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A CRÓNICA: AGORA É REZAR, SPORTING

Alvalade virou a residência oficial da esperança. As baixas no BVB Dortmund tornavam menos opaca a parede amarela que separava o Sporting CP dos oitavos de final da Liga dos Campeões. Para garantirem desde já a passagem à fase seguinte, os leões precisavam de vencer por uma margem de dois golos. Fizeram-no e asseguraram o segundo lugar do grupo C da Liga dos Campeões.

O Dortmund mexeu com as angústias, mágoas e anseios do Sporting, numa fase inicial do jogo. Os leões sofreram a bom sofrer junto à sua baliza como quem sabe que uma porta à entrada de casa não é nada perante um ladrão engenhoso. No entanto, o ladrão foi condescendente, rondou, viu o que tinha a ver e não levou nada.

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O cenário mudou à meia hora de jogo. Sem cortesia, o Sporting não tomou uma atitude diferente. Coates enviou um portentoso bacalhau, a defesa do Dortmund, muito permeável, tratou da caldeirada e Pedro Gonçalves, que estava a passar para jantar, viu-se servido com um belo manjar.

Os alemães responderam ao ataque de oportunismo verde e branco. Desta vez, os comandados de Marco Rose estiveram mais perto de fazer estragos, mas Malen rematou ao poste.

Pedro Gonçalves ainda não estava de pote cheio e voltou a servir-se. O convicto remate de fora de área terminou no fundo das redes que, firmes, conseguiram conter melhor a bola do que Kobel. Com a vantagem de dois golos, o Sporting estava virtualmente nos oitavos de final.

Descontente com o desenrolar da narrativa, o Dortmund procurou mudar de ação à procura de um desfecho diferente. Subiu mais no terreno, mas ficou à mercê do contra-ataque. O Sporting ia conseguindo sair com critério por intermédio de Sarabia, Pedro Gonçalves e Paulinho e teve oportunidade de aumentar os seus níveis de contentamento não fosse a bela intervenção de Kobel.

 

Já com Emre Can, entrado na segunda parte e expulso na sequência de quezílias que obrigaram à entrada de elementos do banco das duas equipas em campo, o mesmo VAR que tinha anulado um golo ao Dortmund assinalou penálti a favor do Sporting.

O hat-trick já pairava na cabeça de Pedro Gonçalves, mas Kobel impediu-o de levar a bola para casa. Porro aproveitou o ressalto da defesa do guarda-redes suíço e ampliou ainda mais a vantagem.

Já para lá dos 90 minutos, Malen fez com o 3-1 pairar no ar a dúvida de se as contas ficavam resolvidas neste jogo. O Sporting geriu os ânimos e não deitou por terra a vantagem que tinha construído.

O Sporting esteve pela última vez nos oitavos de final da Liga dos Campeões em 2008/09, tendo sido eliminado pelo FC Bayern Munique num agregado de 12-1. O trauma foi tanto que a equipa de Alvalade nunca mais lá tinha voltado. Até hoje. Agora é rezar.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Pedro Gonçalves – continua a ser letal a ocupar o espaço gerado pela muita movimentação de Paulinho. O primeiro golo que marcou nasce dessa situação. O segundo preenche os critérios para entrar no Louvre. O terceiro esteve tão perto.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Marin Pongracica cara mais visível da periclitância defensiva do Dortmund. A má abordagem que teve no lance deu o primeiro golo ao Sporting que serviu de base para aumentar os níveis de confiança verdes e brancos.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Rúben Amorim voltou a apostar na versão europeia do Sporting, ou seja, com Matheus Reis na lateral-esquerda e Feddal como central do lado canhoto. O conservadorismo dos nomes lançados no onze já fazia prever qual a estratégia adotada.

Mesmo com necessidade de fazer pela vida, o Sporting passou largos períodos de tempo em organização defensiva. Aí, o 3-4-3 do Sporting foi mais vezes um 5-4-1 fruto do recuo dos laterais e dos extremos. Palhinha foi exposto a variados desafios com o turbilhão de adversários que lhe apareciam pela frente.

Para se libertar das amarras que criou em si própria, a equipa leonina teve problemas, uma vez que lhe foi difícil encontrar referências para sair com critério para o ataque numa fase inicial da partida. Só Matheus Nunes ia acrescentando algum critério com bola. A equipa foi mais eficiente nesse aspeto na segunda parte.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Antonio Adán (5)

Pedro Porro (5)

Gonçalo Inácio (5)

Sebastián Coates (5)

Zouhair Feddal (5)

Matheus Reis (5)

João Palhinha (5)

Matheus Nunes (6)

Pedro Gonçalves (7)

Pablo Sarabia (6)

Paulinho (6)

SUBS UTILIZADOS

Ricardo Esgaio (5)

Nuno Santos (5)

Tiago Tomás (-)

Flávio Nazinho (-)

Manuel Ugarte (-)

ANÁLISE TÁTICA – BVB DORTMUND

O Borussia Dortmund aplicou o princípio da mobilidade total nos homens da frente. Desde que não existissem posições do 4-2-3-1 por ocupar, dos médios aos extremos, todos puderam permutar livremente. O Borussia efetuou bastantes movimentos de ataque à profundidade que, embora nem sempre tenham resultado, permitiram que a equipa ligasse o jogo por dentro, através de um dos médios a pedir em apoio. O jogo exterior foi inexistente.

A pressão alta que os alemães executaram empurrou o Sporting para trás. Apesar disso, foi a capacidade de reter a bola em ataque continuado que deu ao Dortmund o domínio do jogo. Os próprios centrais se instalaram no meio-campo ofensivo.

Para defender, a equipa de Marco Rose, preferia condicionar o lado esquerdo do ataque do Sporting, talvez pela menor capacidade técnica de Matheus Reis. Ativada a referência de pressão, a equipa libertava o corredor contrário ao do lado da bola e concentrava muitos jogadores junto ao portador do esférico.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Gregor Kobel (6)

Thomas Meunier (6)

Manuel Akanji (6)

Marin Pongracic (4)

Nico Schulz (4)

Axel Witsel (6)

Jude Bellingham (5)

Julian Brandt (7)

Reinier (4)

Marco Reus (5)

Donyell Malen (6)

SUBS UTILIZADOS

Emre Can (3)

Steffen Tigges (5)

Mahmoud Dahoud (5)

 Dan-Axel Zagadou (3)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Sporting CP

BnR: A partir do primeiro golo, o Sporting começou a acertar mais vezes a saída em transição ofensiva. O que é que mudou na equipa?

Rúben Amorim: As transições não estavam a sair. O Matheus Nunes estava algo ansioso. Vemos jogos da Liga Alemã e percebemos que a velocidade é muito maior. O Matheus Nunes achava que tinha mais tempo para ter a bola e não tinha, faz parte da intensidade. Lembro-me até de eles andarem a mandar bolas uns contra os outros.

BnR: Matheus Reis marca a versão europeia do Sporting?

Rúben Amorim: Tem sido, mas pode não ser. O Vinagre pode ser opção. O Nazinho está a crescer a olhos vistos. Temos que ver jogo a jogo.

Não foi possível colocar questões a Pedro Gonçalves.

BVB Dortmund

BnR: Apostou em jogadores com muita mobilidade. O que pretendeu com essa estratégia?

Marco Rose: Procurávamos essa mobilidade. Apostámos no Reinier na linha da frente que nos dá essa mobilidade. No final de contas, são os golos que contam e nós sofremos muitos. Na primeira parte, não fomos eficientes o suficiente.

 

 

 

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