Há pouco tempo, um treinador disse que Cristiano Ronaldo é uma multinacional. Conhecendo nós todos os negócios e ramos empresariais a que está associado o seu nome, facilmente percebemos o que quis dizer com isso.

Ao decidir contratar Cristiano Ronaldo, não estamos a assinar contrato apenas com um jogador de futebol, mas com uma organização empresarial complexa. E, assim sendo, tal deve ser tratado como uma decisão estratégica entre duas empresas, obrigando a que se faça um cuidadoso planeamento estratégico. No fundo, não seria a assinatura de um contrato de trabalho de um jogador de futebol com um clube, mas sim uma fusão entre duas organizações empresariais.

Uma das ferramentas mais comuns e simples usadas pelas empresas no seu planeamento é a Análise SWOT (Strengths/Weaknesses/Opportunities/Threats), que permite enquadrar a posição da organização no ambiente externo e interno, analisando os pontos fortes e fracos, assim como as oportunidades e ameaças ao seu negócio.

Ora, o Sporting tem, com certeza, este tipo de análise consolidada, podendo assim saber com maior propriedade onde está posicionado relativamente aos seus concorrentes e fornecedores, e quais as consequências de determinada decisão no meio envolvente interno e externo.

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Fonte: Sporting Clube de Portugal

Ou seja, este tipo de matriz não serve apenas para fazer uma lista de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, mas confrontar essencialmente dados para gerar um planeamento estratégico e assim facilitar a tomada de decisão. Então, poderemos utilizar as forças que identificamos para minimizar os efeitos das ameaças ou diminuir o impacto das fraquezas, aproveitando as oportunidades encontradas.

Dito isto, CR7 tem agora 36 anos, e apesar de continuar a ser um dos melhores jogadores no activo não tem já a capacidade de pressão a que a nossa equipa obriga, o que faria com que o nosso modelo de jogo pudesse ter de mudar para se adaptar ao facto de termos um avançado apenas preocupado em atacar.

O nosso melhor do mundo tem ainda um ordenado estratosférico. Vir para o Sporting obrigaria a um corte dos seus rendimentos salariais diretamente ligados à sua profissão (porque tem muitos outros) na ordem dos setenta a noventa por cento. Se isso não acontecer, mesmo que a sua vinda exponencie de uma forma inimaginável a venda de merchandising, e ajude a encontrar melhores patrocinadores, poderia levar o clube, a curto-médio prazo, a uma situação financeira ainda mais difícil do que aquela em que já está (ainda não esquecemos que muito se fala da herança pesada).

Ter Cristiano Ronaldo a jogar pelo Sporting originaria com certeza uma motivação extra para os restantes jogadores da equipa, e poderia ao mesmo tempo amedrontar os nossos adversários. Esta última questão poderia até nem ser uma vantagem para o Sporting, conhecendo a forma fechada como joga a maioria das equipas em Portugal contra os mais poderosos, e a dificuldade que o Sporting tem em ultrapassar equipas ultra-defensivas. Ainda assim teríamos o melhor do mundo para nos ajudar.

Conseguimos perceber que há vantagens e desvantagens em ter o maior do mundo a jogar pela nossa equipa, mas seriam essas vantagens grandes ao ponto de nos permitirem ficar muito mais fortes que os nossos principais adversários? Será que o upgrade em termos de merchandising e marketing internacional compensaria uma possível desestruturação estratégica da forma de jogar da equipa?

Contratar Ronaldo seria uma decisão estratégica com muitos pontos fortes, mas também alguns fracos. Com certeza que proporcionaria oportunidades, mas também originaria algumas ameaças à sustentabilidade do clube. Tudo isto seria necessário analisar e ponderar para podermos decidir o melhor para o Sporting. Mas, quando se fala em contratar o melhor do mundo, os olhos dos sportinguistas brilham, sem pensar em números ou matrizes.

Este seu regresso poderia ainda ser encarado como uma futura parceria empresária. Não sei se o Cristiano precisaria disso ou estaria interessado nisso, mas a verdade é que para o Sporting seria muito importante ter um investidor que ama o clube. O nome da academia já mudou. Será um sinal?

Uma coisa é certa: seja ou não uma boa medida estratégica para o clube, com certeza traria uma grande alegria e orgulho à maioria dos sportinguistas. Eu incluído. E digo maioria porque o sucesso sempre provocou inveja, e por cá continua a haver quem não aguente ver CR7 ganhar.

O coração diz-me que o regresso de Cristiano Ronaldo ao Sporting seria o melhor que nos poderia acontecer. Já a razão deixa-me algumas dúvidas, principalmente porque iria alterar a estrutura de uma equipa que está entrosada, bem identificada com o esquema táctico e, quer queiramos ou não, iria mexer com o íntimo dos jogadores.

Mas imaginem lá o que seria os miúdos chegados da formação para treinar com a equipa principal darem de caras com Cristiano Ronaldo?

Quanto à análise que me propus fazer aqui, não consegui chegar a nenhuma conclusão, até porque nas coisas do coração é difícil quantificar. Portanto, cada um que analise e chegue à sua própria conclusão.

Eu acredito que ele venha, mas não agora. E sei que vem porque a D. Dolores já o garantiu. Isso para mim, e percebendo a relação dela com o filho, basta-me.

NOTA: sim, eu sei que não foi exactamente uma análise SWOT, o que eu fiz, mas serviu essencialmente para tentarmos perceber se objectivamente será uma boa medida para o clube. Será que ajudou?

Artigo revisto por Manuela Baptista Coelho

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