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Olheiro BnR – Yusupha Njie

Quem já assistiu a jogos do Boavista na presente época, certamente já terá reparado num avançado tecnicista, veloz, e que causa bastantes estragos quando encara os adversários no um para um. Falo, claro está, de Yusupha Njie, avançado internacional pela Gâmbia. Após iniciar a sua carreira no Real de Banjul, no seu país natal, o Gambiano transferiu-se para os marroquinos do FUS Rabat, onde começou a dar nas vistas e chamou a atenção do Boavista, que na presente temporada o adquiriu por empréstimo do clube africano.

Fonte: Boavista FC

O jogador que é filho de Biri Biri, antigo avançado que deu nas vistas na Europa fundamentalmente aquando da sua passagem pelo Sevilha, chegou assim ao futebol do velho continente aos 23 anos (tem agora 24), e para já tem deixado a sua marca. O Gambiano, atuando como extremo, tem-se destacado pela sua técnica, velocidade, e principalmente pela forma irreverente com que enfrenta os seus adversários, sem medo de arriscar a finta e desequilibrar as defesas contrárias. A tudo isto, tem acrescentado golos nas últimas jornadas, fator sempre importante num avançado e que o torna mais valioso.

Apesar de ser a primeira época na Europa, pelas exibições que tem rubricado dificilmente o Boavista conseguirá mantê-lo no seu plantel, quer seja a titulo de empréstimo ou aquisição definitiva, uma vez que o seu leque de clubes interessados estará a crescer cada vez mais. O facto de ser ainda jovem e recém chegado ao nosso continente, significa que terá ainda um potencial de evolução elevado, que o poderá fazer chegar a patamares bastante superiores na sua carreira. Para já, desfrutemos do seu futebol enquanto faz parte do leque de talentos espalhados pela nossa liga.

Foto de capa: Liga Portugal

Arséne Wenger: o trabalhador menos precário do mundo

Há um ano, o colega Nuno Couto escrevia, num artigo para o Bola Na Rede:
“O que se constata é que não se verifica uma unanimidade no que toca a um possível abandono de Wenger do comando técnico do Arsenal. Se por um lado, nas bancadas do Emirates, se têm visto vários atos contra o treinador, (…)por outro, nessas mesmas bancadas, são algumas vezes visíveis mensagens de apoio a Wenger(…)”. Agora imaginemos que íamos ter com o Nuno, vindos do distante ano de 2018, e lhe dizíamos que estava tudo igual. Será que ele acreditava? Provavelmente sim, porque, afinal de contas, é o que se tem passado na última década.

É preciso deixar uma coisa clara: o trabalho de Àrsene Wenger a cargo do Arsenal FC, onde chegou em 1996, vindo do Nagoya Grampus, do Japão, merece ser respeitado. Não apenas pela incrível época de 2003/2004, que nos apresentou  uma das melhores equipas de sempre na Premier League (“Os Invencíveis”, como ficaram conhecidos, uma vez que ganharam a competição sem derrotas), mas também por ter pegado num clube que, à sua chegada, era um “gigante adormecido”, e não só o ter devolvido à ribalta do futebol europeu, como também lhe ter dado uma identidade própria e uma segurança financeira como poucos clubes ingleses conhecem.

Uma equipa que dispensa apresentações
Fonte: Premier League

Comecemos por esta “identidade própria”: o Wenger Ball é um termo que há anos é associado ao Arsenal, para descrever a forma como a equipa joga futebol ao primeiro toque. Quando resulta, é um verdadeiro espetáculo e deixa qualquer adepto incrédulo com a rapidez da jogada. Mas esta não foi a única mudança que Wenger trouxe para o clube e para o desporto rei. O treinador francês foi um dos primeiros a impor regimes dietéticos aos seus jogadores e a apostar em técnicas de preparação e recuperação física, coisas que atualmente são indispensáveis a qualquer equipa de topo. É, sem margem para dúvida, um dos profissionais mais influentes ainda em funções no futebol. A juntar a isto, a política de transferências, com base em importações francesas, é hoje indissociável dos Gunners e já lhes deu estrelas como Thierry Henry, Patrick Vieira ou Robert Pirés.

Já nas finanças, a mudança de estádio, de Highbury para o atual Emirates Stadium, com custo superior a 500 milhões de libras (de acordo com o Mirror) em 2006, obrigou o Arsenal a fazer um “malabarismo económico”, no qual Wenger foi crucial: de modo a poder pagar a dívida, não acompanhou a moda das contratações milionárias, apostando em jovens promessas contratadas a baixos preços e depois desenvolvidas, com graus de sucesso variável (por cada Robin Van Persie, os adeptos dos Gunners tinham de suportar dez “Andrés Santos”).

Agora é necessário olhar para a situação atual e perceber a cruzada #WengerOut: desde 2004, nessa fantástica época d’ “Os Invencíveis”, o emblema londrino não voltou a ganhar um título de campeão inglês; em 2006, chegou à final da Liga dos Campeões, onde perdeu contra um FC Barcelona inspirado por Ronaldinho por 2-1; entre 2007 e 2018, conta com seis títulos – Três Taças de Inglaterra e Três Supertaças Inglesas. Isto leva muitos a dizer que o francês tem, talvez, o “trabalho menos precário do mundo”, já que, apesar de o sucesso desportivo não corresponder ao investimento feito nas últimas três/quatro épocas, em estrelas como Özil, Alexis Sànchez ou Antoine Lacazette, nada parece indicar que Wenger possa ser despedido, com Stan Kroenke, presidente do Arsenal, a reforçar repetidamente a sua confiança no treinador. O mais recente exemplo foi no início desta época: “é fácil mudar de treinadores”, afirma; “o mais difícil é replicar o sucesso e continuar competitivo”.

Jogadores do Arsenal após vitória frente ao AC Milan
Fonte: UEFA

Com a dívida do Emirates Stadium paga e um investimento de mais de 118 milhões de euros nesta época (segundo o site TransferMarkt – há que realçar que esta fonte também indica que o clube ganhou mais de 122 milhões de euros em vendas de jogadores), não haverá razão para os adeptos se encontrarem impacientes com um treinador que acaba de falhar a qualificação para a Liga dos Campeões pela primeira vez em 17 anos? Serão os feitos passados suficiente para desculpar uma equipa que, ano após anos, se propõe realizar grandes feitos e se assume como candidata ao título para depois “descarrilar” na fase final da época? Será a vitória no San Siro, na passada quinta feira, em jogo dos oitavos de final da Liga Europa, suficiente para fazer esquecer aquilo que, ao que tudo indica, será mais uma campanha sem ganhar o acesso à Liga dos Campeões, com a equipa em 6º lugar, a 12 pontos do 4º classificado?

Empregar frases feitas empobrece qualquer texto, mas neste caso parece necessário: Arsène Wenger soube quando e como entrar no Arsenal; agora, terá de saber quando sair. Só assim o poderá fazer com dignidade e com o seu legado intacto.

Foto de capa: Arsenal FC

Os emails não revelados: João Henriques e a revolta para com Sérgio Conceição

Findo o nosso jogo, que mais pareceu uma guerra, sinto uma necessidade extrema de te dar a conhecer um pouco mais do que é um clube menos “grande” que o teu. Talvez já te tenhas esquecido do que é andar por aqui, de dar a cara e todos os nossos sentidos por clubes como o FC Paços de Ferreira, mas se te esqueceste eu posso relembrar-te.

Queria expressar-te algumas coisas, que infelizmente não pude ontem porque tu estavas com demasiada azia para aceitar uma derrota. Ou então fui eu que percebi mal, e não deu para falarmos porque estarias à espera que o jogo tivesse mais meia hora.  Aquela primeira meia hora em que a tua equipa não entrou em campo… Estarias a pensar que ainda íamos com 60 minutos de jogo?

Tenho, ou talvez já não tenha, grande apreço por ti. Realmente, assumir as nossas fraquezas e até alguns erros, é algo tremendamente difícil. Chamar vergonha ao que se passou ontem no nosso estádio, é sem sombra de dúvida uma vergonha na medida em que demonstra uma total falta de apreço por cada jogador e adepto do clube que represento.

Talvez vocês tenham feito parte desta vergonha, como a apelidas, porque poderás eventualmente sentir vergonha em perder em casa do último. Será isso? Prefiro acreditar mais nessa premissa. Se calhar envergonha-te teres sido dominado, durante quase uma parte inteira, pelo anterior último classificado do nosso campeonato. Se calhar sentes vergonha por teres jogadores de milhões que entram em campo cientes e convencidos que tudo se resumirá à classe individual que possam ter, e menosprezam o outro lado da barricada.  E foi um pouco isso que também aconteceu ontem. Mas essa vergonha já tu não entendes como tal.

João Henriques, o homem que fez o que ainda ninguém havia feito: derrotar o FC Porto
Fonte: FC Paços de Ferreira

Denominar de “espetáculo horrível” aquilo que se passou no nosso fantástico estádio, é não querer ser sério. Vou talvez descrever-te um pouco do que se passou ontem, já que terás estado mais interessado em contar os segundos que a bola aguardava ser colocada em campo. Que grande exagero esses segundos e minutos de que falaste!

Primeiro, só dizer que vocês, e aqui coloco os três grandes no mesmo pote, como não entendem os clubes mais modestos, têm sempre pedras numa das mãos, prontas a ser atiradas. Se formos goleados levamos com pedras das mãos dos outros dois grandes porque “facilitámos”. Se fizemos para pontuar, se lutámos até à última gota, levamos com as pedras de quem connosco jogou. É tramado! Como é que vamos deixar de ser apedrejados?

As frases feitas que tudo desculpam, escondem e menorizam

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A cada noticia de corrupção, ou alegadas influências em determinados jogos, dá até ânsias em ver os comentadores afectos ao futebol, falar do mesmo. Ouvem-se frases, bonitas ao ouvido, de que o futebol é arte, o futebol é a bola a rolar, os protagonistas são os que entram em campo, e quase que se houve ao fundo uma banda sonora de violinos, como que a dizer que, ao se falar dos “podres” do desporto só lhe estamos a fazer mal. Mas que raio, será que estou completamente alheado da realidade ou quem faz mal ao futebol é quem traz para o mesmo esses esquemas obscuros? E se o trouxeram, terão que ser denunciados, ou não? Se calhar não, porque ao que parece o futebol vive uma realidade totalmente à parte de todas as outras, e regido por leis e benesses que nenhuma outra área contempla.

Mas mesmo assim sempre aparecem os românticos (quando lhes convém) dizendo que se devia falar apenas de bola dentro de linhas, dar ênfase aos protagonistas, jogadores e treinadores. E a verdade é que devia ser mesmo assim, se os melhores ganhassem. Se os protagonistas fossem mesmo os jogadores. Isto mais parece aquela conversa do “Olha ali uma gaivota morta a voar”, tirando o foco do que realmente interessa.

Dost, sendo um dos bons protagonistas, ainda não chega para derrubar outros
Fonte: Sporting Clube de Portugal

“Deixem as autoridades trabalhar”. Mas acham mesmo que se não houver pressão da sociedade civil para que isto seja investigado a fundo, isto não cai esquecido na gaveta de um gabinete qualquer? E mesmo assim vamos ver se não será isso mesmo que vai acontecer. Não pode é ser uma gaveta, que pelo tamanho da coisa mais vale encher um armazém e deitar-lhe fogo.

No meio de todas estas frases feitas, numa coisa têm razão, devemos falar dos protagonistas, os que ganham jogos, e pelo que se percebe é desses mesmos que se tem falado. E percebendo nós como se ganham jogos em Portugal, e onde, só temos mesmo que falar deles, e relembrar que esses são protagonistas e não o deveriam ser. Teremos que continuar a denunciar até que desapareçam e nós possamos então dedicar tempo e atenção aos que deviam ser os reais protagonistas.

“Joguem à bola”, “Corram mais que os outros”. De que serve? Por vezes nem nos deixam correr, tendo total liberdade para nos derrubar e cortar todas as nossas jogadas sem serem sancionados.

It’s Dame Time!

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No Oeste confuso, uma equipa-surpresa tem emergido. Os Blazers, constantemente destinados a uma temporada de altos e baixos e a uma saída precoce na primeira ronda dos playoffs às mãos dos poderosos Warriors, são de repente os terceiros classificados da mais competitiva conferência da NBA. E a isso muito se deve a incrível capacidade de Damian Lillard aparecer nos últimos cinco minutos de cada partida.

Damian Lillard ganhou notoriedade quando, em 2014, mandou os Rockets de Harden e Howard para casa com um triplo em cima da buzina na primeira ronda dos playoffs. Era a primeira série ganha pelos Blazers nos playoffs em catorze anos e a primeira aparição nos grandes palcos de um base que ainda haveria de ser muitas vezes esquecido antes de chegar onde hoje chegou.

Na semana passada e a meio desta série de dez vitórias consecutivas, a turma de Portland encontrava-se em maus lençóis no Staples Center. Com os Lakers a vencerem perto do fim por sete pontos, Lillard reentrou em jogo. Em cerca de três minutos, Dame arrancou quatro triplos, três deles sem qualquer resposta do outro lado por parte dos Lakers e deu mais uma vitória aos Blazers. Lillard começou o quarto período com vinte pontos, mas acabaria a partida com 39, em mais uma demonstração da sua capacidade para tomar conta de um jogo.

O triplo após drible tem-se tornado a imagem de marca de Lillard
Fonte: NBA

Quem nunca viu os Blazers e assistir um jogo pela primeira vez, perguntar-se-á o porquê de Lillard não lançar a bola em todos os ataques da turma de Terry Stotts. Porque o basquetebol é mais complexo do que isso e porque por vezes estará tão marcado que os seus colegas terão os seus lançamentos. Mas nos últimos minutos do quarto período, podem crer que o basquetebol dos Blazers se torna nesse desporto em que a bola só quer estar nas mãos de Lillard. Com dois ou três defesas em cima, perto da linha de triplo ou a três metros da mesma, Dame vai ter a bola nas mãos e vai resolver o jogo.

Várias vezes subvalorizado por imprensa e adeptos, costumava haver razões para tal. Lillard não tem o drible de Irving, a explosividade de Westbrook, a longa distância de Curry ou a alternância entre tiro exterior e penetração de Harden. Mas o seu instinto mortífero não terá paralelo na NBA neste momento. É por isso que em Portland, quando alguém está a cinco minutos de terminar algo, se tornou obrigatório dizer “It’s Dame Time!”.

Foto de Capa: NBA

Apanhar as migalhas

Com o fator altitude presente na mente de todos os pilotos, o Rali do México teve muitos percalços para todos. Ninguém se livrou de alguns sustos.

No shakedown o mais rápido foi o britânico Kris Meeke, vencedor da edição de 2017 deste rali, seguido dos líderes do campeonato Thierry Neuville e do atual campeão do mundo Sebastien Ogier.

A primeira especial foi a especial noturna citadina, em Guanajuato, com 2.3km. O mais rápido foi o piloto belga da Hyundai, Neuville. Em seguida seguia-se Ott Tanak, da Toyota Gazzoo Racing, que ficava a cerca de dois segundos. Ogier completava o pódio.

Ott Tanak conseguiu o segundo tempo mais rápido na especial noturna citadina
Fonte: WRC

No dia seguinte, os problemas de Neuville começaram logo na primeira especial do dia. Problemas de combustível e de motor viram Kris Meeke, no Citroen C3 WRC, liderar o rali seguido de Dani Sordo (que regressou para este rali, após Haydon Paddon ter corrido no rali da Suécia com o Hyundai i20 Coupé WRC). Ogier continuava em terceiro. O nove vezes campeão do mundo, Sebastien Loeb, que regressava ao mundial de ralis cinco anos após a sua última prova, conseguia um quarto lugar. Na quarta especial a M-Sport viu reduzida a sua hipótese de fazer mais pontos para o campeonato de construtores, pois Elfyn Evans capotou o Ford Fiesta WRC, e, apesar de sair ileso, o seu navegador, Daniel Barritt acabou por ter que ir ao hospital. Na parte da tarde deste segundo dia, quem parecia estar a subir o seu ritmo era Loeb, que parecia cada vez mais rápido. Na Toyota, apesar de muitos problemas, a formação nipónica conseguia colocar Tannak em quarto e Jari-Mati Latvala em sétimo. Infelizmente o piloto mais novo da Toyota, Esapekka Lappi acabaria por capotar no último troço do dia.

Terceiro dia e o piloto que substituiu Craig Breen na Citroen, Loeb, chegava ao segundo lugar, atrás de Sordo que parecia muito confortável. Mas na especial número onze, Loeb conseguia passar Sordo, passando a liderar o rali. Mais atrás, Tanak, Ogier e Meeke lutavam pela terceira vaga no pódio. Após liderar três especiais, Loeb furou e teve que trocar de pneu dentro da especial, perdendo a liderança do rali. Incrivelmente na mesma especial, Dani Sordo também furou. O piloto da Hyundai, apesar de não ter parado, perdeu tempo. Assim quem “apanhou” a liderança foi Ogier que a partir daqui nunca mais a largou e limitou-se a geri-la, apanhando assim as migalhas que os outros concorrentes lhe iam deixando. Assim a luta dos restantes lugares do pódio ficou para Meeke e Sordo, já que Andreas Mikkelson, que se situava em quarto da geral, nunca conseguiu ameaçar o pódio, mas também nunca perdeu para quem vinha na sua perseguição. Um rali um pouco desapontante para o norueguês, que não pareceu muito confortável com o seu Hyundai i20 Coupé WRC.

Jogo Limpo: Analise à 26.ª jornada da Primeira Liga

O campeonato aproxima-se do seu final e com isto aumenta também o tom com que os protagonistas do futebol português falam da arbitragem. Não vale a pena alongar muito até porque na passada jornada já tivemos dois grandes discursos por parte do treinador do FC Paços de Ferreira, João Henriques, e por parte do treinador do GD Chaves, Luís Castro.

No meio de tanta retórica repetida há algo que eu pelo menos concordo com o treinador do FC Porto, Sérgio Conceição, e esquecendo-nos do pedaço de hipocrisia existente. Todos nós adeptos do futebol temos que reconhecer que não gostamos do anti-jogo. Retira espetáculo e retira emoção ao jogo que tanto gostamos, os adeptos deslocam-se aos estádios para ver jogo jogado, não para ver o jogo parado de cinco em cinco minutos. Discordo em parte com o treinador do FC Porto quando ele coloca as culpas totalmente no árbitro, o que é suposto um árbitro fazer perante este cenário? O árbitro não é médico nem enfermeiro, não pode averiguar a veracidade da lesão de um jogador, cabe sim à FIFA como organismo máximo do futebol estudar e procurar maneiras de acabar com este “problema”. Concordo sim com a sua critica quando diz que os árbitros “desatam” a dar cartões no período de compensação por perda de tempo, de facto dar cartão amarelo no período de compensação pode ser visto como uma ação de beneficiar mais o infrator, é algo que devia ser retificado pelo Conselho de Arbitragem e transmitido aos árbitros portugueses.

Lendas do “universo” portista: Cristiano Pereira

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Falar de desporto, em Portugal, é necessariamente falar de futebol…mas também de hóquei em patins. No país de António Livramento e de Vítor Hugo, não faltam nomes grandes na modalidade e, entre os portistas, há seguramente um que nunca será esquecido: Cristiano Pereira. Nascido em Paranhos em 1951 e formado no FC Porto, o “Cristiano do hóquei do Porto” foi, durante largos anos, o único representante dos azuis e brancos na seleção nacional de hóquei em patins.

Atleta talentoso, com prestígio reconhecido internacionalmente, Cristiano Pereira integrou as seleções nacionais que conquistaram os Campeonatos Europeus de 1971, 1973, 1975 e 1977, bem como os Campeonatos do Mundo de 1974 e 1982. Já anteriormente, na década de 1960, começara a dar nas vistas no FC Porto com a sua classe singular: sendo, acima de tudo, um finalizador nato, Cristiano Pereira destacava-se também pelas suas jogadas e, acima de tudo, pela tremenda influência que tinha nos jogos decisivos.

Depois de, enquanto jogador, se ter sagrado campeão nacional, europeu e mundial por diversas vezes, outra carreira de grande sucesso estava à espera do portuense: a de treinador. Assim, após a época de 1984/85, Cristiano Pereira acedeu ao pedido dos responsáveis pela secção de hóquei em patins do FC Porto e trocou a carreira de jogador pela de treinador. Resultado: logo na época seguinte os azuis e brancos venceriam todas as competições nacionais e, às mesmas, acrescentariam a conquista da Taça dos Campeões Europeus, em Itália, frente ao Hockey Novara.

Cristiano Pereira foi um dos melhores hoquistas portugueses de sempre
Fonte: Memória Portista

Internacional pela seleção nacional A em 151 ocasiões, marcou um impressionante total de 189 golos com a “camisola das quinas”. No Campeonato do Mundo de 1978, na Argentina, Cristiano Pereira foi o melhor marcador da competição e, dois anos depois, no Chile, elevaria a (já elevada) fasquia do seu desempenho, apontando 22 golos, e viria mesmo a ser considerado o melhor jogador da competição.

Tendo vencido todas as competições ao serviço do FC Porto, o clube não esqueceu o atleta que, para sempre, figurará como um dos melhores de sempre do hóquei em patins dos azuis e brancos. Assim, logo em 1971 este recebeu o troféu “Pinga” e, em 1985 enquanto “Atleta de Alta Competição do Ano” e 2000 enquanto “Treinador do Ano”, Cristiano Pereira venceria o Dragão de Ouro. O “Cristiano do hóquei do Porto” pode nunca vir a ser considerado, pelo menos unanimemente, como o melhor hoquista português de sempre; porém, também nunca nenhum (verdadeiro) aficionado de hóquei em patins poderá dizer que este era, enquanto desportista, menos do que extraordinário.

Foto de Capa: Memória Portista

artigo revisto por: Ana Ferreira

Rafa e a importância da sorte

Há jogadores que, por variadíssimos motivos, não conseguem chegar ao patamar que o início da carreira perspetivava. Há questões relacionadas com o físico, com falta de atitude competitiva ou com o sucumbir à pressão de ser profissional. Há também outras de natureza indominável como a falta de oportunidades que resulta numa ausência de regularidade para o jogador se poder fazer mostrar.

Olhemos para o exemplo do Barcelona. Os Blaugrana têm, porventura, os melhores jogadores jovens do mundo. Mas quantos dos que chegam a idade senior têm hipótese de mostrar valor na equipa principal? Piqué e Busquets, para referenciar apenas dois, já são donos e senhores dos seu lugares há dez anos. A qualidade é tal que por muito que os produtos La Masia queiram, a chance de entrar é quase impossível.

Muitos destes jovens teriam o potencial, à partida, para fazerem carreira no Barça mas, face ao travão inicial, os índices de confiança baixam e o percurso desportivo torna-se, invariavelmente, mais curto do que o esperado. Num exercício relativamente fácil depreende-se que jogadores como Cuenca, Jeffrén, Sandro, Oriol Romeu, entre outros, tiveram um percurso descendente na carreira. A excepção será talvez Pedro Rodríguez, que, mesmo assim, nunca se afirmou como indiscutível no Chelsea.

A qualidade e o profissionalismo podem estar lá mas se não houver minutos, não há confiança e, por consequência, pode perder-se um jogador. Rafa, do Benfica, é um destes exemplos. O percurso do ex-Braga no Benfica não é tão linearmente mau como muitos querem fazer crer: quando Rafa se estreou pelos encarnados na época passada, em Arouca, foi o melhor jogador em campo.

Rafa Silva parece estar, finalmente, a dar cartas
Fonte: SL Benfica

Receções orientadas, definição exímia ou progressão em velocidade com bola foram algumas das qualidades que evidenciou. Só pecou num momento do jogo, o da finalização. Mal terminou a partida, o percurso de Rafa estancou: apanhou o vírus de lesão que assolava, à época, o plantel do Benfica e esteve várias semanas parado.

A partir daí, Rui Vitória cimentou um onze e Rafa, recuperado, encontrou obstáculos para entrar. Um jogador com as características do português é para jogar sempre. É aquele tipo de jogador arrogante, que se acha demasiado bom para estar no banco. E quando entra, entra desmotivado, sem crença.

São jogadores que se não estiverem com o mínimo de confiança não rendem. Têm medo de arriscar, de partir para cima do defesa, e definem mal. Foi mais ou menos isto que se passou com Rafa. O seu caminho tinha tudo para ser o esperado, não fosse a lesão.

O infortúnio de uns, é a benesse de outros. A lesão de Salvio, no início de fevereiro, converteu-se numa oportunidade derradeira para Rafa demonstrar o seu potencial. Iniciou timidamente, e numa posição onde nunca antes tinha jogado – fez carreira no Braga sempre à esquerda – mas agora é quase unânime que é um dos melhores jogadores do Benfica. Envolve-se com os colegas de forma inteligente, chega bem ao último terço – partindo, com segurança, para o drible – e define com a classe dos predestinados.

As recentes vitórias do Benfica, e subsequente melhoria de qualidade de jogo, estão em muito relacionadas com a entrada do extremo natural do Barreiro no onze. Rafa, em simultâneo com Jonas, Zivkovic, Cervi, Grimaldo e Pizzi, faz a equipa melhor e ganhar.

Rafa ilustra que a sorte é um dos fatores mais importantes na carreira de um jogador. Agora compete-lhe aproveitar e fixar-se, definitivamente, como titular indiscutível.

Foto de Capa: SL Benfica

Os 5 melhores da Primeira Liga: Médios Defensivos

O campeonato aproxima-se a passos largos da reta final onde todas as equipas vão definir a sua classificação. Sendo certo que nem todas as equipas da Primeira Liga lutam pelos mesmos objetivos e, sobretudo, dispõem dos mesmos orçamentos, o Bola na Rede vai, ao longo das próximas semanas, elaborar um top 5 para cada posição, procurando destacar as figuras do nosso campeonato.

Para o efeito, foram consideradas as qualidades individuais de todos os jogadores da Primeira Liga, mas também o seu tempo de jogo e, sobretudo, o desempenho até ao momento e a forma como contribuíram para o sucesso das suas equipas.

Depois dos centrais, chegou a vez de vermos qual o top 5 de melhores médios defensivos.

Foto de capa: SC Braga