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Oliveira do Hospital, 14 de Fevereiro. Jogam-se os últimos segundos da final da Taça Hugo dos Santos, de basquetebol, e o Porto vai vencendo o Benfica por 69-66. Poucos instantes antes da partida terminar, o extremo benfiquista Carlos Andrade concretiza um lançamento no limite da linha de três pontos. Os responsáveis da sua equipa dizem que o cesto foi triplo – se for esse o caso, o jogo fica empatado 69-69 e vai a prolongamento – mas a comitiva portista garante que não. Os árbitros conferenciaram e tiraram as dúvidas recorrendo às imagens televisivas, que confirmaram a versão portista. Desta forma o cesto contou apenas como dois pontos, e os dragões levaram a taça.

Se algo semelhante se passasse no futebol, a probabilidade de o lance ser mal decidido era muito maior, tendo o clube beneficiado (não interessa aqui se era o Benfica ou se deixava de ser) a hipótese de ganhar uma competição de forma irregular. Tem razão Bruno de Carvalho quando diz que um pormenor mal ajuizado pode ter consequências de milhões. Foi assim com o Sporting na pré-eliminatória deste ano da Liga dos Campeões contra o CSKA, para não ir mais longe. E quem diz milhões diz títulos – porque, no fundo, é para os conquistar que os clubes existem.

O presidente do Sporting, aliás, tem a convicção de que, apesar de ainda haver algum “medo”, “as tecnologias vão acabar por impor-se”, tal como já acontece nas mais variada profissões, como “os médicos, os controladores aéreos, os professores”. Com efeito, o International Board deu recentemente o primeiro passo com vista à implementação do vídeo-árbitro, algo que já é apoiado pela liga norte-americana, pela liga holandesa e agora, ao que parece, pela própria FPF . Também os árbitros portugueses concordam com o uso das novas tecnologias. Este último é um ponto muito importante, uma vez que prova que as propostas leoninas têm receptividade entre a classe que iria usufruir desses novos meios.

É linear: se houver recurso a vídeo-árbitro no futebol, haverá menos decisões erradas; havendo menos decisões erradas, existirá obviamente menos polémica. Que o episódio da final da Taça Hugo dos Santos de basquetebol sirva de exemplo para demonstrar uma vez mais que o Sporting não está em pé de guerra com os árbitros; pelo contrário, é o clube grande que mais os defende, por muito que isso doa a alguns.

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propostas
Ver aqui um excelente artigo do Maisfutebol com o desenvolvimento das propostas e os comentários do ex-árbitro Pedro Henriques: http://www.maisfutebol.iol.pt/sporting/liga/as-propostas-para-a-arbitragem-vistas-por-pedro-henriques

 

Bocas despropositadas

Jorge Couto, treinador adjunto do Boavista, foi expulso do banco no jogo com a Académica. O que é que Erwin Sánchez, treinador axadrezado, se lembra de dizer? “Nunca me vou desculpar com arbitragens, mas por falar nisso parece-me que o Sporting tem tido formas negativas de comentar a arbitragem”. O prémio da declaração mais a despropósito da história recente do futebol português pertence, portanto, ao técnico boliviano, que passou pelo Benfica enquanto jogador. Será a voz do dono a falar, numa altura da época em que as coisas apertam, ou será apenas estupidez do treinador boavisteiro, em vésperas de se deslocar a Alvalade? Só ele saberá responder. Contudo, o facto é que, desde Manuel Machado a mostrar um vídeo de um lance no seu telemóvel até o professor Neca a dizer que “quem semeia ventos tira vantagens”, passando por esta intervenção estapafúrdia de Sánchez, contra o Sporting todos parecem gostar muito de mostrar as suas garras.

 

Na Europa para gerir

Desde 2004/05 que o Sporting não chegava a Fevereiro na liderança do campeonato; desde 2001/02, o último ano em que foi campeão, que o emblema leonino não estava em 1º isolado nesta altura do ano; desde a já longínqua temporada de 1981/82, outro ano do título, que os verde-e-brancos não tinham, à entrada para Março, uma vantagem de 3 ou mais pontos sobre o 2º classificado, como aquela de que dispõem nesta época.

Estas estatísticas dão um respaldo factual a algo que sinto: nesta altura, já só o campeonato importa. Está demasiado em jogo e os Sportinguistas estão ávidos de conquistas. Neste momento, a Liga Europa tem potencial para fazer mais mal do que bem à equipa do Sporting – se os leões forem eliminados, não é nada que não tenha acontecido noutras épocas; se seguirem em frente, chegam apenas aos oitavos-de-final e continuarão na companhia de grandes clubes, muitos deles com mais hipóteses de ganhar a competição do que a equipa de Jorge Jesus.

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Aquilani é um dos jogadores que devem ser titulares nos jogos com o Leverkusen, em nome da gestão do plantel para o que mais importa
Fonte: Facebook oficial do Sporting CP

O que se faz aqui não é, obviamente, uma apologia da derrota e da falta de ambição. Quem não gostaria de ganhar a Liga Europa? A questão, no entanto, é outra. Estamos numa altura fulcral da época e, chegados até aqui, convém que o Sporting não dê borlas aos adversários no campeonato. Já foram conseguidas demasiadas coisas para agora se arriscar deitar algo a perder com contratempos como lesões – como se os afastamentos de Paulo Oliveira, Naldo, Ewerton, Jefferson e Bruno César não chegassem já… – desgaste e menor hipótese de preparação para os jogos da liga.

A Europa é importante para um clube grande como o Sporting? É. Mas este é também um ano atípico, em que ser campeão representa muito mais do que qualquer eliminatória europeia (inserida numa competição que nem sequer se destaca por uma vertente financeira apelativa). O apuramento na fase de grupos era uma obrigação para o Sporting, a passagem aos oitavos já não. Não este ano, pelo menos. Mesmo estando consciente do prestígio europeu, atribuo muito mais importância ao jogo com o Boavista do que à eliminatória com o Leverkusen. Na Europa, tudo o que se pede é um comportamento digno. É por isso que defendo que Jorge Jesus rode um pouco a equipa, dando hipótese a jogadores como Aquilani, Gelson, Esgaio, Mané e Teo e, sobretudo, fazendo descansar Adrien, João Mário, Bryan Ruiz e Slimani. Poucos dias depois da ida à Alemanha, há uma difícil deslocação a Guimarães. Que a vontade de ir longe na Liga Europa não comprometa o campeonato, porque estão demasiadas coisas em jogo.

 

Foto de capa: Facebook oficial de Bruno de Carvalho, presidente do Sporting CP

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O João Sousa anseia pelo dia em que os sportinguistas materializem o orgulho que têm no ecletismo do clube numa afluência massiva às modalidades. Porque, segundo ele, elas são uma parte importantíssima da identidade do clube. Deseja ardentemente a construção de um pavilhão e defende a aposta nos futebolistas da casa, enquadrados por 2 ou 3 jogadores de nível internacional que permitam lutar por títulos. Bate-se por um Sporting sério, organizado e vencedor.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.