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E foi o Jardim que os colheu

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Cabeçalho Liga Francesa

C’est fait! O Monaco de Leonardo Jardim é campeão francês! Foi interrompido, com brio, o percurso vitorioso do PSG na competição, após vitória imposta ao St-Ettiene.

Jardim nunca desistiu dos seus princípios de jogo, manteve-os de uma época para a outra, usando a persistência e a crença no seu trabalho como guarda-chuva da enxurrada críticas de treinador defensivo e cinzento de que foi alvo na temporada passada.

Teve a audácia de não se conformar com uma hegemonia que se considerava indestrutível. Afinal, começava a época com os mesmos pontos do PSG e não com os 31 de atraso com que terminara a anterior. E o 1º lugar não era cativo de ninguém a não ser que o merecesse. E o “seu” Monaco mereceu mais do que os outros.

Porque lutou e trabalhou o dobro daqueles que tinham uma vantagem milionária. Não só nos 63 (!) jogos que vai disputar até final da época, mas também fora deles (porque não se consegue um aproveitamento físico-competitivo tão bom sem um forte compromisso fora das quatro linhas).

 

Bernardo Silva floresceu sob o comando do Leonardo Jardim Fonte: AS Monaco
Bernardo Silva floresceu sob o comando do Leonardo Jardim
Fonte: AS Monaco

Jardim teve des balles de acreditar na capacidade e na entrega dos seus meninos. Os meninos (como Bernardo Silva, Mbappe, Bakayoko, Lemar e Fabinho) que ontem eram como àrvores frágeis e murchas em comparação às do enorme quintal do vizinho (com o qual Jardim nunca se preocupou) e que hoje têm a robustez e a vivacidade só possível às “àrvores” que têm o privilégio de ter um tratador paciente e cuidadoso com o seu crescimento,.

Ao longo da época, essas “àrvores” foram dando frutos saudáveis (proposta de jogo sustentável), e deliciosos (18 goleadas em 36 jogos na Ligue 1). Hoje, esses frutos foram colhidos por Leonardo Jardim e mostrados ao mundo numa bandeja que é uma ode à persistência da crença no nosso trabalho.

Obrigado!

Foto de Capa: Valery Hache\GettyImages 

Futebol feminino: um projeto vencedor

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Quando no início desta época desportiva, o Sporting respondeu afirmativamente ao “convite” da Federação Portuguesa de Futebol na criação de uma equipa de futebol feminino, algo que ajudaria na promoção da modalidade, sem dúvida que foi um passo importante para o desporto mas também para consolidar o clube enquanto eclético, tal como o conhecemos.

A pouco mais de duas semanas de terminarem as competições oficiais para as leoas, é quase obrigatório fazer um balanço daquilo que foi a primeira época enquanto equipa. No próximo Sábado, as nossas atletas deslocam-se ao terreno do Boavista, mais propriamente ao Complexo Desportivo do Ramalde, para disputarem aquele que poderá ser o jogo do título em caso de vitória da equipa verde e branca. Apesar de ainda faltarem dois jogos para o fim do campeonato, a diferença de três pontos para o segundo classificado permite que a festa possa ser antecipada. E, na verdade, creio que este campeonato foi ganho precisamente nos confrontos diretos com o Sporting de Braga, o atual segundo classificado da liga e a equipa que melhor se reforçou para lutar pelo título com as leoas.

No primeiro jogo frente às bracarenses, quando as leoas se deslocaram ao Minho, o Sporting conseguiu um empate, que dado o elevado grau de dificuldade do jogo, não foi um mau resultado até porque muita coisa ainda faltava acontecer até ao final do campeonato. Na segunda volta, o Estádio José de Alvalade abriu as portas aos mais de nove mil adeptos que, para além de quebrarem um recorde de assistências no futebol feminino, foram certamente muito importantes para a vitória alcançada pela margem mínima, quase no final dos noventa minutos e que valeu o isolamento no primeiro lugar do campeonato, quando já se via o final do mesmo ao fundo do túnel. A partir daí, as leoas têm sido competentes e não têm dado hipótese às adversárias que se colocam entre elas e o título nacional.

Diana Silva tem sido uma das jogadoras mais influentes da equipa de futebol feminino do Sporting Fonte: Sporting Clube de Portugal - Futebol Feminino
Diana Silva tem sido uma das jogadoras mais influentes da equipa de futebol feminino do Sporting
Fonte: Sporting Clube de Portugal – Futebol Feminino

Para além do troféu mais importante a nível de clubes, a equipa comandada por Nuno Cristóvão está também na final da Taça de Portugal, que se disputa no próximo dia 4 de Junho. O adversário, claro está, é a equipa do Sporting Clube de Braga, o que fará com que este seja o terceiro embate entre ambas as equipas nesta temporada. Também neste encontro, todos iremos torcer para que as jogadoras leoninas tragam o troféu para o museu, já depois, esperamos nós, de nos terem dado o campeonato nacional.

Se nesta primeira época, o Sporting conseguir ambos os troféus que ainda estão em disputa, é sem dúvida alguma, um ano de sonho e que traz boas perspectivas para o futuro próximo. É claro que o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido tem sido fantástico e os troféus e as vitórias que conseguirmos são a cereja no topo do bolo, algo que é um desejo de todos. No entanto, é importante salientar que, mais importante que isso, é que este ano tenha servido de consolidação de processos e da automatização daquilo que o treinador quererá no futuro para a equipa. Na minha opinião, para além da contratação de Nuno Cristóvão, que conhece como ninguém as equipas femininas e por isso é uma mais-valia sem preço para o projeto desportivo implementado, a criação de uma equipa multidisciplinar, ou seja, com jogadoras mais velhas e experientes que equilibram a equipa, permite que não se tenha descurado a tentativa de assegurar o futuro com a vinda de jogadoras mais novas e explosivas. E, no fundo, essa junção tem permitido que a equipa não tenha resvalado nos momentos essenciais e tenha ganho algum estofo para os jogos mais difíceis, aqueles onde é preciso sofrer para levar os três pontos.

Por isso mesmo, é por “culpa” dessa gestão que, neste momento, o Sporting está a lutar pelo título e arrisca-se seriamente a ganhá-lo. Depois deste ano, a exigência irá subir mas isso não parece ser um problema para um conjunto que já mostrou que é paciente quando o ambiente é de pressão e que o objetivo é só um: ganhar. Boa sorte para o que resta, leoas!

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal – Futebol Feminino

«Existe é uma desconfiança generalizada em relação à capacidade intelectual das mulheres nesta área» – Entrevista Cláudia Martins

entrevistas bola na rede

Licenciada em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação da cidade dos estudantes – Coimbra –, Cláudia Martins é uma das poucas jornalistas que exercem a profissão na área de desporto. Repórter de pista da Antena 1, foi diretora de informação do ZeroZero quando começou o projeto redação, e tem travada uma intensa luta contra os preconceitos e desigualdades das mulheres no ramo do Jornalismo de Desporto. O Bola na Rede conversou conversou com Cláudia Martins para tentar descobrir várias particularidades da profissão.

Bola na Rede: O Jornalismo sempre foi um objetivo desde cedo para as suas pretensões profissionais?

Cláudia Martins: O Jornalismo foi uma certeza desde sempre. Era muito nova, não mais que 11, 12 anos, e sabia que queria ser jornalista. É uma paixão, uma responsabilidade, uma missão.

BnR: Em relação ao Jornalismo de desporto, como é que apareceu na sua vida?

CM: O Jornalismo de desporto foi uma coincidência. Cerca de um ano depois de ter estagiado na redação geral da Antena 1, no Porto, fui convidada para a equipa de desporto. Hoje, creio que foi o melhor que me aconteceu mas não sei onde estaria ou o que estaria a fazer se tivesse seguido outro rumo. Na altura foi uma coincidência, já gostava de desporto mas não tinha definido ser jornalista nesta temática, estava no início da carreira, a entrar no mercado de trabalho e agarrei a oportunidade. Hoje, feliz com as minhas escolhas, creio que foi o melhor que podia ter acontecido e não me vejo, para já, a mudar de área.

BnR: Já tem dito, em outras ocasiões, que não gosta do rótulo de jornalista desportiva? Porquê?

CM: Há uma tendência na sociedade, de uma forma geral, de colocar rótulos e preconceitos, de catalogar, que me incomoda. O jornalismo de desporto acaba por, muitas vezes, ser rotulado como menos importante, menos independente, menos sério e, por consequência, também os jornalistas que trabalham nesta temática o são. É algo que me incomoda porque sou jornalista, serei sempre jornalista, trabalhe em desporto ou noutra temática qualquer. Além disso, o desporto não pode nunca, no nosso país, ser considerado um tema menor. Porque ele está relacionado com a nossa identidade enquanto povo e porque ele é das poucas coisas em que Portugal tem uma projeção mundial plena de sucesso. Não há muitas coisas em que nós tenhamos esta visibilidade externa e bem sucedida que o desporto nos dá. Como pode então ser um tema menor? Como podem os jornalistas que trabalham nesta área serem considerados menores? Mais ainda, para mim, as ferramentas, as preocupações, os procedimentos, os conceitos e cuidados éticos que são necessários ao exercício do jornalismo são aplicados em qualquer temática em que se trabalhe. Não creio, por trabalhar em desporto, que faça o meu exercício diário de forma diferente dos meus colegas que trabalham noutras secções temáticas.

BnR: Foi diretora de informação do ZeroZero, numa altura em que o projeto ainda estava numa fase inicial. Foi, na altura, um desafio ainda mais aliciante por isso?

CM: O projeto estava numa fase inicial em termos de redação, enquanto base de dados estava já bastante desenvolvida. Foi um desafio absolutamente determinante para o que sou hoje. Abraçar e criar um projeto de raiz, poder implementar o meu ideal de jornalismo, sem vícios, pressões e restrições foi muito bom. Ao mesmo tempo foi uma contínua aprendizagem, houve situações, decisões, questões que me foram colocadas pela primeira vez. Tive, em muitos casos, que ser autodidata, muitas vezes tive que recordar as aulas de ética e deontologia e tomar decisões de acordo com a minha consciência. Terei errado, certamente, mas o que fica de positivo é muito mais do que negativo, foi uma aprendizagem profunda, de mais de cinco anos.

BnR: O ZeroZero, assim como outros órgãos de comunicação social apenas do online, têm crescido muito nos últimos tempos. Acha que o futuro do Jornalismo pode passar somente pelo online, ou terá sempre o seu lado mais “tradicional”?

CM: Eu sou defensora de que nenhum modelo desaparece. Nem desaparecerá. Apenas há uma exigência grande de adaptação, de mudança, de acompanhamento das tendências. Não quero, sequer, acreditar que isso possa acontecer. Além disso, acho que no nosso país quase não há projetos com estratégias bem delineadas para o digital. O online é, na sua maioria, uma extensão de outras plataformas e não um meio em si mesmo. Enquanto essa estratégia não estiver bem desenhada, não me parece que se assuma como o futuro do Jornalismo.

O Despacito é na discoteca

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Antes de começar gostava, se fosse possível, que lessem este texto ao som do “Celebration Time”, dos Kool and The Gang, para efeitos recreativos e galhofa.

Ao que parece, segundo as notícias, o Benfica celebrou a conquista do tetra campeonato no sábado com um certame ali para os lados da Avenida da Liberdade. Aquilo foi giro, houve petardos, a PSP monto um dispositivo de segurança todo janota como mandam as regras, o pessoal apanhou uma bebedeira de caixão à cova e acordou no dia a seguir a babar-se para uma sarjeta, foi tudo muito giro. Em parte o problema foi esse, foi, talvez, demasiado giro.

Vamos lá ver se nos entendemos. Uma equipa festejar a conquista de um feito histórico, como foi o caso, não deve ser, em alguma ocasião, motivo para uma festa daquelas. Eu quero lá saber se o Richie Campell deu um concerto ou se os Amor Electro foram lá vincar o estatuto de GNR do nosso tempo, banda que sim senhor parece ser muito interessante, mas daqui a uns nos já só nos lembramos deles por causa daquela música.

Eliseu foi um dos pontos positivos da noite Fonte: SL Benfica
Eliseu foi um dos pontos positivos da noite
Fonte: SL Benfica

Benfiquista que é benfiquista quer é entoar cânticos à Benfica, cantar o hino, as músicas de apoio que usamos no estádio e congratular jogadores e equipa técnica por nos presentearem com mais um título para o palmarés.

Despacito? Dj Kamala? O que é isso? Isso são coisas de danceteria e não de hooliganismo saudável e cerveja por todo o lado como mandam as regras. Aceito o Bailando porque o ano passado o Sporting estava a pedi-las e agora vai levar com isto até que já ninguém se lembre, que vai ser nunca, porque vamo-nos lembrar sempre.

Até achei bem a cena do Salvador (Eu sei que já estamos todos fartos dele, ou melhor, das massas que gastaram a música dele, mas vai ter de ser), porque o rapaz e a irmã fizeram um bom trabalho e trouxeram mais prestígio ao país e merecem que o “Amar Pelos Dois” toque no Marquês porque estávamos todos a festejar. Agora, mais do que isso já me parece um bocado exagerado.

Ninguém, mas mesmo ninguém, estava lá para ir ao Urban. Estávamos todos lá para festejar o 36, o tetra, ver os jogadores subirem ao palco, o Eliseu a mostrar dotes de Moto GP, o Cervi apanhar a carraspana da vida dele, o Carrillo finalmente a saber qual é a sensação de ser campeão. Tudo isto! Nada de hits semanais do Spotify.

Para o ano, na conquista do Penta, se Jonas quiser, façam as coisas de forma diferente. Mantenham a estrutura deste ano onde não houve incidentes nem ninguém a levar com uma garrafa de Cergal na cabeça, mas deixem o Kamala em casa e metem o Ser Benfiquista.

Foto de Capa: SL Benfica

WRC anima o norte

Cabeçalho modalidadesO Rali de Portugal está mesmo à porta na sua edição 50. A prova rainha do desporto automóvel no nosso país disputa-se novamente no norte e tem muitos motivos de interesse, ou não fosse este o melhor WRC dos últimos largos anos.

Este será o terceiro rali de terra da temporada, mas o primeiro na Europa e talvez o mais fácil para os carros, apesar de fácil não ter nada. Esta será a prova com mais WRC de 2017, num total de 14, com o destaque a ser a estreia do terceiro Yaris WRC, que será conduzido por Esapekka Lappi.

A luta espera-se muito intensa, mas existem dois nomes que merecem um maior relevo na consideração para a vitória. Falo de Thierry Neuville e de Sébastien Ogier. O piloto belga vem de duas vitórias seguidas e já podia ter quatro vitórias em cinco ralis esta temporada, não fossem excessos e azares nas duas primeiras provas da temporada. Já Ogier tem de ser destacado por já ter vencido o rali por quatro vezes, por ser o campeão do mundo e por ser o líder do campeonato. É verdade que o francês nunca venceu no norte, mas que ninguém duvide da sua capacidade de vencer.

Os dois últimos vencedores da prova, Kris Meeke em 2016 e Jari-Matti Latvala em 2015, são bons nomes a reter também. Meeke já venceu na terra este ano, mas não sei até que ponto poderá repetir a vitória em Portugal. Já Latvala poderia lutar pela vitória mas não acredito muito no Yaris ainda. O Toyota tem bom potencial, mas ainda está a pagar o ano de estreia da equipa, o que é natural, no entanto aponto para um melhor resultado do finlandês do que do britânico.

São esperadas milhares de pessoas para assistir à prova Fonte: Rali de Portugal
São esperadas milhares de pessoas para assistir à prova
Fonte: Rali de Portugal

Estou muito curioso para ver o que poderão fazer os outros homens da M-Sport, que tão boa conta deram de si na Argentina. Não acredito que nenhum deles vença, apesar de gostar que tal acontecesse, principalmente por parte de Ott Tanak.

Quanto a portugueses, o único que está mesmo envolvido no mundial é Miguel Campos. O ex campeão nacional de ralis vai pilotar um Skoda Fabia R5 e inscreveu-se no WRC2. Com isto o piloto que completa 25 anos de carreira parte à frente dos restantes portugueses, que fecham a lista de inscritos, mais uma vez. É uma grande vantagem para Campos na luta pelo objetivo de melhor português.

Quem, tal como eu, não tiver oportunidade de se deslocar ao norte pode acompanhar a prova na RTP (transmissão em todos os dias de prova num total de seis especiais em 19) e em várias rádios locais.

Quanto às previsões, vou apostar num pódio com Neuville, Ogier e Latvala, apesar de não estar certo da qualidade do carro japonês na terra. Mais do que acertar nestas apostas tenho interesse em ver um bom espetáculo e sinceramente acho que o vamos ter, quer no WRC quer no WRC2.

Foto de Capa: Rali da Argentina

A máquina de Conte que arrefeceu uma Premier League a escaldar

Cabeçalho Liga Inglesa

O verão – leia-se mercado de transferências – na Premier League foi quente, mas o Chelsea de Antonio Conte tratou logo de esfriar o resto da temporada. Mourinho e Guardiola chegaram a Manchester na época mais quente do ano para orientar United e City respetivamente, e secaram tudo o que estava à volta – apenas durante algum tempo. O reeditar de uma das rivalidades mais intensas dos últimos anos ofuscou a chegada de Conte aos blues, mas o italiano tratou logo de se fazer ouvir.

Depois de uma temporada que tinha ferido, e muito, o conjunto de Londres, Hazard e companhia demoraram algumas semanas a assimilar os processos do seu novo treinador, mas depois assistiu-se a um vendaval que não é comum.

Entre fins de Setembro e Dezembro a equipa somou 13 (!) vitórias consecutivas, e deixou a concorrência para trás. Assente num 1x3x4x3 – em Inglaterra foi uma tática inovadora –, Azpilicueta, Cahill e David Luiz formaram um trio defensivo dos mais fiáveis na Europa. No meio, Kanté e Matic comandaram um meio-campo que teve, a espaços, a magia de Fàbregas e que soube alimentar muito bem Hazard, Diego Costa, Pedrito e também Willian. Marcos Alonso e o renascido Moses davam a profundidade necessária a uma equipa que, a dada altura, pareceu quase imbatível.

É certo que o Chelsea não participou nas competições europeias, o que poderá ter facilitado a gestão que Conte fez dos seus pupilos, mas num ano em que os dois de Manchester tinham todas as atenções, ser campeão com esta limpeza não está ao alcance de muitos.

Abramovich estará, de certeza, satisfeito. Os adeptos, idem. Por cá, todos estarão curiosos para ver o que a máquina de Conte poderá fazer na Liga dos Campeões na próxima época. Certo é, que uma caminhada quase irrepreensível na liga mais competitiva do mundo já ninguém lhe tira.

Foto de Capa: ABC

Vinícius Júnior: O adeus prematuro ao Flamengo

 Cabeçalho Liga Brasileira

O futebol brasileiro foi surpreendido essa semana com a proposta que Real Madrid apresentou ao Flamengo para ter o atacante Vinícius Júnior de apenas 16 anos. Os madrilenhos ofereceram 45 milhões de euros – cerca de 155 milhões de reais – para contar com o jovem atacante em seu elenco. O interesse dos gigantes europeus – além do Real Madrid o Barcelona também demonstrou interesse no jogador – pela joia da Gávea faz todo o sentido. Atualmente, não há nenhum jogador de base no futebol brasileiro que se aproxime do talento do Vinícius. O Flamenguista é diferenciado e demostrou isso tanto na base do clube carioca quanto nas seleções de base, onde marcou 17 gols em 19 jogos (jogos disputados com a Seleção Brasileira Sub-17). Inclusive o jogador deve ser convocado para disputar a Copa do Mundo Sub-20. Competição que é jogada por atletas com mais idade do que o Vinícius Júnior possui.

O atacante é muito veloz. Joga pelos dois lados do campo e sabe se movimentar no ataque como poucos na sua idade sabem. Além da boa movimentação, Vinícius é habilidoso e tem “faro” de gol. Entretanto, apesar de toda o destaque e qualidade que o jogador possui, a proposta de 45 milhões de euros feita pelo Real Madrid é surreal.

Se confirmada a transferência do atacante para Madrid essa será a segunda maior verba recebida por um clube brasileiro em uma negociação de um jogador. Isso é um absurdo se considerarmos que o Vinícius Júnior tem apenas 30 minutos de jogo atuando pelo profissional. A sua estreia foi justamente no último domingo no Maracanã contra o Atlético Mineiro, jogo válido pela primeira rodada do Brasileirão. Por mais que o jogador seja brilhante entre os demais da sua idade e possivelmente terá, no mínimo, um bom futuro como jogador é muito arriscado um clube oferecer essa quantia toda por alguém tão novo sem experiência alguma no time profissional.

 

 

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Vinícius Júnior (16 anos) e Robinho (33). O futuro e o presente da Seleção Brasileira lado a lado
Fonte Vinícius Júnior

Se pegarmos outros exemplos de jovens que saíram do futebol brasileiro para grandes clubes europeus, vemos que eles se destacaram em seus clubes formadores antes de se transferirem. Neymar foi campeão da Libertadores pelo Santos e era titular da Seleção Brasileira quando foi para o Barcelona; Gabriel Jesus foi campeão brasileiro pelo Palmeiras e era titular da seleção quando foi para o Manchester City; Oscar era titular absoluto do Inter quando se transferiu para o Chelsea; entre outros tantos jogadores com históricos semelhantes.

Assim como temos os casos que deram certos, também temos vários casos de jovens jogadores que nas categorias de base arrebentavam e não conseguiram vingar no profissional ou pelo menos não da maneira como todos pensavam que iria acontecer. Alguns desses exemplos – que são os famosos flops como dizem em Portugal – são o meia Lulinha (ex-Corinthians); o atacante Keirrison (ex-Coritiba e ex-Benfica) e o atacante Henrique (ex-São Paulo). Todos esses jogadores triunfaram quando jovens nas categorias de base dos seus clube e ascenderam ao profissional com muita expectativa. Passaram pelas seleções de base e também impressionaram. Porém, não estão tendo no profissional o rendimento e a carreira que muitos imaginavam que teriam.

Com um garoto de 16 anos não podemos afirmar que ele será um grande jogador. Exceto em casos de jogadores especiais como Neymar e Gabriel Jesus que desde cedo já estavam desequilibrando no time profissional. O Vinícius Júnior subiu agora para o time profissional do Flamengo a pedido da diretoria. Pode ter sido uma atitude precipitada, pois pode fazer o atleta pular algumas etapas na sua formação. Entretanto, acredito que o Flamengo – e agora o Real Madrid – esteja atento a essa situação.

Para o Real Madrid esses 45 milhões de euros parecem não fazer falta e acredito que chegaram nesse valor pois o Barcelona demonstrou interesse no atleta e como não queriam perdê-lo para o rival – como aconteceu com o Neymar – ofereceram uma proposta irrecusável para o clube e um ótimo contrato para o jogador. Vale ressaltar que o próprio atleta informou que na Europa gostaria de atuar no Real Madrid, ou seja, o Real o escolheu o Vinícius e o Vinícius escolheu o Real.

Devo registrar que sempre é uma pena para os nossos clubes quando jovens valores são vendidos precocemente à Europa. A lamentação maior é pela torcida que verá por pouco tempo o seu novo ídolo. Ainda mais quando esse ídolo é cria do próprio clube. Entretanto, essa negociação é totalmente compreensível, pois para o Flamengo essa proposta recebida é maravilhosa e irrecusável. O time receberá um valor que outros clubes não receberam com jogadores já consagrados. A torcida é para que o Vinícius corresponda todas as expectativas e chegue a ser um grande jogador para a nossa seleção. Em junho de 2018 – quando completará 18 anos – o atacante deverá ingressar ao elenco merengue.

Foto de Capa: esportes.r7.com

CS Marítimo: Há 40 anos entre a elite

Cabeçalho Futebol Nacional

Foi a 15 de maio de 1977, que se escreveu uma das mais importantes páginas da História do futebol madeirense e do CS Marítimo em especial. Nesse dia o clube do Almirante Reis recebia e goleava o SC Olhanense, por 4-0, num apinhado Estádio dos Barreiros. Pela primeira vez uma equipa de fora do espaço continental conseguia ascender ao mais alto patamar do futebol em Portugal.

O jogo era referente à 30.ª e derradeira jornada da II Divisão – Zona Sul. O Marítimo discutia com a CUF – hoje Fabril do Barreiro – o título de campeão e o acesso direto à I Divisão. A expectativa era enorme e ao início da tarde já o ‘Caldeirão’ estava lotado. Mas tão grande era a vontade de assistir ao momento histórico, que se tornaram célebres os relatos de adeptos pendurados em ramos de árvores e postes de iluminação, sentados nos muros e na cobertura da bancada central. Cerca de quinze a vinte mil pessoas assistiram nessa tarde à vitória “maritimista” que dava à região o seu primeiro “primodivisionário”.

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“Caldeirão” lotado de adeptos para assistirem a momento histórico
Fonte: Facebook de CS Marítimo

Até aos anos 70, os clubes madeirenses e açorianos estavam privados da participação nos campeonatos nacionais, podendo apenas disputar a Taça de Portugal. E mesmo nessa competição as dificuldades eram incomportáveis. Muitas vezes eram os clubes insulares a suportar por inteiro as deslocações dos adversários e equipas de arbitragem às ilhas. Instrumental na conquista do direito à participação nos nacionais, Artur Agostinho, à data delegado da Associação de Futebol da Madeira, foi um dos nomes mais sonantes a dar a sua voz à causa desportiva insular.

Naquela tarde de primavera deu-se o culminar da luta. O Marítimo de Quim, Noémio, Eduardo Luís, Humberto Câmara, Arnaldo Carvalho, Eduardinho, Norberto, entre tantos outros, chegava à elite do futebol português. Por toda a ilha, a festa foi digna do feito, tendo o seu epicentro nas ruas do Funchal. Da parte de vários clubes continentais, antigos e futuros adversários, chegaram mensagens de felicitações, bem como de inúmeros sócios, adeptos e simpatizantes dispersos pelo mundo.

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Toda a população da ilha festejou o título da Segunda Divisão e a consequente subida
Fonte: Facebook de CS Marítimo

Entretanto, ainda antes da estreia no principal escalão, o Marítimo sagrar-se-ia campeão da II Divisão, batendo os vencedores das zonas centro e norte, Feirense e Riopele, respetivamente. Nos 40 anos seguintes, o emblema verde-rubro consolidaria o seu lugar entre os grandes, obtendo, até à data, 32 participações consecutivas na Primeira Liga e alcançando, desde os anos 90, oito participações europeias.

Foto de capa: Facebook de CS Marítimo

O Povo Benfiquista saiu (de novo) à rua

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O plantel do Benfica foi esta segunda-feira recebido pelo Presidente da Câmara, Fernando Medina, nos Paços do Concelho, para uma homenagem aos tetracampeões nacionais. Num autocarro já personalizado ‘à tetra’, a comitiva ‘encarnada’ foi recebida em apoteose por centenas de Benfiquistas, que não pararam de entoar cânticos, enquanto soltavam bandeiras e erguiam cachecóis.

Luisão liderou a fileira e foi o primeiro a sair do autocarro, enquanto segurava o tão proclamado troféu de campeão. Depois da fotografia da praxe na escadaria do edifício, Fernando Medina e Luís Filipe Vieira discursaram no Salão Nobre. O presidente do Benfica não quis deixar passar a oportunidade de enaltecer a grandeza progressiva que o clube vai assumindo a nível nacional e internacional, depois da inédita conquista de quatro campeonatos consecutivos.

Seguiu-se a habitual troca de presentes, e quem mais ficou a ganhar foi Eliseu, que recebeu uma mota em miniatura, alegoria dos seus festejos no sábado, após a conquista do tetra. Por esta altura, a multidão já esperava impaciente pela abertura da porta da varanda. O que os adeptos queriam era ver o capitão, Luisão, erguer novamente ‘o caneco’. Fez-se-lhes a vontade e rapidamente o ambiente culminou num êxtase partilhado por todos os que sentem o Benfica.

O 36 também se comemorou na CML Fonte: SL Benfica
O 36 também se comemorou na CML
Fonte: SL Benfica

Ora se ia cantando pelo Benfica, ora se puxava por este ou por aquele jogador. O destaque foi para André Carrillo, que, pela primeira vez, é campeão nacional. Mas o momento mais arrepiante estava ainda para chegar. O hino do Sport Lisboa e Benfica, entoado em uníssono pelos Benfiquistas presentes nas imediações da Câmara Municipal deixou a comitiva, que estava na varanda, embasbacada. Enquanto vários jogadores filmavam, Carrillo acompanhava os adeptos e entoava a letra de Ser Benfiquista, e, mais uma vez, distinguia-se entre todos.

Os adeptos já pediam o 37.º título, quando se aproximava o final da festa. E que festa bonita foi! Sob um intenso calor e os fumos vermelhos e alaranjados das tochas utilizadas, o povo Benfiquista festejou muito e festejou bem. Que lindo é vermelho e branco! Que lindo é o Sport Lisboa e Benfica!

Foto de Capa: SL Benfica

A capital norte-americana é, finalmente, uma cidade de basquetebol

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Cabeçalho modalidadesPode parecer estranho escrever um texto destes quando há algumas horas atrás os Washington Wizards viram a sua época terminar devido a uma derrota no jogo 7 em Boston. Mas Washington DC voltou a gostar de basquetebol graças a estes jovens Wizards que ali cresceram e que ali se vão desenvolvendo de modo a, esperam os dirigentes, poderem levar a equipa da capital novamente ao topo da NBA.

A história dos Wizards não é propriamente brilhante. O seu único título data de 1978, um ano antes da última presença da equipa de Washington nas finais da Conferência Este e ainda com o nome de Washington Bullets. Depois do relativo domínio na década de 70, DC viu a sua equipa ser o local de descanso para estrelas longe do seu auge, como Moses Malone ou Michael Jordan e raros jogadores de real qualidade, em equipas, no máximo, sofríveis.

Com a chegada de John Wall em 2010, um base supersónico e com um futuro promissor, os Wizards pareciam ter alguém para o futuro. Porém, as derrotas continuavam a acumular-se numa equipa aparentemente sem rumo, demasiado jovem e que se destacava apenas pelo que fazia fora do campo (isto não é um elogio). Beal chegou dois anos depois para dar mais talento à equipa, que ainda assim necessitava de veteranos. Foi por isso que Nenê, Ariza ou Gortat chegaram a DC e talvez tenha sido aí que os Wizards começaram a crescer, mesmo que o papel dos veteranos nunca tenha sido o mais preponderante dentro da equipa.

Para muitos o melhor backcourt da NBA, Beal e Wall tentam fazer dos Wizards a melhor equipa da liga Fonte: SI
Para muitos o melhor backcourt da NBA, Beal e Wall tentam fazer dos Wizards a melhor equipa da liga
Fonte: SI

A dupla Wall-Beal começava a dar que falar na NBA e depois de eliminarem os então favoritos Bulls em 2014 e adicionarem Paul Pierce, os Wizards mostraram algum poderio, que só não os levou mais longe em 2015 devido a uma lesão de John Wall. Ainda assim e por muito que o respeito pelos Wizards começasse a crescer na liga, faltava algo. E depois da ausência dos playoffs em 2016, o treinador Randy Wittman foi despedido, com Scott Brooks, treinador que levou os Thunder à sua única final, a ser contratado para o seu lugar.

Após um início de época tremido, os Wizards começaram a ganhar. Dezassete vitórias seguidas em casa levaram os adeptos a acreditar na equipa, com uma subida de 23% no número de adeptos por jogo no Verizon Center. Os jovens começavam a dar cartas, com Wall, Beal, Otto Porter e Kelly Oubre a aparecerem como as figuras principais que a direção dos Wizards tinha previsto quando os escolheram no draft.

Com o quarto melhor recorde caseiro da liga e contando apenas por vitórias os jogos em Washington nos playoffs, o futuro parece promissor para uma equipa que antes do início desta década era o alvo maior de chacota na NBA. Os Wizards terminam mais uma temporada sem regressarem às finais de conferência, mas conseguiram algo talvez tão importante: ter toda uma cidade do seu lado e pronta a empurrá-los para vôos mais altos. Até porque estes rapazes não chegaram agora de outro sítio qualquer. Começaram ali as suas carreiras na NBA e têm a vontade de voltar a fazer de Washington um lugar temível para os adversários.

Foto de Capa: theundefeated