A CRÓNICA: UM SPORTING CP COMPETENTE DILATA VANTAGEM NA CLASSIFICAÇÃO

Hoje o Sporting CP podia dar mais três “Paços” em busca do reforço da liderança do campeonato. Depois dos deslizes de FC Porto e SL Benfica (que não foram além do empate esta jornada), o conjunto ia tentar impor a sua força esta noite em Alvalade de forma a conquistar os três pontos e ficar assim a 13 e 10 de águias e dragões, respetivamente.

O jogo começa bonito, com os dois conjuntos a confirmaram desde cedo o porquê de serem considerados por muitos as duas equipas “sensação” deste campeonato. De qualquer das formas, o Sporting ia ameaçando mais nos primeiros minutos da partida, procurando sempre privilegiar a profundidade sempre com o passe muito bem controlado. Por sua vez, o conjunto de Pepa de certa forma também concedeu esse domínio leonino. Tentando, por vezes, responder em contra-ataque, mas sem grande êxito. Em terrenos mais recuados, o Paços estava irrepreensível defensivamente. Uma muralha que acabou por desmoronar depois de uma má abordagem individual. Aos 19 minutos, Rebocho faz falta sobre Pedro Gonçalves dentro da área e é assinalada grande penalidade. Para a cobrança, João Mário converteu a penalidade em golo, o primeiro esta noite em Alvalade.

Nos minutos finais da primeira parte, o Paços começou a despertar e causar mais perigo na área adversária. Tanque começou a fazer jus ao apelido e começou finalmente a causa estragos na frente do terreno. Em termos coletivos, a equipa de Pepa tentou apostar mais naquilo que o Sporting fez até ao golo. Na reta final do primeiro tempo, o Paços teve mais qualidade na posse e isso permitiu-lhe mais investidas no último terço. Uma delas aos 42 minutos, onde Adán teve de mostrar serviço face a uma grande jogada do Paços pela esquerda que resultou num remate potente de Luther Singh. À Semelhança daquilo que os leões estavam a fazer até ao golo, o Paços começou a apostar numa construção mais pensada, nas triangulações rápidas, com um bloco mais junto dentro do terreno.

A segunda parte não podia ter começado de melhor maneira para os comandados de Rúben Amorim. Muito se tem falado de Palhinha fora de campo, mas o que é certo é que foi o médio que deu que falar dentro das quatro linhas aos 48 minutos. Foi um grande golo, seguido de canto batido na direita por Pedro Porro. Palhinha, de pé direito, encheu o pé e rematou sem hipótese para Jordi. A equipa da capital do móvel voltou a reagir bem ao golo sofrido. O Paços até conseguiu criar novamente perigo no reduto do espanhol Adán.

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Os restantes minutos permaneceram com a mesma qualidade como aquela que houve até aqui. As duas equipas conseguiram voltar a “recarregar baterias” depois das substituições feitas no final dos sessenta minutos de jogo. E, com isto, o duelo conseguiu manter a mesma intensidade até aos minutos finais. Duas equipas a praticar um “futebol espetáculo”, onde de um lado houve um Sporting bem resolvido e consistente. E do outro, um Paços que não teve medo, que não abdicou das suas ideias e que veio a Alvalade justificar o lugar na tabela classificativa. Feitas as contas, são mais três pontos para o Sporting e um aumento da vantagem perante os eternos rivais. Eu cá não sou de intrigas, mas começa a ser difícil não vermos este Sporting como um sério candidato ao título. Mas, ainda assim, percebo a estratégia de Rúben Amorim sobre o discurso do “jogo a jogo”.

A FIGURA

Sporting
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Consistência leonina – Vamos por partes: se há coisa que não tem faltado ao Sporting é consistência. Quer ao longo do campeonato, quer mesmo durante os jogos. É verdade que o último duelo em Barcelos pode acabar por “ferir” esta ideia, mas o percurso da equipa de Rúben Amorim não mente e mostra bem aquilo que tem sido feito até aqui. Quanto ao jogo de hoje, a palavra que encontro para a prestação destes leões é também consistência. Apesar de não ter dominado ao longo dos noventa minutos, o Sporting conseguiu sempre controlar o rumo do jogo e, deste modo, também o resultado.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Paulinho – Foi um jogo ingrato para Paulinho. Esteve algo apagado, muito por causa da aposta do Sporting na profundidade. Bem sabemos que este jogador é bem mais forte noutras andanças e isso sentiu-se hoje dentro de campo. Qualidade todos a reconhecem, mas a vinda de Paulinho está a exigir o “típico tempo de adaptação”.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Depois do susto em Barcelos que acabou por ter um final feliz, Rúben Amorim decidiu trocar algumas peças no onze inicial dos leões. Neto, Antunes, Matheus Nunes e Nuno Santos saltaram fora para dar a entrada a Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, João Mário e Tiago Tomás.

Alinhado no 3-4-3, o Sporting apostou muito na profundidade. Uma forma de jogar que apagou um pouco Paulinho no jogo. Sendo este um avançado que procura mais as triangulações, que precisa de apoio na frente de ataque, acabou por aparecer sobretudo nas vezes em que os leões atacavam mais em bloco e perto da área. Por sua vez, Tiago Tomás estava a ser a principal figura nas bolas longas.

O Sporting apresentou um bloco muito coeso, com as linhas muito juntas, com João Mário a conseguir segurar a bola depois da primeira fase de construção impulsionada pelos centrais do clube de Alvalade.

 

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Adán (6)

Feddal (6)

Coates (7)

Gonçalo Inácio (6)

Nuno Mendes (5)

Pedro Porro (6)

Palhinha (7)

João Mário (7)

Tiago Tomás (6)

Pedro Gonçalves (6)

Paulinho (4)

SUBS UTILIZADOS 

Nuno Santos (6)

Tabata (5)

Matheus Nunes (5)

Jovane Cabral (5)

Matheus Reis (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PAÇOS DE FERREIRA

Pepa decidiu também fazer duas alterações em relação ao duelo frente ao Portimonense SC. Entraram de inicio desta vez Maracás (um jogador que controla melhor a profundidade e também o central mais rápido do Paços) e Bruno Costa (que muitas vezes desempenha o papel de organizador de jogo dos castores) ao invés de Marcelo e Diaby, que começaram a ver este jogo do lado de fora.

Pepa apostou no seu habitual 4-3-3, inicialmente muito na expectativa e na aposta do contra-ataque. Estava a tentar aproveitar o adiantamento das linhas do Sporting e tentando colocar as bolas nas costas da defesa verde e branca. Apesar de terem sido poucas as investidas no início do primeiro tempo, nas poucas que existiram, Adán e os centrais estavam a conseguir controlar os lances. Ao nível defensivo, a equipa de Paços de Ferreira também esteve muito bem. Pagou foi caro por um erro individual aos 19 minutos.

Depois do primeiro golo, Pepa decidiu alterar o paradigma (na minha opinião, de forma inteligente). Tentou ter mais posse, juntar mais as suas linhas e longe das extremidades do campo (aliás, todo este jogo foi sobretudo na zona central). Apostou ainda nas triangulações rápidas para a construção. Com isto, o Paços de Ferreira conseguiu chegar mais vezes ao último terço do terreno e com mais perigo. Mas do outro lado esteve um Sporting competente que conseguiu estancar as investidas dos castores.

 

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Jordi (5)

Fernando (5)

Marco Baixinho (6)

Maracás (6)

Rebocho (4)

Bruno Costa (5)

Eustáquio (6)

Luiz Carlos (5)

Luther (5)

Helder (5)

Douglas Tanque (5)

SUBS UTILIZADOS

Uilton Silva (4)

João Amaral (5)

Marcelo (5)

João Pedro (5)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

BnR: Já tocou neste ponto, mas pergunto-lhe se voltava a apostar em Paulinho tendo em conta as caraterísticas do jogo, pergunto-lhe se voltava a apostar no avançado de início, uma vez que o Sporting apostou essencialmente na profundidade. Visto que Paulinho é um avançado que procura buscar mais a triangulação e pede mais apoio. Por outro lado, Tiago Tomás foi a referência quando o Sporting atacou em bloco e perto da área adversária. 

Rúben Amorim: Como disse, o Paulinho gosta de jogar mais em triangulações, mais em apoio, em diagonais curtas. Tendo o TT, o Paulinho e Pote neste jogo. O TT dava-nos a profundidade, o Paulinho outro jogo. E é mesmo isso. Em vez de termos apenas um jogador, o TT ou o Sporar para nos dar profundidade. Também Nuno Santos, por exemplo, Jovane e Tabata. Sabendo que o Paulinho é muito forte na sua forma de jogar. É um jogador também mais forte dentro da área, dá-nos outra possibilidade. Se nos fecharem o meio, a forma como Paulinho trabalha ajuda-nos nisso. Ele vai ter tempo para se adaptar, para nos dar coisas boas. Relembrar que ainda falta muito campeonato, onde vão haver jogos onde vamos jogar contra blocos muitos baixos, onde não vamos poder ter tanta profundidade. E o Paulinho vai ajudar-nos nisso.

FC Paços de Ferreira

BnR: O Paços de Ferreira é conhecido por ser uma equipa competente no contra-ataque, que liberta muito bem os alas. É verdade que hoje conseguiu chegar ao último terço algumas vezes, mas não conseguiu definir bem. Pergunto-lhe o que acha que faltou e se a entrada de João Pedro teve que ver com esta lacuna.

Pepa: Às vezes quando uma equipa que tenha eficácia e é incisiva no contra-ataque, temos a tendência de achar que somos só isso. Concordo. Somos uma equipa que sai muito bem de pressão, que reage bem à perda da bola e que procura logo a baliza adversária. Mas mais uma vez ficou aqui demonstrado que o Paços sabe o que fazer, construir desde trás, procurar jogar no corredor e procurar jogar no jogo interior

Esbateu nisso que disse na pergunta. Faltou um bocadinho mais felicidade e ela procura-se. Mas não fomos felizes hoje. Já fomos felizes lá atrás e seremos para a frente.

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