NOTA EDITORIAL: O Bola na Rede publica este rescaldo por respeito aos seus leitores e aos dois clubes, Sporting CP e SC Braga. No entanto, reforça a insatisfação pelo bloqueio de que foi alvo por parte da Federação Portuguesa de Futebol para não estar presente na sala de Conferência de Imprensa do jogo. Mais informações AQUI.
A CRÓNICA: PARA O ADEPTO VER

O Sporting CP levou de vencida o SC Braga e conquistou a Supertaça Cândido de Oliveira pela nona vez. Os leões começaram a perder com um golo de Fransérgio, mas os golos de Jovane e Pedro Gonçalves ajudaram a virar o resultado e a recuperar o troféu que fugia ao clube desde 2015. Se um clube não é nada sem alguém para sentir as suas tristezas e alegrias, houve outra conquista para celebrar: o regresso do público às bancadas nos jogos das grandes decisões.

“Vai ser uma festa”, admitiu Rúben Amorim na antevisão ao jogo. Nem ele sabia o quanto. Ou, se calhar, tinha uma ideia, dada a intuição que tem para ficar sempre do lado dos festejos. Enquanto treinador do SC Braga nunca perdeu com o Sporting CP; enquanto treinador do Sporting CP, até ao momento, nunca perdeu com o SC Braga. Dois dos jogos que venceu com os lisboetas tiveram um sabor especial: o que deu a conquista da Taça da Liga e este, que valeu uma Supertaça.

Antes de o jogo começar, ninguém nas imediações do Estádio Municipal de Aveiro se livrou de encarar um alargado número de polícias com a missão de impedir que mais ninguém, para além das pessoas que iam assistir ao jogo, se aproximava do perímetro do recinto. “Bilhete ou imprensa?” perguntavam os agentes pela enésima vez. Uns analisavam com cuidado o que lhes mostravam os condutores, outros, mais condescendentes, diziam “ó pá, deixa avançar”.

O mesclado de cores das bancadas do estádio tornou-se mais homogéneo com a presença dos acessórios verdes e vermelhos dos adeptos afetos aos dois clubes. As 7710 pessoas que assistiram ao jogo ao vivo, respeitando os lugares indicados, exceto em pequenas zonas em que o cuidado era menor, dispuseram-se geometricamente pelas cadeiras. Ainda antes do aquecimento das equipas, nenhum dos adeptos presentes poupou a voz aos cânticos de incentivo. Desde março de 2020 que tiveram tempo suficiente para resguardarem as cordas vocais ao esforço de uma partida de futebol.

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Houve espaço para aplausos (Paulinho, o técnico de equipamentos, foi o primeiro a recebê-los) e para festejos, atrasados, mas oportunos, de campeão nacional por parte dos sportinguistas. Os aficionados dos guerreiros tomaram uma posição ao levantarem uma tarja onde se lia, “O Braga diz não ao cartão”, e também cantaram melodicamente. Perdeu-se a harmonia das músicas quando os nomes de Ricardo Esgaio, Paulinho, o avançado, e Rúben Amorim foram anunciados nas instalações sonoras. Os três representaram o SC Braga num passado recente que prevalece na memória dos adeptos do clube e foram alvo de fortes assobios.

Ricardo Esgaio voltou, na Supertaça, a representar o Sporting CP em jogos oficiais. Do lado contrário, Paulo Oliveira, que representava o Sporting CP na última vez que o clube venceu o troféu, fez, neste jogo, a estreia a titular com a camisola dos vencedores da Taça de Portugal.

Se o dia era de festa, quem começou a dar baile foi Fransérgio. O jogador do SC Braga recebeu dentro de área e, sem grande preparação, enviou a bola contra um poste incapaz de conter as intenções do remate. A acompanhar os festejos, o vigoroso som do grito dos adeptos concomitante ao golo, a fazer lembrar os tempos em que um jogo com público não era notícia. Durante a euforia, os adeptos do Sporting CP atiraram uma tocha verde para o relvado.

Talvez fosse essa a luz necessária para indicar o caminho do golo aos comandados de Rúben Amorim, já que a resposta veio dez minutos depois. Nuno Mendes desmarcou na perfeição Jovane, que não só foi buscar a profundidade, como o golo do empate.

Após o golo sofrido, os leões passaram a circular a bola com maior velocidade e a criar mais problemas ao bloco bracarense. O golo foi um desses exemplos. O outro aconteceu quando Pedro Gonçalves teve nos pés a reviravolta com Nuno Mendes novamente em evidência no cruzamento.

Perante um ascendente que passou a ser tão notório dos verde e brancos, Pedro Gonçalves, à segunda, estabeleceu o 2-1. Novo problema no ajustamento da defesa foi penalizador para a equipa de Carlos Carvalhal.

Ciente de que era necessário mudar, o técnico, que avança para a segunda época em Braga mexeu na equipa e notaram-se melhorias, embora não necessariamente devido às substituições operadas, mas mais pela vontade de recuperar da desvantagem. A ligação da defesa com o ataque continuava sem sair particularmente bem e não existiam situações de golo.

Aos 70 minutos, por volta das 22h15, já a noite ia longa para um pré-adolescente, Roger decidiu contornar as regras de bom comportamento e ir para a cama mais tarde. Sem hipocrisia, com 15 anos todos fugiríamos aos nossos pais a um sábado à noite se o motivo fosse entrar no palco da Supertaça.

O que não se movia era o resultado. Matheus Magalhães defendeu remates perigosos de Pedro Gonçalves, Matheus Nunes e Tabata, viu uma tentativa de Nuno Mendes, de livre, e outra de Jovane passarem não muito ao lado e, como se não chegasse para o susto, saiu da baliza à aventura e quase comprometeu num lance caricato.

A inoperância ofensiva do SC Braga manteve-se no resto do jogo e, aliás, os minhotos até se expuseram a sofrer o terceiro golo. A Supertaça ficou com os campeões nacionais, para muitos adeptos, e em específico os sportinguistas, verem ao vivo.

A FIGURA
O internacional sub-21 tem vindo a perder preponderância ofensiva na equipa leonina.
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Nuno Mendes – Não precisou de realizar grandes cavalgadas para se fazer notar. Assistiu Jovane para o lance do primeiro golo e tirou um grande cruzamento para remate de Pedro Gonçalves, que viria a não passar apenas de um bom desenho ofensivo. Na defesa a Fabiano, não deu hipóteses. Mereceu os segundos de descanso que teve quando, a dois minutos do fim, se deitou no relvado com cãibras.

O FORA DE JOGO

Fabiano – Do outro lado da moeda, Fabiano. Tem um futuro promissor, é explosivo e irreverente. Deixa-se atrair muito facilmente pela bola em certos momentos defensivos, mas até isso tem melhorado. Acabou por ser o alvo da estratégia do Sporting CP na primeira parte e sofreu com isso.

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

A pré-época do Sporting CP não fazia esperar nada menos do que a manutenção do 3-4-3. O grande dilema para Rúben Amorim prendia-se com o médio que viria a ocupar a posição ‘oito’, refém da saída de João Mário. Posto isto, Matheus Nunes foi o eleito. O lado direito da defesa também promete ser uma dor de cabeça para o treinador do Sporting CP ao longo da época, mas, para já, com Pedro Porro lesionado e só com Ricardo Esgaio disponível, a escolha ficou facilitada.

O Sporting CP optou, no momento de atacar, por uma saída com recurso aos três centrais. Gonçalo Inácio, mais descaído sobre a direita, fruto da sua capacidade de passe, foi, dos três, o que mais protagonismo teve. Serviu os colegas entre linhas e também conseguiu provocar em condução.

Os dois laterais, Ricardo Esgaio, à direita, e Nuno Mendes, à esquerda, garantiram a largura e projetaram-se medianamente, para tentar atrair os laterais contrários e, aproveitando o espaço deixado por estes, para lançarem os extremos. No meio-campo, Matheus Nunes mostrou a aptidão que lhe é reconhecida para chegar a zonas avançadas. Jovane, do lado esquerdo, fazendo uso da velocidade, procurou explorar as costas da defesa.

Pedro Gonçalves fez o mesmo no outro lado, ainda que, além disso, tenha concedido à equipa a possibilidade de funcionar como terceiro médio. Paulinho, dada toda a mobilidade que confere ao jogo, gerou espaços em zona de finalização para outros jogadores ocuparem, através do arrastamento de defesas que conseguia realizar quando procurava jogar em apoio.

João Palhinha desempenhou um preponderante papel na garantia de uma boa transição defensiva. A enorme ocupação territorial que o internacional português consegue dar permite perdas de bola e erros de posicionamento aos colegas, sendo que o camisola 6 resolve a maioria das aflições logo à nascença. A linha defensiva de cinco elementos esteve sempre alinhada e procedeu aos acertos necessários.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Antonio Adán (7)

Ricardo Esgaio (6)

Gonçalo Inácio (7)

Sebastián Coates (7)

Zouhair Feddal (6)

Nuno Mendes (8)

João Palhinha (7)

Matheus Nunes (7)

Pedro Gonçalves (8)

Jovane (7)

Paulinho (6)

SUBS UTILIZADOS

Tiago Tomás (6)

Matheus Reis (5)

Nuno Santos (5)

Bruno Tabata (6)

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA

Também no  SC Braga prevaleceu a lógica da continuidade e manteve-se a aposta no 3­‑4-3 trazido da época anterior. Carlos Carvalhal deve ter tido dúvidas durante a semana sobre quem escolher para o lado direito da defesa. Fabiano, regressado após empréstimo à Académica OAF, ou Tiago Esgaio, reforço proveniente da Belenenses SAD, eram as opções em cima da mesa. O brasileiro acabou por levar a melhor nesta disputa.

A semelhança dos sistemas táticos das duas equipas não se compadece com uma semelhança no estilo de jogo. Os padrões do 3-4-3 do Sporting CP proporcionam um futebol mais direto, vertical e de aproveitamento da profundidade nas costas da defesa (não confundir com passes longos pelo ar sem grande trabalho na preparação das jogadas, o popularmente conhecido “chutão para a frente”). As dinâmicas do SC Braga procuram espaços diferentes. Recorrendo a um futebol igualmente objetivo, mas mais apoiado, os minhotos fazem um maior aproveitamento da largura do campo, procurando chegar rapidamente de um flanco ao outro.

Para que o SC Braga conseguisse que estas premissas se aplicassem dentro do campo, Sequeira desempenhou uma função híbrida no flanco esquerdo, ora funcionando como central, ora como lateral. A defender, o posicionamento do jogador português era na zona central para, com o recuo de Galeno, formar uma linha de cinco defesas.

No momento de atacar, o antigo jogador do CD Nacional tanto ajudou na construção a três, como abriu no corredor, dando soluções diversas na primeira fase de construção. No meio-campo, Al Musrati, importante a servir como apoio para a mudança do lado da bola, e André Horta tomaram conta das operações. O líbio guardou o espaço diante dos centrais e o português saiu mais a pressionar. Como extremos, ainda que a jogarem bem por dentro para ajudarem na ligação de jogo e promoverem o um contra um entre os laterais, Ricardo Horta e Fransérgio.

A linha defensiva passou mal em geral, mas em particular do lado direito, onde estavam dois elementos que são novidade para esta temporada, Paulo Oliveira e Fabiano. A substituição ao intervalo foi o reconhecimento de que eram precisas alterações na defesa. Carlos Carvalhal colocou Paulo Oliveira no centro da linha recuada e fez entrar Tormena para o lugar de Raul Silva, procurando dar mais saída de jogo à equipa. Pouco depois, lançou Mario González para a frente, em troca com André Horta, fazendo Abel Ruiz deslocar-se para a esquerda. Fransérgio passou a jogar ao lado de Al Musrati. Com a entrada de Roger, o sistema alterou-se mesmo para um 4-4-2.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Matheus Magalhães (7)

Fabiano (5)

Paulo Oliveira (5)

Raul Silva (5)

Sequeira (6)

Galeno (5)

Al Musrati (7)

André Horta (5)

Fransérgio (6)

Ricardo Horta (7)

Abel Ruiz (5)

SUBS UTILIZADOS

Vítor Tormena (6)

Mario González (5)

Roger (5)

Vítor Oliveira (5)

João Novais (5)

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

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