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24 de Janeiro, 2022

Casa Pia venceu o Farense para a Taça de Portugal

Casa Pia AC 3-1 SC Farense: Gansos Voam para os Oitavos da Taça

CRÓNICA: FARENSE NÃO DESITIU, MAS A MELHOR EQUIPA VENCEU

Num duelo a contar para a 4ª eliminatória da Taça de Portugal, o Casa Pia recebeu o SC Farense, estando ambas as equipas invictas nos últimos nove jogos que haviam disputado.

O Casa Pia começou por cima, precisando apenas de um minuto para desferir o primeiro remate perigoso, e de seis para marcar – Jota Silva, que faturou pelo sétimo jogo consecutivo, isolou-se à entrada da área e desferiu um tiro colocado que desfez o nulo.

O Farense começou depois a controlar a posse de bola, mas tal não se refletiu em oportunidades de golo. Já o Casa Pia estava confortável no jogo, tendo à passagem da meia hora criado muito perigo por intermédio de Godwin, mas o guardião Ricardo não permitiu o segundo golo (que acabaria por chegar).

Após um contra-ataque perfeito que envolveu apenas três passes, Jota isolou Godwin que, mais uma vez, perdeu o duelo com Ricardo. No entanto, no consequente canto, Zolotic fez o 2-0 com um cabeceamento indefensável.

Os algarvios ainda assustaram antes do intervalo, através de um cruzamento que passou à boca da baliza, e o Casa Pia fez o mesmo após um passe de Jota para João Vieira que, isolado, permitiu outra defesa de Ricardo.

O início da segunda parte foi como o da primeira – com o Casa Pia por cima. Este domínio dos gansos não se traduziu, no entanto, em golos.

Assim, os leões de Faro começaram a aproximar-se da baliza de Lucas Paes e fizeram (finalmente) o seu primeiro remate à baliza por intermédio do recém-entrado Baldé aos 58 minutos.

Pouco depois, Pedro Henrique desperdiçou uma excelente oportunidade, mas não voltou a fazer o mesmo ao minuto 66, marcando após um excelente cruzamento de Henrique.

O Casa Pia não se coibia de atacar, mas Pedro Henrique voltou a causar calafrios nos gansos após um remate na grande área, que foi defendido por um atento Lucas Paes.

Já nos descontos, e após uma expulsão de Loide, o Casa Pia terminou o jogo da melhor maneira: livre direto para Derick Poloni, que o cobrou de forma exímia, estabelecendo assim o resultado final.

 

A FIGURA


Jota – O avançado do Casa Pia foi sempre figura mais durante o tempo em que esteve em campo, tanto na produção para o coletivo como na finalização, Jota brindou os adeptos com uma exibição de luxo, somando mais um golo na sua conta pessoal.

 

O FORA DE JOGO


Madi Queta – O avançado da equipa do Farense fez uma primeira parte muito apagada, onde acabou por não conseguir exprimir toda a sua qualidade técnica. Ao intervalo, o treinador Fernando Pires acabou por promover a sua retirada do campo.

 

ANÁLISE TÁTICA – CASA PIA AC

Os comandados de Filipe Martins apresentaram-se no habitual 3-4-3. Com um tridente ofensivo composto do Jota, João Vieira e Goodwin, a velocidade e o sentido da baliza esteve sempre bem presente na manobra da equipa. Com o sucesso da pressão defensiva, o conjunto do Casa Pia esteve sempre muito confortável sem posse de bola, apostando as suas fichas, essencialmente, em transições rápidas na busca da velocidade dos homens da frente.

No capítulo defensivo, a equipa do Casa Pia foi sempre muito pressionante na saída de bola do Farense, com uma sintonia quase perfeita entres alas e médios, recuperando muitas bolas ainda no meio-campo ofensivo.

Na segunda parte, a equipa baixou os níveis de intensidade tanto defensivos como ofensivos, mantendo as transições rápidas como uma das suas melhores armas para chegar à baliza.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Lucas Paes (6)

Leonardo Lelo (7)

Ângelo Neto (6)

Vasco Fernandes (6)

John Kelechi (6)

Zolotic (7)

Afonso Taira (7)

João Vieira (6)

Lucas Soares (7)

Saviour Godwin (5)

Jota Silva (8)

SUBS UTILIZADOS

Banjaqui (7)

Rodrigo Galo (6)

Camilo Triana (6)

Leandro Sanca (6)

Derick Poloni (7)

ANÁLISE TÁTICA – SC FARENSE

A equipa de Fernando Pires apresentou-se igualmente num 3-4-3, com algumas alterações no onze inicial em relação ao último jogo. O conjunto algarvio encontrou algumas dificuldades em conseguir passar a pressão alta do Casa Pia. Já no meio-campo ofensivo, a equipa do Farense teve sempre muitas dificuldades de ligar com os seus jogadores mais avançados.

No momento defensivo, apesar de uma linha de cinco jogadores bastante compacta, a reação à perda não foi a melhor, e permitiu por diversas vezes que através de transições rápidas e poucos passes a equipa de Filipe Martins chegasse perto do golo.

No intervalo, o técnico Fernando Pires promoveu algumas alterações e a equipa entrou com outra cara para o segundo tempo. Uma maior posse de bola e maior facilidade de ligar no último terço voltara, a colocar o Farense na discussão do jogo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo (6)

Robson (6)

Madi (5)

Mayambela (6)

Isidoro (5)

Henrique (7)

Falcão (6)

Loide (5)

Mica (6)

Mancha (6)

Pedro Henrique (6)

SUBS UTILIZADOS

Baldé (7)

Bruno Paz (6)

Cristian (6)

Bura (6)

Bandarra (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Casa Pia AC

BnR: Depois de uma primeira parte onde a equipa pareceu sempre mais confortável sem bola, procurando através do sucesso da pressão criar situações de contra-ataque, pergunto-lhe se na segunda parte, a queda de intensidade se deveu a cansaço ou opção técnica?

Filipe Martins: Esta equipa foi construída para ter bola, mas não podemos esconder que temos jogadores fortes na transição. No entanto, sabíamos que para condicionar o jogo do Farense, tínhamos de ser muito agressivos na primeira fase de construção deles. Aliado a essa pressão, tivemos essa possibilidade de sairmos em transições,onde se acabou por notar a paragem que o Godwin teve de seis, sete semanas, e hoje pagou um pouco a fatura da pressão alta que fizemos.

Eu gosto de ter bola, acho que a nossa equipa é melhor com bola, no entanto essas transições acontecem naturalmente com o jogo, por estratégia não o gosto de fazer a não ser que estejamos com um resultado mais confortável.

Com 1-0, se estivermos lá atrás é porque não estamos a conseguir fazer o nosso jogo, ter bola, porque isso é uma das grandes virtudes e a primeira parte foi muito boa nesse aspeto.

Acabámos agora um pouco nesse registo, mas sentimos mais dificuldade quando não temos bola, apesar de muitas das vezes já aconteceu o adversário estar em cima de nós e nós acabamos por marcar nesses momentos de transição. Mas volto a frisar, não tem nada a ver com as estratégias, tem mais a ver sim com o próprio momento do jogo.

 

SC Farense

BnR: Fez duas substituições ao intervalo, com as entradas de Baldé e de Bruno Paz para os lugares de Madi Queta e de Isidoro; pergunto-lhe o que pretendia trazer de novo ao jogo com essas substituições, e se estas tiveram o efeito que era desejado?

Fernando Pires: Acima de tudo dar profundidade e velocidade na ala esquerda. O Isidoro era um jogador que na altura já tinha cartão amarelo, que vem de uma paragem com algum tempo, e com o Bruno Paz queria dar mais variação ao jogo, nós fomos muitos previsíveis e demasiado diretos na primeira parte.

Precisávamos de mais poder físico na zona central do terreno e acabámos por ser um pouco mais incisivos, em termos de ataque, e ter mais profundidade. Era o que nós pretendíamos para depois tirar partido da finalização na zona central.

Julgo que a espaços o conseguimos fazer e obtivemos um golo, numa dessas situações em que tivemos mais profundidade.

Na segunda parte estivemos mais perto do 2-2 do que o Casa Pia do 3-1, que acaba por ser uma grande execução, mas a história do jogo podia ter sido outra.