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E agora, Lage? O Jamor já foi!

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Correu tudo mal. Todos são responsáveis. Vós, pelo jogo que fizeram. Nós, por acreditarmos que este era o melhor SL Benfica e que se estava a escrever direito por linhas tortas para chegar à glória. Teoricamente, ainda é possível no Campeonato, mas não na Taça de Portugal, como é evidente.

Naturalmente, é difícil falar neste momento, muito menos aceitar a revolta do facto de o Jamor ter estado tão perto e ter ficado tão longe num abrir e fechar de olhos. Olhos foi precisamente aquilo que faltou a Bruno Lage na noite de ontem, por inúmeras razões. Svilar foi lançado às feras num jogo de alto risco, e a sua atuação foi o que foi; Jardel e Fejsa também não estiveram bem, principalmente se se tiver em conta o excelente momento de forma que atravessam Ferro e Samaris. Como se isso não bastasse, ainda se perdeu Gabriel.

Faltou ter olhos para construir um sentido para o jogo. A equipa entrou desconcentrada e sem capacidade de transição ofensiva. Apesar da curta vantagem, deixou-se superiorizar pela pressão alta do Sporting, que só precisava de um golo para ser feliz. Tanto que foi o que aconteceu!

Em Alvalade, os leões defenderam a sua identidade e a mais não foram obrigados. Depois, houve o golo de Bruno Fernandes, o homem do costume, que carrega a equipa às costas como ninguém. Que grande temporada está a fazer!

Factos à parte, as águias não aproveitaram o resultado que traziam da Luz e a postura em campo não mostrou que quisessem lutar por um lugar na final da Prova Rainha. Outros pensamentos, como os 120 milhões que vale João Félix ou o foco no campeonato, apoderaram-se da equipa e impediram-na de dar um passo à frente. Não quero com isto dizer que Félix seja o responsável por tudo isto, mas a quebra de rendimento é notória e a fasquia em seu redor é tão alta que é difícil descer à realidade. Parece que Félix é a justificação para tudo o que acontece ao Benfica, mas não é. Chega de particularizar jogadores, a responsabilidade é de todos, mesmo todos, Bruno Lage incluído!

A equipa entrou desconcentrada e não soube aproveitar a vantagem que trazia da Luz
Fonte: SL Benfica

Agora, o foco tem de estar no campeonato e na Liga Europa, mas isso não é motivo para descredibilizar a Taça e, muito menos, deixar-se ultrapassar desta forma. Uma coisa é certa: ganhou a melhor equipa, mas esperava-se mais do Benfica.

Os últimos jogos têm mostrado uma falta de atitude e de garra, que só é possível por um ou mesmo dois motivos: a exigência da segunda volta e a postura da equipa. Se o objetivo é a Reconquista, o Benfica tem de acordar e mostrar uma postura diferente.

Quanto à Liga Europa pede-se o mesmo. O adversário é exigente e não se esperam facilidades. Ao contrário da Taça, peço que a Europa não seja desvalorizada. É o mínimo que se pode exigir.

Com isto dito, é urgente uma atitude que leve à glória de vencer a competição mais importante do país, disputar a Liga Europa taco a taco com o Eintracht e, sobretudo, sonhar e fazer por um resultado favorável.

Espero que o deslize de ontem tenha sido só isso: um deslize!

Saudações Benfiquistas!

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

CM01/02 | “Make Estrela great again” – Part I

Há cerca de ano e meio, em conversa com o Mário Cagica, calhou em conversa falarmos sobre CM01/02, ou Championship Manager 01-02, e em fazer algo sobre o mesmo aqui no Bola na Rede.

Na altura seguia o trabalho que o Ian Macintosh fazia (e faz) no Set Pieces, e onde começou um projecto no Everton FC na tentativa de o levar à glória em Terras de Sua Majestade.

Daí, surgiu um artigo sobre um onze composto pelas grandes pérolas do jogo, onde Portugal estava em destaque, com alguns jogadores nacionais a serem vistos como verdadeiros “Deuses” do simulador. Hugo Pinheiro, os “manos” Paralta e Tó Madeira são figuras incontornáveis do jogo lançado no primeiro ano do novo milénio e que ainda hoje ecoam no mundo virtual.

LÊ MAIS: Os 11 magníficos do CM 01-02

Assim, decidi voltar atrás no tempo e voltar a “brincar” com um jogo que se irá fazer 18 anos em 2019 e começar na Segunda Liga Portuguesa e num clube histórico do nosso futebol…

Alfredo Morelos: Um avançado com disciplina de central

No passado fim de semana, o Celtic Park recebeu o Rangers FC, encabeçando assim o maior jogo da jornada. Um jogo caracteristicamente intenso, entre dois eternos rivais. Algo que não é desconhecido para nós, já que qualquer jogo grande, aqui em terras lusas, provoca uma atenção mediática bastante evidente.

É tido, então, como um dérbi bem “quentinho”. Um jogo em que o sangue quente predomina. Mas só isso não justifica o que se tem vindo a passar no seio dos azuis de Glasgow.

Alfredo Morelos, avançado colombiano, tem um registo disciplinar ao nível de defesas-centrais… Detém uma personalidade forte, tem queda para o conflito. Não é muito difícil, tendo em conta as evidências, mexer com o psicológico do atleta sul americano. Então num Old Firm, num ambiente frenético, ainda menos.

É costume ver Morelos em diálogo com os oficiais da partida
Fonte: Rangers.co.uk

É essa mesma personalidade, tida como forte, que o trai. Ou pelo menos que lhe retira a lucidez necessária para se manter calmo num desporto, como é o Futebol, onde a emoção e os nervos predominam em detrimento da razão.

Scott Brown, que, a par de Morelos, não é nenhum santo, aproveitou a deixa e levou o colombiano em “cantigas”. O capitão do Celtic FC explorou bastante bem essa lacuna individual, fazendo um jogo psicológico em campo que abonou a favor dos da casa. Ou o chateou demasiado, ou basta só um pouquinho de “pimenta” para tirar o número 20 dos light blues do sério. Foi à passagem da meia hora de jogo, sem bola por perto, que decorreu tal incidente. A leitura que faço é que Brown lhe foi dizendo algo “pouco próprio” enquanto passava junto dele.

Tudo leva a crer que, numa época que ainda não terminou, e tendo Morelos já 17 cartões amarelos e cinco vermelhos no “currículo” de 2018/19, o dito não foi propriamente culpado neste lance, mas obviamente também não está isento de culpas.

É um atleta profissional, e os responsáveis do Glasgow Rangers já falam em fim de linha para o dianteiro, apesar da qualidade e atributos que lhe são reconhecidos. Steven Gerrard, o próprio, assume que se trata de um jogador jovem (22 anos) com um rendimento fantástico (29 golos em todas as competições). Contudo, reconhece que não é fácil controlar o seu temperamento. Já deixou a sua equipa em maus lençóis (reduzida a dez elementos) em ocasiões pouco convidativas.

Trata-se de um contratempo incontornável no clube em que milita Daniel Candeias. Vários notáveis do histórico emblema escocês debatem acerca da sua continuidade, mesmo tendo em conta o seu potencial.

Foto de capa: Rangers.co.uk

As 5 finais mais recentes do FC Porto na prova rainha

Aproxima-se mais uma final da Taça de Portugal e o FC Porto volta a marcar presença três anos depois da última participação. Em 2016, os dragões acabaram derrotados pelo SC Braga (no desempate das grandes penalidades), e este ano pretendem voltar a conquistar a Taça, desta vez diante do Sporting CP. O jogo só será no fim de maio, mas as expectativas já são elevadas. Depois da final da Taça da Liga perdida em janeiro, diante dos leões, o FC Porto prepara a vingança. Até lá, vamos fazer uma pequena viagem pelas últimas cinco taças conquistadas.

Uma última dança

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A temporada regular está a mais coisa, menos coisa, uma semana de terminar. Com os Heat agarrados por um fio ao último lugar de acesso aos playoffs, poderemos estar a assistir à última semana da carreira de Dwyane Wade?

O maior desportista que Miami já viu prepara-se para se reformar. Nos seus próprios termos, em boa saúde e ainda a espalhar magia pelos pavilhões, Dwyane Wade não voltará atrás na sua decisão e faz ele muito bem. Ninguém se importaria de ver o eterno número 3 dos Heat fazer mais uma ou outra temporada, mas nunca teria o mesmo efeito. Wade tem jogado, contribuído e maravilhado. Vai sair na altura que quer e deixa como última imagem a alegria e o sorriso na cara dos adeptos.

A carreira de Wade dispensa apresentações, mas nunca é demais relembrar. Um dos ícones da Universidade de Marquette, rapidamente saltou para o estrelato na NBA. No seu terceiro ano conquistou o primeiro título da história de Miami, virando quase sozinho uma desvantagem de 2-0 nas finais. Depois disso, vieram mais dois títulos ao lado dos amigos LeBron e Chris Bosh, numa equipa odiada por muitos. Uma saída atribulada dos Heat e um regresso triunfante.

Esta temporada surgiu mais um “momento Wade”, com o cesto da vitória e o seu mítico festejo frente aos Warriors
Fonte: Miami Heat

Dwyane Wade não foi sempre o mesmo jogador. Começou como uma máquina de rapidez e atleticismo impossível de parar, e acaba como alguém inteligente e de olho nos detalhes. Pelo meio, sempre foi um dos melhores segundos bases em termos de desarme de lançamento que a NBA já viu. Uma carreira feita de grandes momentos, de títulos e, como o seu último ano tem vindo a mostrar, respeito por todo o lado. Os pavilhões enchem, as prendas e os vídeos de agradecimento multiplicam-se e todos se levantam e aplaudem a entrada do primeiro jogador a sair do banco dos Heat. Cada lançamento, desarme ou momento genial é aplaudido por adeptos que reconhecem o valor de um dos maiores nomes da NBA.

A carreira de Wade merece mais uns playoffs. Mas nem sempre a justiça tem mão nisto e podemos mesmo estar a assistir ao canto do cisne de um dos três melhores shooting guards de sempre da NBA. Mas Dwyane Wade sairá sempre como quis, saudável e a fazer aquilo de que mais gosta. E só lhe temos a agradecer por tudo o que já o vimos fazer. Obrigado, Dwyane!

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Miami Heat

Naomi Osaka: o futuro do ténis mundial

Todos os anos surgem, no circuito de ténis, jovens promessas que tentam impôr-se perante os jogadores mais experientes.

No ano passado, houve um nome que impressionou tudo e todos no US Open. Falo de Naomi Osaka. Com apenas 21 anos, venceu um dos principais torneios da época. Na final, derrotou a veterana Serena Williams. O encontro ficou marcado por algumas polémicas, nomeadamente a discussão entre a norte-americana e o árbitro da partida. Este episódio tirou algum protagonismo à vitoria de Osaka, mas, após ter visto a postura que a jogadora japonesa apresentou ao longo do encontro, sabia que teria mais momentos de glória no futuro.

2019 arrancou com mais uma conquista de um Grand Slam. No Open da Austrália, deixou pelo caminho fortes candidatas ao título. No encontro decisivo, defrontou a experiente jogadora checa Petra Kvitova e, mais uma vez, não se deixou intimidar pela adversária. Com este triunfo, chegou pela primeira vez à primeira posição do ranking mundial.

Naomi Osaka na final do Open da Austrália
Fonte: WTA

Já vi muitos jovens a terem sucesso no circuito. Porém, já vi outros jogadores com grande potencial a acabarem por ter dificuldades em demonstrar o seu verdadeiro valor. Em relação a Osaka, acredito que tem tudo para triunfar. Vejo nesta jogadora uma atitude de campeã. Vejo a garra com que disputa cada ponto. Vejo a determinação com que entra nos jogos para conquistar mais uma vitória. Todos estes são valores que considero importantes num tenista de alto nível.

21 anos, dois títulos do Grand Slam, número 1 do ranking WTA. O que se pode pedir mais a esta jovem? A meu ver, a mesma exigência que é dada aos melhores jogadores do mundo, porque é assim que a vejo.

Apesar das eliminações precoces dos últimos dois torneios (Indian Wells e Miami), 2019 pode perfeitamente ser o ano de Naomi Osaka e assim espero que aconteça.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: WTA

Sporting CP 1-0 SL Benfica: Tiro de Bruno Fernandes leva Sporting de novo ao Jamor

Na segunda mão da meia-final da Taça de Portugal, o Sporting CP venceu o SL Benfica por 1-0, garantindo assim a presença no Jamor. Alvalade era o palco de mais um confronto entre os eternos rivais – o quarto da época -, que prometia ser de emoções fortes, já que apenas um golo separava as duas equipas no agregado da eliminatória, após as “águias” terem vencido pior 2-1 na Luz, há dois meses atrás.

Em busca de virar a eliminatória, os “leões” entraram pressionantes na partida, e logo ao primeiro minuto, Gudelj, após um livre indireto, tentou a sua sorte de longe e a bola não passou longe da baliza à guarda de Svilar. Os minutos iniciais foram totalmente do Sporting, com o Benfica a sentir dificuldades em conseguir ter bola – Bruno Gaspar e Wendel também tiveram oportunidade de inaugurar logo o marcador, contudo ambos os remates não tiveram o destino desejado pelos adeptos leoninos.

Com a sua equipa a ter problemas em sair para o ataque, Bruno Lage teve mais uma dor de cabeça para resolver ainda antes do minuto 15: numa disputa de bola com Raphinha, Gabriel saiu lesionado e foi rendido por Gedson Fernandes. Depois da entrada menos fulgurante, os “encarnados” até conseguiram de certa forma equilibrar o jogo a meio campo, embora o controlo ainda pertencia aos comandados de Marcel Keizer.

Empolgado pelo bis frente ao GD Chaves no último encontro, Luiz Phellype, ao minuto 29 e à entrada da área, obrigou Svilar a aplicar-se para manter o resultado inalterado.

A ter problemas em sair de forma organizada para o ataque, o Benfica ia apostando em rápidas transições para criar oportunidades de perigo, sendo que foi num dos lances que surgiu o primeiro remate perigoso: aos 36’, Rafa conduziu bem a bola até à área adversária, deixou para Fejsa que rematou, e viu Renan a defender com a ponta dos dedos para canto. Seis minutos depois, João Félix cruzou na perfeição para Seferovic que não finalizou da melhor forma, e perdeu uma boa chance de fazer o “gosto ao pé”.

Até ao descanso, não houve mais nada a assinalar e o marcador continuava a zeros. A postura agressiva “verde e branca” durante grande parte do primeiro tempo podia ser o mote para se assistir a uns segundos 45 minutos ainda mais emotivos.

A segunda parte começou com uma grande oportunidade para o avançado suíço do Benfica, Seferovic, criar perigo, porém, a bola saiu muito ao lado. Depois, voltou tudo ao mesmo da segunda parte: Sporting por cima do jogo e Benfica a defender, apostando sempre nas transições rápidas e no jogo em profundidade.

Acuña foi um dos melhores jogadores do Sporting
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Pizzi fez falta sob Bruno Fernandes em zona frontal e Hugo Miguel viu e apitou. Livre frontal à baliza de Svilar e Bruno Fernandes pegou na bola para assumir a responsabilidade de bater o mesmo. Aos 49 minutos, Bruno Fernandes na sequência do livre enviou a bola foi à barra, ainda se gritou golo, mas os ferros da baliza defendida por Svilar negaram o golo ao médio português.

Pediu-se penalti em Alvalade, aos 73 minutos, Hugo Miguel nada assinalado alegando que tinha sido no peito. Ouviu o VAR que também teve a mesma opinião e seguiu jogo. Mas o Sporting não parou de carregar o Benfica em busca de um resultado positivo e aconteceu o que mais se previa.

E quem mais podia ser? Aos 75 minutos, Bruno Fernandes teve espaço no lado direito do ataque e daquela posição o médio não perdoou e fez um grande golo. Svilar não teve qualquer hipótese de defesa depois do remate do número oito do Sporting. Estava desfeito o empate no jogo e a vantagem na eliminatória era agora da equipa da casa. O Benfica tinha agora de marcar para sonhar com uma vaga na final da Prova Rainha.

A precisar de marcar um golo para voltar para a frente da eliminatória, o Benfica subiu as suas linhas no campo nos últimos minutos do encontro, mas faltou critério à equipa de Bruno Lage, que hoje não conseguiu fazer nada perante um Sporting que quis mais deste jogo.

Os “leões” fizeram aquilo que era preciso. Bruno Fernandes marcou um golo importante nas ambições dos “verdes e brancos” na Taça de Portugal e resolveu um jogo que foi fraco em oportunidades. Com esta vitória, o Sporting CP garante a presença no Estádio do Jamor pela segunda época consecutiva e vai encontrar o FC Porto, naquela que será uma reedição da final da Taça da Liga, que terminou com a vitória da turma de Alvalade nas grandes penalidades.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Sporting CP: Renan Ribeiro, Bruno Gaspar (Tiago Ilori, 70’), Sebastián Coates, Jérémy Mathieu, Cristián Borja (Diaby, 74’), Nemanja Gudelj, Bruno Fernandes, Wendel (Idrissa Doumbia, 88’), Marcos Acuña, Raphinha e Luiz Phellype

SL Benfica: Mile Svilar, André Almeida, Jardel, Rúben Dias, Álex Grimaldo, Ljubomir Fejsa (Adel Taarabt, 81’), Gabriel (Gedson Fernandes 17’), Pizzi, Rafa Silva, João Félix (Jonas, 64’) e Haris Seferovic

O servo do “Realismo Mágico”

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A Colômbia, súmula de matérias-primas em todo e qualquer setor ativo, é venerada, desde cedo, pela minha natureza moral pelo facto de potenciar e fazer emergir o expoente máximo da Literatura hispano-latina: Gabriel García Márquez. A mente humana na sua plenitude, o suplantar da genialidade naquela mescla bem conhecida entre a ficção e o quotidiano, a narrativa que enclausura o leitor e provoca a evasão a vicissitudes triviais. Um exemplo ilustrativo de determinação, coragem e sacrifício!

Cristián Borja, reforço de inverno leonino, é originário do mesmo reduto da divindade. Proveniente dos mexicanos do Toluca, o então camisola 26 do Sporting Clube de Portugal firmou a bagagem ao solo estrondosamente e com o simples desígnio de vencer.

Diante do Estádio da Luz, realizou o primeiro jogo envergando a listada verde e branca. Pessoalmente, tal como a leitura das notáveis obras de García Márquez, a exibição do defesa central/defesa esquerdo captou a minha atenção pela entrega ao jogo e determinação vincada na disputa de cada lance, rapidez com bola, caudal ofensivo disponibilizado e prática de cruzamentos sucessivos. Defensivamente, a postura a adotar nos duelos individuais e nas bolas paradas incita à mudança pelo facto de, em algumas situações, ser ultrapassado pelo adversário. O passe, maioritariamente, é materializado com sucesso e as desmarcações realizadas inúmeras vezes. Porém, a fluidez, no momento do remate, é quase invisível.

“Estou muito feliz de estar no Sporting”
Fonte: Sporting CP

Ao estilo de “Crónica de Uma Morte Anunciada”, a titularidade de Cristián Borja é anunciada a toda a legião sportinguista após jogo defronte de SL Benfica. O colombiano segurou meritória e acerrimamente o bem indispensável de qualquer futebolista, a água após trilho no deserto, a felicidade após sucessivos infortúnios.

Aludindo à obra mais conceituada, “Cem Anos de Solidão”, Cristián Borja representa uma amálgama de Josés Arcadios e Aurelianos: dos primeiros detém o espírito trabalhador, aliando o sacrifício à última gota de suor, ao irrevogável suspiro; por sua vez, dos segundos, resgatou a serenidade, o trato de bola plácido e o temperamento caracterizado pela modesta quietude.

Na referência a “Amor em Tempos de Cólera”, o 26 leonino é personificado, no seio da minha índole, por Florentino: amor genuíno e intransponível de Fermina que, volvidos 53 anos, se junta à amada na escrita da mais bela das histórias, num hino à ternura, à paixão e à fidelidade. Doloroso seria se Marcel Keizer, governado pela teimosia desmedida que o caracteriza em algumas situações, interrompesse o meu fascínio e a minha admiração pelo internacional A colombiano…. Assumo-me como refém da sua utilização, o meu bem-estar depende diretamente disso!

A comparação feita com Jefferson constitui um erro crasso e imperdoável. Tão inquietante como Lorenzo, progenitor de Fermina, conservar a ideia, repleta de ignomínia, de que Juvenal é o homem que preenche todos os cânones de pai e filha. Tão tormentoso como a fuga de informação, a passividade da sociedade perante uma morte premeditada (Santiago Nasar) e a crueldade da razão e intelecto humano.

Foto de Capa: Selección Colombiana 

artigo revisto por: Ana Ferreira

Os 5 jovens revelação da época

A época está a acabar e, como tal, é hora de fazer balanços. Ao longo das últimas 27 jornadas, muitos foram os jovens jogadores que se destacaram nos vários clubes, conquistando aos poucos e poucos a sua posição. Houve várias surpresas e também várias confirmações.

Nesse sentido, o Bola Na Rede vai eleger um top 5 dos jogadores jovens – fora dos três grandes – que mais se destacaram no campeonato até agora. Cinco jogadores que deve manter debaixo de olho, e que vão dar muito que falar no futuro.

O futuro da Team SKY/Team INEOS

Com o futuro incerto da Team SKY para 2020, após o anúncio que a cadeia de televisão fez, não apresentando interesse em continuar com o projeto, chegou o investimento do homem mais rico do Reino Unido, Jim Ratcliffe.

Jim Ratcliffe é dono de uma empresa petrolífera, a INEOS, sendo este o nome do novo patrocinador da Team SKY para os próximos anos. O bilionário Ratcliffe tentou adquirir o Chelsea (clube de futebol) em 2017, mas acabou por não conseguir. Consequentemente, comprou o FC Lausanne da liga suiça de futebol e ainda possui um investimento numa equipa de vela. Está mais que visto que é um homem dado ao desporto.

O orçamento anual prometido por parte do comprador atinge o triplo do orçamento atual da Team SKY! Dá que pensar…  São ser cerca de 45 milhões de euros anuais que irão estar disponíveis para ajudar a equipa a cumprir os objetivos. O orçamento atual da SKY ronda os 15 milhões de euros anuais.

Para muita gente ligada ao ciclismo, como o Diretor da EF Education First, a opinião sobre uma possível inclusão de um limite máximo sobre os orçamentos das equipas seria aceitável, visto que a equipa britânica vai poder comprar todos os melhores ciclistas/staff do mundo com uma “Wall of Money” a que o próprio chamou de impenetrável.

Assimm se a equipa não conseguir ganhar com Froome, pode tentar com Thomas. Se não der com nenhum dos dois, pode ser Bernal ou então Kwiatkowski, e assim sucessivamente.

O presidente da UCI, David Lappartient, já admitiu ser boa ideia a inclusão de um limite máximo no orçamento das equipas (de forma geral), sem que isso tivesse impacto direto num salário de um ciclista, não havendo limite de salário por indivíduo.

O futuro da SKY está assegurado. Apesar de não terem o mesmo nome vão poder continuar com a mesma estrutura, staff e com os ciclistas que já apresentavam. Nem todas as equipas no mundo do ciclismo podem dizer o mesmo.

Bernal, o jovem que ganha cada vez mais o seu espaço dentro da SKY Fonte: Team SKY

Com este teto salarial, a equipa deverá manter as suas pérolas dentro da equipa. Casos de Froome, Geraint Thomas e Egan Bernal deverão ser prioridades para futuras renovações.

Froome “só” ganhou a Volta à França quatro vezes, uma Volta a Itália e uma Volta a Espanha. Thomas ganhou a Volta à França no ano passado e Egan Bernal tem apresentado um nível de forma e de maturidade muito elevados para um jovem de 22 anos, ganhando já o Paris-Nice nesta temporada e com excelentes classificações na Volta à Colômbia e na Volta à Catalunha. É, sem dúvida alguma, um dos jovens de que mais se fala atualmente no ciclismo. Para além dos ciclistas que já possuem nas suas fileiras, com o valor que a equipa tem para gastar é provável que possa haver contratações sonantes para fortalecer, ainda mais, o que já é forte.

Toda a estrutura da equipa ficou abalada com a possível extinção da equipa e a incerteza nas suas carreiras. Com o novo patrocínio, o futuro encontra-se mais assegurado e passa a haver outro tipo de incerteza. Será que a Team INEOS vai apresentar um reinado melhor que a Team SKY? Será que irá continuar a ser a equipa mais dominante do pelotão (Grandes Voltas) devido ao seu enorme orçamento?

A SKY deixa um legado com cerca de uma década. Com mais de 300 vitórias, incluindo classificações gerais, é, sem dúvida alguma, um nome no ciclismo que vai perdurar nas memórias dos adeptos desta modalidade. Possivelmente, quando ouvirmos falar de SKY, esta irá ser lembrada como “a equipa que todos queriam bater na Volta à França” ou então lembrar-nos-emos dos autênticos comboios da SKY, em alta montanha, nas grandes Voltas, dos quais ninguém conseguia sair, visto que era necessário “pedir permissão”.

Passará a ser Team INEOS a partir do início do mês de maio, mas é esperado que o espetáculo desta equipa britânica continue.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: Team Sky