O Regresso a Casa é uma rubrica onde os antigos redatores voltam a um lugar que bem conhecem e recordam os seus tempos antigos escrevendo sobre assuntos atuais.
Não, não sou comunista. Não acredito em utopias nem em mitos e ideias irrealizáveis. Se calhar até consigo sonhar alto, como a ínfima possibilidade de o Sport Lisboa e Benfica se sagrar campeão europeu. Mas se calhar nós, portugueses, também nunca pensámos que nos viríamos a sagrar campeões de duas competições internacionais e, no entanto, os pés direitos de Éder e de Gonçalo Guedes chutaram o sonho português para dentro da baliza.
Porém, com o título alegórico que dei a este texto pretendo fazer uma chamada de atenção a todos os Benfiquistas que perderam a confiança no nosso Glorioso, antes de um vírus nos ter afastado o futebol. Sim, perdemos os sete pontos de vantagem que tínhamos sobre o Futebol Clube do Porto, e sim estamos agora em segundo lugar do campeonato português a um ponto do primeiro classificado.
Benfiquistas, vamos olhar para esta pausa prolongada como um timeout, daqueles que se fazem no basquetebol, por exemplo. Vamos acreditar que os jogadores e todo o staff vão voltar com ainda mais empenho que antes para chegar ao fim e levantar a taça por todos nós. É apenas um ponto. Claro, não estamos a depender de nós próprios, mas é apenas um ponto. O nosso papel a desempenhar é muito simples: apoiar, deste lado do ecrã, enquanto a equipa faz o espetáculo nos campos de futebol.
Em janeiro de 2019, deitavam as toalhas ao chão, e no final o resultado foi este Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Na minha passagem pelo Bola na Rede, na época 2018/2019, redigi um artigo de opinião no qual fiz precisamente aquilo que estou a fazer agora neste Regresso a Casa, sendo que ainda estávamos a 17 jornadas do fim, a cinco pontos do FC Porto, e já se ouvia o barulho das toalhas a cair ao chão, por parte daqueles que as devem segurar até ao fim, os adeptos. Tal como escrevi nesse mesmo artigo: “isto não é uma atitude à Benfica”.
Vamos então mostrar por todo o lado que os adeptos, apesar de não poderem estar presentes nas bancadas, estão aqui, deste lado, a apoiar a nossa equipa. Vamos mostrar o que é uma atitude “à Benfica” ao Jorge Baptista Laires de 2019. Mal sabia ele, coitado, que estaria cerca de um ano depois fechado em casa sem poder ver um joguito ou outro do seu Benfica, não podia ir ter com os avôs ao café para ver o Glorioso jogar, nem com os amigos que vestem a mesma cor para berrar os golos do Benfica.
Avante, Benfiquistas! Avante pelo Benfica!
PS: desculpem-me as contínuas referências. Volto a frisar que não sou comunista.
Vanderlei Fernandes Silva, mais conhecido como Derlei, nasceu e cresceu na pobreza do pacato município de São Bernardo do Campo, chegando a Portugal através da União de Leiria, clube que o acolheu e onde encontrou um “treinador especial” que retirou o melhor dele. Tal como um Ninja, alcunha adquirida ainda nos tempos de Leiria, Derlei aplicou golpes certeiros e foi o goleador máximo da histórica Taça UEFA em 2003. Depois da lesão grave no ano seguinte, veio a consagração em Gelsenkirchen. Com a saída atribulada do Dragão, seguiu-se a experiência em solo russo, uma passagem apagada na Luz e o reaparecimento em Alvalade. Numa entrevista recheada, Derlei abriu o livro de histórias e não deixou nada por contar, pautando todos os momentos com uma humildade notável.
– Da pobreza das favelas aos anos em Leiria com Mourinho a tirar o melhor do “Ninja”-
“Quando Mourinho assumiu a equipa do União de Leiria, ele já conhecia muito bem os jogadores”
Bola na Rede [BnR]: Chegaste a vencer o prémio de melhor jogador do São Bernardo do Campo e ir jantar à famosa churrascaria da cidade, que era um sonho teu quando eras miúdo?
Derlei [D]: (risos) Não, não. Quando eu sonhava com isso era muito jovem e conforme eu fui crescendo praticamente não deu tempo de jogar no São Bernardo. A churrascaria ainda existe e o importante é que eu já fui lá algumas vezes e não precisei de ter recebido a eleição de melhor jogador.
BnR: Os puxões de orelhas que recebias do teu pai quando chegavas atrasado à mesa por estares a jogar futebol foram importantes na transmissão dos teus valores da família?
D: Claro, com certeza. Isso são as regras e nós temos que respeitá-las. Foi isso que o meu pai me ensinou desde sempre. Então ele colocou uma regra em casa: ele chegava por volta das 18h30/19h depois do trabalho, tomava um banho e gostava que nós estivéssemos juntos quando o jantar estava a ser servido. Essa regra basicamente era só para mim (risos) … porque eu ia para o campo jogar à bola e no verão eu perdia a noção da hora e daí vinha aquele velho puxão de orelha. Mas tenho uma gratidão imensa ao meu pai.
BnR: O futebol era um escape para não pensares na pobreza à tua volta e da dura realidade da favela onde vivias?
D: Quando eu era criança me lembro que não tinha saneamento básico, água canalizada e não tinha luz no bairro onde eu nasci. O que fica são os valores que os teus pais te vão passando e conforme você vai crescendo, você vai sabendo o porquê de estar ali e o porquê de não ter as condições dos outros lugares e só existe uma forma de sair dali: estudando. Através do conhecimento é mais fácil você se libertar, juntamente com o trabalho. Durante o meu caminho fui vendo algumas pessoas que buscaram o “mau caminho”, que é o caminho mais curto e mais fácil. Infelizmente tive muitos amigos que se envolveram com drogas e assaltos. Mas também tenho muitos amigos daquele tempo, pais de família e trabalhadores, que seguiram o seu caminho dentro da lei e é um orgulho enorme para nós.
BnR: Lembras-te do nome do treinador que te passou de número 10 para número 9?
D: É difícil, porque eu desde muito jovem jogava no meio-campo a trinco e aos poucos fui subindo. Lembro que quando jogava nos juvenis eu já jogava mais à frente. Só sei que me colocaram a jogar a avançado e as coisas correram bem.
BnR: Tens ideia do momento exato em que o sonho de ser jogador de futebol passa a tornar-se cada vez mais uma realidade para ti?
D: O sonho permanece desde criança, você sonha ser jogador profissional porque vê os atletas na televisão. Essa realidade foi por volta dos 17 anos, talvez até mais tarde, porque nessa idade ainda tinha outros caminhos. Mas o futebol sempre foi a primeira opção.
BnR: Três épocas no América-RN, uma passagem despercebida no Grémio Mauaense, com o Biro Biro como treinador. Depois estás muito perto de ir para o Corinthians, mas o Guarani joga na antecipação e assegura a tua contratação. Achas que tudo teria sido diferente se tivesses assinado pelo Corinthians?
D: É difícil falar em suposições, há pessoas que acreditam que há coisas pré-programadas, mas eu não acredito que tem um destino que você está fadado a passar por aquilo. Acredito que conforme as nossas decisões e aquilo que se vai escolhendo, as coisas vão acontecendo. Talvez se eu tivesse escolhido ir para o Corinthians, possivelmente iria ser emprestado e talvez nem iria ter oportunidade de jogar por eles.
BnR: Também ias ter muita concorrência lá na frente com Edilson, Mirandinha, Donizete…
D: Isso, naquela época o Corinthians tinha uma grande equipa!
BnR: Fazes dois meses no Madureira, a convite do teu amigo Dauri, em que marcas sete golos em sete jogos. Essa experiência foi determinante para a tua vinda para Portugal?
D: Com certeza. A gente aqui de São Paulo só conhecia o campeonato Carioca pela televisão e a visão que tínhamos era que esse campeonato era só Vasco, Fluminense, Flamengo, Botafogo e América FC. Quando surge o Madureira eu nem se quer conhecia. Acabei por ir para lá e foi uma oportunidade para jogar com mais frequência. Era um clube pequeno, mas muito organizado. Felizmente, em sete jogos fiz sete golos, fiz golos aos quatro grandes clubes e isso chamou a atenção. O Presidente do Madureira, Elias Duba, que tinha uma boa ligação com o Presidente do Vasco da Gama, acabou comprando os meus direitos federativos ao Guarani e eu assinei contrato. Entretanto tinha tudo acertado para assinar pelo Vasco da Gama e apareceu o convite do Jorge Baidek, que trabalhava na altura com o José Veiga, para ir para Portugal e aí acabei por ir para o União de Leiria onde começou tudo.
BnR: O teu ídolo de infância era o Careca. A passagem dele pelo Nápoles, alimentou o teu sonho de vires para a Europa um dia?
D: O que pesava mais até era a questão financeira porque naquela época no Brasil, tirando os clubes grandes, os clubes pequenos pagavam muito pouco. Para além da questão financeira era a oportunidade de entrar no mercado europeu.
BnR: Tenho aqui um dado curioso para ti: sabias que o Careca também venceu uma Taça UEFA em 88/89 e que, tal como tu, marcou dois golos na final?
D: Sim, sim, eu me lembro que eu era muito jovem e acompanhava muito de perto, mais pelos jornais porque na televisão só apareciam os melhores momentos. Por isso eu não tive oportunidade de assistir o jogo completo, mas assisti os golos dessa final. Ele e o Maradona formavam uma dupla sensacional de se ver.
BnR: Chegas a Portugal com 24 anos e é o União de Leiria que te abre as portas em Portugal, onde jogas três épocas. É um clube que tem um lugar especial no teu coração?
D: Muito, muito grande! Se você jogar três anos num clube como o União de Leiria e você jogar apenas um ano num clube como o FC Porto, ele não apaga aqueles três anos que você fez em Leiria. Geralmente o nível que se atinge ao jogar num grande clube, principalmente com conquistas, leva o adepto a lembrar-se do atleta que esteve no auge e dificilmente se lembra do atleta do clube menor. Sem falar na quantidade de adeptos. Por exemplo, os adeptos do FC Porto falam de conquistas enquanto que os torcedores do Leiria focam na situação em que o clube vive. É um clube que tem um peso enorme e que eu guardo no meu coração, porque sem a União de Leiria nada disso teria acontecido e os três anos que lá passei foram fantásticos.
BnR: No Leiria cruzas-te com Paulo Alves, Silas, Maciel, Nuno Valente, Jacques e Krpan lá na frente. Quem era mais rápido, tu ou o Krpan?
D: O Krpan. Eu tinha que dar dois passos para dar um passo do Krpan na corrida. O Maciel também era muito rápido. Eu até gostava de os ter juntos na mesma época para ver quem corria mais. O Krpan era muito rápido, nos primeiros 20 metros era até mais rápido do que o Maciel.
(UD Leiria 3-1 FC Porto- Liga Portuguesa 2000/01: Golo de Derlei aos 0:27)
BnR: No Leiria o plantel tinha uma média de idades alta de 27 anos. A experiência da equipa aliada à experiência do Manuel José foram o segredo por detrás do histórico quinto lugar do União de Leiria?
D: Eu sempre creio que a experiência é essencial num grupo de trabalho. Não é uma regra, nós vemos, por exemplo, o Leipzig tem uma média de idades muito jovem e têm feito um trabalho fantástico. Mas eu acredito que em momentos essenciais da temporada falta um pouco de experiência e essa experiência decide muitos jogos. Por isso esses jogadores do Leiria tinham muito conhecimento da liga e havia jogos que nós íamos jogar fora de casa e sabíamos: “hoje temos que levar pelo menos um ponto daqui”. Em determinados momentos do jogo, você acaba por usar essa experiência para segurar um pouco mais o jogo, para sofrer menos ataques e manter um pouco mais a bola. A experiência ali na equipa tinha um papel fundamental aliadas também às ideias do treinador.
BnR: Na tua terceira época em Leiria alcanças a tua melhor marca de golos na carreira em Portugal com 21 golos. Por coincidência ou não, essa tua melhor época coincide com a época de estreia de Mourinho. Como era esse Mourinho de 38 anos que em apenas 20 jogos já tinha colocado o Leiria no quarto lugar?
D: Eu me lembro que quando ele saiu para o FC Porto, se nós vencêssemos o Sporting CP nós passávamos para o terceiro lugar. Ele era um treinador jovem que chegou com uma metodologia totalmente diferente. Desde o primeiro dia era totalmente diferente do Manuel José e do Mário Reis. A pré-temporada do Manuel José e do Mário Reis era muito mais focada na parte física e a gente corria muito. A forma que o Mourinho encontrou para trabalhar essa parte física era sempre com bola e isso acaba por “enganar” o cérebro do atleta porque ele continua correndo na mesma, a diferença é que está com a bola. Desde o primeiro dia a equipa assimilou muito bem a ideia de jogo dele. Quando ele assumiu a equipa do União de Leiria, ele já conhecia muito bem os jogadores individualmente, através de vídeos ou jogos, para que pudesse montar ao máximo a sua equipa e explorar os seus jogadores. Acredito que desde o princípio, ele tenha visto em mim algumas características que ele podia aproveitar que não tenham sido aproveitadas até então.
BnR: Outra curiosidade: tu realizas o mesmo número de jogos pelo Leiria e pelo FC Porto, 92 jogos, e acabas por marcar mais golos no União de Leiria, 42, do que no Porto, 39. Antes de passar para o FC Porto, queria te relembrar que na tua última época no Leiria fazes 21 golos e és o segundo melhor marcador do campeonato. Lembras-te quem foi o primeiro?
D: Lembro sim. Na verdade, eu me considero o melhor marcador do campeonato porque o Jardel não estava neste planeta. Ele fez 30 jogos e fez 42 golos. Sempre houve grandes jogadores, mas naquela altura dificilmente aquilo aconteceria.Em uma palavra eu acho que o Jardel era letal. Dentro daquilo que eu pude ver, eu acho que o Jardel foi o maior goleador que a Liga Portuguesa já viu atuar. Tinhas o Fernando Gomes, o próprio Nuno Gomes que eu também gosto muito, mas igual ao Jardel não há.
No BnR TV desta semana, João Alves, atual treinador do CD Cova da Piedade, mostrou a revolta de ter descido de divisão quando ainda havia, pelo menos, um terço da Segunda Liga para se jogar. Quanto à permanência do treinador português no CD Cova da Piedade dependerá se a formação da margem sul fique no segundo escalão do Futebol português ou não.
Ao longo dos seus 36 anos como treinador, João Alves acabou por confessar que esteve perto de ser treinador do FC Porto, do SL Benfica e da seleção portuguesa. O treinador do CD Cova da Piedade relembrou o momento em que falhou a ida para os azuis e brancos em 1990/91.
Enquanto antigo jogador, recordou o “Boavistão de Pedroto” de 1975/76, que foi vencedor da Taça de Portugal e 2.º lugar na Primeira Liga, como uma das melhores equipas onde jogos e não se esqueceu de falar das míticas “luvas pretas”. Já como treinador, falou-se sobre a épica conquista com o CF Estrela da Amadora e as quatro épocas no Association du Servette FC, da Suíça.
A CRÓNICA: “EFEITO FLICK” FAZ A DIFERENÇA NO DER KLASSIKER
O Signal Iduna Park recebeu o encontro inaugural da 28ª jornada da Liga Alemã, que colocou o Borussia Dortmund frente ao líder Bayern Munchen. É quase um “crime visual”, observar a muralhaamarela sem som, sem movimento, sem alegria. Os tempos de pandemia assim o obrigam. A partida terminou com a vitória do Bayern por uma bola a zero, que desta forma, alarga para quatro, os pontos que separam as duas equipas na classificação.
O primeiro quarto de hora foi completamente dividido. Circulação rápida, com ambas as equipas a pressionar alto, intensidade máxima. “Parecem jogos de pré-época”, dizem os entendidos… Porém, sensivelmente a meio da primeira parte, o Bayern assumiu as rédeas da partida. A superioridade não era abismal, mas notava-se sobretudo pela consistência com e sem bola. O Borussia foi para o intervalo encostado às cordas. A pressão do Bayern era asfixiante. Até que, à entrada da área, Joshua Kimmich apanhou a bola à mercê e fez o “chapéu”, inaugurando o marcador (43’). Quem não viu, deve ver.
No regresso dos balneários, os homens da Baviera voltaram com uma mentalidade diferente, aplicando uma circulação de bola mais lenta, como que com a intenção de “adormecer” o adversário, para depois lançar ataques incisivos. O chamado: gerir o resultado. Por outro lado, os da casa mostraram-se algo impotentes perante tais adversidades. Esperava mais deste Dortmund. Ainda assim, não é caso para retirar mérito ao Bayern, que neste momento, parece uma equipa quase imbatível.
Hansi Flick – A mão do treinador é notável no percurso deste Bayern, pós Niko Kovak. Uma intensidade de jogo impressionante (ainda mais nestes tempos), aliada a uma mentalidade forte e sede de vitória alemã. Destinado, com certeza, a ter mais sucesso como treinador, do que teve como jogador.
(Coletivo) BVB Dortmund – Se antes desta partida, os considerava imparáveis, agora não é bem assim. As lacunas são várias. Desde a falta de banco, a discrepância de qualidade entre setores (por exemplo, defesa e ataque) e a falta de “estofo” ou mentalidade para bater o Bayern. O resultado fixou-se no 1-0, mas a verdade é que poderiam ter sido mais. Não havendo uma individualidade em maior destaque pelas piores razões, esta distinção vai para o coletivo.
ANÁLISE TÁTICA – BVB DORTMUND
Lucien Favre montou a equipa no seu habitual 3-4-3, convertível em 5-4-1 no momento defensivo. Um sistema que potencia bastante os laterais ofensivos, Guerreiro e Hakimi, bem como o jogo interior de Brandt e Hazard. É conhecida a grande capacidade para “sair a jogar” dos três centrais – peças chave na dinâmica do Dortmund. Na frente, o homem-golo da equipa, que aos 19 anos, já dispensa apresentações: Erling Braut Haaland.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Roman Burki (7)
Raphael Guerreiro (6)
Manuel Akanji (6)
Mats Hummels (6)
Lukasz Piszczek (6)
Achraf Hakimi (6)
Mahmoud Dahoud (7)
Thomas Delaney (6)
Julian Brandt (5)
Thorgan Hazard (6)
Erling Haaland (6)
SUBS UTILIZADOS
Emre Can (5)
Jadon Sancho (6)
Giovanni Reyna (5)
Mario Gotze (5)
Axel Witsel (5)
ANÁLISE TÁTICA – FC BAYERN MUNCHEN
Do lado dos Bávaros, Hans-Dieter Flick, treinador interino que assumiu o leme e “revolucionou” a forma de jogar da equipa, manteve o sistema predileto. O 4-2-3-1 encaixa perfeitamente nas qualidades dos seus jogadores. Laterais potentes (maior destaque a Alphonso Davies, do que propriamente a Pavard), centrais sólidos e meio campo defensivo algo “híbrido”. Thomas Muller, o “jogador fantasma” nas costas de Lewandowski, enquanto que nas alas, duas flechas apontadas à baliza contrária: Gnabry e Coman.
Com a situação mundial, provocada pelo surto do coronavírus, a conjuntura económica dos clubes deteriorou-se bastante. Agora, os clubes (sobretudo os clubes sem investidores) irão procurar soluções mais acessíveis e explorar a sua formação. Isto é bom do ponto de vista da sustentação do clube, mas é negativo para emblemas que procurem colocar jogadores. O SL Benfica enquadra-se perfeitamente nisto.
Os encarnados serão privados de cerca de 20 milhões de euros, fruto de cláusulas de compra que não serão ativadas. No lote de emprestados que irão regressar à Luz estão Bruno Varela, Ferreyra, Cádiz, Lema e Fejsa (podendo ainda incluir-se outros jogadores como Pedro Pereira).
Facundo Ferreyra esteve emprestado uma época e meia ao RCD Espanyol, onde marcou nove golos em 33 partidas. Esta temporada o avançado argentino tinha vindo a receber poucos minutos, mas com a chegada de RDT as oportunidades escassearam ainda mais. Ferreyra regressa agora à Luz, mas dificilmente será opção para Bruno Lage. O já experiente avançado parece estar longe da forma que demonstrou nas últimas épocas ao serviço do FC Shakhtar Donetsk.
Bruno Varela representou o AFC Ajax nas últimas duas épocas. No entanto, o guarda redes luso-cabo-verdiano tem apenas três jogos realizados e nestas três partidas não impressionou os responsáveis do clube de Amesterdão. Bruno Varela regressa agora ao SL Benfica, onde até poderia ser um bom suplente para Vlachodimos, mas o seu futuro deverá passar pela saída do clube encarnado.
Fejsa é um dos jogadores de regresso à Luz Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Jhonder Cádiz esteve esta época emprestado ao Dijon FCO. Na Liga Francesa, Cádiz chegou a impressionar, tendo marcado quatro golos em 20 jogos, incluindo o golo da vitória frente ao PSG. O avançado venezuelano tem, na minha opinião, alguma qualidade, mas dificilmente consigo imaginar um cenário onde seja habitualmente opção nos encarnados. Jhonder Cádiz, provavelmente, ainda dará um pequeno encaixe financeiro à equipa das águias.
Depois do empréstimo ao CA Penarol, Cristian Lema esteve esta época emprestado ao CA Newell’s Old Boys clube histórico de Messi e Marcelo Bielsa. Após 22 jogos e cinco golos, o clube argentino demonstrou interesse em adquirir em definitivo o jogador, mas não estava disposto a pagar a cláusula de compra de 2,5 milhões de euros. Lema já demonstrou não ter interesse no regresso a Portugal, passando o seu futuro por um novo empréstimo ou uma venda a um clube sul-americano.
De todos os jogadores nesta lista, Ljubomir Fejsa foi sem dúvida o mais importante para o SL Benfica, mas com a chegada de Bruno Lage perdeu espaço no meio campo dos encarnados. Em janeiro foi emprestado Deportivo Alavés, onde realizou apenas cinco jogos. O clube espanhol já disse que não irá acionar a cláusula de compra, obrigando assim o jogador a regressar ao clube encarnado. Dificilmente Fejsa conseguirá recuperar o lugar num “lotado” meio campo encarnado. O futuro do sérvio deverá passar por uma transferência ou mesmo uma rescisão de contrato amigável. Uma partida ingrata para um jogador que tanto deu ao clube.
Germán Conti está emprestado até dezembro. Yony González irá render três milhões de euros aos encarnados (na sequência do negócio de Pedrinho). Filip Krovinovic provavelmente continuará em definitivo no West Bromwich Albion FC. Gedson Fernandesestá emprestado até ao final da próxima temporada, podendo o Tottenham Hotspur FC exercer a cláusula de compra de 50 milhões de euros. Caio Lucas, emprestado ao Al Sharjah FC dos Emirados Árabes Unidos, conta com uma cláusula de compra a rondar os dez milhões de euros.
Partimos aqui para mais um exercício de futurologia e teorização acerca das dez jornadas que faltam jogar na Primeira Liga Portuguesa. Desta feita, iremos enveredar pelo caminho virtual que vai estar pela frente dos “aflitos”, as equipas que estão em risco de despromoção para a Segunda Liga Portuguesa e, com isso, abandonar o convívio dos “grandes”.
Ao contrário da batalha pelos “lugares europeus”, não antevejo que esta luta seja tão interessante, explicando mais à frente o porquê de tecer esta consideração. Merece, como é óbvio, a nossa atenção na mesma.
Esta semana fui à procura dos 11 mais experiente com jogadores mais experientes do campeonato por posição, de modo a compilar o 11 com os atletas que já tenham completado pelo menos 1000 minutos no campeonato. A média de idades do 11 é de 35,2 anos, estando nove clubes representados nesta seleção que vos dou a conhecer já de seguida:
Marcada por 70 anos de existência, e como um pouco de competição nunca pode vir só, muitas foram as rivalidades que marcaram a Fórmula 1, e que continuarão a marcar.
No entanto, estas rivalidades que falaremos hoje, tem uma caraterística distinta de muitas das que conhecemos: apenas falaremos sobre os choques entre colegas de equipa, que, por si só, acabam por dar muitas dores de cabeças às próprias equipas.
É de salientar que os critérios de escolha não foram só as disputas dentro da pista, como colisões e despiques, mas também polémicas fora dela, que acabam por afetar o ambiente que se vive na equipa.
O futebol é um jogo de contacto, no entanto nem tudo é permitido e há que perceber os limites do razoável. Para isso existem os árbitros, “figurantes” deste jogo mas que por vezes têm de ser atores principais quando os jogadores (ou até mesmo os treinadores) atuam à margem da lei. Utilizando o seu adereço principal, o apito, têm de controlar o jogo, admoestando os jogadores com os cartões que fazem parte do seu figurino.
Hoje vamos falar disso mesmo. De cartões, mais concretamente do vermelho, que expulsa do campo um dos protagonistas, qual vilão dos tempos modernos, por algum ato de indisciplina mais agressivo que o normal.
Se de um lado temos jogadores como Raúl González, Iniesta e Philipp Lahm, que nunca foram expulsos nas suas longas carreiras, do outro temos os jogadores que fazem parte deste top, que são, com grande margem, os mais indisciplinados da história do futebol – e os únicos com mais de 20 cartões vermelhos nas suas carreiras.
Frederico Varandas, nas mais recentes entrevistas, tem vindo a reforçar o investimento e o foco na formação para as próximas temporadas. Os jovens leões vão ser aposta, com objetivo de potenciar e voltar a mostrar que em Alvalade se formam os melhores dos melhores. Qual é o peso da formação nos títulos? Da última vez que o Sporting CP foi campeão, em 2001/2002, quantos elementos da formação somaram minutos e festejaram o título?
Faziam parte do plantel trinta e cinco jogadores. Desses trinta e cinco, onze fizeram formação no clube, pelo menos um ano. Dos onze, cinco somaram minutos no campeonato.