Pela primeira vez desde o empate a zero com o Benfica para o campeonato, a 5 de maio deste ano – parece que já foi há uma eternidade, não é? -, a equipa sénior de futebol masculino do Sporting CP voltou a jogar no Estádio José Alvalade. E fê-lo num ambiente de apoio dos adeptos que oscilava entre a vontade fervorosa de esquecer o capítulo mais negro da história do clube e um receio de que esse trecho ainda não esteja concluído.

Liderados pelo «novo» capitão de equipa, Nani, e com o «novo» técnico, José Peseiro, no banco, os leões não podiam ter começado de pior maneira: após atraso de Ristovski para Emiliano Viviano, o substituto de Rui Patrício, este último não repara na aproximação rápida de Valerie Germain e, devido a um toque menos bom, dá ao avançado francês a bola e um dos golos mais fáceis da sua carreira. Três minutos e estava feito o 1-0.

Tanto os adeptos como os jogadores reagiram bem a este desgosto. Nas bancadas ouviam-se aplausos para o infeliz guardião; em campo viram-se duas grandes oportunidades de golo nos cinco minutos seguintes, ambas para Nani.

Anúncio Publicitário

Mas, até ao intervalo, pouco de relevante aconteceu. O grande destaque dos 45 minutos iniciais acaba por ir para Wendel e Nani. O primeiro, que poucas hipóteses teve no ano passado, aproveitou a saída de William Carvalho do clube e ausência de Rodrigo Battaglia (cujo regresso está confirmado) para mostrar o que sabe fazer. Puxou os cordelinhos no meio campo leonino, sendo o catalisador de grande parte das investidas ofensivas dos verde e brancos. O segundo apresentava-se como o mais inconformado da equipa: queria que o seu segundo regresso a Alvalade fosse de boa memória, e como tal procurou várias vezes rematar à baliza, muitas vezes de longe, sempre sem resultado.

Apesar do controlo da partida, os leões foram para o balneário a perder, perante uma equipa marselhesa que ia matando o ritmo de jogo através de uma abordagem mais dura, enquanto procurava surpreender no contra ataque. O erro de Viviano era o que separava as duas equipas.

Ao intervalo, a única alteração na equipa do Sporting foi no equipamento, com o clássico verde e branco e dar lugar à camisola alternativa cinzenta.

Germain festeja após oferta de Viviano
Fonte: Olympique de Marseille

Mas a mudança de visual parecia não ser suficiente: o quarto de hora inicial da segunda parte foi caracterizado por uma letargia da equipa leonina e um contentamento do Olympique Marseille com o resultado. Felizmente para o Sporting, esta apatia foi interrompida quando, aos 62 minutos, Bruno Fernandes descobre André Pinto na grande área francesa; o central portugês ainda vê o seu cabeceamento defendido por Yohann Pelé, mas na recarga consegue fazer o empate.

Este acabou por ser o último contributo de André Pinto para a partida, pois logo a seguir foi um dos cinco jogadores a dar lugar a outra mão cheia de substitutos. Entre estes contaram-se três novas contratações: Marcelo, Bruno Gaspar e Raphinha.

A partir daqui, a história do jogo caminhou para um fim que parecia anunciado desde o golo do Sporting: um empate. Os leões mantiveram a sua atitude mais ofensiva, enquanto José Peseiro aproveitava para dar minutos de jogo aos suplentes: acabou por fazer onze substituições, que funcionaram como uma espécie de momento de ovação para os jogadores, nomeadamente aqueles que regressaram após as rescisões de junho. Bas Dost e Bruno Fernandes receberam uma espécie de novas boas-vindas por parte dos adeptos leoninos.

Em certa medida, esta apresentação foi um ensaio geral para grande parte das restantes partidas no Estádio José Alvalade. O Sporting embateu numa equipa que se contentou com o empate e que procurou estagnar o ritmo do adversário, através de faltas ou do chamado anti-jogo. E acabou mesmo por conquistar essa igualdade, em grande parte graças a um erro que, esperam os leões, não se irá repetir daqui para a frente.

Onzes iniciais:
Sporting – E. Viviano (Salin 81’); S. Ristovski (Bruno Gaspar 62’); J. Mathieu (S. Coates 86’); André Pinto (Marcelo 62’); Jefferson (M. Acuña 81’); R. Petrovic (Lumor 86’); Wendel (Misic 62’); Nani (Jovane Cabral 81’); Matheus Pereira (Raphinha 62’); B. Fernandes (Bas Dost 86’); Fredy Montero (Castaignos 62’)

Olympique Marseille – Yohann Pelé; Hiroki Sakai (Sertic 52’); Luiz Gustavo; Tomás Hobocan; J. Amavi; Zambo (Max Lopez 72’); B. Sarr; Sanson (Perrin 90’); Clinton N’Jié; D. Payet (R. Cabella 90’); V. Germain (K. Mitroglou 90’)