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BnR: O seu último ano foi marcado por lesões e pela reprovação nos exames do Conselho de Arbitragem. Esperava um ano de despedida melhor?

O.B.: Nos últimos meus dois/três anos de carreira fui já fustigado por algumas lesões que me obrigaram a períodos de paragem mais prolongados e portanto isso serviu até para que eu me fosse habituando a viver sem o relvado, sem o cheiro da relva, sem o dia-a-dia que a vida da arbitragem tem. Sobre a história dos testes, um dia, oportunamente, saber-se-á toda a história que culminou com esse processo. Não queria estar aqui a alimentar ou a lançar farpas ou polémicas porque é isso que fica para a história, e isso é um facto, e nem sequer pretendo minimizar o impacto ou a responsabilidade. Se calhar era importante pensar-se porque é que um árbitro com quase 30 anos de experiência, um árbitro ‘top’, europeu e mundial, chega a um ponto de reprovar num teste escrito. Se pesquisarmos, nos últimos 4/5 anos, nomeadamente desde que este Conselho de Arbitragem entrou em funções, verificaremos que houve vários árbitros internacionais a reprovar em testes escritos. Há uma conclusão óbvia que se pode tirar disto: se calhar era importante fazer os testes a quem faz os testes. Para saber se os mesmos estão bem feitos e se as respostas oficiais estão de acordo com aquilo que são de facto as regras do futebol e as directrizes que os árbitros têm. Depois disso, sim, fazíamos todos um levantamento de tudo aquilo que foi esse percurso no que diz respeito às famosas provas físicas e aos testes escritos dos árbitros de futebol.

BnR: Acha que Vítor Pereira se deveria ter recandidatado?

O.B.: Eu não falo sobre o processo eleitoral da Federação Portuguesa de Futebol; não me diz respeito. Não sou eleitor nem candidato a eleito. Portanto, a prudência, o bom senso e a educação ensinam-me a não falar de realidades que não conheço e de assuntos que não me dizem respeito. Sobre o Vítor Pereira também não falo porque ele termina o mandato, e se termina o mandato para o qual foi eleito só tem duas hipóteses: ou continua ou não continua. Tomou a decisão, que seguramente foi ponderada, de não se recandidatar; pois que siga a sua vida e que seja feliz ao longo da mesma e que encontre novas formas de motivação e de ocupação que lhe permitam continuar a viver de acordo com aquilo que são os objectivos dele. O resto, a seu tempo e quem nele está envolvido que se pronuncie. É um assunto que não me interessa e não me diz respeito.

BnR: Nunca pensou em candidatar-se?

O.B.: Não. Entendo que há pessoas muito mais competentes e muito mais disponíveis para o exercício do cargo. E, portanto, eu costumo dizer amiúde e sobre os mais diversos assuntos, e sobre as mais diversas áreas de intervenção, que nós só somos considerados incompetentes quando não percebemos os limites da nossa competência. E portanto nesse pressuposto não me atiro para piscinas nas quais não sei nadar. 

BnR: Então acabou tudo no ano passado. A arbitragem fica noutro capitulo da sua vida?

O.B.: Também manda o bom senso e a inteligência nunca dizer nunca. Porque, quanto mais depressa nós renegamos algo, mais rapidamente o mundo e as circunstâncias da vida nos obrigam a renegar. Portanto, eu não fechei a porta. Metaforizando: eu fechei uma porta, mas não dei a volta à chave e não atirei a chave ao rio. Portanto eu estarei disponível para colaborar com a arbitragem se as pessoas considerarem que sou útil e se for com projectos que me motivem e nos quais eu me sinta competente, mas isso não significa que eu esteja à espera de algo ou que esteja ansioso com o que quer que seja. Não quero. A distância é boa conselheira. Eu não fiz qualquer declaração após o final da minha carreira, sou avesso a dar entrevistas porque não tenho nada de importante para dizer, e portanto uma máxima é: se não tens nada de importante para dizer, cala-te. E, portanto, tendo dito que não dava entrevistas estou aqui a dar uma quase sem querer. Para não me acontecer o mesmo daqui a uns anos com a minha vida com a arbitragem não digo “não”; digo “um dia se saberá” e “um dia, talvez”, consoante os projectos e as pessoas nela envolvida. Agora é deixar trabalhar, deixar criar condições para que outros trabalhem, desejar-lhes felicidades e que sigam o seu caminho. Eu fiz o mesmo.

Foto de Capa: FPF

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