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A CRÓNICA: A CLASSE FICOU AO ENXUTO

Estádio cheio, animação nas bancadas e testes só ao som da instalação sonora do estádio. É à distância de todas estas coisas que estamos desde que, há cerca de um ano, o SC Braga se tornou campeão de inverno. Rúben Amorim sentava-se no banco minhoto na altura dessa conquista. Hoje, foi adversário, à frente do Sporting CP. Ele, que até já marcou numa final da Taça da Liga, tinha a missão de meter os seus pupilos verdes e brancos a fazer o mesmo. Do outro lado, ao leme do Braga, estava Carlos Carvalhal, o treinador que venceu a primeira edição do troféu ao serviço do Vitória FC.

O Braga não quis esperar pela hora indicada para começar os exercícios de aquecimento e começou logo a aumentar o calor da final antes da partida começar. No momento do apito inicial, o choque deve ter sido térmico, não fosse a chuva e o frio que se fazia sentir.

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Duas foi o número de vezes que Sporting CP e Braga ganharam a competição. Para a vencerem pela terceira vez, as equipas tinham de se libertar das amarras táticas em que o jogo estava lançado. Ambas as estruturas, à partida, encaixavam na perfeição uma na outra.

Não houve, no entanto, sistema tático em que as equipas estivessem montadas que escondesse aquilo em que o jogo se tornou.  As poças que se distribuíam pelo relvado atrapalharam os intervenientes na gestão da bola. A forma como o esférico não rolava com a fluidez habitual levou a um aumento do número de duelos, alguns deles bem ríspidos. O que abundava em água escasseava em oportunidades.

Os embates entre os laterais de ambas as equipas podiam ser a forma de encontrar o caminho para as balizas. Foi por isso que os lances protagonizados por Nuno Mendes e Esgaio, de um lado, e por Porro e Galeno, do outro, podiam ser o segredo para o sucesso, uma vez que o corredor central se encontrava bastante povoado.

Já no término da primeira parte, e com os dois treinadores na bancada após serem expulsos, Porro foi de Fiat e sem respeito por qualquer tentativa de o pararem, enquanto Galeno ainda metia a chave na ignição. Rematou cruzado e fez o primeiro golo do jogo.

A segunda parte trouxe mexidas. O Braga lançou Paulinho para o lugar de Abel Ruiz e o Sporting trouxe Nuno Santos para a posição que antes era ocupada por Jovane. Tiago Tomás veio apetrechado com uma toca que, embora destinada a proteger uma ferida que fez nos primeiros 45 minutos, se adequava às circunstâncias. Com nomes diferentes e objetos novos, a tendência dos dois conjuntos para procurarem bolas longas manteve-se.

Os minhotos estavam melhor. Subiram os níveis de agressividade e aproximaram-se mais da baliza dos leões com alguns desenhos ofensivos como até aí não se tinha visto no jogo. Iuri Medeiros deu bons sinais aquando da sua entrada. Paulinho quase capitalizava essa melhoria da equipa com um golo. Só a barra o impediu. De seguida, foi a posição irregular de Esgaio que não deixou o Braga festejar a igualdade.

Com o jogo a terminar, os arsenalistas pressionaram. Geraram-se alguns conflitos e saltaram uma série de cartões do bolso do árbitro, um deles vermelho, exibido a Pedro Gonçalves.

O jogo estava para guerreiros, mas foram os leões que foram bem-sucedidos. Muitas vezes considerada a Taça a que ninguém Liga, o Sporting leva para Alvalade o troféu. A final deixou muito a desejar do ponto de vista futebolístico. O coração sobrepôs-se a qualquer plano que os treinadores tivessem delineado e a qualidade perdeu-se. Festeje-se (em casa), o Sporting CP é campeão de inverno.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Pedro Porro – Com a boa atitude competitiva vem o resto. Esteve muito bem a fechar o espaço do corredor lateral e revelou-se quase intransponível. O golo que marcou foi decisivo para a vitória.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

João Mário – Costuma jogar de pantufas, mas hoje foi dia de calçar as botas. O físico não é o seu forte, mas o jogo estava a exigir muito dessa componente, principalmente no meio-campo, pelo que não conseguiu ter a influência habitual.

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

O Sporting andou entre o 3-4-3 e o 5-4-1, conforme tivesse ou não a posse de bola.

Em organização defensiva, estabeleceu uma clara linha de cinco elementos, Porro, Inácio, Coates, Feddal e Nuno Mendes. À frente destes jogadores, existia ainda uma linha de quatro e um elemento solto na frente que formavam o obstáculo que o Braga tinha de ultrapassar. De salientar a importância do papel de Palhinha no equilíbrio da equipa.

A atacar, Porro foi o lateral mais disponível para se envolver. João Mário, que costuma orquestrar a posse de bola da equipa, sofreu com as características do jogo. Pedro Gonçalves teve livre trânsito para se mover por terrenos interiores e funcionar como terceiro médio com chegada à área. A mobilidade dos homens da frente foi uma constante e Tiago Tomás caiu frequentemente sobre a direita no apoio a Porro, em ocupação do espaço deixado por Pedro Gonçalves. Esta situação visou causar desequilíbrios no corredor em situações de dois para um com o lateral contrário.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Antonio Adán (6)

Pedro Porro (7)

Gonçalo Inácio (6)

Sebastián Coates (6)

Zouhair Feddal (5)

Nuno Mendes (5)

João Palhinha (6)

João Mário (5)

Pedro Gonçalves (5)

Jovane Cabral (5)

Tiago Tomás (5)

SUBS UTILIZADOS

Nuno Santos (5)

Andraz Sporar (5)

Matheus Nunes (5)

Neto (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA

A dinâmica mais evidente do 3-4-3 em que Carlos Carvalhal lançou os seus guerreiros esteve presente no flanco esquerdo, potenciada por Galeno e Sequeira. No momento ofensivo, Galeno soltou-se, sem receio, para o ataque, mas somou a isso a responsabilidade de fechar o corredor esquerdo e formar uma linha defensiva de cinco elementos, orientando o seu posicionamento em função do lateral contrário, no caso, Porro, quase como se de uma marcação individual se tratasse. Sequeira funcionou como terceiro central no momento de circulação de bola em ataque organizado, permitindo uma construção a três e obrigando os médios Castro e Al Musrati a jogarem dentro da estrutura do adversário. No entanto, quando o Braga tentou uma saída pressionada, nomeadamente nos pontapés de baliza, Sequeira deu largura à esquerda. Esta situação aconteceu poucas vezes dado o seu risco devido ao estado do terreno.

Em organização defensiva, o Braga dispôs-se, na maior parte do tempo, em 5-4-1, baixando Esgaio e Galeno para junto dos centrais Tormena, Carmo e Sequeira. Os centrais, sempre que a bola entrava nos jogadores que caíam na sua zona, saíam a pressionar salvaguardados pelos restantes quatro elementos do setor recuado. Lado a lado, Castro e Al Musrati encheram o miolo, e que importante que isso foi para não dar aso aos rasgos criativos de João Mário.

No momento de tentar ferir as redes contrárias, total liberdade para as subidas de Galeno e Esgaio, que se juntaram aos jogadores mais avançados, Fransérgio, Ricardo Horta e Abel Ruiz, para fazerem mossa. Não esquecer o papel dos restantes cinco jogadores que se mantiveram organizados para garantirem uma boa transição defensiva.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Matheus (5)

Ricardo Esgaio (6)

Tormena (5)

David Carmo (5)

Sequeira (5)

Galeno (5)

Al Musrati (6)

Castro (5)

Ricardo Horta (5)

Fransérgio (5)

Abel Ruiz (5)

SUBS UTILIZADOS

Paulinho (5)

Iuri Medeiros (6)

João Novais (6)

Artigo revisto por Mariana Plácido

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