A CRÓNICA: SPORTING CP ARRANCA COM O PÉ DIREITO

Arranque do campeonato e mais um passo na vitória sob o vírus que nos roubou a magia do futebol durante meses. Que bom que é ver os adeptos a voltar aos estádios depois de uma época cheia de vazio e silêncio nas bancadas. O ambiente prometia e, por falar em prometer, Álvaro Pacheco disse e cumpriu: o FC Vizela mostrou-se aguerrido e marcou o ritmo inicial do jogo frente ao campeão em título. Aproveitando talvez um Sporting CP que até costuma começar a partida a “lume brando”.

O ritmo de jogo mostrou-se elevado desde o início e era o FC Vizela que o procurava impor numa fase inicial. Muito daquilo que se viu a época passada desta equipa, verificou-se esta noite: Álvaro Pacheco preparou os seus jogadores ao milímetro. O seu conjunto estava a conseguir explorar, e muito bem, as principais limitações dos leões.

Apesar de ter jogado mais na reação, o FC Vizela aparentava processos muito bem definidos e a não estava a deixar o Sporting CP sair com a bola controlada nos primeiros 25 minutos de jogo. Pelo menos maior parte das vezes. Depois dessa altura do duelo, o Sporting CP começa a impor mais o seu jogo e a ganhar ênfase ofensivo no final da primeira parte. Conseguiu explorar melhor as dinâmicas ofensivas de que tanto gosta e talvez as individualidades começassem a pesar mais um pouco na balança por esta altura da partida. Aos 29 minutos, vê-se perto o golo inaugural do jogo e do campeonato através de grande penalidade, mas Jovane pontapeia por cima. O Sporting CP e o FC Vizela regressaram então aos balneários com um nulo, mas com espetáculo vendido.

Anúncio Publicitário

Pouco depois do arranque do segundo tempo, eis que se faz magia em Alvalade. Aos 48 minutos, golo para os leões por Pedro Gonçalves. Quem mais poderia ser que não o melhor artilheiro da ultima época? Que calma, que classe e que talento. Sem qualquer hipótese para Charles ir buscar a bola ao canto superior esquerdo. Uma jogada que advém de uma recuperação de Palhinha no meio-campo e que contou com Paulinho na progressão. Um balde de água fria para os nortenhos numa altura em que, à semelhança do que aconteceu no final da primeira parte, estavam a mostrar dificuldades.

E cuidado que ele estava endiabrado. Pedro Gonçalves marcou cedo o segundo (aos 64′) para os leões. O Sporting CP começou a pagar fatura na segunda parte e a partir dos golos, só faltava o som dos violinos. Uma equipa mexida, esclarecida e com qualidade. Palhinha acrescentou classe nas variações de flanco, Paulinho foi preponderante na ligação e progressão do jogo e que crescimento de Matheus Nunes!

O resultado começava a ser justo face a uma superioridade clara dos atletas leoninos. O FC Vizela, por sua vez, foi tentando reagir ao longo da partida, voltando a subir linhas e a criar pressão no portador da bola, mas iam faltando argumentos para responder em golos. E, por falar em golos, eles foram surgindo do outro lado do campo, na baliza de Charles. Aos 74′, Paulinho fecha as contas do jogo depois de assistência de Nuno Santos pelo flanco esquerdo. O Sporting CP entra com o pé direito na Liga finalmente perto dos seus adeptos no estádio e com a equipa de Rúben Amorim a continuar a mostrar perfume.

 

 

 

A FIGURA

Sporting CP
Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede

Pedro Gonçalves – E pensar que nem um minuto teve no Europeu. Pote é sinal de clarividência no ataque, muita classe e sobretudo golo. Depois de ter sido o melhor marcador na época passada, a mira continua afinada. Pedro Gonçalves volta a ser preponderante para o Sporting CP neste arranque de época.

 

O FORA DE JOGO

Sporting CP
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Jovane – Não é pelo penálti falhado, mas a verdade é que também acaba por espelhar um pouco daquilo que se passou em campo com Jovane esta noite. O jogador não teve um jogo feliz e esse momento mostrou também a dificuldade de finalização que estava a mostrar até então. Ninguém lhe tira qualidade, muito menos a pré-época feita, mas de facto hoje a inspiração não estava no seu forte.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Os leões começaram logo alerta porque o Vizela assim os obrigou. O Sporting CP tentou jogar tudo ao primeiro toque e em processos simples. Apesar disto, a simplicidade não dava por vencida a complicação que o FC Vizela estava a causar na primeira fase de construção. Uma estratégia que até poderia beneficiar os de verde e branco. No final de contas, não seria a primeira vez que o Sporting CP iria aproveitar o “atrevimento” do adversário em terrenos mais avançados. Apesar de um começo um pouco atribulado (se é assim que lhe podemos chamar), os leões foram equilibrando e assumindo posteriormente o domínio do duelo. Pressão alta no portador da bola quando não tinham a posse e, quando a tinham, eficiência alta para responder à primeira linha de pressão.

 

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Adán (6)

Feddal (7)

Coates (7)

Palhinha (6)

Matheus Nunes (8)

Jovane (4)

Rúben Vinagre (7)

Paulinho (7)

Gonçalo Inácio (7)

Pedro Gonçalves (8)

Ricardo Esgaio (6)

SUBS UTILIZADOS

Nuno Santos (6)

Daniel Bragança (6)

Matheus Reis (5)

Tabata (-)

Tiago Tomás (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC VIZELA

Num 4-1-4-1 meio campo do FC Vizela começou com a evidenciar a capacidade de jogar com bola e ter qualidade na posse. Em termos defensivos, a descida dos dois extremos foi essencial para compensar e equilibrar as contas sobretudo nas investidas de Esgaio e Vinagre. Álvaro Pacheco, digo mais uma vez, veio com a lição bem estudada sabendo perfeitamente a forma como Sporting CP costuma sair do setor mais recuado. Houve especial atenção para impedir a saída dos leões com bola controlada. O FC Vizela foi muito inconformado em grande parte do tempo e, nessas alturas, conseguiu circular a bola em toda a largura do terreno. Depois de estar a perder, o treinador ainda lança Nuno Moreira para tentar acrescentar mais qualidade ofensiva na esperança de reacender a partida, mas sem efeito.

 

11 INICIAIS E PONTUAÇÕES

Charles (5)

Raphael Guzzo (6)

Cassiano (6)

Kiko (5)

Marcos Paulo (5)

Mendez (5)

Samu (6)

Kiki (6)

Richard Ofori (5)

Koffi Kouao (5)

Francis Cann (6)

SUBS UTILIZADOS

Nuno Moreira (5)

Kevin Zohi (5)

Tomás Silva (5)

Schettine (-)

Hugo Oliveira (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

BnR: Peço-lhe uma análise à evolução de Matheus Nunes que hoje foi notória. Quer a reagir à pressão, quer na condução e no conseguir ganhar espaços.

Rúben Amorim: O Matheus está cada vez mais jogador. Tem capacidade física, é muito rápido e está cada vez melhor com a bola. Está cada vez melhor a conseguir perceber o que tem de fazer dependendo das zonas onde joga. Se tem de recuar, tem de arriscar. Está muito melhor a perceber os momentos do jogo. Agora, há que recordar que até há bem pouco tempo o Matheus estava no Ericeirense e a trabalhar numa padaria. Há que ter essa noção e dar esse mérito ao jogador que trabalha muito, é muito humilde. E eu acho que ele ainda vai crescer mais porque é muito novo. Já é português (risos). Portanto, mais uma opção para a Seleção.

FC Vizela

BnR: Notou-se uma especial atenção do FC Vizela para impedir que o Sporting CP saísse com a bola controlada. Pergunto-lhe se foi algo que treinou e, se sim, com que intuito?

Alvaro Pacheco: Nós sabemos que o Sporting CP é uma equipa que gosta de ter bola. Tentamos tirar tempo e espaço para eles não terem essa bola. É uma equipa que gosta de construir, de atrair à marcação, aproveitar o espaço na profundidade. E nós para retirar esse espaço na profundidade, tentamos retirar espaço a quem pudesse tomar decisões. Penso que ficou demonstrado a atitude que tivemos de tentar condicionar ao máximo o Sporting CP. Faltou-nos ser mais criteriosos com bola, ter melhor timing. Mas sabemos que a equipa vai melhorar isso no futuro.

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

DEIXE UM COMENTÁRIO

Comente!
Por favor introduz o teu nome