Esta semana abordarei uma questão que assume uma importância central no modelo de jogo de por José Peseiro. Ou será, talvez, uma questão lateral? Penso que um pouco das duas… A posição de lateral esquerdo é uma das posições que mais evoluiu ao longo dos anos e especialmente no contexto atual do futebol contemporâneo. Antigamente, um defesa lateral era, tal como o nome indica, mais um defesa, com a missão quase em exclusivo de manter o equilíbrio defensivo da equipa. Atualmente, um defesa lateral é muito mais do que isso. Tem que ser uma espécie de canivete suíço ou um “pau para toda a obra”. Nos dias que correm, um defesa lateral é um jogador essencial na manobra defensiva mas também na ofensiva de qualquer formação. O lateral tem que ser capaz de defender de forma coesa, saber posicionar-se de forma a abrir e alargar o campo (quando em ataque) ou a fechar junto do central de forma a encurtar as linhas (quando a defender). Outro aspeto, cada vez mais analisado, é a questão dos apoios e respetiva postura corporal, algo que os laterais também devem dominar. Para além disso, os laterais de hoje em dia têm que ser uma espécie de locomotiva incombustível, capazes de galgar terreno e fazer movimentos de vaivém constantes não só pelas faixas mas também pelo corredor central, um movimento cada vez mais usual. Esta posição é, atualmente, uma das mais complexas e das quais os treinadores podem retirar grandes dividendos e variantes em termos de jogo.

Numa realidade de equipa grande como a do Sporting CP, este papel preponderante do lateral não é exceção, no entanto, o lado esquerdo da defesa tem sido uma das posições menos consensuais neste início de época. No modelo de jogo de José Peseiro, os laterais têm importância acrescida já que são unidades importantes não só no plano defensivo, mas também para atacar, principalmente contra adversários que jogam com as suas linhas demasiado baixas e juntas, algo recorrente na liga portuguesa quando defrontam os “grandes”. Nessas situações, os laterais leoninos têm que ser capazes de se somar ao ataque de maneira a desequilibrar e penetrar na organização adversária. Para além disso, em traços gerais, a ideia de jogo da equipa verde e branca tem transparecido, até agora, um fio de jogo com grande cadência para canalizar o seu jogo por fora (às vezes até em demasia), ou seja, a equipa de José Peseiro tem criado e atacado preferencialmente pelos corredores laterais. Visto isto, parece óbvio que as dinâmicas exigidas aos jogadores que atuam nas faixas laterais tornam-se ainda mais preponderantes no jogar do Sporting CP. O rendimento pouco satisfatório, principalmente, na lateral esquerda tem sido preocupante e este início de época tem sido sintomático de que algo está a falhar no lado esquerdo da defesa no reino do leão.

Jefferson não tem convencido neste início de época
Fonte: Sporting CP

Desde a saída de Fábio Coentrão no final da época transata, ficou a ideia de que o clube leonino iria reforçar o lado esquerdo da defesa. Porém, nenhum jogador chegou para colmatar essa lacuna de forma natural e até o regresso de Coentrão foi rejeitado. Este desfecho deixou o Sporting CP com as seguintes opções para a posição, no mínimo, até à abertura do mercado de inverno: Jefferson, Lumor, Acuña e, se for estritamente necessário, Bruno Gaspar.

Jefferson tem sido a opção mais recorrente, disputou cinco jogos (426 minutos de 540 possíveis), contudo as suas exibições têm andado longe de ser consistentes ou satisfatórias para a massa adepta leonina. O brasileiro regressou ao Sporting CP depois de um ano de empréstimo com relativo sucesso no SC Braga e neste início de época tem sido o preferido de Peseiro para ocupar essa posição no onze titular, no entanto teima em não convencer as hostes leoninas. Jefferson é um lateral que gosta de atacar e a sua maior arma reside na qualidade do seu pé esquerdo. É um jogador capaz de cruzar com qualidade e é uma mais valia nos lances de bola parada mas tanto defensivamente como tecnicamente é um jogador bastante limitado. O brasileiro tem exibido um futebol demasiado rudimentar e para além disso, neste arranque de temporada mostrou-se muitas vezes alheado do jogo, pouco participativo e até pouco confiante a atacar e devido às suas fracas prestações foi preterido das escolhas iniciais nas últimas duas partidas (vs Qarabag FK e vs SC Braga). Será que perdeu o “comboio” de vez?

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Amante de desporto em geral mas desde cedo o futebol fez parte da sua vida. Estudante de jornalismo movido por uma curiosidade desmedida e com o sonho de chegar ao jornalismo desportivo. Apaixonado pelo futebol na sua essência e sempre interessado em pensar o jogo e em refletir sobre o fenómeno em si. Num jogo que tantas emoções desperta, nada melhor que palavras para as exprimir, assim o gosto pela escrita e a paixão pelo futebol fundem-se num só.                                                                                                                                                 O Xavier escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.