O FC Porto B é um caso serio de sucesso. As últimas épocas tem sido brilhantes e, esta época não é diferente, com o FC Porto a comandar a Segunda Liga. O objetivo de uma equipa B passa por concluir o percurso de formação e integrar jovens valores contratados numa nova realidade competitiva.
A equipa B do FC Porto esta recheada de talento: Diogo Costa, Diogo Dalot, Jorge Fernandes, Diogo Leite, Fede Varela, Galeno e André Pereira são apenas alguns exemplos de jovens valores que a breve prazo estarão a brilhar na Primeira Liga.
António Folha tem realizado um trabalho magnífico ao comando dos azuis e brancos. Cinco jogadores já foram chamados para jogos oficiais da equipa A: Diogo Dalot, Jorge Fernandes, Luizão, Galeno e André Pereira. Este é um sinal muito positivo do trabalho realizado e da relação e interação que existe entre Sérgio Conceição e António Folha.
O caminho tem de ser este, o clube atravessa dificuldades financeiras e a formação tem de ser uma aposta forte do clube. Além da qualidade que é evidente as mais-valias que podem trazer em futuras vendas (André Silva e Rúben Neves são exemplos disso) é algo que não pode ser descorado. O FC Porto é um clube com uma cultura muito própria e os jogadores da formação percebem e encarnam isso com muito mais facilidade do que qualquer outro jogador vindo do estrangeiro.
Jorge Fernandes é um pilar dos azuis e brancos Fonte: FC Porto
Acredito que esta época o FC Porto B vai voltar a conquistar o titulo da Segunda Liga. Esse não é o principal objetivo mas é sempre melhor formar a ganhar do que o contrario. Criar hábitos de vitória faz com que o insucesso seja mal digerido e isso é a cultura FC Porto.
Ao nível tático este FC Porto de António Folha é um regalo para quem gosta de analisar a vertente mais tática do jogo. O FC Porto joga num 3-4-3 que se transforma rapidamente num 3-5-2 ou num 5-4-1.Esta riqueza tática que procura o “Futebol Total” é algo que não encontro em mais nenhuma equipa no Futebol Profissional em Portugal. Espero e acredito que quando Sérgio Conceição seguir outros caminhos na sua carreira o seu substituto seja António Folha.
Foi numa noite agradável, aliada a um ambiente positivo nas bancadas carenciadas de revestimento, devido, obviamente, ao facto de ser um dia de semana e a uma hora problemática.
O jogo teve início às dezanove horas no estádio do Bonfim. O Vitória tentava dar a volta à onda de maus resultados, e o Sporting reforçar a liderança. O resultado final foi 1-1, resultado injusto, se é que se pode falar em justiça quando duas equipas se digladiam dentro das regras e do fair-play. Mas é seguro dizer que o Sporting praticou melhor futebol e dominou grande parte da partida.
O Sporting começou mais forte e intenso. O Vitória apenas pressionante no segundo terço do campo. Nota mais que positiva para Coates, fortíssimo no jogo aéreo, tanto defensivamente, como ofensivamente, ao minuto 25 esteve muito bem a subir nas alturas, mas em falta.
Arnold foi um dos jogadores sadinos em destaque antes de perder resistência física. Minuto 26: remate potente ao lado da baliza de Rui Patrício. Porém, é importante registar as falhas de marcação ao longo do jogo e ineficácia nas vezes em que partiu para o ataque – anulado por Fábio Coentrão.
O Vitória sempre que saía, fê-lo em contra ataque. João Teixeira tentou sempre pegar no jogo a partir da esquerda, mas muito desinspirado. Já Gonçalo Paciência foi, claramente, o elemento mais desequilibrador na formação setubalense. O número 6 do Vitória, Podstawski fez uma exibição de grande nível, um senhor do meio campo sadino.
Nuno Pinto sempre implacável no capítulo do desarme – por consequência disso, o Sporting não conseguiu impor-se pelo corredor direito de Gelson e Piccini. Os adeptos deleitaram-se com as movimentações de Bruno Fernandes. O português embelezou a sua exibição com um golo. Bruno recebeu um passe em profundidade de Gelson Martins ao minuto trinta – após recuperação de William Carvalho. Posso dizer com convicção que o Sporting não se limitou a jogar de forma coerente e segura, fê-lo com muita confiança e com a famosa nota artística. Ruben Ribeiro encaixou como uma luva nas costas de Dost – com muita criatividade nos pés. Nota positiva para a polivalência de Acuña – muito móvel, chegou a aparecer muitas vezes na zona central, combinando com Ribeiro e com Bas Dost.
Bruno Fernandes marcou o único golo do Sporting na partida Fonte: Instagram oficial de Bruno Fernandes
O camisola 24 do Vitória, João Amaral, foi o elemento mais sacrificado na turma de José Couceiro. Foi Amaral e o restante meio campo leonino: Gelson fez “gato sapato” de Pedrosa. Também puderam contribuir para agravar a situação, William e Bruno Fernandes – com saídas com a bola controlada para o último terço do meio campo dos sadinos. Pedrosa demonstrou-se frágil no que concerne ao capítulo do passe – com vários erros de critério no momento da decisão.
Pelos sessenta minutos os adeptos da casa já se subjugavam aos cânticos das claques do Sporting CP. A formação de Jorge Jesus só era parada por intermédio de ações faltosas – cujos infratores eram, muitas das vezes, o capitão Nuno Pinto, André Pedrosa, Semedo e Podstawski. João Amaral quase fez golo no único lance perigoso da parte da equipa do Vitória – lance travado pela “defesa” de Coates, que até de “São Patrício” fez. De resto, pouco houve a registar até perto do final do encontro.
Gelson Martins furava pela direita, aparecia na esquerda quando trocava com Acuña, protagonizando um verdadeiro espetáculo aos adeptos que marcaram presença no Bonfim. Passou várias vezes por Nuno Pinto que só o conseguiu travar à custa dos braços.
A primeira substituição só se realizou aos 82 minutos – saída de Tomás Podstawski, entrada de Edinho. Entrou também Patrick, que como se diz na gíria do futebol, “mais valia ter ficado em casa”. O jogador brasileiro protagonizou um lance inadmissível – fazendo um passe ao adversário, a Gelson Martins. Não conseguiu fazer melhor do que Arnold. Totalmente contra a corrente do jogo, o Vitória empatou, num lance em que Edinho consegue ganhar a frente aos centrais do Sporting, ganha grande penalidade – indiscutível.
No que concerne à arbitragem, Fábio Veríssimo adotou um critério mais rígido, critério esse que fez exaltar as bancadas do Bonfim, em protesto. Fábio Veríssimo também decidiu mal no lance que decorre da subida de João Teixeira pelo corretor direito, que sofre falta clara, através de um empurrão notório de Gelson Martins.
O jogo no Dragão começou praticamente com os festejos do golo do Vitória de Setúbal frente ao Sporting, que permitiria aos dragões, em caso de vitória, saltar novamente para a liderança isolada, independentemente do resultado que se verificar na segunda parte com o Estoril. Sem fazer uma excelente exibição, o FC Porto poderia, ainda assim, ter conseguido um resultado bem mais volumoso, evitando alguns calafrios que o Tondela haveria de causar na parte final do jogo.
Sem pensar em poupanças para as meias-finais da Taça da Liga diante do Sporting, Sérgio Conceição fez alinhar os melhores diante da formação beirã, aproveitando a embalagem da escorregadela do rival para deixar a mensagem aos seus jogadores de que não se podia facilitar. Entrar forte, resolver o jogo cedo e gerir o esforço para o clássico da próxima quarta. Tudo parecia encaminhado quando Sulley, médio ganês do CD Todela, estendeu a passadeira a Marega para abrir o ativo, e com a maior das facilidades o FC Porto chegava à vantagem. Mas nem tudo foi um mar de rosas, pois o dragão acomodou-se e os forasteiros foram, a espaços, subindo no terreno, chegando a colocar José Sá em sentido com um remate de Tomané à meia volta. Antes do descanso, a jogada mais bonita do encontro merecia um final diferente. Danilo toca para Corona, vai buscar mais à frente e serve novamente o mexicano de calcanhar que acaba por ver Cláudio Ramos defender.
Marcano esteve, uma vez mais, imperial no centro da defesa Fonte: FC Porto
O FC Porto sentia algumas dificuldades para penetrar na defensiva tondelense e voltou a apostar na profundidade, com bolas longas a explorar a velocidade de Marega. Já o Tondela, que vinha de uma série positiva de três jogos sem perder, chegava ao intervalo com legítimas aspirações de enervar os portistas na segunda parte. E isso foi conseguido, essencialmente devido a mais uma noite de grande inspiração do guarda redes Cláudio Ramos, que evitou golos de Brahimi, Felipe, Corona, Danilo e Marega.
Com o tempo a passar e o jogo a encaminhar-se para o final, restava à equipa beirã apostar nas bolas paradas para tentar operar uma gracinha. O empate nunca esteve perto, mas as aproximações à baliza de Sá iam-se sucedendo e os suspiros das bancadas eram audíveis. Com espaço, Hernani e Marega iam tentando colocar um ponto final nas dúvidas, mas a clarividência nunca foi a melhor. À parte disso, ficam os três pontos que permitem aos portistas reassumirem a liderança isolada, com a certeza de que entram na Amoreira mais descansados, no dia 21 de fevereiro, para os 45 minutos que faltam.
Em meados de novembro, e quando ainda não havia uma dupla de centrais certa na equipa do Benfica, escrevi que o tempo de Luisão como titular havia chegado ao fim. Hoje, passados dois meses, a certeza com que o digo é ainda maior.
Apesar de ser um jogador de que toda a massa adepta do clube encarnado gosta, é também já um jogador que pouco acrescenta à equipa a nível exibicional. O capitão encarnado é já um jogador lento, face à capacidade física de alguns extremos e avançados do principal escalão português, muitas vezes levando a que tenha de abordar os lances de forma mais agressiva. Ou passa a bola ou passa o jogador, ambos não. Certo é, e dirá quem acompanha futebol com a isenção de que o próprio necessita, que o capitão encarnado nunca foi um jogador de velocidade elevada, mas no entretanto fazia valer-se de outras características necessárias ao jogo, nomeadamente a resistência e a disponibilidade com que se entregava.
Naturalmente, no presente a entrega é tanto ou mais do que a de antigamente, contudo, esta já não é suficiente. Ou pelo menos única. A liderar agora a linha mais recuada dos encarnados está um jogador que teve em Luisão uma referência e que, ou muito me engano, ou também será no futuro uma referência para outros. O novo líder é Jardel, e teve em Luisão o exemplo de excelência.
Jardel, a par de Rúben Dias, está a formar uma dupla capaz de dar consistência suficiente à equipa para que avance no terreno com a autoridade que é exigida de um clube grande em Portugal, não desleixando aquilo que são as bases de um ataque bem organizado. Seja na posição e movimentos dos atacantes, seja nas coberturas que as linhas mais recuadas têm responsabilidade de fazer. A irreverência e a juventude – em todos os seus defeitos e virtudes – de Rúben Dias, é colmatada pela experiência de Jardel.
Luisão está no Benfica desde a época 2003/2004 Fonte: Flickr
Ainda nesse artigo, abordei Luisão num outro aspecto: o balneário. O capitão, e para os adeptos encarnados sê-lo-á sempre, terá agora uma missão também ela de grau elevado. Não dentro de campo, mas sim à beira do mesmo. E que difícil missão é.
No balneário, o “Girafa” deve ser o rosto do inconformismo com a má temporada que a equipa está a realizar, mas também o líder de uma revolta que se espera que resulte na conquista do penta. O tal papel fundamental de backstage de que falei nesse artigo de novembro.
Cabe agora a Luisão um papel tão ou mais importante do que aquele que tem dentro de campo. Cabe a Luisão ser a cara de um Benfica rejuvenescido e disposto a lutar pelo campeonato. Não dentro de campo, mas sim numa tarefa que não será visível aos olhos dos adeptos. Massacrando os colegas se não derem tudo em campo, ou incentivando se for apenas um dia menos bom. Se desempenhar o seu papel com sucesso, como acredito que irá fazer, em campo esse vai, certamente, ser reconhecido por todos.
Uma vez que renovou o contrato com o clube por mais um ano, que este seja no sentido de passar o testemunho para as gerações futuras e de deixar um legado que para sempre permanecerá na memória do clube e dos adeptos do Benfica. O legado de um capitão que até ao último segundo foi um exemplo de dedicação.
Finda a primeira metade da época, é hora de analisar e se fazer todo o tipo de balanços. Desta feita, analisamos alguns jogadores que geraram expectativas altas para esta época futebolística, e que no entanto não as concretizaram. Falamos dos denominados flops, jogadores que por muita qualidade que possam ter, não o conseguiram mostrar nesta primeira volta do nosso campeonato.
Boston, 20 de Janeiro. UFC 220 é sem dúvida alguma o primeiro grande evento de 2018. Em jogo estarão mais do que dois títulos, arrisco-me a dizer que estará também em jogo o futuro das divisões Heavyweight e Light Heavyweight, ainda que por razões diferentes.
Vejamos:
Daniel Cormier (DC): Sim, aquele que Jon Jones tem o dom de fazer chorar – está com 38 anos de idade. O campeão em título da divisão de Light Heavyweight já deixou em aberto a possibilidade de se retirar este ano, podendo Volkan ser o seu último adversário da carreira. Volkan Oezdemir, tem sangue novo e deverá abraçar a nobre e inprovável missão de agitar as águas nesta divisão. O suíço tem apenas três combates na UFC, estando o seu currículo marcado por uma vitória sobre Ovince St. Preux.
Com a suspensão de Jones, a lesão de Gustafsson e com um Antony Johnson longe de cativar (Cormier derrotou-o por duas vezes), Cormier não vê muita concorrência nos seus últimos momentos enquanto atleta profissional de MMA. O wrestler trintão de São José tem a sua carreira pós UFC já bem delineada. Além de ser comentador da empresa promotora de combates, DC está também envolvido num podcast Talk & Talker e tem também investimentos na área da restauração. É o próprio Cormier quem reconhece que estes projetos acabam por lhe retirar algum tempo e foco para o trabalho árduo no octógono. Oezdemir deverá querer fechar o capítulo DC com uma vitória, abalando a divisão e abrindo caminho ao surgimento de novas figuras. O favoritismo está todo do lado de Cormier, e ambos deverão sabê-lo.
Ngannou, superpoder, super-confiante
Fonte: UFC.com
Apesar da notoriedade de DC, as atenções estarão sobretudo depositadas no combate entre Stipe Miocic e Francis Ngannou. Apesar de ser o campeão em título, Miocic parte como underdog. Este cenário é consequência das vitórias contundentes de Ngannou, particularmente a vitória sobre Overeem. Há quem não tenha dúvidas de que Stipe não terá forma de contrariar o tremendo poder do camaronês. Em termos estratégicos, Miocic deverá socorrer-se do seu sólido percurso enquanto wrestler para trazer o combate para o chão. Os combates de Ngannou não permitiram aferir as suas competências neste capítulo, pelo que o atual campeão da divisão de Heavyweight deverá querer explorar as eventuais falhas do candidato ao título, evitando assim uma troca de golpes que se antevê pouco promissora para Stipe, em virtude da enorme potência de golpes do camaronês (basta recordar o que aconteceu a Alistar Overeem)
Boston, 20 de Janeiro poderá marcar um ponto de viragem nas divisões de maior peso (literalmente) da UFC. Ngannou será mesmo aquela força da natureza indomável? E Cormier só vacila perante Jones?
Cá estarei para analisar estes dois combates, bem como as possíveis consequências dos seus desfechos.
Chegou uma estrela e de seguida um conjunto de roleplayers de grande qualidade, mas a química não surgia. Um treinador considerado pela crítica como um mestre defensivo, mas a defesa era das piores da liga. Minutos que levavam os jogadores à exaustão. Expetativas que não estavam a ser cumpridas, mais uma vez. E, como por obra do acaso, tudo mudou no espaço de um mês e os olhos do mundo do basquetebol estão postos a norte e focados nos Minnesota Timberwolves.
Mas o acaso não é responsável em nada pelo bom momento da equipa liderada por Tom Thibbodeau. O tempo esse, é o grande culpado por um basquetebol simples, mas eficaz, e por uma defesa que começa a ir de encontro ao que era esperado. A chegada de nomes como Jeff Teague, Taj Gibson ou Jamal Crawford tornariam qualquer equipa mais sólida mas, nenhum deles tem a capacidade para ser um líder. Esse líder, chegou de Chicago e é o homem ideal para levar os lobos ao sucesso. Jimmy Butler é o líder que os Timberwolves precisavam. Discreto, mas eficaz, conhecedor dos métodos de Thibbodeau, Butler consegue ser uma extensão do treinador dentro da quadra de jogo. O terceiro nome ideal para encaixar nos jovens e energéticos Andrew Wiggins e Karl-Anthony Towns. Em Wiggins, pode-se exigir maior eficácia e melhor escolha na hora de atirar ao cesto e, olhando para a estrutura física do jogador, pode e deve melhorar em termos defensivos. Para Towns, o caso defensivo é o mesmo. Mas esta é a questão que deve assustar tudo e todos na liga, sem exceção: as duas jovens estrelas ainda tem muito para crescer, sendo já jogadores de uma qualidade inquestionável. Para suprir esta questão, a experiência e frieza de Jimmy Butler é como disse anteriormente o encaixe perfeito. Teague e Gibson completam um cinco de competência que venceu os últimos doze de quinze jogos realizados.
Jimmy Butler tem sido o líder perfeito para os Minnesota Timberwolves Fonte: NBA
A questão passa então pelo banco dos T-Wolves. Crawford e Dieng são eficazes, trazendo por norma pontes nos dois casos e capacidade defensiva acima da média para o poste senegalês. Tyus Jones tem crescido a olhos vistos e é um bom suplente para Jeff Teague. Bjelica não sendo nada de especial, não é mau de todo. Fica claramente a faltar um small-forward que de facto contribua para esta equipa, não o que as pobres exibições de Shabazz Muhammad ofereceram no início da época e que reduziram a rotação da equipa a nove nomes. Assim, uma troca seria bem-vinda com a chegada de um nome que acrescentasse qualidade e ao mesmo tempo permitisse um maior descanso a Andrew Wiggins e Jimmy Butler. Nomes como Marco Belinelli ou Tyreke Evans podem ser a resposta.
Nos próximos seis jogos, os Timberwolves jogam fora de portas por cinco vezes. Enfrentam equipas como os Houston Rockets, os Toronto Raptors, os LA Clippers, os Trail-Blazers e finalmente, os campeões em título Golden State Warriors. Depois destes jogos será possível ter mais certezas em relação à verdadeira qualidade e possíveis ambições dos lobos. Mas, neste momento, não é totalmente descabido pensar que esta equipa pode chegar às finais de conferência. Os Minnesota Timberwolves começam a assustar, o uivar do lobo é cada vez mais forte à medida que se aproxima do topo da cadeia alimentar da NBA e todos os olhos se viram para norte. A pergunta é: conseguem ficar no topo?
Um dos temas mais discutidos internacionalmente é o facto de durante anos e anos muitas mulheres terem sido assediadas por homens, seus superiores hierárquicos, que aproveitando o seu poder associado à posição profissional, conseguiam favores sexuais. Apesar de tudo, elas mantiveram o silêncio, não conseguindo ter a coragem de denunciar todos os abusos que sofriam.
Acontece que, a determinado momento, uma dessas mulheres denunciou o seu caso, o que deu coragem a todas as outras que, ao verem que não eram as únicas com aquele problema, vieram expor algo que até ali as poderia envergonhar ou expor.
Quanto à primeira que tomou a iniciativa, fosse por ter ganho coragem, por não aguentar mais a humilhação, ou porque já não estava dependente daquele homem que a tinha subjugado psicológica e fisicamente, deve ser aplaudida por ter decidido não continuar a ir contra os seus valores e princípios, e ter-se libertado das correntes de medo e vergonha que lhe tinham sido impostas pelo real criminoso.
Bruno de Carvalho foi o primeiro a mostrar provas de “lembranças” a árbitros Fonte: Sporting CP
Ora, o futebol português vive um pouco sob esse principio. Não quero de forma nenhuma equiparar a gravidade de uma e outra situação, mas o principio de decência, valores, omissão de situações de imposição de uma vontade pelo poder é similar, e ainda estamos à espera que surja o corajoso que se liberte da vergonha de qualquer favor que tenha aceite ou tenha feito, e possa motivar outros a seguir o seu exemplo.
As recentes exibições do lateral esquerdo leonino Fábio Coentrão não podem passar indiferentes à análise futebolística atual. O vilacondense tem-se apresentado na sua melhor forma neste Sporting 2017-18, entendendo-se na perfeição com o seu “parceiro” na ala esquerda, o argentino Marcos Acuña.
Se, no início da época, todos criticavam a forma física do jogador, hoje parece cada vez mais consensual que o ex-Real Madrid está aí para as curvas. Dá profundidade ao jogo dos leões pela ala esquerda, tendo um pulmão invejável, uma dedicação ao jogo sem limites e boa coordenação técnico-tática. Num sistema de jogo claramente ofensivo como é o da equipa do Sporting, a importância dos laterais e dos extremos é de capital importância no equilíbrio do jogo. E, nesse particular, Coentrão tem estado bem.
Mas nem tudo são rosas neste caxineiro: o lateral apresenta alguma dificuldade na manobra defensiva da equipa. É algo inegável. O jogo contra o Desportivo das Aves foi o corolário disso mesmo: por várias vezes, o extremo direito dos avenses, o experiente Salvador Agra, deixou o lateral leonino, numas ocasiões, pregado ao chão e, noutras ainda, confuso e desorientado. Coentrão terá que ter mais atenção a estes pequenos (grandes) pormenores.
Mas a característica que mais sobressai do lateral esquerdo português é mesmo a sua experiência em campo. E, neste capítulo, a sua passagem pelo Real Madrid não pode ser esquecida. Teve apenas o azar – ou a sorte, dependendo da perspetiva – do Real Madrid contar para essa posição com um dos melhores laterais esquerdos do mundo – o brasileiro Marcelo. E Coentrão não tem culpa de Marcelo ser um jogador de outro planeta.
Pisar um relvado como o Santiago Barnabéu, integrar-se numa equipa de estrelas é algo que não faz só bem ao ego de qualquer um mas dá sobretudo fibra, experiência e maturidade futebolística. Foi o que aconteceu com Fábio Coentrão. Esteve sempre ao lado de campeões. E não é por acaso que Coentrão rima com campeão.
Fábio Coentrão partilhou o balneário com os melhores do Mundo aquando da sua passagem pelo Real Madrid CF Fonte: Facebook Oficial de Fábio Coentrão
A sua experiência está aliada a uma outra característica que o mesmo não nega: o seu sportinguismo. Disse claramente que o Sporting Clube de Portugal sempre foi o clube do seu coração. Apesar disso, representou sempre ao seu melhor nível todos os emblemas que representou, sendo um excelente profissional. Mas quando o coração fala mais alto não há pernas que se cansem nem dores que não passem.
Por fim, as recentes exibições de Fábio Coentrão devem, do meu ponto de vista, despertar a atenção do selecionador Fernando Santos. Afinal de contas, a diabolização que alguns têm feito em torno da sua idade e sobre a sua forma física deve ficar apenas com aqueles que muitos criticam e pouco observam. Fernando Santos tem que olhar para ele como deve ser.
E que pense sobretudo no seguinte: Coentrão rima com campeão.
Slaven Bilic esteve no comando do West Ham durante, sensivelmente, duas épocas e meia. A perceção que fica é de que o croata passou mais tempo em Londres, tais foram as histórias e as peripécias que Bilic viveu durante o seu trabalho nos Hammers. O treinador croata passou literalmente de herói a vilão na história do clube londrino, depois de uma grande época em 2015/2016, onde finalizou a Liga Inglesa num honroso sétimo lugar e de ter chegado ás meias finais da FA Cup, esperava-se que o West Ham continua-se neste ritmo ascendente, mas a verdade é que depois de atingir o pico em 2015/2016 o clube esteve em queda a partir dai até ao despedimento do croata.
Muitos jornalistas ingleses têm tentado debruçar-se para entender este fenómeno, o que levou a esta queda abrupta do clube londrino depois de uma época positiva? As respostas revelam-se mais complexas do que se pudesse pensar. Em apenas duas épocas a equipa ao comando de Bilic enfrentou problemas como a saída, de maneira pouco amigável, da estrela da equipa, Payet, que era até então o elemento mais importante do esquema tático dos Hammers. Até a mudança do estádio é apontada por muitos adeptos como um fator causal da perda de poderio da equipa nos seus jogos caseiros, tudo isto foi vivido por Bilic e pela sua equipa em menos de dois anos.
O croata que sempre se caracterizou pelo seu entusiasmo na quadra de jogo e pela sua frontalidade e irreverencia viu assim, após uma época de grande sucesso, vários obstáculos serem colocados à sua frente e que se refletiram nos resultados da equipa. Não foi por isso uma surpresa o seu despedimento após uma derrota caseira por 1-4 frente ao Liverpool. O sucessor foi rapidamente apontado pela direção do West Ham: David Moyes.
O treinador escocês que se celebrizou pela sua (longa) estadia em Goodison Park era uma escolha no mínimo arriscada depois dos seus mais recentes trabalhos no Manchester United, Real Sociedad e Sunderland, todos eles marcados pelos fracos resultados obtidos durante o comando de David Moyes.
David Moyes conhecido por optar por um esquema tático que privilegia a consistência defensiva era, portanto, uma antítese daquilo que havia sido o reinado de Slaven Bilic onde o futebol ofensivo que passava sobretudo pelos pés de Payet era uma constante. A verdade é que o treinador escocês não entrou com o pé direito no comando do clube londrino e a equipa demorou a encaixar as mudanças táticas, três derrotas e um empate nos primeiros quatro jogos não seriam certamente aquilo que David Moyes esperaria para este arranque no comando dos Hammers. O primeiro sinal de vivacidade dado pelo West Ham ao comando de David Moyes foi no Etihad Stadium quando a equipa londrina recolheu aos balneários para o intervalo com uma vantagem de 1-0 frente ao primeiro classificado, Manchester City, depois de um golo de Ogbonna.
A equipa do West Ham melhorou defensivamente com David Moyes, mas ainda revela algumas lacunas Fonte: West Ham United FC
Mas nem a grande exibição de Adrián, uma das mudanças operadas por Moyes em detrimento de Hart , na baliza do West Ham parou a equipa de Guardiola, fraca exibição defensiva dos Hammers na segunda parte, com uma estratégia única de “estacionar” o autocarro à frente da baliza. Talvez “inspirado” por este jogo Moyes trabalhou durante a semana seguinte o aperfeiçoamento da sua estratégia contra equipas favoritas e conseguiu finalmente a sua primeira vitória ao comando do West Ham, uma vitória caseira frente ao campeão inglês, Chelsea. Ainda assim no final do jogo o treinador escocês não deixou de fazer reparos ao jogo da sua equipa afirmando que a equipa precisa de conseguir produzir mais jogo a meio campo quando há um elemento adicional no setor mais recuado, o West Ham acabou o jogo com uma posse de bola de 31 % e apenas cinco remates.