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Assistindo ao primeiro quarto de hora da partida talvez ninguém dissesse que a equipa de Lito Vidigal iria quebrar hoje a boa série de jogos sem sofrer golos – pelo menos com tanta facilidade. O FC Arouca entrou com iniciativa ofensiva no jogo, cabendo-lhe as primeiras aproximações à baliza contrária, tendo sido comum assistir à tentativa de controlo da posse de bola na zona central do terreno e à vontade de estender o jogo.

Neste processo, e tal como tem sido comum nos adversários da equipa do Sporting CP, foi essencial o trabalho de Nuno Valente no bloqueio dos movimentos de William Carvalho, condicionando a primeira fase de construção leonina. Apesar da existência de uma boa oportunidade para o Sporting durante os primeiros 15 minutos, a mais flagrante pertenceu ao Arouca, que, se registou uma considerável propensão ofensiva neste período, deve agradecer ao esforço de Lucas Lima pelo flanco esquerdo.

Mas os minutos restantes da primeira parte vieram provar que a história seria outra. O Sporting entra em campo com o tradicional 4x4x2, porém, com especial parêntesis para a entrada de Bruno César para o lado esquerdo da defesa. Acabou por ser um pontapé de canto a desbloquear o marcador. Uma defesa à zona por parte do Arouca cedeu ao permitir a existência de espaço, permitindo o término ao jejum de Teo Gutierrez.

Depois disso, a produtividade do Sporting aumentou, tendo sido João Mário o principal protagonista da primeira parte. Este jogador, e é importante dizê-lo, somente tem pecado pelos momentos de menor produtividade. Mas até neste parâmetro se esmerou. Golos com teor técnico, embora com espaço, e a agressividade fantástica na recuperação e na construção de ataques tornam cada vez mais pertinente a invenção de um cognome que apelide a qualidade deste atleta.

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Sendo certa a facilidade que o Arouca ofereceu ao Sporting, tanto no excesso de espaços como na falta de rigor defensivo, é importante realçar a capacidade dos jogadores do Sporting no momento de progredir no terreno em construção de raiz e nas saídas em transição, parecendo-me justo realçar o papel de Teo, não só pelos golos que marcou, como pela inteligência de movimentos, caindo para o lado esquerdo e libertando Bryan, tal como no segundo golo da partida. A primeira parte foi verde e branca, com o intervalo a chegar já com goleada.

Foi precisamente o resultado que possibilitou à equipa leonina uma nova gestão do jogo na segunda parte, que começou, como na primeira, com alguma iniciativa do Arouca no controlo da posse, claramente na pretensão de evitar um forte fluxo inicial do Sporting. Mas foi a equipa de Jorge Jesus que acabou por voltar a marcar, desta vez com um golo de Bryan Ruiz, num lance paradigmático do trabalho táctico do Sporting. De novo um movimento lateral de Slimani, a aparecer no lado esquerdo do ataque convidando o segundo bloco leonino a penetrar na área. E aqui volta a ser necessário frisar o trabalho de João Mário: a forma como coloca a bola ao dispor de Bryan Ruiz para a finalização em classe, impossibilitando o corte da assistência medindo a intensidade do passe, é de mestre.

Numa altura em que Sporting sentenciava o jogo e iniciava a sua fase de gestão com as saídas de peças fulcrais – Adrien e Slimani, e a entrada de jogadores similares nas posição, Aquilani e Barcos -, e um pouco contra a corrente, o Arouca chega ao golo através de uma execução de Gégé, conseguindo intrometer-se no marcador e dar alguma instabilidade à postura leonina, chegando nos minutos que se seguiram com alguma facilidade à baliza de Patrício. Embora um golo sofrido, mesmo em goleada, abale sempre qualquer equipa, este Sporting continua a não registar a capacidade de reacção certa após sofrer um golo, como na jornada passada, e permitiu ao Arouca chegar ameaçadoramente às zonas de maior perigo.

Teo
Teo “Guterres” finalmente voltou aos golos com a camisola leonina
Fonte: FPF

A segunda parte voltaria a ser dominada pelo Sporting, cuja intensidade se revelou menor num jogo já controlado na tática e no marcador. Há, no entanto, algo importante a referir: a adaptação de Bruno César foi aposta ganha por Jorge Jesus. Foi ao brasileiro que coube a tarefa da marcação de Mateus, o exímio velocista do Arouca nos arranques do contra-ataque. Embora o treinador do Sporting pudesse apostar em Esgaio, habituado à posição, preferiu arriscar ganhando a qualidade visível no lado esquerdo, onde Bruno César, capaz de se fixar nas zonas altas, libertava Bryan Ruiz para a assessoria na zona central – onde não deixa de ser menos mestre do que na ala. Parece que Jorge Jesus continua a manter o estatuto de especialista no tratamento da zona lateral da defesa, à imagem daquilo que tem feito ao longo da sua carreira.

Uma fase final menos agressiva, embora com alguns apontamentos ofensivos interessantes no ataque, confirmou aos poucos a gestão que o Sporting quis fazer, e com pleno direito. Um forte comportamento na primeira parte chegou para a equipa leonina resolver a partida, ficando, porém, a ideia de que na segunda parte, e caso Jorge Jesus o quisesse, uma mão poderia não chegar para contar os golos. Golear parece fácil.

 

A Figura:

João Mário – Creio que estamos perante um caso raro. Apesar de jovem, João Mário é um jogador tremendo, não só pela técnica que detém, mas também por ser um jogador completo e preponderante na manobra táctica do Sporting. Defende bem, ataca ainda melhor e, vejam, também marca.
O Fora-de-Jogo:

Lito Vidigal –  O Arouca está a fazer uma boa época, e o seu treinador tem mérito nisso. Mas, após uma boa série de jogos sem sofrer golos, acabar a primeira parte com quatro golos sofridos tem de ter alguma tradução. Muito espaço e pouco rigor defensivo. O Arouca, e Lito Vidigal, pagaram caro o demérito pouco habitual.

Foto de Capa: Bola na Rede