A par de Renato Sanches foi a grande revelação do ano. Quem poderia prever que, em apenas alguns meses, Lindelof evoluísse de “trinco” da equipa B do Benfica, suplente da selecção sub-21 da Suécia, para um dos mais respeitados e desejados defesas-centrais do futebol mundial? Com apenas 22 anos, conquistou a titularidade do Benfica, tornando-se num dos esteio do tricampeonato, jogando com elevada qualidade, tanto ao lado do “capitão” Luisão, como do “capitão” Jardel. As suas exibições não passaram despercebidas e, com naturalidade, assumiu a titularidada da selecção princial da Suécia, sendo considerado, em 2016, no melhor defesa do seu país. A sua qualidade (e margem) de progressão abriram o apetite aos tubarões. O Manchester United de José Mourinho parece, no entanto, ter ganhado a corrido. O ano de Lindelof deverá representar, para o Benfica, a mais alta venda da sua história.
Numa altura em que se faz a retrospetiva do ano que está a acabar, o repasso pelos pontos altos (e baixos) do Sporting Clube de Portugal deve ser feito. Para tal, ficam aqui algumas personalidades das diversas modalidades do clube que, pelo que fizeram, merecem destaque. É preciso ter em atenção que haverá outros nomes que encaixariam bem neste top 10 mas que, devido à sua extensão, não puderam ser nomeados.
10.º – Nuno Cristóvão
Fonte: Twitter Sporting CP
O treinador da equipa de futebol feminino do Sporting Clube de Portugal merece destaque pelo trabalho exemplar que está a fazer. As leoas acabam 2016 em primeiro lugar, à frente do Sporting de Braga (apesar de terem mais um jogo). A chegada de Ana Borges, por empréstimo do Chelsea, vem dar o reforço demolidor ao ataque leonino. Nuno Cristóvão tem assim o trabalho de levar o futebol feminino do clube à conquista do título, tendo boas perspetivas, isto após a reativação de uma modalidade que esteve mais de duas décadas sem estar em competição.
Um top das figuras de 2016 do FC Porto que marcaram este ano, tanto positiva como negativamente e que, certamente, os seus adeptos se irão lembrar para o bem como para o mal. De referir a presença do ciclismo e do basquetebol neste top e que entram de uma forma justíssima nos motivos de alegria portistas.
10.º – José Peseiro
Fonte: FC Porto
Missão ingrata para o agora ex-técnico do SC Braga que chegou com a difícil missão de substituir Lopetegui e encarreirar a equipa para a estabilidade. Contratar um treinador a meio da época é sempre uma tarefa ingrata porque tem as suas próprias ideias e encontra um plantel já moldado pelo seu antecessor. Peseiro pega na equipa e claramente o seu estilo e forma de jogar ficaram vincados com o FC Porto a marcar muitos golos, aumentando exponencialmente as suas médias mas também a sofrer muitos golos (média de praticamente um golo por jogo). De destacar, na sua breve passagem, a vitória na Luz, o lançamento concreto e definitivo de André Silva e a chegada à final da Taça de Portugal que perdeu nos penalties para o SC Braga, num jogo atípico. Uma contratação que logo se mostrou ser apenas de recurso porque no fim da época teve ordem de saída do comando técnico dos azuis e brancos.
É uma tradição, acontece desde 1947, a segunda época da competição, e não mais foi quebrada. Tradicionalmente jogavam, entre si, as equipas geograficamente mais próximas, evitando as longas deslocações entre estados, e possibilitando aos atletas e treinadores as celebrações devidas da quadra natalícia. O instantâneo sucesso rapidamente obrigou a liga a escolher a dedo os jogos deste dia. Nada menos que as melhores equipas, os melhores jogadores e os melhores treinadores, para o dia mais especial da época regular.
Duelos emocionantes, jogos decididos no último segundo, e performances históricas: eis os cinco melhores momentos do Christmas Day na NBA.
5 – Três em um
Fonte: BET.com
Em 2011, em resultado o lockout imposto pelo sindicado dos jogadores, o Christmas Day coincidiu com o arranque da NBA. Nesse dia os Dallas Mavericks receberam o troféu e o anel de campeões no sapatinho., num três em um que ficou na história.
O 20º BnR Modalidades tem como tema o Hóquei em Patins.
A análise à 1ª Divisão, às equipas portuguesas nas competições portuguesas e a revista do ano de 2016 da modalidade são os pontos fortes, mas falamos também do Parede FC.
A moderação é de André Conde e os comentários de Diogo Nunes e Pedro Caeiro Gonçalves.
Oito jogos, oito vitórias – cinco das quais bonificadas – o GD Direito está no topo da tabela da Divisão de Honra sem surpresas. A Agronomia, a fazer boas exibições, está no segundo posto enquanto o CDUL, já com duas derrotas, está na terceira posição. No outro extremo da tabela a Lousã é última classificada, ainda sem qualquer vitória (tem quatro pontos de bónus) e o Montemor, na penúltima posição, está a um ponto do lanterna-vermelha.
Direito lidera só com vitórias Fonte: FPR
A equipa: Os Advogados lideram o principal campeonato português apenas com vitórias e com a melhor defesa e o melhor ataque da competição. A renovação da equipa tem sido efectuada de forma inteligente e já está a dar frutos.
A surpresa: A Agronomia tem conseguido disputar e vencer jogos de bom rugby, provando que a presença na última final da taça não foi ao acaso. Os Agrónomos têm feito alguns ajustes na equipa que se revelam certeiros, tendo vencido a Supertaça. Resta saber se a equipa da Tapada se consegue intrometer na luta pelo título…
A Agronomia tem realizado um campeonato bastante convincente Fonte: Luís Cabelo
A desilusão: Com apenas duas vitórias em nove jornadas decorridas, e sem qualquer ponto de bónus, a Académica está a fazer um campeonato abaixo do esperado. Mas os Pretos já nos habituaram a grandes surpresas, será que ainda irão a tempo de conquistar um lugar no grupo dos seis primeiros?
Ao longo de alguns artigos, que tive o prazer de digitar para esta casa, fui abordando o tema, que dá voz ao título, ao de leve. Porém, aprofundá-lo-ei. Pois que carece de ser desenvolvido. O técnico de futebol brasileiro dos dias azafamados de hoje ainda é visto como o modelo a ser seguido por (quase) todos os seus pares de outros países? Ou estará já ultrapassado? Se a resposta a esta última pergunta for sim – também é a minha opinião, de uma maneira geral, claro – temos de escrutinar as causas para isso acontecer. E o que é necessário, então, fazer, para que o técnico brasileiro volte à ribalta?
Bom, primeiro organizar melhor o calendário do Brasileirão. Parece uma medida pífia, à primeira vista. Mas não é. Sem tempo para preparar as equipes e com jogos em cima uns dos outros, o técnico do Brasileirão não terá a décalage necessária para implementar as ideias. As equipas ficam mais cansadas e perde o espetáculo. Falo em particular do Brasileirão porque, infelizmente, hoje em dia os técnicos brasileiros não estão presentes em nenhum grande campeonato do mundo, tirando o do seu próprio país. Assim, os campeonatos nacionais, qualquer um deles, tornam-se um cartão-de-visita para outros olhos, de outras nações. E se o cartão-de-visita é negativo, o cliente não volta. E não contrata.
Tite foi chamado a acordar o escrete, um gigante adormecido Fonte: Goal.com
É difícil implementar isto. Tal como em Portugal. São países muito parecidos neste aspeto. Somos países de 8, ou 80. Mas que a mudança substancial de calendarização tem de ser feita no Brasil – tanto para proteger o jogador, como o treinador e o próprio torcedor – sobre isso não há dúvidas.
Segundo: mudanças táticas. Tite, como escrevi há dias, caro leitor, é, de facto, o único autóctone capaz de segurar o leme deste pesado barco. Pelo menos tenta atualizar-se. Vem à Europa tirar cursos. Está perto de outros pares competentes e procura saber. No fundo, procura saber. Era aquilo que o treinador brasileiro antes tinha, mas começou a dar como adquirido. Acontece a quem ganha muito: chama-se soberba.
Há, por estes dias, um nome em destaque por terras transalpinas – Dries Mertens. O seu Nápoles viu-se privado das duas maiores esperanças no que a fazer golos diz respeito. Higuaín saiu ainda antes do início da época para a Juventus e Milik lesionou-se com gravidade logo no arranque do campeonato. Mas quem não tem cão, caça com gato e Sarri sabe fazê-lo com grande inteligência.
Privado de avançados fortes fisicamente (pelo menos daqueles letais), Sarri montou o seu Nápoles para ataques rápidos e com um futebol a explorar as alas, com os extremos a aparecerem muitas vezes em zona de remate. Sem uma referência no centro do ataque, são os velozes e tecnicistas extremos que exploram o espaço nas costas das defesas adversárias, bem como os remates cruzados de fora da área.
Para adotar esta estratégia, muito ajuda ter jogadores como Callejón, Insigne e Mertens, capazes de a executar muito perto da perfeição. Mas tem sido o belga que mais se tem destacado. Mertens leva 9 golos nos últimos 4 jogos do Nápoles! Números impressionantes que fazem, ainda a meio do filme, com que esta seja a melhor época do avançado, ao nível da finalização, desde que chegou, em 2013.
Com uma aceleração incrível, qualquer distração dos defesas faz com que, lhe percam logo o rasto. Vagueia por todo o ataque e ao mínimo espaço que consiga, torna-se letal em frente à baliza. Aliando a velocidade à técnica tem conseguido golos de belo efeito – que o diga Joe Hart, que num dos últimos jogos levou um ‘sombrero’ de Mertens, o qual não esquecerá tão rapidamente.
Poderia pensar-se que está por ali uma pérola que, certamente, não escapará aos maiores clubes europeus. Mas, a verdade é que ‘já’ tem 29 anos. É um jogador que há 8 épocas ainda andava pela 2ª liga holandesa, até ser descoberto pelo Utrecht que depois o vendeu ao PSV, de onde se transferiu para o Nápoles.
Mertens também deixou a sua marca no Estádio da Luz (Fonte: Site oficial do Nápoles)
Está no esplendor do seu potencial e ainda terá algo para dar aos ‘clubes dos títulos’. Encaixaria bem no futebol do Bayern, do Barcelona ou do City. Mas acredito mais que se mantenha por Nápoles, onde Sarri retira o máximo do seu potencial e onde se sente como peixe na água neste momento.
Com todo este cenário, coloca-se uma questão – até onde conseguirá ir Mertens ainda? O tempo não corre a seu favor, mas o mercado louco dos dias que correm pode trazer surpresas a qualquer momento. Caso não haja mudança, os fervorosos adeptos napolitanos agradecem e contam com ele para uma aproximação à Juventus a nível interno, bem como para colocar magia nas noites de ‘Champions’ que lhes restam. Uma coisa é certa: estamos perante 1,69m de grande talento que passou despercebido à alta-roda do futebol durante tempo a mais.
“Tratam-nos como se fôssemos um grande, mas ainda não o somos”, lamentava (ainda que com algum orgulho) Quique Setién, treinador do Las Palmas, depois de perder por 1-0 frente ao Atlético de Madrid. Dito de outra forma: o Atlético deixou que o Las Palmas fizesse as suas bonitas, longas e trabalhadas trocas de bola, enquanto tratou de ganhar o jogo precisando apenas de ter o esférico durante 31% do tempo, mesmo jogando em casa.
Foram anos bonitos estes do domínio do tiki-taka, que começou a ser germinado nas conquistas europeias do Ajax de Johan Cruyff, nos anos 70. Cruyff alargou depois a sua influência enquanto treinador do Barcelona, clube onde o tiki-taka viria mais tarde a atingir o seu máximo esplendor, sob o comando técnico de Guardiola. Foram anos de domínio do Barcelona e da seleção espanhola, (acabando até por contagiar a seleção alemã), mas que acabaram agora. 2016 foi o ano da morte de Johan Cruyff e foi também o ano da morte do tiki-taka.
Aquele futebol de sonho foi vencido pela realidade do futebol pragmático. Mourinho, no Inter, foi um dos primeiros rebeldes a fazer frente ao estilo de futebol imposto a partir da Catalunha, mas acabaria esmagado pelo 5-0 da sua primeira visita ao Camp Nou com o Real Madrid, de que nunca se recompôs. Foi preciso esperar uns anos mais para aparecer o Comandante Simeone a liderar a revolta contra o tiki-taka. Já tinha conseguido o extraordinário feito de ser campeão de Espanha com o Atlético, mas a estocada final no tiki-taka foi dada este ano, quando eliminou o Barcelona e o Bayern de Munique da Liga dos Campeões, em duas eliminatórias em que o contraste de estilos não podia ser mais evidente.
Quique Setién, treinador do Las Palmas, em conferência de imprensa Fonte: U. D. Las Palmas
Quique Setién diz que, ao conceder-lhes a posse de bola e a iniciativa do jogo, o Atlético tratou o Las Palmas como grande. É um pouco a lógica que os adeptos do Barcelona seguem quando acusam o Real Madrid de jogar como equipa pequena nos clássicos, mas todos sabemos que o fazem porque, na realidade, temem os estragos que Bale e Ronaldo são capazes de fazer com 50 metros de terreno para explorar no contra-ataque. O Las Palmas bem que preferia que o Atlético tivesse jogado mais como equipa grande, mas Simeone quer é saber de ganhar e não de preconceitos sobre como cada equipa deve jogar. Em alguns jogos, é preferível ter a bola 30% do tempo, mas com espaço para jogar, do que passar 70% do jogo a tentar furar uma defesa de 11 jogadores, todos num curto espaço de terreno. Claro que, quando se tem um Messi capaz de fintar quatro adversários dentro de uma cabine telefónica, as debilidades do moribundo tiki-taka vão sendo disfarçadas. Mas confiem em mim: o tiki-taka morreu.
Nestes novos tempos, teremos de rever o que significa jogar como um grande. É que, além do Atlético, que até acabou por não ganhar nada, vimos o Leicester e a seleção portuguesa serem grandes com estilos que Cruyff não aprovaria. Vimos o Real Madrid, com o seu gosto pelos ataques rápidos, ser campeão da Europa e do Mundo. E, para ser honesto, até o Barcelona já faz uns contra-ataques e dá uns chutos para a frente, de vez em quando. Um dia veremos Guardiola render-se ao contra-ataque. Isso se não quiser terminar como a banda do Titanic.
Ninguém tem dúvidas do valor e do talento de Cousins. Os números não deixam dúvidas: esta época, o jogador conta com uma média de 29 pontos e 10,7 ressaltos por jogo.
No entanto, nem tudo é fantástico e brilhante no camisola 15 dos Sacramento Kings. O temperamento de DeMarcus Cousins é capaz de ser um dos mais complicados do mundo da NBA. A quantidade de polémicas em torno do poste é demasiada: desde agressividade para com repórteres até expulsões (mais frequentes que o desejável). Cousins tem este defeito de achar que o mundo conspira contra ele e não saber lidar com o facto de nem sempre as decisões serem justas.
Um dos momentos mais caricatos aconteceu no início desta semana. Depois de um drama com um repórter do Sacramento Bee, DeMarcus vem a público pedir desculpa pela atitude. Com uma nova oportunidade de se redimir, no jogo contra os Trail Blazers, o jogador consegue ser expulso e, de seguida, “des-expulso”. O que quero dizer é: o número 15 é acusado de cuspir para o banco da equipa de Portland e, consequentemente, é expulso. Mais tarde, os árbitros, ao verem a repetição, concluem que Cousins “cospe” a proteção da boca, acidentalmente, e deixam-no retornar ao jogo. Ótima notícia para o jogador, que estava a realizar uma excelente partida. O jogo acabou com os Sacramento a vencerem os Blazers, com uns fantásticos 55 pontos marcados por DeMarcus. Se isso foi motivo de felicidade para o poste? Não. No final do jogo, apenas mostrou frustração e revolta pela expulsão “injusta”. Mais uma vez, Cousins sente-se “injustiçado”: “É ridículo. É óbvio o que está aqui a ser feito. Acontece todas as noites. Espero que o mundo agora consiga ver o que realmente se passa aqui. Começa a ser ridículo. É completamente ridículo. Sim, [perder a proteção da boca foi acidental], “meu”. Sim. Isto é ridículo. Ridículo.”
Cousins é um dos melhores postes da NBA Fonte: usatoday
O talento e o caos, quando se fala de DeMarcus Cousins, andam sempre de mãos dadas. A questão que agora se coloca é: deverão os Sacramento continuar a “forçar” a relação com o camisola 15? Acho que está à vista de todos que os Kings não podem dar mais nada ao seu jogador, tal como este não pode dar mais nada à equipa. Talvez fosse altura de Cousins respirar novos ares, arejar as ideias e, quem sabe, ganhar algum juízo. Mas quem o quererá? Quem terá coragem de pegar nesta bomba-relógio imprevisível?
O quanto se ganharia se o talento viesse sempre com juízo agarrado…