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O adormecimento do maestro

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De indiscutível a prescindível, de futuro risonho a intermitente evolução, Oliver Torres viveu, à imagem do clube, uma época agridoce. Adquirido a meio da época a título definitivo pela respeitável quantia de 20 milhões de euros, o jovem prodígio espanhol perdeu gás na parte final do campeonato, acabando relegado para o banco de suplentes quando, supostamente, a equipa mais precisava da sua fantasia em campo.

Não haverá uma reposta exata e bem elucidativa dos motivos que levaram Nuno Espírito Santo a “encostar” o elemento mais criativo da “sala de máquinas” que é o meio campo. Oliver mantém uma relação ímpar com a bola e muito dele dependia a organização ofensiva deste FC Porto nos primeiros dois terços da época. Extremamente eficaz num futebol que privilegie a posse, Oliver sente-se peixe fora de água quando o estilo de jogo passa por rebaixamento de linhas e aposta declarada no ataque rápido, com base em transições.

Oliver tem perfume no seu futebol Fonte: FC Porto
Oliver tem perfume no seu futebol
Fonte: FC Porto

Ora, sendo o FC Porto uma equipa talhada para, em Portugal, dominar os adversários e fazê-los correr, constantemente, atrás da bola, exercendo uma posse esmagadora sobre a maior parte dos oponentes, o médio espanhol encaixaria perfeitamente num estilo de jogo em que fosse necessário fazer a redondinha correr rapidamente entre os jogadores azuis e brancos, criando posteriores ruturas que desfizessem as defensivas contrárias.

Não eram esses os planos de NES para o estilo de jogo azul e branco e Óliver, longe das deliciantes produções de 2014/2015 (então com Lopetegui), ressentiu-se claramente dessa opção pelo constante vaivém entre o momento defensivo e ofensivo e, sobretudo, pela não menos constante variação tática implementada pelo treinador, com a aplicação de vários modelos de jogo dentro do próprio jogo.

Neste momento, a questão que se impõe passa por perceber até que ponto o médio espanhol encaixará na ideia que Nuno (na eventualidade de continuar no FC Porto) terá para ele em 2017/2018. Certo é que o FC Porto não pode correr o risco de desvalorizar um dos maiores ativos que tem no plantel e que, num futuro não muito longínquo e, se bem aproveitado, poderá render muitos e muitos milhões ao clube. Para já, consequência deste “desaparecimento”, Oliver Torres não vai ao Europeu de sub-21.

Foto de Capa: FC Porto

Dani Alves e o exemplo de um golo-biópsia

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Cabeçalho Liga Italiana

Na noite seguinte à final da Coppa Italia, adormeci a pensar no 1º golo da Juventus, que deu início à caminhada triunfal (2-0 à Lazio) da equipa de Massimiliano Allegri rumo à terceira taça consecutiva.

Os golos são sempre obra de uma equipa, sejam eles remates a distâncias longas da baliza, sejam construções buriladas com passes curtos até ao remate, que não seria mais que o passe final.

O primeiro golo da ‘Vecchia Signora’ gerou em mim uma epifania. Os golos também têm este fator especial: são metáforas de ciclos, de épocas, de uma determinada maneira de chegar ao sucesso dentro das quatro linhas, ou até, porque não dizê-lo, da vida. Se me permite o leitor a imagem, gostaria de lhe chamar biópsia, assim em linguagem mais física.

Recorrendo ao microscópio futebolístico, é fácil detetar no golo inaugural da final em Roma uma matéria orgânica, a falar brasileiro, dentro do organismo ‘bianconero’. Alex Sandro, na esquerda, conduz a bola em profundidade, e cruza bem à sua maneira, não sabe cruzar mal este ala esquerdo. Dentro da área o homem do golo é o colega do outro lado vertical do campo, e já agora, compatriota, Dani Alves, que finaliza com a parte de dentro do pé, num remate cruzado, que acabou mesmo junto do poste contrário.

Nesse momento recorri a um gesto natural, instintivo, o de agitar uma das mãos em exaltadora aprovação. Não querendo menosprezar a qualidade e o cruzamento do ex-lateral do FC Porto, Dani Alves, aos 34 anos, está melhor que nunca!

A jogada até começou nos centrais no início da construção. Barzagli atrasa para Neto que chuta longo para o meio-campo, Marchisio ganha a segunda bola, solicita Alex Sandro na esquerda e é o 23 nas costas a entrar na área a partir da ala sempre livre num sistema de três centrais. No momento do cruzamento, Mandzukic e Higuaín, os homens-golo estão ambos fora da área, em apoio, só Dani Alves está dentro, completamente solto.

 

Os obreiros da obra de arte inaugural. Alex Sandro (esquerda) e Dani Alves (direita) Fonte:  Goal.com
Os obreiros da obra de arte inaugural- Alex Sandro (esq) e Dani Alves (dir)
Fonte: Goal.com

Repassou-me instintivamente pela cabeça o Barça de 2011/12 em que Guardiola, numa equipa que já havia ganho tudo, alterou o sistema de jogo como agitador motivacional: era o 3x4x3, o tal do ‘dream team’. O lateral brasileiro, aí, beneficiava de uma liberdade ofensiva que o fazia sentir-se como peixe dentro de água, aliás, mesmo com uma linha de 4, o técnico catalão sempre procurou o melhor contexto tático para Dani Alves jogar subido e profundo.

Eis que na Juventus o internacional brasileiro vê-se a jogar com três centrais atrás numa linha de 5 que facilita a sua permanente profundidade e chegada em diagonal a zona de finalização. Tem metros e metros para percorrer ao longo do jogo, por dentro e por fora, e ainda aparece a finalizar. Missão hercúlea para os blocos defensivos contrários enfrentar.

Cinco golos são o corolário de tentos do craque brasileiro nesta época, que conta também com incontáveis assistências, num jogador que participa muito no processo ofensivo mas que não defende mal, não perde intensidade ou entrega defensiva. É, mais do que experiente, inteligente. Dentro da área, finalizou gloriosamente esta temporada quer de cabeça, pé esquerdo e, na final da Coppa Italia, pé direito, adicionando mais dois golos fora da área, outro ponto forte deste astro, a meia distância. Ele tem mesmo pontos fracos?

O futebol italiano e o sistema de 3x5x2, na sua conceção, pode também pedir mais da leitura individual do jogador que, com 33 títulos na carreira, é um dos futebolistas mais titulados do mundo.

Isto tudo para dizer o quê? Este texto não serve para analisar a Juventus versão 16/17, isso só depois da época acabar e de se verificar se o triplete foi alcançado. Mas deixo apenas uma pequenina nota em defesa das críticas a uma defensiva Juventus: o segundo golo foi marcado por Bonucci, outro defesa, mas os avançados tiveram ao dispor várias ocasiões numa equipa completa a criar situações ofensivas e a defender, quer mais à frente quer mais atrás. Mais que o ser-se ofensivo ou defensivo, é o equilíbrio e completude nos diferentes momentos do jogo que fazem esta formação transalpina tão forte e consistente.

O artigo que termina neste parágrafo procura apenas e só mostrar que os golos não são incidências dos jogos. São formas de os explicar. E os golos-biópsia como este são tecidos de um organismo coletivo que falam de tudo e de todos, de quem o marcou, de quem o assistiu, da equipa que construiu, do treinador que treinou, do trajeto da época….enfim…fala da vida de todos nós! Acredito que a forma como se parte da baliza que se defende para a que se ataca são 11 diferentes caminhos para a felicidade. O sentido da vida dentro do jogo é o golo. Contra a Lazio, na final da Coppa Italia, Dani Alves foi mais uma vez feliz pelo sentido que deu à equipa.

Foto de Capa: La Presse

O Special One de Queluz – Entrevista a Filipe Martins

entrevistas bola na rede

Bola na Rede (BnR): Filipe, em primeiro lugar muitos parabéns pela subida. Era o principal objetivo do clube ou foi uma surpresa o primeiro lugar atingido?

Filipe Martins (FM): O objetivo desde o primeiro dia sempre foi a subida, sabendo que era um objetivo difícil de alcançar mas que não tivemos medo de o assumir.

BnR: Como é que classifica esta caminhada? O CPP é um campeonato complicado?

FM: Esta ‘caminhada’ foi a todos os níveis excepcional. Tanto na taça como no campeonato, que é uma prova extremamente difícil, onde 80 equipas lutam por duas vagas e mais duas vão a um play-off com equipas profissionais e onde sabemos que à partida saem em desvantagem. Este ano quase todas as equipas treinavam de dia, o que aumentou ainda mais a qualidade que já existia, quer ao nível de jogadores como de treinadores, tornando principalmente a segunda fase extremamente competitiva.

BnR: O que é que acha que foi preponderante para a equipa atingir o primeiro lugar?

FM: Antes de mais aquilo que é fundamental, ter jogadores de qualidade,como era o caso. E depois formámos um grupo bastante coeso a todos os níveis. Apesar de muito jovens, a qualidade e organização coletiva prevaleceu sobre a maior maturidade de algumas equipas adversárias.

Fonte: Real SC
Fonte: Real SC

BnR: E agora o jogo para o apuramento de campeão. Também discorda do calendário da liga, que coloca este jogo só para daqui a três semanas?

FM: Como é obvio gostaria de jogar logo após o final da segunda fase até porque a 2ª Liga começa muito cedo devido ao início da Taça CTT e os jogadores vão ter menos tempo de férias ma,s se foi a Calendarização que a FPF escolheu, só temos de respeitar a mesma.

BnR: Quais são os pontos fortes do Real?

FM: A qualidade individual dos seus jogadores aliada a um sentido coletivo notável, em torno das ideias da equipa.

BnR: Pretende continuar no clube ou tem propostas para sair?

FM: Estou completamente disponível para o que a direção entender, sei que o meu trajeto tem sido acompanhado mas a minha cabeça está completamente focada no Real SC.

BnR: Acha que este Real tem condições para chegar, no futuro, à primeira liga?

FM: Acho que no futuro terá, mas acima de tudo o que é mais importante no momento é estabilizar a equipa na 2ª Liga.

O Exemplo “Fábio Paim”

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Há uns anos atrás surgiram na academia Sporting duas pérolas que, apesar de todos lhes reconhecerem muito talento, tiveram caminhos completamente distintos. Esses dois fenómenos, e os seus exemplos antagónicos, foram um dos pilares para o sucesso na formação de jovens com pés assentes no chão, salvo raras excepções que sempre vão surgindo.

O próprio Aurélio Pereira disse que um jogador até pode ter tudo para ser um craque e não querer, e é isso que está na diferença entre Fábio Paim e Cristiano Ronaldo. Fábio Paim tinha mais talento que Cristiano Ronaldo, facto reconhecido pelo próprio CR28, mas não queria trabalhar para exponenciar as suas capacidades. Foi essa vontade e motivação que faltou a Paim e sobrou em Ronaldo, tornando-o o que é hoje. Porque para se ser uma estrela no futebol não é pêra doce, e não é para todos, sendo aliás para muito poucos.

Muitos desistem nesse percurso, e todos pensam desistir em algum momento da sua formação. Seja pelo facto de não poderem estar junto da família, ou simplesmente não poderem passar o fim de semana em casa com os seus, não poderem sair à noite ou comer e beber o que têm vontade, ter horário para levantar, estudar, treinar, deitar, sem tempo para se divertirem. Perde-se muito do que é a juventude para se seguir um sonho apenas alcançável pelos mais obstinados, ainda que mesmo entre esses, apenas alguns sortudos consigam uma carreira internacional cheia de sucessos. Será preciso muito foco, trabalho, teimosia, sacrifício, sofrimento, sorte, e talento para se poder ter alguma hipótese em triunfar neste mundo. Para crianças de dez, doze anos ainda acham que é fácil, e que qualquer um consegue ser jogador profissional de futebol (para não falar da pressão que os pais colocam nos filhos, para que estes se tornem nos futuros Ronaldos).

Fábio Paim numa equipa onde também estavam Daniel Carriço ou Rui Patrício Fonte: Fórum SCP
Fábio Paim numa equipa onde também estavam Daniel Carriço ou Rui Patrício
Fonte: Fórum SCP

Ter na sua história dois exemplos com caminhos e finais tão diferentes simplifica muito a forma de, na academia de Alcochete, se explicar aos jovens o que pode acontecer a quem ali esteja para trabalhar e os que estejam simplesmente confiantes nas suas capacidades inatas. Nascer com jeito para o futebol não chega na alta competição, e até os predestinados têm que trabalhar e sofrer para vencer.

Ver o Rui Patrício e o Adrien dizerem que era fácil jogar na equipa do Fábio porque ele podia resolver os jogos sozinho, e que até voltava atrás para fintar novamente os adversários, mostra o quanto seria fácil a esse jogador ter-se tornado no jogador com mais bolas de ouro. Essa facilidade, no entanto, terá sido o seu pior adversário, uma vez que o convenceu de que não precisava de mais que o seu talento para triunfar. Tinha o talento, faltaram-lhe todas as outras vertentes já aqui descritas. Ao ouvires jogadores como o Rúben Semedo, Gelson Martins, Luís Maximiano, ou Diogo Brás, sobre o exemplo de Paim, e o quanto é importante esforçares-te e trabalhar para alcançares o objectivo de seres futebolista profissional, percebe-se o que isso acrescentou à formação do Sporting, por ser um exemplo acabado do que pode correr mal, mesmo a um predestinado.

Rogério Ceni: Goleiro-Ídolo, Treinador-Decepção

Cabeçalho Liga Brasileira

Falar em Rogério Ceni é falar em um dos maiores ídolos do futebol brasileiro na atualidade. São 132 gols na carreira, mais de 20 títulos conquistados no São Paulo e uma lista extensa de recordes quebrados. O ex-goleiro sem dúvidas faz jus ao apelido: mito. Mas parece que Rogério está há muito tempo querendo macular essa imagem de ídolo intocável no time paulista.

Quem viu o Rogério Ceni jogar ou acompanhou sua carreira sabe o quão dedicado e profissional ele é. Ceni ama futebol, mas esse amor quase prejudicou sua história no São Paulo, quando o ex atleta decidiu estender a carreira de goleiro por mais dois anos no clube, mesmo quando já não conseguia atuar em alto nível. No ano passado, quando de forma tardia decidiu parar de jogar futebol, Ceni assumiu o posto de treinador do clube, mesmo sem ter estudado ou se preparado adequadamente para uma responsabilidade à altura. O desfecho disso era previsível: desastre. Mas a história vitoriosa de Rogério, a identificação dele pelo São Paulo e o apoio incondicional da torcida acabaram dando forças a essa insanidade.

Mas vamos aos números…

Desde que Rogério Ceni assumiu o cargo de técnico do São Paulo foram 25 jogos oficiais, 11 vitórias, 9 empates e 5 derrotas. 56% de aproveitamento. Olhando superficialmente não parece uma grande decepção, mas vamos contextualizar:

– O time de Ceni foi eliminado do campeonato paulista;

– O time de Ceni foi eliminado da copa Sul Americana;

– O time de Ceni foi eliminado da Copa do Brasil;

– O aproveitamento do São Paulo contra times que disputam a série A do campeonato brasileiro é de 40%, sendo 3 vitórias, 2 empates e 4 derrotas.

Ou seja, mesmo estando com um aproveitamento relativamente razoável, a temporada do tricolor paulista está sendo um grande desastre. A única esperança do São Paulo esse ano é o Campeonato Brasileiro, onde começou com derrota para o Cruzeiro por 1 x 0 no último Domingo (14).

Dentro das 4 linhas…

Teoricamente o São Paulo é um bom time. Jogadores como Lucas Pratto, Cueva e Maicon têm nível técnico para serem titulares em qualquer clube brasileiro. Mas o esquema tático do time comandado por Ceni  não funciona e os principais jogadores da equipe acabam fazendo partidas abaixo do que poderiam. O tricolor joga de forma ofensiva e busca o gol constantemente, mas a equipe é extremamente desajustada, principalmente na defesa, onde os erros individuais e coletivos são mais visíveis.

Rogério ainda não conseguiu dar um padrão tático ao time, que tem uma postura bastante irregular nas partidas, ora nervosa, ora cadenciada. Nesta temporada foram 31 gols sofridos, o que mostra que não é difícil balançar as redes tricolores, até mesmo para times considerados pequenos.

Rogério Ceni durante entrevista coletiva Fonte: midiamax.com.br
Rogério Ceni durante entrevista coletiva
Fonte: midiamax.com.br

Falta de preparo e experiência fora dos gramados

Não é somente em campo que Rogério parece perdido, fora dele também. As entrevistas coletivas cedidas pelo treinador parecem piada. Ceni adotou uma postura altamente otimista mesmo diante as recentes eliminações, exaltando o espírito de equipe do São Paulo e minimizando os fatos negativos. O treinador se apega ao aproveitamento do time no ano para justificar que está indo bem na temporada, como se ter 3 eliminações em menos de 2 meses fosse um mero detalhe para o “ótimo” time paulista.

É extremamente comum que ex-jogadores se tornem treinadores. É até um caminho trivial da carreira. Mas para comandar uma equipe de futebol do nível do São Paulo não basta ter experiência como jogador, ser ídolo ou dedicado. É preciso se preparar, estudar, e acima de tudo, adquirir experiência como auxiliar ou passar por equipes menores. Tudo o que Rogério não fez.

Com essa dura sequência de eliminações nesse primeiro semestre até mesmo o Guardiola teria perdido o emprego no futebol brasileiro. O que ainda segura Ceni no São Paulo é a sua bonita história no clube e o apoio da torcida, que para o ídolo tem uma enorme paciência. Mas até mesmo a paciência para ídolos tem limites. O Campeonato Brasileiro é a última chance que Rogério Ceni tem para salvar a temporada tricolor, entretanto, se continuar da forma que está, o mais provável é que a equipe brigue para não  cair para a segunda divisão.

Para Ceni, basta rever alguns conceitos de futebol, procurar se aperfeiçoar na função e contar com a ajuda de pessoas experientes na comissão técnica, para dessa forma, evitar que sua história de goleiro no São Paulo seja manchada por uma aventura mal sucedida como treinador de futebol.

Foto de Capa: São Paulo FC

Olheiro BnR – Gil Dias

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O Rio Ave FC tem sido uma das equipas que se tem destacado neste campeonato pelo seu bom futebol. E uma das figuras de proa do futebol atractivo praticado pela equipa orientada por Luís Castro, é um emigrante precoce. Falo do extremo Gil Dias.

Há umas semanas atrás, mencionei-o aqui como uma das principais revelações deste campeonato. Este jogador natural da Gafanha da Nazaré, foi notícia em 2014 quando assinou contrato com o AS Mónaco após se ter sagrado campeão nacional de juniores ao serviço do SC Braga. Transferindo-se para os “monegáscos” em Janeiro de 2015, jogou um ano na equipa B até que em Janeiro seria emprestado ao Varzim SC, onde começou a mostrar as suas qualidades entre os graúdos, marcando seis golos em 15 jogos.

Nesta temporada, o extremo de 20 anos deu o salto para a Primeira Liga ao ser emprestado ao Rio Ave, onde rapidamente se assumiu como titular indiscutível, quer sob as ordens de Capucho, quer sob as ordens de Luís Castro. E tem sido um dos jogadores de maior destaque no clube vila-condense com sete golos marcados em 38 jogos.

Gil Dias tem 7 golos apontados esta época Fonte: Gil Dias – Facebook Oficial
Gil Dias tem 7 golos apontados esta época
Fonte: Gil Dias – Facebook Oficial

Apesar de ser canhoto, pode jogar nos dois corredores, e em ambos com um bom rendimento, evidenciando-se como um extremo bastante completo para a sua idade. Tanto pode explorar o seu corredor, dando profundidade ao jogo da sua equipa, como pode procurar flectir para zonas interiores, tentando executar um passe a rasgar a defesa contrária, ou até mesmo o remate. É um extremo habilidoso com a bola nos pés e com uma boa capacidade de drible (é um dos jogadores com mais dribles eficazes neste campeonato). Sabe cruzar bem e é também um bom finalizador. Possui também uma constituição física razoável para um extremo (1,83m e 73Kg).

Quanto ao futuro, tem-se falado do interesse do Benfica neste jogador, e sinceramente, acho que ele teria capacidade para vingar num clube grande a curto prazo. Quanto ao AS Mónaco, uma integração no plantel orientado por Leonardo Jardim, dependeria muito das saídas de jogadores na sua posição, tais como Bernardo Silva, Kylian Mbappé e Thomas Lemar. Mas se continuar a trabalhar mantendo a cabeça no sítio, no futuro poderá haver um novo príncipe no Mónaco.

Foto de capa: Gil Dias – Facebook Oficial

FC Porto B conquista Premier League International Cup

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Os jovens portistas fizeram ontem uma exibição brilhante diante os Ingleses do Sunderland, conquistando o troféu com uns concludentes 5-0. Golos apontados por Galeno (2), Chidozie, Kayembe e André Pereira.

O FC Porto B alinhou da seguinte forma: Gudino, Fernando Fonseca, Chidozie, Rui Moreira, Inácio, Omar Govea, Fede Varela (João Graça), Francisco Ramos, Kayembe (Verdasca), Galeno (Ismael Diaz), André Pereira.

O FC Porto fez uma competição quase irrepreensível, onde, nos seis jogos realizados obteve cinco vitorias e apenas um empate. É de referir que eliminou equipas como o Manchester United e Liverpool, por exemplo.

Foi mais uma prova do que defendo há vários anos, o FC Porto tem a melhor formação e Scouting de Portugal. O próximo passo é não ter medo de apostar nestes jovens craques, porque talento existe em abundancia.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Importante seria melhorar as condições para estes jovens poderem potenciar ainda mais o seu talento. O presidente Jorge Nuno Pinto da Costa tem como um dos objetivos para este mandato, a construção de uma academia para a formação, seria um infraestrutura extremamente importante para o futuro do clube.

Gostava de enaltecer o trabalho feito pelo mister António Folha (Atual Bi-Campeão Nacional Sub 19) que desde que pegou na equipa em Janeiro tem vindo a realizar um trabalho notável, a equipa estabilizou, melhorou a qualidade de jogo, e, neste momento apenas se encontra a três pontos do terceiro classificado da Segunda Liga Portuguesa.

Vários jogadores desta equipa B portista irão fazer a pré-época com a equipa principal na próxima temporada!

Foto de Capa : FC Porto

Foi até à última

Cabeçalho Futebol Nacional

Foi no fim de semana passado que terminou a fase de subida do Campeonato Portugal Prio, o antigo CNS. Depois de vários jogos complicados, em campos esgotantes, com adeptos entusiastas e com muita paixão, decidiram-se as equipas que vão subir e aquelas que vão disputar playoffs na esperança de alcançar também a subida. Termina assim mais um campeonato que cada vez mais reúne maior atenção. Foram muitas as equipas que se exibirem a bom plano, foram muitos os craques que deram nas vistas e os jovens treinadores que foram surgindo nestas equipas.

Boston Celtics: e agora?

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Cabeçalho modalidadesDepois de um primeiro lugar na Conferência Oeste e uns playoffs sofridos, os Boston Celtics chegam à final da conferência onde irão defrontar os, até agora imbatíveis, Cleveland Cavaliers. Isahia e companhia deixaram para trás Chicago Bulls e Washington Wizards, mas, para tal, tiveram de realizar 13 jogos. Já LeBron e amigos venceram Atlanta Hawks e Toronto Raptors num total de oito jogos. Vendo os números desta forma, os Cavaliers parecem favoritíssimos para ganharem a final da conferência e, consequentemente, chegarem a mais uma final.

A temporada regular dos Celtics foi um tanto espetacular e, se há equipa no Este capaz de dar problemas aos campeões é esta. Brad Stevens liderou a equipa e levou-a a superar todas as expectativas e previsões. Com Isahia Thomas na frente, tudo parece ficar mais fácil, mas será isto suficiente para parar os Cavaliers?

Em Cleaveland houve mais que tempo para preparar a final da conferência.  Passaram dez dias desde o último jogo dos Cavaliers, o que é favorável à equipa, visto que os Boston mal tempo tiveram para respirar desde que a temporada regular terminou. Os Cavs, parecem ser imbatíveis e não há apenas um jogador que chame a atenção e cause problemas. Para além de LeBron James, que é inevitavelmente o perigo mais talentoso da equipa, os Boston terão de se preocupar ainda com Irving e Kevin Love.

Fonte: sbnation.com
Fonte: sbnation.com

De pouco servirá o ataque rápido dos homens de Brad Stevens, se a sua defesa não aguentar a pressão das estrelas campeãs. Pessoalmente, creio que os Celtics darão trabalho aos Cavs, no entanto, as probabilidades de lhes vencerem quatro jogos, são baixas.

Cavaliers em cinco é a minha aposta. Acredito que será a equipa de Boston a primeira a derrotar os campeões – nem que seja num jogo só. Na máxima força e com uma pitada de sorte à mistura, Celtics ainda poderão sonhar (mas apenas isso: sonhar).

Foto de capa: theplayoffs.com.br

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Marco Silva e a ‘relegation’: O fracasso não conta tudo

Cabeçalho Liga Inglesa

Consumada a derrota diante do Crystal Palace no último domingo, o Hull City de Marco Silva desceu à segunda divisão inglesa.

À primeira vista, é um fracasso do treinador português, que, agora, no seu registo pessoal, juntamente com uma subida de divisão após recuperação pontual impressionante com o Estoril na sua primeira época no banco, uma Taça de Portugal com uma recuperação de desvantagem impressionante na final, um campeonato grego com um registo de vitórias recordista, vê-se agora obrigado a juntar uma despromoção numa Premier League.

Sem embargo, atrás dos títulos, dos palmarés, das galerias, há todo um caminho, um contexto que explica ou ajuda a perceber os sucessos e os insucessos.

É o objetivo deste texto: explicar o fracasso no final das contas deste Hull City que é de Marco Silva, mas não é só. Foi de Steve Bruce na pré-época e de Mike Phelan até à 20ª jornada. O primeiro demitiu-se a cerca de um mês do início do campeonato em litígio com a direção, alegando a falta de proatividade diretiva ao nível de contratações. O segundo herdou a complicada herança e, embora não tivesse começado nada mal, com duas vitórias nas duas primeiras jornadas, não resistiu a uma série de 9 jornadas sem ganhar.

Steve Bruce saiu em lítigo com a direção do Hull Fonte: Sky Sports
Steve Bruce saiu em lítigo com a direção do Hull
Fonte: Sky Sports

Assumindo as rédeas da equipa da cidade de Kingston upon Hull, Marco Silva chegou antes de dois compromissos para as taças, a de Inglaterra, em casa, a contar a terceira eliminatória, diante do Swansea, e a da liga inglesa, jogo da primeira mão da meia-final, diante o Manchester United, em Old Trafford.

O primeiro jogo resultou numa vitória por 2-0 e o segundo uma derrota pelo mesmo resultado em casa da equipa orientada por Mourinho. Dois tubos de ensaio para o primeiro jogo na Premiership numa altura em que o técnico português não concedeu qualquer folga ao plantel num ato de consciência em relação à atribulada e mal planeada (pré-)época que vinha decorrendo para os ‘Tigers’, adicionando-se outro elemento indesejável, um boletim clínico pleno de lesões.

Até ao final de janeiro, mais quatro jogos, dois para o campeonato, com uma vitória caseira, frente ao Bournemouth (3-1), e uma derrota em casa do campeão Chelsea (2-0), para além das duas eliminações nas duas taças, embora, na taça da liga, com uma vitória sobre o ‘United’ de Mourinho (2-1).