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Jogou-se, esta noite (mais uma vez, a uma hora parva), em Alvalade, o embate entre Sporting e Olhão. Perante quase 30 mil pessoas, os regressos de William e Jefferson aumentavam a responsabilidade de vencer em casa. Pedia-se um início enérgico, pressão desde o primeiro minuto e, de preferência, um golo marcado cedo, para o jogo não “bloquear”, como já tem acontecido, nomeadamente, nos empates em casa contra Académica e Rio Ave.

A equipa entrou bem. Rápida, a fazer circular bem a bola, atrevida, a criar perigo pelas alas, através de Mané e Heldon. O golo acabaria por surgir (naturalmente), ainda no primeiro quarto de hora, através de uma jogada de génio de Montero, a servir Mané, que encostou bem dentro da pequena área.

A praticar um futebol apoiado, a pressionar alto, a não deixar jogar o Olhanense, o segundo golo acabaria por aparecer, perto da meia hora de jogo, inexplicavelmente anulado pelo fiscal de linha. Seria o regresso aos golos do Colombiano, que protagonizou uma excelente exibição, não só no trabalho de área, como também a empurrar a equipa para a frente, a descer para perto dos médios e distribuir nas alas, bem como na primeira fase de recuperação.

A primeira parte acabaria por terminar com o domínio claro do Sporting, ficando a sensação de um resultado mentiroso.

Apesar do golo mal anulado, Montero foi o melhor em campo. Fonte: Lusa
Apesar do golo mal anulado, Montero foi o melhor em campo.
Fonte: Lusa

Na segunda parte, o ritmo baixou um pouco e o jogo ficou menos apelativo. No lado dos algarvios, entrou Pelé, que trouxe mais atrevimento aos visitantes e deixou menos bola aos Leões, o que acabou por manchar um pouco o jogo, comparando com a grande dinâmica que se vira na primeira parte. O Sporting ficou mais na expectativa, tentando explorar as saídas rápidas dos seus extremos, que acabaram por mostrar algum desgaste.

Leonardo Jardim viria a refrescar os corredores, com as entradas de Wilson e Carrillo, que vieram dar mais criatividade e emoção à equipa. Carrillo, melhor, conseguiu, por duas vezes, levantar o Estádio, com remates de bandeira; o segundo a ficou a um poste de distância do golo do Peruano.

O Olhanense ainda assustou, perto do fim, ameaçando evocar os fantasmas de épocas passadas, mas Rei Patrício, aniversariante da noite, teimou em assinar mais uma clean sheet. Parabéns e obrigado, capitão!

Destaques às exibições de Jefferson, Cédric, William (enorme, não só a defender, mas como primeiro elemento de construção), Adrien e Fredy (o melhor em campo). Quanto à “seca” de golos do 17… enquanto continuar a trabalhar assim, não estou minimamente preocupado, porque há muito mais gente capaz de fazer golos nesta equipa. Sinto a sua frustração e percebo a sua fome, mas os golos hão-de voltar. E, quando o primeiro (que decidirem não anular) estiver lá dentro… saiam da frente d’el Avioncito.

Hoje, não ganhámos pela diferença com a qual deveríamos ter vencido. Não estamos na frente do Campeonato. Já não temos uma média de quatro golos por jogo. Mas este Sporting ainda me faz feliz. Como disse o treinador do Olhanense, Giuseppe Galderisi, na flash interview… “You nou… Iznotizi…

Missão cumprida. Objectivo alcançado. Próxima paragem: Vila do Conde.

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O Jorge é uma espécie de "enviado especial" do Bola na Rede. A viver em Londres, acompanha religiosamente a Liga Inglesa e sofre de longe pelo seu Sporting. A distância não esmorece, porém, a paixão pela bela da bifana, pela imperial gelada, pela queijadinha de Sintra e por tudo o resto que é sinónimo de bola e de Portugal.                                                                                                                                                 O Jorge não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.