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Sporting e o síndrome do “irmão” mais velho

Nuno Almeida · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sporting cp cabeçalho 2Sempre fui o irmão mais velho, o primo mais velho (a partir do momento que vim em primeiro lugar, seria impossível perder o privilégio), e por isso sempre me foram solicitadas acções difíceis de entender para criança de tão tenra idade. Por ser o mais crescido tinha que ser responsável, tinha que proteger os mais novos, e não responder às provocações destes. No fundo tinha que dar a outra face.

Muitas vezes fui castigado por algo que não tinha originado, e em algumas em que nem sequer tive influência, mas como deveria ser o responsável e mais compreensível lá me calhava a “fava”. Eu, como mais velho, tinha que aceitar, respeitar, proteger, ter acções altruístas enquanto os que vinham atrás pareciam poder fazer sempre um pouco mais que eu, sem a repreensão que mereciam. E se a recebiam nunca ficavam sozinhos. Imaginam quem lhes faziam companhia? Pois.

Olhando para os últimos tempos do dia-a-dia do Sporting, desde a equipa de futebol à direcção, passando pelos técnicos, quase parece que o clube é o “mais velho” do futebol português. É tratado como se servisse de exemplo para os outros, sobre o bem e o mal, ficando sempre com a maior responsabilidade deixando os outros mais libertos para as suas “traquinices”.

Bruno de Carvalho foi recentemente castigado com mais 90 dias de suspensão Fonte: Super Sporting
Bruno de Carvalho foi recentemente castigado com mais 90 dias de suspensão
Fonte: Super Sporting

Como já todos perceberam, o presidente do Sporting recebe novos castigos quase todos os meses, e entre castigos, diminuições de penas, e absolvições não deve haver uma semana ou dia que não haja alguém a tratar de repreender e “ensinar” Bruno de Carvalho como se comportar. Será ele o “irmão mais velho” de todos os dirigentes que andam no futebol português? É que nenhum outro recebe este tipo de tratamentos mesmo quando andaram anos a “brincar” e fazer “jogos” tipo “quantos queres”, a “enviar papelinhos”, ou a praticar “Bullying” (naqueles tempos não tinha esse nome). Portanto Bruno de Carvalho, ainda que mais novo de idade, é agora tratado como “exemplo” para todos os outros.

Já Jorge Jesus teve que vir para o Sporting para poder saborear o gosto de um castigo, e até que ele se apercebesse de onde estava agora, levou mais castigos num mês que em anos de frequência de outra “escola”. É assim que se cresce. Aprendendo.

Quanto à equipa, estando atento aos últimos jogos, e à “intensidade” que todas as equipas têm colocado nas disputas de bola quando jogam contra os Leões sem que levem a devida sanção, facilmente se percebe que são tratados como o “irmão mais novo”, porque são “pequenos” e ainda não aprenderam todos os valores que os sustentarão quando crescerem. Nem vale a pena castigá-los, porque eles não entenderiam o conceito. Assim, teremos que dar-lhes algumas oportunidades para que aprendam. Já a equipa de Alvalade, como responsável, “irmão mais velho”, já sabe ao que vai, e sem aviso, assim que pise o risco será castigado. Não podemos aceitar maus exemplos dos mais crescidos, não é verdade?

O aviso está dado. Eles podem, mas tu não porque és o mais velho. Isto não é mais do que educar-nos às suas leis, regras, valores. Porque são avisos para nos “balizar” e nos indicar o caminho que devemos seguir para sermos “aceites” no sistema. Tudo isto serve para nos avisar que seremos sempre castigados, e serve de sinal para os “mais pequenos” de que, contra nós, têm aquela “condescendência”.

Os árbitros mostram menores reticências em mostrar cartões aos jogadores leoninos Fonte: refereeingworld.blogspot.com
Os árbitros mostram menores reticências em mostrar cartões aos jogadores leoninos
Fonte: refereeingworld.blogspot.com

Veremos até quando o “mais velho” se farta de seguir leis que nenhum outro é obrigado a seguir, e se revolta contra quem o quer “obrigar” a isso. Mas como os mais velhos, como nos querem fazer ser, tentaremos continuar a ser responsáveis por todos os outros, tentando dar bons exemplos, e trabalhando de forma a que, algum dia os “mais pequenos” sigam os valores, exemplos “do maior”.

Não somos nós a escolher esse “papel”, mas se é esse que nos querem imputar, assumiremos de bom grado. Para já, os “pequenos” ainda não cresceram o suficiente, e continuam a querer o sistema de “traquinices” com os outros.

Continuaremos a insistir e persistir, porque ensinar e educar também é isso.

Foto de capa: Bola na Rede

Nuno Almeida

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