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A Associação Académica de Coimbra é um clube com um passado respeitável em Portugal, fruto da sua presença assídua, principalmente nos últimos anos, no principal escalão do futebol do nosso país; desde 2002/2003, depois de terem ficado no segundo lugar da segunda divisão, que os “estudantes” jogam a primeira liga de forma consecutiva.

Não é fácil, tendo em conta a realidade do futebol português, dominado por três clubes claramente superiores aos restantes, ficar entre os grandes, e quase nenhum outro clube está a salvo da descida. É, por isso, de destacar o trabalho realizado no emblema de Coimbra, apesar das prestações sofríveis no campeonato – a Académica costuma ficar poucos lugares acima da chamada linha de água, sendo as grandes exceções as temporadas 2008/2009 (7.º lugar) e 2013/2014 (8.º), com Domingos Paciência e Sérgio Conceição, respetivamente, no comando técnico do clube.

O sonho da Académica pode, porém, estar perto do seu fim. Neste momento, a equipa ocupa a penúltima posição da Liga NOS, com apenas 23 pontos em 28 jornadas. A seis jogos do final do campeonato, o medo de não alcançar a permanência torna-se cada vez mais real para o conjunto de Coimbra, que perdeu os últimos dois jogos a contar para a liga e ganhou apenas um nos últimos 11.

Hoje, é fácil acusar a direção da Académica de ter causado a instabilidade do plantel com o despedimento de José Viterbo, mas a verdade é que o treinador não ganhou nenhum dos primeiros seis jogos da presente temporada ao serviço dos “estudantes”, agora liderados por Filipe Gouveia.

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O principal problema do clube, a meu ver, já deveria ter sido identificado no início da época ou, pelo menos, corrigido em janeiro: a falta de um verdadeiro “homem golo”, capaz de resolver jogos quando a equipa estiver em situações de desvantagem, como tem sido normal esta época.

Os “estudantes” têm dificuldades em fazer golos, fruto da falta de uma referência na área Fonte: Académica OAF
Os “estudantes” têm dificuldades em fazer golos, fruto da falta de uma referência na área
Fonte: Académica OAF

O plantel dos “estudantes”, que costumam jogar com apenas um avançado declarado na frente de ataque, é composto por três pontas de lança, mas nenhum deles se tem revelado suficientemente decisivo para evitar a complicada situação da Académica no principal escalão do futebol português. Rabiola tem apenas dois golos nos 20 jogos oficiais que disputou e Gonçalo Paciência somente quatro em 26 partidas; dois registos abaixo do de Rafael Lopes, que, ainda assim, só fez balançar as redes das balizas adversárias em cinco ocasiões, num total de 25 jogos.

Com tão poucos golos provenientes dos jogadores que são, em teoria, responsáveis por fazê-los, torna-se complicado para qualquer equipa vencer com regularidade. A Académica só venceu por cinco vezes em 28 jornadas – pior só mesmo o último classificado, Tondela – razão pela qual está abaixo da linha de água, a dois pontos do Boavista.

Até ao final, a turma de Coimbra ainda recebe Benfica, Porto e Braga, além de ir aos terrenos de Belenenses, União da Madeira e Tondela, na derradeira jornada. Tudo pode acontecer, mas a missão da Académica é, no mínimo, bicuda.

Foto de Capa: Académica OAF