A grande marca de um clube ou organização passa pela sua identidade. Tudo o resto está ligado a ela: o símbolo, as cores, a marca. Não podemos falar em valores clubísticos se eles não assentarem numa matriz identitária comum e que lhes dê forma e força.

Os estatutos de um clube são talvez a maior concretização, no papel, dessa identidade clubística. Essa foi talvez a razão pela qual na assembleia proposta pela Direção anterior para alterar os estatutos de clube, os sócios reagiram de imediato. Tal intento tinha a identidade de todos os sportinguistas e do seu clube como principal alvo. Mas não é só pelas coisas que estão no “papel” que se faz pulsar uma identidade. No caso de um clube é, sobretudo, na relva dos estádios, nas pistas, pavilhões e ringues que se vê a ligação e o compromisso com a identidade coletiva de que fazem parte.

Mas vamos ao Sporting. A matriz identitária de um clube como este deve ser sempre o compromisso com as vitórias, seja de todos os seus atletas, corpos sociais, adeptos e sócios. É a tão apelidada, embora nem sempre praticada, de “cultura de exigência”, sendo ela uma parte determinante da identidade leonina. E quando perdemos devemos reconhecer o adversário vitorioso, quando a sua vitória fui justa em campo, com a mesma dignidade e respeito do que quando ganhamos.

Ora é precisamente essa “cultura de exigência” que tem faltado, salvo raras exceções, à equipa de futebol do Sporting, colocando, não só de hoje como de há muitos anos, o clube numa situação de crise identitária permanente.

As recentes exibições da equipa de futebol do Sporting têm colocado em crise a identidade leonina
Fonte: Sporting CP
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No que às modalidades diz respeito, elas têm sido o suporte essencial da identidade do clube. Não podemos negligenciar todo o compromisso do andebol, do ténis de mesa, do voleibol, do futsal, do atletismo, entre outras, na glorificação do leão rampante. Mas com os pupilos de Kiezer a coisa já é diferente. E não há vitória por três zero ao SC Braga em casa que apague as exibições paupérrimas da equipa nos últimos jogos.

Como entender, por exemplo, que uma equipa de futebol do Sporting demore trinta e tal minutos a rematar à baliza adversária diante de um CD Feirense (com todo o respeito pelo clube nortenho)? Como admitir o amadorismo com que defrontaram o SL Benfica, quer em Alvalade para o Campeonato, quer na Luz para a Taça de Portugal? E a eliminação da Liga Europa diante desse astro do futebol espanhol e europeu chamado Villareal CF permite confirmar na íntegra o que disse a propósito desta falta de compromisso, essencialmente no jogo da primeira mão em Alvalade.

Em resumo, no que ao futebol sportinguista diz respeito, as águas andam confusas. Elas têm mergulhado a identidade leonina numa crise profunda por muito que as outras modalidades se esforcem por honrar o símbolo. E com as modalidades a puxarem para um lado e a equipa de futebol para o outro não há identidade clubística que resista. Aqui fica a mensagem para os pupilos de Keizer: Acordem seus “meninos bonitos”!

Foto de Capa: Sporting CP

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