que existem face à Europa?

Luiz Phellype: Sim. Têm um cuidado especial com todos os estrangeiros e são muito respeitosos. Estava de férias e depois treinei uma semana no Sporting CP durante a pré-temporada antes de vir para aqui. O FC Tokyo já estava a jogar. Faltavam 12 jogos para acabar o campeonato, então eles estavam num ritmo completamente diferente. Aqui, o jogo é mais rápido e, como estava em ritmo de pré-época, foi ainda mais difícil. O clube sabia disso e tentou-me ajudar. Agora, sinto-me bastante melhor.

Fonte: FC Tokyo

Bola na RedeEm que aspetos é que eles te tentaram ajudar mais? Fisicamente?

Luiz Phellype: Fisicamente e culturalmente. Explicaram-me como é que funcionam as coisas. A forma como os japoneses jogam e treinam é muito diferente. Precisei de me adaptar rápido a isso.

Bola na RedePode-se dizer que foste bem recebido pelas pessoas.

Luiz Phellype: Tive amigos que jogaram aqui que me disseram que os japoneses acolhem muito bem e é verdade.

Bola na RedeNão foste para aí completamente sem conhecimento do clube e da realidade japonesa.

Luiz Phellype: Conhecimento do futebol japonês não tinha nenhum, mas outros jogadores disseram-me que era muito bom e que gostavam de estar cá. É uma mudança drástica, mas ajudaram-me bastante.

Bola na RedeA população japonesa é conhecida pela ética de trabalho. Também aplicam isso ao futebol?

Luiz Phellype: Na Europa, quando acaba o treino, ficamos ali dez, 15 minutos, no caso dos avançados, a treinar finalização. Aqui, os japoneses ficam uma hora depois do treino, quase todos os dias, a melhorar algum aspeto do jogo. Não é um pedido do treinador, não é um pedido de ninguém. Eles têm essa cultura que acho muito boa de querer evoluir, de querer fazer as coisas melhor.

Bola na RedeVives em Tóquio, uma cidade que tem mais pessoas do que Portugal inteiro. Ainda não te perdeste por aí?

Luiz Phellype: O Waze ajuda muito. Mesmo assim, por vezes, perco-me e vou por uma rua errada. É muita gente e são muitos carros. O trânsito é muito difícil. Os japoneses são bastante organizados, mas, mesmo assim, é difícil. Também é complicado entender a língua. Está tudo escrito em japonês, não há nada, pelo menos, escrito em inglês.

Bola na RedeComo é que comunicas com os teus companheiros de equipa?

Luiz Phellype: Não comunico. Eles dizem “bom dia” e “boa tarde” por causa dos brasileiros que já cá estavam. Por mais que tente, não percebo nada de japonês. Eles não falam inglês. É difícil, mas fazem muito esforço para me compreenderem. O clube tem um tradutor, mas para conversar com os outros jogadores tenho que fazer mímica. Falo muito com os brasileiros e, mesmo com os japoneses, estamos sempre a brincar. O futebol é uma língua universal. Dentro do campo entendemo-nos.

Bola na RedeEm termos de gastronomia, és apreciador da comida japonesa?

Luiz Phellype: Gosto de sushi, mas gosto do sushi falso, isto é, o sushi que comemos no Brasil e Portugal, frito, com queijo… O sushi deles aqui é o tradicional e não gosto muito.

– Futebol sem vícios –

«A Liga Japonesa e a Liga Portuguesa, tirando as equipas grandes, estão ao mesmo nível»

Bola na RedeComo é que caracterizas o futebol japonês?

Luiz Phellype: É muito rápido. Os japoneses gostam muito de correr. Já sabia que essa era uma característica deles. O jogo tem poucas faltas. Lances em que na Europa, normalmente, se marca logo falta, aqui deixam andar para que o jogo flua. É sempre a andar.

Bola na RedeIsso prejudica as tuas características?

Luiz Phellype: Não. Também não gosto do jogo muito parado. Na Europa, tem-se muito o costume de, quando é apitada uma falta, os jogadores irem reclamar com o árbitro. Aqui, eles não fazem isso. Se o árbitro marcou, está marcado. Gosto disso, mas é uma realidade nossa. Faltas que marcavam sobre mim na Europa, aqui, muitas vezes, não se marcam. Por vezes, vou para o chão a pedir falta e não é. Precisei de me habituar a isso, porque são vícios que ganhamos quando estamos na Europa. Não podemos parar para pensar nisso, o jogo está a decorrer.

Bola na RedeE a tua equipa, como é que caracterizas? Têm um treinador espanhol, Albert Puig. É uma equipa europeia a jogar na Ásia?

Luiz Phellype: É um treinador que está a tentar implementar o estilo espanhol, de ficar com a bola, não a perder, ter bastante posse, sair a jogar de trás. No entanto, está a ter dificuldades, porque leva tempo mudar a cultura de jogo. O FC Tokyo, há três anos, foi vice-campeão (nunca foi campeão). É um clube que tem crescido bastante. Hoje, é um clube de primeira metade da tabela. O objetivo é que o FC Tokyo seja campeão em três, quatro anos. Com mais tempo e mantendo o trabalho que está a ser feito é possível que aconteça. Contrataram um treinador europeu para isso e têm cinco jogadores estrangeiros. É um clube bem estruturado e que joga com 50 mil pessoas no estádio.

Bola na RedeConheces a realidade do futebol português e do futebol japonês. Atualmente, temos muitos jogadores nipónicos a virem para o campeonato português. Como é que o Japão olha para o futebol em Portugal?

Luiz Phellype: A qualidade dos jogadores japoneses surpreendeu-me bastante. Quando estamos na Europa, não olhamos muito para o futebol asiático. Pensamos que os asiáticos têm um nível diferente e que a Europa é o centro do mundo, porque tem a Liga dos Campeões, a maior competição. Só que também há muita qualidade no Japão. As equipas sabem jogar bem. Por exemplo, no FC Tokyo, praticamente todos os jogadores têm capacidade para jogar em Portugal. Não sei se nas equipas grandes ou não, mas todos têm capacidade para jogar em Portugal. Os jogadores japoneses que saem daqui são admirados por deixar um país onde as coisas funcionam perfeitamente, deixam a sua casa e vão para Portugal para ganhar bem menos do que ganham aqui. Vão tentar o sonho de jogar na Europa e têm o respeito das pessoas. Sinceramente, acho que a Liga Japonesa e a Liga Portuguesa, tirando as equipas grandes, estão ao mesmo nível.

Bola na RedeAchas que não há uma discrepância muito grande entre o campeonato português e o campeonato japonês?

Luiz Phellype: O futebol europeu é mais pensado. Aqui, os japoneses aceleram o jogo sempre que podem. Tecnicamente, não vi diferença, o que me surpreendeu.

– A dor da ausência –

«Se não for para jogar no Sporting CP, não quero voltar a Portugal»

Bola na RedeComo é que ficou decidido que o Sporting CP te ia emprestar novamente, desta vez, ao FC Tokyo?

Luiz Phellype: Ainda tenho contrato com o Sporting CP, mas soube que não ia ficar lá esta época. Desde que saí do Sporting CP e fui para o CD Santa Clara, tinha em mente que não queria jogar mais em Portugal. Já eram vários anos em Portugal e queria experimentar coisas novas. Foi essa a indicação que dei aos meus agentes. No entanto, naquele momento, precisava de voltar a jogar, porque tinha ficado mais de um ano parado por lesão e o que tinha era o CD Santa Clara. Depois, fui para a Grécia, uma vez que um amigo, que já tinha sido meu treinador, me ligou e disse que precisava de mim lá. Fui e as coisas correram muito bem. Fiz 13 jogos e oito golos. Aí, surgiu o convite do Japão. Achei que era uma boa oportunidade e aceitei sem pensar muito. Se não for para jogar no Sporting CP, não quero voltar a Portugal.

Bola na RedeDesiludiram-te as diferenças entre um clube como o Sporting CP e o CD Santa Clara?

Luiz Phellype: Não foi conhecer a realidade, foi a forma como saí do Sporting CP. Saí por causa de uma lesão, não porque as coisas não estavam a correr bem ou porque não estava a marcar. Encontrar uma realidade como o CD Santa Clara outra vez, foi difícil. Ainda tinha dores no joelho. Não conseguia fazer tão bem as coisas. O CD Santa Clara não é um clube tão bem estruturado para cuidar da minha lesão, não desmerecendo o CD Santa Clara, pois tentaram fazer o melhor com o que tinham.

Bola na RedeDurante o empréstimo ao CD Santa Clara, ainda jogavas com dores?

Luiz Phellype: Para jogar, tomava um remédio, mas treinava com dores e não conseguia fazer o que normalmente sei fazer. Jogar com dores limita muito, ainda para mais quando se está um ano sem jogar. Não tive muitos minutos e as coisas não funcionaram. Isso mexeu muito com o meu psicológico. Pensava “será que a lesão me vai acompanhar o resto da minha vida?”, “será que já não sou o jogador que era?”. A minha saída para a Grécia foi muito importante. Sair de Portugal e do ambiente que estava a viver foi importante para ver que estava tudo bem. O joelho melhorou e deixei de pensar nisso. Percebi que ainda sabia jogar, que ainda sabia marcar golos. A ida para a Grécia devolveu-me confiança.

Bola na RedeChegaste a procurar apoio psicológico para lidares com a situação da lesão?

Luiz Phellype: Enquanto estive no Sporting CP, tive consultas com o psicólogo e, depois, no CD Santa Clara também. As coisas estavam muito difíceis. Não estava feliz. O jogador é feliz a jogar. Como não podia jogar, não estava feliz. A lesão mexeu muito com o meu psicológico. Quando cheguei ao Sporting CP, ao nível do campeonato, joguei os últimos oito jogos e marquei oito golos. Vencemos a Taça de Portugal também. Na época em que tive a lesão, em janeiro, já levava nove golos. Então, tinha outros planos. Também queria ter sido campeão português, tal como o Sporting CP foi depois. Também ter jogado a Liga dos Campeões. De repente, vi isso tudo ir por água abaixo por uma coisa que não tive culpa. Sofri bastante com isso. Na minha cabeça, só queria sair de Portugal. No final, estava certo, porque, assim que saí, as coisas começaram a correr bem de novo.

Bola na RedeSentes que o apoio psicológico é importante para a resolução dos problemas que se passam na vida de um jogador de futebol?

Luiz Phellype: Hoje, vejo que sim. Sempre me disseram que o apoio psicológico é importante, mas como estamos sempre a jogar e a treinar, não parava para pensar nisso. Até que veio a lesão. Fui impedido de treinar e jogar, que era uma coisa à qual não estava habituado. Nunca tinha tido uma lesão séria. Não sabia reagir a isso. De repente, foram nove meses sem pôr o pé no campo. Os jogadores fazem bem em investir nos próprios psicólogos e os clubes também deviam disponibilizar esse apoio aos atletas. No Brasil, durante a minha formação, todos os jogadores tinham que ir ao psicólogo uma vez por semana. Se todos os clubes tivessem psicólogos, as coisas seriam mais fáceis, principalmente para quem joga em clubes grandes onde há mais pressão. Sair sozinho de momentos negativos não é fácil.

Bola na RedeAtualmente, já te sentes na plenitude das tuas capacidades?

Luiz Phellype: Já. Depois de ter deixado de ter dores, as coisas voltaram a florescer. Um jogador sem confiança não consegue fazer nada. Agora, só a jogar é que as coisas vão acontecer.

Bola na RedeEm termos desportivos, que balanço fazes da experiência no FC Tokyo?

Luiz Phellype: Acho que tem sido bom, apesar de não ter jogado muito. Sinto-me bem nos treinos e nos jogos também. Ainda temos cinco jogos para fazer até acabar o campeonato. Esperamos terminar da melhor maneira possível.

Bola na RedeJá pensaste como vai ser o teu futuro quando o campeonato terminar, em novembro?

Luiz Phellype: Já passei muito tempo da minha vida a fazer planos. Depois da lesão, vi que não adianta fazer planos. Tenho que pensar no momento. O que acontece depois não me interessa. Estou focado no que tenho que fazer agora.

Bola na RedeO FC Tokyo demonstrou interesse em ativar a cláusula de compra?

Luiz Phellype: Ainda não sei. O clube só tem que decidir isso no final do empréstimo. Por enquanto, o feedback que tenho é que gostam e veem qualidade em mim.

Bola na RedeO certo é que, em novembro, vais ter que decidir algo em relação ao teu futuro.

Luiz Phellype: Sim. Quando acabar o campeonato, o FC Tokyo tem um prazo para resolver a situação. Quando souber o que eles querem fazer, penso no futuro e no próximo passo.

Bola na RedeOs responsáveis do Sporting CP têm acompanhado o teu trabalho nos vários empréstimos que tens tido?

Luiz Phellype: Eles acompanham todos os jogadores deles, mas nunca entraram em contacto diretamente comigo. Não mantenho contacto com ninguém da direção nem da equipa técnica do Sporting CP.

Bola na RedeManténs viva a ambição de regressares ao Sporting CP?

Luiz Phellype: Sinceramente, não sei. Sempre disse que queria voltar e que achava que poderia ser útil. Só que, nestes últimos dois anos, o Sporting CP não se interessou, nem falou comigo para voltar. Tenho contrato com o Sporting CP. Se o Sporting CP precisar de mim, eu vou. Quero fazer aqui o meu trabalho o melhor que puder.

Bola na RedeComo foi o início desta época em que estiveste a treinar à parte na Academia do Sporting CP até definires o próximo passo?

Luiz Phellype: Já me tinha acontecido na época anterior. Estar ali é complicado. Treinamos mesmo ao lado do campo principal. Muitas vezes, acabamos o nosso treino e a equipa está a treinar. Ficava a pensar que poderia estar ali. É difícil.

Bola na RedeFoi o mister Rúben Amorim que te comunicou que ias treinar à parte?

Luiz Phellype: Não. Só me disseram quando é que me tinha que apresentar. A apresentação acho que era dia 10 de julho, mas eu já estava em Portugal no dia 28 de junho. Pedi para começar a treinar mais cedo. A direção deixou e comecei a treinar antes dos outros. Não falei com Rúben Amorim nem com ninguém da equipa técnica.

 

– À boleia do leão –

«Quando joguei no Sporting CP, nunca tive uma equipa tão competitiva como a atual. Numa equipa como a de agora, não havia como as coisas não acontecerem»

Bola na RedeTens acompanhado o campeonato português, apesar da diferença horária?

Luiz Phellype: Não consigo acompanhar os jogos, mas vou vendo os resultados e os resumos. O Sporting CP não está muito bem agora. Acho que foi só uma fase. Na Liga dos Campeões, as coisas estão a correr bem. Agora, vão estabilizar e vencer os jogos. Não acho que vão continuar a empatar e perder, pois não é uma característica de uma equipa do Rúben Amorim.

Bola na RedeAchas que o Sporting CP vai recuperar do momento que está a viver?

Luiz Phellype: Psicologicamente, a equipa é muito forte e está habituada a passar por momentos difíceis. O título foi um voto de confiança para os jogadores. O Sporting CP teve a saída do Palhinha e do Matheus Nunes que atrapalharam um pouco. É uma questão de adaptação. Vai entrar alguém e encaixar no modelo da equipa. O Sporting CP vai recuperar os pontos que precisa para andar no cimo da classificação como nos outros anos. Se vai chegar para ser campeão ou não, não sabemos.

Bola na RedeÉs apreciador do que Rúben Amorim tem feito no Sporting CP?

Luiz Phellype: Sou. É inegável que, antes dele, o Sporting CP era completamente diferente. Na época anterior à chegada dele, tivemos três treinadores, o que atrapalha muito. Quando ele chegou, fez as coisas à maneira dele e foi campeão. Foi campeão depois de quase 20 anos. Depois, fez uma boa campanha na Liga dos Campeões. O Sporting CP está a ganhar jogos que, normalmente, não ganharia, como foi o caso do Tottenham HFC ou do BVB Dortmund. O trabalho dele está a ser muito bom.

Bola na RedeNa equipa do Sporting CP não abundam pontas de lança. Seria uma boa oportunidade para te encaixares ali?

Luiz Phellype: Confio em mim. Quando joguei no Sporting CP, nunca tive uma equipa tão competitiva como a atual, uma equipa que realmente lutasse pelo título, e mesmo assim marquei os meus golos e fiz o meu trabalho. Numa equipa melhor como a de agora, não havia como as coisas não acontecerem. O Rúben Amorim quer jogar com um avançado na frente, só que o Paulinho tem vivido uma fase de instabilidade e tem sofrido muito com a exigência e, às vezes, é melhor preservar o jogador do que o perder de vez. O Rúben Amorim usa ponta de lança, nem que seja um jogador improvisado. A estratégia do treinador é essa e acho que eu podia ajudar.

Bola na RedeQual é a tua opinião em relação ao Paulinho, que é o jogador com as características mais adequadas à posição?

Luiz Phellype: É um bom jogador. É bom tecnicamente e finaliza bem. O Paulinho veio do SC Braga, mas o Sporting CP é muito maior. Chegar ali e as coisas não acontecerem logo de início cria uma pressão muito grande. Até pelo valor pelo qual ele foi comprado criaram-se grandes expectativas à volta dele. O Paulinho já deu provas no SC Braga de que é bom jogador. Se ele conseguir resgatar as confianças, as coisas vão correr bem.

Bola na RedeArrisco-me a dizer que o título mais importante que ganhaste até hoje foi a Taça de Portugal, em 2018/19.

Luiz Phellype: Uma Taça de Portugal, para o Sporting CP, talvez não seja assim tanta coisa, mas para mim foi. Vim do Paços de Ferreira FC que, naquele momento, estava na Segunda Liga, pelo que cheguei ao Sporting CP debaixo de muitas críticas. Inicialmente, era o Bas Dost que jogava de início e, quando eu entrava, não conseguia marcar. Sofri muito com críticas e ataques. Naquele momento em que marquei o último penálti, foi um desabafo. Foi muito importante, como se estivesse a provar a mim mesmo que era capaz e que o Sporting CP estava certo em contratar-me. Tudo foi especial nesse dia. Está gravado na história.

Bola na RedePara além do Bruno Fernandes, nessa equipa tinham um jogador que está a dar que falar hoje em dia no futebol internacional que é o Raphinha. Já imaginavas que ele podia ter o sucesso que está a ter hoje?

Luiz Phellype: O Raphinha, quando estava no Sporting CP, tinha 22 anos e já era um jogador que queria algo maior. Trabalhava muito forte nos treinos e era humilde. Já esperávamos que o Bruno Fernandes fosse dar o salto e, sinceramente, não tinha dúvidas que o Raphinha também ia. Quando ele saiu para França, achei um erro sair de um clube do tamanho do Sporting CP e ir para o Stade Rennes FC. Só que, quando tens talento e trabalhas, não importa para onde vais.

Bola na RedeQue condições te deu o FC Paços de Ferreira que tenham contribuído para renderes ao ponto de suscitares interesse de clubes como o Sporting CP?

Luiz Phellype: Visibilidade. Cheguei ao Paços e não jogava muito. Quando saí de lá, era o melhor marcador da Segunda Liga e chamei a atenção dos grandes.

Bola na RedeQuando chegaste ao Sporting CP a exigência era maior…

Luiz Phellype: O meu nível de exigência também era muito alto. Queria evoluir e fazer parte do grupo. É uma outra realidade. É um clube que luta para ser campeão e joga na Liga dos Campeões, não é um clube que luta para se manter na Primeira Liga.

Bola na RedeA maior mostra da exigência que existia era o Bruno Fernandes e a forma como sempre cobra o máximo dos colegas. Exigia muito de ti?

Luiz Phellype: Não só a mim, mas a todos. Nós éramos muito próximos. O Bruno Fernandes dava-me boleia para os treinos, porque eu ainda não tinha carta de condução e falávamos muito sobre o que é que fazia mal e o que é que tinha que fazer melhor. O Bruno tem aquele estilo dele, mas ele quer é vencer o jogo. A cobrança dele fez-me evoluir bastante. Às vezes, não é fácil aturar o Bruno, mas é boa gente e gostei muito de trabalhar com ele.

Bola na RedeO Bruno Fernandes fazia de teu chauffeur…

Luiz Phellype: O Bruno, o Max e o Raphinha. Foram os três os meus Ubers.

Bola na RedeO que é que isso revela em relação ao grupo que tinham no Sporting CP?

Luiz Phellype: Entre nós, era tudo muito bom. Não havia inimizades. Não era toda a gente amiga de toda a gente, até porque isso não acontece em nenhuma equipa. Dentro do campo, tentávamos fazer as coisas bem. Estávamos num momento de pressão após o presidente, Frederico Varandas, ter acabado de assumir o clube. Ou a equipa se unia para tentar fazer as coisas ou não ia dar certo.

Bola na RedeQual foi o melhor conselho que já te deram no mundo do futebol?

Luiz Phellype: “Faz o teu melhor, há sempre alguém a ver”. A determinado momento, fui para Angola. Não estava a jogar no GD Estoril Praia e queria sair. Mesmo em Angola, quando achei que estava esquecido e que ninguém me estava a ver, tive a oportunidade de ir para o FC Paços de Ferreira, porque fiz uma boa época. Não importa onde estejas, faz o teu melhor, as pessoas estão a ver e o teu trabalho vai ser recompensado.

Bola na RedeO que é que o Luiz Phellype ainda não alcançou no futebol e quer alcançar?

Luiz Phellype: Sou realizado com a carreira que tenho. O meu sonho de criança era jogar num clube grande e joguei. Era ser campeão num clube grande e fui campeão. Só por ser jogador de futebol, já fiquei realizado, porque era o que sempre quis ser. Tenho mais uns anos pela frente e quero desfrutar. A carreira passa muito rápido.

 

Francisco Grácio Martins

Redação Bola na Rede · ver artigos