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Desde a derrota com o Benfica, os leões tinham feito apenas mais um jogo em casa: o triunfo frente ao Arouca (5-1), numa partida teoricamente difícil, que, na prática, se tornou fácil. Após duas goleadas seguidas (ao Arouca seguiu-se o 2-5 em Belém), e tendo ainda bem presentes as primeiras partes em Alvalade jogadas pelos leões a um ritmo entorpecido, como com o Tondela ou o Rio Ave, este encontro com o Marítimo seria, portanto, uma espécie de tira-teimas. E a verdade é que o Sporting em parte ultrapassou essa letargia, mostrando-se dominador durante boa parte da metade inicial.

Jorge Jesus não apresentou quaisquer surpresas no onze. Aquilani rendeu o castigado Adrien e Bruno César continuou a merecer a confiança do treinador para a posição de lateral esquerdo. Mas, com pouco ritmo, menor disponibilidade defensiva e fazendo pouco uso da sua capacidade de passe, o italiano não fez esquecer o capitão. Já o Marítimo apresentou-se em Alvalade nitidamente a querer limpar a má imagem inerente a qualquer clube que, como é o caso dos leões da Madeira, carregue o fardo de ser a de segunda defesa mais batida do campeonato. Nelo Vingada apostou em Damien Plessis (que já passou pelo Liverpool) a segurar o meio-campo nas costas de Alex Soares e Éber Bessa, com Fransérgio mais adiantado e Djoussé e Edgar Costa abertos nas alas mas a flectirem para dentro.

O Sporting entrou dominador, embora até ao golo de Teo Gutiérrez não tivesse criado mais do que duas ou três situações de golo – um cabeceamento de Bryan Ruiz, um remate de Bruno César, uma bola perigosa que Slimani não aproveitou e pouco mais. Na altura em que o marcador funcionou pela primeira vez, aliás, até era o Marítimo que se mostrava mais afoito, depois de ter conseguido sobreviver aos minutos de maior pressão leonina. Djoussé e Edgar Costa mantinham os leões alerta na defesa, mas foi através de um remate de Éber Bessa e de outro de João Diogo que os visitantes mais perto estiveram de marcar – em ambos os casos Patrício mostrou-se à altura. Depois disso, Teo fez o 1-0, com sorte à mistura (a bola bateu num adversário e traiu Salin) e o jogo tornou-se um pouco mais fácil para o Sporting.

Do lado da equipa de Jesus, Teo e William foram, desde cedo, os dois elementos em maior destaque. O colombiano porque está mais confiante, mais disponível fisicamente (caiu muitas vezes nas alas, trocando ora com Ruiz ora com João Mário e baralhando marcações) e mais criterioso na hora de definir os lances; o português porque parece ter-se soltado das amarras que o inibiam de participar de forma activa na construção de jogadas ofensivas, tendo compensado da melhor forma a ausência de Adrien. O golo que marcou, no início da segunda parte, foi a cereja no topo do bolo, mas o maior destaque da partida seria William independentemente desse remate vitorioso. É certo que a subida de forma do médio não é novidade, já que as suas exibições têm vindo a melhorar desde o início do ano. Contudo, este foi, possivelmente, o seu melhor jogo da época. Tirando partido de uma grande disponibilidade física e de um apurado sentido táctico, William esteve exímio tanto a atacar como a defender.

Os leões continuam na perseguição ao líder e grande rival Fonte: FPF
Os leões continuam na perseguição ao líder e grande rival
Fonte: FPF
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A partir do 2-0, o Sporting viu a vitória bem encaminhada e entrou numa fase de maior gestão. Contudo, é preciso que se diga: falhanços como o de João Mário, que permitiu a defesa de Salin logo antes de William marcar, podem ser fatais em jogos em que os leões precisem mesmo dos golos. A equipa continua a falhar mais do que seria desejável a nível da finalização, e isso seria ainda mais visível quando, já perto do fim, o recém-entrado Matheus Pereira rematou contra o guarda-redes num lance de três contra um. O que vale é que o jogo já estava resolvido… Pelo meio, entre a gestão do jogo por parte do Sporting e alguns contra-ataques verde-rubros quase sempre mal definidos, os leões chegaram ao 3-0. João Mário rematou, a bola rechaçou no defesa e Slimani (bom jogo, com a disponibilidade habitual), sem oposição, deu o toque que faltava. Assim confirmavam os leões o seu estatuto de favoritos, assim ruía a vontade maritimista de sofrer poucos golos e reabilitar um pouco a imagem da sua defesa…

Detendo uma vantagem porventura demasiado larga e já com as bancadas em festa a fazer a onda, o Sporting deixou-se adormecer em demasia. Mérito também para o Marítimo, que nunca desistiu, subiu as suas linhas jogando o jogo pelo jogo e viu a persistência ser recompensada com o golo de Ghazaryan, a dez minutos do fim. Valha a verdade, a equipa de Nelo Vingada tem individualidades interessantes do meio-campo para a frente – não é por acaso que são o quinto melhor ataque da liga, ainda que à condição. O problema é lá atrás, e o jogo com o Sporting esteve longe de ser um dos exemplos mais flagrantes…

Em suma, mesmo sem ter sido fantástica, a exibição do Sporting foi mais do que suficiente para vencer. Vitória incontestável dos leões, ainda que o primeiro golo tenha surgido num dos melhores períodos do Marítimo no jogo. Este é o quarto jogo nos últimos cinco em que a equipa de Jorge Jesus sofre golos mas, em contrapartida, nos últimos três encontros os leões marcaram por 13 vezes. Estará o treinador a sentir dificuldades em encontrar o equilíbrio entre uma defesa sólida e um ataque concretizador? Veremos nos próximos jogos. O que, para já, parece certo é que a malapata das primeiras partes adormecidas em casa parece estar finalmente ultrapassada. A perseguição ao primeiro lugar continua.

A figura

William Carvalho – O escolhido seria Teo, caso não tivesse havido William. Disponibilidade física, cultura táctica e (finalmente!) participação significativa no jogo ofensivo da equipa, sem medos de que esta se desorganize e seja surpreendida. Numa partida sem Adrien, William teve por vezes de jogar por si e por Aquilani, mas segurou sempre o meio-campo com mestria e nem precisava de ter marcado para ser o destaque positivo. Esta foi a melhor exibição da época do médio, em clara subida de forma. William tem dado a melhor resposta possível àqueles que já se punham em bicos de pés para dizer que não merecia ir ao Europeu. E não só irá como será titular, evidentemente.

O Fora-de-Jogo

Bruno César – Um pouco abaixo dos outros jogos em que alinhou a defesa-esquerdo, o brasileiro falhou alguns passes, deixou-se antecipar mais vezes do que seria desejável e fez pouca diferença no ataque. Foi o primeiro a ser substituído, dando o lugar a Zeegelaar. Nota também para o já habitual desacerto do espalhafatoso Schellotto, e ainda para dois ou três erros de abordagem por parte de Rúben Semedo já na etapa final, que lhe podiam ter saído mais caros.

Foto de Capa: Sporting CP

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