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AS Roma: uma ameaça real?

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Cabeçalho Liga Italiana

Há, no futebol italiano, desde as últimas temporadas, uma questão de partida que não tem sido respondido da forma mais assertiva. Afinal, há alguma equipa em Itália, capaz de parar esta onda vitoriosa da Juve? As respostas variam. Os gigantes de Milão eclipsaram-se no início do reinado da vechia signora, e agora, tentam aos poucos recuperar tempo perdido. O Nápoles de Sarri mordeu os calcanhares na época passada mas, no início desta temporada, perdeu Higuaín … para a Juve. Para fazer frente à penta-campeã é preicos competência e muito talento. Não sabemos se a Roma – sim, é mesmo a personagem principal deste texto – tem condições para ser campeã, porém, deve sentir-se na obrigação de fazer frente à senhora do futebol italiano.

Quando Spaletti retornou à Roma, muitos pensaram que estava encontrada a solução para a irregularidade romana. Tanto talento, tanta experiência – veja-se Totti e De Rossi – mas sem resultados práticos. Spaletti entrou com estre propósito: colocar a Roma no “barulho das luzes”. E conseguiu, em parte. A Roma voltou a ser uma equipa temida em Itália e Spaletti aproveitou todo o talento, presente em todos os sectores, para tornar a Roma uma equipa pujante em termos ofensivos e minimamente segura em termos defensivos.

Strootman e Naingollan enchem o meio-campo romano Fonte: A.S. Roma
Strootman e Naingollan enchem o meio-campo giallorossi
Fonte: A.S. Roma

À partida para esta temporada, esperava-se que a equipa da cidade eterna pudesse confirmar em campo todo o crescimento evidenciado na segunda metade da temporada passada. A primeira amostra esteve longe de ser positivo. Apesar de todo o mérito do Porto de Nuno, a forma como a Roma foi eliminada da Champions deixava antever um futuro pouco risonho. Não pela justiça ou injustiça da eliminação – o Porto foi durante mais tempo superior -, mas pelos erros infantis que a equipa cometeu. A falta de tarimba ali demonstrada deixava antever o pior.

A equipa, aos poucos, acabou por encontrar-se a todos os níveis (mental/físico/técnico/táctico). O treinador não se pode queixar de falta de opções. A Roma investiu neste Verão e trouxe mais artilharia pesada a juntar a um plantel com Totti, De Rossi, Dzeko, Salah, entre outros. A equipa com Spaletti esteve sempre mais confortável em termos tácticos num 4-3-3. Dentro do sistema base – a palavra base é para entender literalmente porque os sistemas são apenas bases -, o jogador mais importante da equipa é o belga Nainggolan. O médio é o responsável por ligar o jogo da equipa. Nainggolan oferece criatividade, objectividade e acima de tudo, poder de fogo na zona de decisão. Este ano com Paredes a aparecer também, a Roma ganha (ainda mais) força e criatividade no meio-campo.

No resto as opções são muitas e diferentes. Vermaelen e Fazio chegaram como reforços sonantes para a defesa, mas têm sido relegados para o banco de suplentes, em detrimento de Rudiger e Manolas. A menos que Spaletti inove – para não usar outro verbo – e coloque a equipa a jogar com uma defesa a 3. Felizmente para os romanos, o técnico foi a tempo de mudar para a estrutura habitual. Isso valeu a vitória contra a Lazio. Agora, para fazer frente à Juve, é só preciso mais uma coisa: regularidade. Aí, a ameaça, passará a ser (mais) real.

Foto de Capa: A.S. Roma

Os adversários da Champions analisados à lupa

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sl benfica cabeçalho 1

Apesar da derrota no último jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões frente ao Nápoles, o Benfica está apurado para os oitavos de final da competição e entre as 16 melhores equipas da Europa.

A equipa napolitana foi à Luz com os mesmos pontos que os encarnados e um empate entre os dois garantia, desde logo, o apuramento para a fase seguinte às duas equipas. Porém, a derrota colocaria o Benfica em terreno perigoso e só uma não vitória turca em Kiev conseguiria garantir a passagem das águias à fase seguinte.

O Dínamo de Kiev deu um empurrão ao Benfica ao ganhar por uns expressivos 6-0 frente ao Besiktas que segue para a Liga Europa, após queda com estrondo na Ucrânia. As águias agradecem, ficam a ocupar assim o segundo lugar da tabela e voam para primeira fase a eliminar do torneio. A equipa italiana, com a vitória na Luz garantiu o primeiro posto, com 11 pontos, mais três do que o Benfica.

Com as contas feitas aos grupos desta edição da liga milionária, aqui ficam os vencedores de cada grupo e possíveis adversários do Benfica na próxima fase (à exceção do Nápoles que partilhou grupo B com a equipa encarnada):

Arsenal FC (ENG);

SSC Nápoles (ITA);

FC Barcelona (ESP);

Club Atlético de Madrid (ESP);

AS Mónaco FC (FRA);

Borussia Dortmund (GER);

Leicester City FC (ENG);

Juventus FC (ITA).

Em Segundo lugar do grupo ficaram:

Paris Saint-Germain FC (FRA);

SL Benfica (POR);

Manchester City FC (ENG);

FC Bayern de Munique (GER);

Bayer 04 Leverkusen (GER);

Real Madrid FC (ESP);

FC Porto (POR);

Sevilla FC (ESP).

Uma das sete equipas que venceu o grupo irá defrontar o Benfica na Luz nos longínquos dias de 14/15 ou 21/22 de fevereiro, calendário da primeira mão dos oitavos de final. A segunda mão será jogada em casa de um dos primeiros classificados.

Em primeira análise, é de realçar que existem duas equipas do país vizinho no encalce do Benfica para a próxima fase e mais duas no mesmo lote que os encarnados. Os espanhóis continuam as suas grandes exibições nas competições europeias e são o país mais representado nos oitavos da Champions.

De seguida, o voo das águias ainda pode aterrar em solo inglês, francês, italiano ou germânico. Estes são os únicos países que estão representados nesta edição da competição, além de Portugal.

Em modo de antevisão ao sorteio da próxima sexta-feira, será feita uma análise individual às formações que podem ser sorteadas em conjunto com o clube encarnado português.  

SC Braga 2-4 FK Shakthar Donetsk: Coça a cabeça, coça…

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liga europa

Terminou o caminho europeu do Braga esta época. Depois da derrota frente a um super Shakhtar de Paulo Fonseca, que até rodou algumas unidades neste último encontro, só faltava mesmo aquela pontinha de sorte que tem faltado e levado ao desespero a massa associativa bracarense. Essa pontinha calhou ao Gent, que venceu fora de portas o Konyaspor nos últimos instantes do encontro, podendo agora desfrutar da fase a eliminar. Posto isto, os bracarenses saltam fora do lote dos europeus enquanto que Gent e Shakhtar seguem rumo à conquista da Liga Europa. Agora são as provas internas que contam para poder perceber realmente qual o potencial escondido desta equipa. Pessoalmente, acredito que o Braga é capaz de dar alegrias, mas penso que estas serão muito difíceis de alcançar. Vamos continuar juntos a acreditar. Isso sim é o mais importante. Mesmo com o orgulho ferido, lutaremos.

Tarde de feriado agradável e repleta de pessoas que preenchiam da melhor forma os corações de quem joga e de quem acredita que é possível chegar longe. Um ambiente que ainda não tinha sido sentido esta época em Braga. Estádio composto e com uma atmosfera bem criada. Perante este cenário, todos merecíamos uma vitória, independentemente do adversário. Não aconteceu. A tarefa era difícil e as exibições europeias do Braga esta época ficaram muito aquém do desejado.

O empates frente ao Gent e Konyaspor fora de portas foram uma clara demonstração de que o caminho seria muito difícil de seguir. Mas entrando na questão essencial, e o jogo? O jogo foi agradável até ao primeiro golo dos ucranianos. O Braga esteve por cima e a pressionar bastante na frente. Mas não de forma muito eficaz. É certo que não é fácil conquistar a bola nestas zonas do terreno, mas se a pressão for bem feita o esférico chega a raspar no pé. Ricardo Horta e Wilson Eduardo sempre inconformados na busca incessante do esférico, enquanto que André Pinto e Vukcevic estiveram seguros, permitindo à equipa expor-se e espalhar-se no plano ofensivo, dando segurança lá atrás com vários cortes providenciais e bolas bem colocadas lá na frente. As coisas iam-se compondo até o Shakhtar fazer o golo. Canto marcado juntinho à pedreira, para o frio golpe de cabeça de Kryvtsov. Um zero aos vinte e dois minutos sem grande mérito ucraniano.

Após o golo, os visitantes cresceram, mostrando que em ritmo de peladinha e com as segundas linhas sabem jogar bem. Taison soube concluir o passe de Marlos para ampliar a vantagem. Estava feito o dois a zero no marcador. Algumas incursões do Braga pelo meio campo, com vista a encontrar alguém, foram acontecendo, mas não eram o suficiente face ao adversário que do outro lado se encontrava. Até aqui, ninguém em Braga tinha desistido de dar a volta, apesar do resultado desfavorável que se via e do jogo insuficiente dos bracarenses. Mas foi com toda a crença e vontade que o Braga reduziu antes do tempo de intervalo. Stoijilikovic finaliza, de cabeça, um golo muito festejado pelos minhotos. Ricardo Horta muito bem a abordar o lance e a assistir. Dois para um e chegava ao fim a primeira parte no estádio municipal de Braga. Quinze minutos para pensar no que fazer para dar a volta ao resultado. Coça a cabeça, coça…

Fonte: SC Braga
Fonte: SC Braga

Começou a segunda parte e, com isso, vieram ao de cima as falhas do Braga. Entrada fraca e sem ímpeto que, depois do Shakhtar refrescar as unidades, viria a resultar no terceiro golo para os de fora. Sessenta e dois minutos, novamente Kryvtsov a escrever o seu nome na lista dos marcadores. Eram três os golos dos ucranianos e a tarefa era quase impossível. Foi este o momento chave do jogo. O terceiro golo e as mexidas na equipa por parte de Paulo Fonseca. Os recém entrados souberam gerir  e pautar bem as ocasiões de quando atacar e defender. Chegou ainda um quarto golo da autoria de Taison, que, numa corrida desenfreada, soube fazer mais um por entre as pernas de Marafona. Jogo cada vez mais quente e com ânimos muito exaltados, que só haveriam de resfriar um pouco já bem depois das mudanças na equipa da casa. Também essas foram contestadas e somente no final Vukcevic teve o prémio pela boa exibição. Quatro para dois, terminava o jogo em Braga com a vitória dos ucranianos. Mas a notícia mais grave chegou já depois da hora: o Gent marcava na Turquia ao cair do pano, retirando todas as possibilidades aos minhotos de seguir em frente. Acabou o sonho europeu que, na verdade, pouco durou. É o que dá correr atrás do prejuízo e não da bola. Coça a cabeça, coça…

Não acredito em Simeone

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Cabeçalho Liga Espanhola

O Atlético de Madrid está em crise. Nos últimos seis jogos da liga espanhola, venceu apenas dois, empatou outro e somou três derrotas. Os “colchoneros” ocupam neste momento a quarta posição e o cenário ainda se pode agravar mais dado que, na próxima segunda-feira, visitam o Villarreal, que tem apenas dois pontos de atraso. Mais: se a Real Sociedad e o Athletic de Bilbao vencerem os seus jogos, o Atlético de Madrid pode cair para o sétimo lugar.

Este é o pior início de campeonato do Atlético desde a chegada de Simeone e surge, curiosamente, no ano em que o clube parecia ter dado um passo à frente, ao assumir-se como candidato ao título. É que, este ano, o Atlético não vendeu nenhum dos seus jogadores importantes, ao contrário do que aconteceu em todos os anos anteriores, como nos casos de Arda Turan, Diego Costa, Filipe Luís (entretanto regressado), Courtois, Falcao, De Gea ou Agüero. E, além de ter resistido às vendas, Simeone ainda viu Kevin Gameiro, Gaitán e Vrsaljko reforçarem as suas opções.

O início não foi fácil, com dois empates consecutivos no campeonato, mas o Atlético conseguiu, depois, uma brilhante sequência de seis jornadas, em que venceu cinco jogos, incluindo goleadas a Celta (0-4), Sporting de Gijón (5-0) e Granada (7-1), e concedeu apenas um empate, frente ao Barcelona, no Camp Nou. Nessa altura, cheguei a ver programas de televisão em Espanha em que se discutia se esta seria a melhor equipa que Simeone já tinha treinado. Muitos defendiam que sim, até que, de repente, chegou a crise de resultados atual.

Griezmann já não marca há sete jogos para o campeonato Fonte: Atlético de Madrid
Griezmann já não marca há sete jogos para o campeonato
Fonte: Atlético de Madrid

As difíceis deslocações aos terrenos de Sevilha e Real Sociedad terminaram em derrota, assim como a receção ao Real Madrid, e a boa fase do Atlético parece já distante. Griezmann atravessa um mau momento (não marca há sete jogos para o campeonato) e Simeone, depois do empate frente ao Espanyol, na última jornada, pediu tranquilidade: “O objetivo é ser terceiro”.

De facto, olhando os orçamentos de Real Madrid e Barcelona, o terceiro lugar é um objetivo realista e ninguém poderá apontar o dedo ao treinador argentino por ficar atrás dos dois gigantes do futebol espanhol. Ainda assim… Não acredito em Simeone. Ele ambiciona mais que o terceiro lugar, claro. Está a nove pontos do Real Madrid, mas a apenas três do Barcelona, que é segundo classificado, e ainda nem chegámos a meio do campeonato. “Nunca dejes de creer” é um dos lemas que os atléticos gostam de repetir e que Simeone segue à risca. Outro treinador ficaria satisfeito com o terceiro lugar; Simeone não.

O que Simeone pretende é baixar as expectativas que estavam criadas para esta época e voltar ao estatuto de underdog em que tão bem se sente. Na Liga dos Campeões, acaba de qualificar-se como primeiro num grupo em que estava o Bayern de Munique. No campeonato, há que baixar as expectativas para subir na classificação. É esse o plano e, aí, acredito plenamente em Simeone. Só mesmo ele para conseguir que o Atlético compita ano após ano com Real e Barça.

Foto de capa: Atlético de Madrid

Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho

Vamos a contas na NBA

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Cabeçalho modalidadesCom cerca de dois meses de campeonato, vamos espreitar a tabela da maior liga de basket do mundo. Não há grandes surpresas no topo da tabela em nenhuma das conferências.

Na Conferência Este, temos os Cavaliers a liderar a tabela, no entanto, a equipa de LeBron andou tremida e somou três derrotas seguidas. Entretanto, recuperaram e venceram os últimos dois jogos contra os Knicks e os Raptors.

Falando na equipa de Toronto, estes ocupam a segunda posição, contando apenas com uma derrota nos últimos cinco jogos – precisamente contra os Cleveland.

Em quinto lugar, aparecem os Bucks, que estão a fazer uma época minimamente interessante, em que nos últimos cinco jogos perderam apenas um.

Logo a seguir aparecem os NY Knicks, em sexto lugar. Neste momento, encontram-se em posição de apuramento para os playoffs e assim se espera que seja até ao final da temporada. Nos últimos cinco jogos, a equipa de Carmelo Anthony só perdeu contra os campeões.

O Este tem subido de nível Fonte: Latinpost
O Este tem subido de nível
Fonte: Latinpost

Como seria de esperar, os Golden State Warriors lideram na Conferência Oeste, já com 19 vitórias e apenas três derrotas (uma delas pós-prolongamento). Aliás, a derrota pós tempo regulamentar foi precisamente contra os Rockets, no passado dia 2.

Em segundo lugar, aparecem os San Antonio Spurs, que, após a derrota com os Orlando Magic, venceram os quatro jogos seguintes.

Na quarta posição, aparece outra equipa Texana: Houston Rockets. Com quatro vitórias seguidas, uma delas contra os Warriors e outra um arraso total sobre os Lakers, perspetiva-se o melhor. Os homens de Mike D’Antoni têm tudo para brilhar (ainda mais).

Em sexto, temos os OKC. Após um pequeno desastre, no qual a magia de Westbrook não foi suficiente, a equipa conseguiu regressar às vitórias e não perde há seis jogos.

Por fim, queria dar destaque à equipa de Portland. Os Blazers encontram-se, neste momento, no oitavo lugar, tendo, por isso, acesso aos playoffs. Não vai ser fácil manter a posição, mas acredito que esta é uma equipa capaz de o fazer.

Com o Natal a aproximar-se, aproxima-se também um dos mais emocionantes e imperdíveis dias da NBA. Desde Cavaliers – Warriors até Clippers – Lakers. É um dia que ninguém quererá perder.

Foto de capa: sbnation

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Premier League: Antro de imprevisibilidade

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Cabeçalho Liga Inglesa

Minuto 75’: O Liverpool vencia o Bournemouth por 3-1 e caminhava para uma vitória tranquila que lhe permitia continuar colado ao Chelsea, líder do campeonato. Minuto 90+5’: O árbitro apita para o final da partida e o Bournemouth vence por 4-3. Mais uma reviravolta épica num jogo do principal escalão inglês, um fenómeno que se repete várias vezes por época. Para alguns, um fenómeno que faz da Premier League a melhor liga do mundo. Para outros, que faz da mesma uma liga selvagem taticamente e que lhe retira alguma.

A verdade é que esta imprevisibilidade pode suscitar várias interpretações. Em termos de emoção, é indiscutível que a Premier League está um nível acima de todas as outras. Todos os anos se assistem a várias remontadas épicas que perduram por muito tempo na memória de qualquer adepto da modalidade. O campeonato é muito disputado e há dois fatores que me parecem decisivos para tamanha competitividade: a própria mentalidade inglesa de nunca deixar de acreditar – os adeptos são fantásticos no apoio à equipa e nunca desistem do jogo; e, principalmente, o facto de ser a liga que mais receitas gera a nível mundial.

É universal que o dinheiro gera poder de compra e de atração, e no futebol, a Liga Inglesa é o melhor exemplo disso. São absolutamente astronómicas as verbas que qualquer clube – mesmo os recém-promovidos – recebe de direitos televisivos quando comparadas com as restantes ligas europeias. Os investidores sabem que é a liga que atrai mais jogadores de classe mundial, que consequentemente proporcionam melhores espetáculos, tornando o produto mais apetecível para quem investe. Tudo isto acaba por ser uma bola de neve e é por isso que os clubes ingleses têm aumentado a qualidade dos seus plantéis de ano para ano. Uma liga onde o último pode ganhar ao primeiro e ninguém fica muito chocado com isso, conferindo a tal competitividade que faz deste campeonato tão especial.

Bournemouth assinou reviravolta (1-3 para 4-3 em 15 minutos) memorável no passado fim-de-semana Fonte: AFC Bournemouth
Bournemouth assinou reviravolta (1-3 para 4-3 em 15 minutos) memorável no passado fim-de-semana
Fonte: AFC Bournemouth

No entanto, este equilíbrio tem o reverso da medalha. O que para muitos é competitividade e imprevisibilidade, para outros é alguma anarquia e uma certa rebeldia tática. Muitos apontam a La Liga como a melhor liga europeia, onde se pratica o melhor futebol e toda a envolvência do jogo é muito mais trabalhada por todos os seus intervenientes. Esta rivalidade é bastante discutida por muitos dos amantes do desporto-rei, embora seja uma discussão sem um possível consenso final. A Premier League ganha um brilho especial pelo seu futebol empolgante e pela sua emoção, a La Liga por ter duas das três melhores equipas do mundo e os dois melhores jogadores do planeta – leia-se Real, Barça, Ronaldo e Messi, respetivamente – e por ter um futebol de mais recorte técnico e mais trabalhado.

Para os adeptos, que querem é ver golos, reviravoltas e incerteza no resultado, a escolha da Premier League será sempre o caminho mais fácil, embora para os treinadores e para alguns adeptos que gostem mais de ver o futebol pelo seu lado tático, esta anarquia seja facilmente criticável e até inexplicável dado o quadro de treinadores que atualmente existe em Inglaterra – muitos deles de classe mundial.

Foto de capa: Premier League

Bipolares, somos nós, somos nós…

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sporting cp cabeçalho 2

Ora bem, e agora que acabou a nossa participação na Champions e nas competições europeias, já posso perceber o que correu mal.

Sim, agora que acabou vai ser muito mais fácil perceber o que poderia ter sido feito de diferente. Sim, agora é fácil. Difícil é decidir antes de tudo acontecer, antes de saber que aquela vai ser a melhor táctica, ou aquele vai ser o melhor jogo para jogar determinado jogador, ou aquele jogador não pode jogar porque vai falhar de baliza aberta. É por isto que os grandes comentadores desportivos nunca seriam grandes treinadores, nem sequer têm essa ambição por saberem que não têm os skills, senão os de avaliar e criticar as decisões de outros.

Digo isto dos comentadores, posso dizê-lo também do comum adepto que tem agora o poder de se fazer ouvir por muita gente, tendo unicamente de vir escrever algo para uns amigos, que por sua vez os partilham com mais amigos, e de uma forma exponencial se faz ouvir por umas centenas ou milhares. Eu também o faço, e não critico a situação, simplesmente estou a constatá-la. Pois bem, concentrando-me nos adeptos sportinguistas, devo dizer que se pode chegar a uma de duas hipóteses. Ou estes adeptos são bipolares, ou simplesmente os que criticam só aparecem nos momentos menos bons.

Passo a explicar. Desde o início da época, a equipa do Sporting teve alguns percalços que permitiram o distanciamento da equipa que se encontra no primeiro lugar, e aí começaram a aparecer os agoirentos, dizendo que nunca mais conseguiríamos chegar ao primeiro lugar, e em cada novo empate surgiam manifestações digitais contra equipa, treinador e/ou presidente, querendo  despedir  toda a gente (seria uma bela continha pagar as cláusulas dos contratos de toda esta gente).

No fim de semana passado, como que por milagre (diriam os tais agoirentos que tinham a certeza que nunca mais teríamos hipótese de lutar pelo título) ficámos com o primeiro lugar ao alcance.  Então, logo após a nossa vitória contra o Vitória de Setúbal, aparece uma nova manifestação de euforia, de louvor a tudo e todos, a uma equipa que passava a ter agora o melhor treinador do mundo, uma equipa recheada de jogadores candidatos a bolas de ouro… e um presidente que tinha tudo para ser o maior, até a ganhar processos atrás de processos que lhe vão sendo interpostos.

KP Legia Varsóvia 1-0 Sporting CP: Uma exibição fraca e o adeus à Europa

sporting cp cabeçalho 1

O Sporting CP deslocou-se à gélida Varsóvia, na Polónia, com os olhos postos na Liga Europa e perdeu com uma equipa que não ganhava na competição desde 1995 e que na actual edição já levava 24 (!!) golos sofridos, a um golo de bater o recorde negativo da Liga dos Campeões, e diz desta forma adeus às competições europeias na época 2016/2017.

Os leões entraram em campo com Paulo Oliveira a defesa direito, Bruno César como uma espécie de ala direito e Markovic e Gelson deambulando nas costas de Bas Dost.
As condições do terreno não eram as melhores, nem poderiam ser, dado o clima que se faz sentir neste momento na Polónia… Temperaturas constantemente negativas, neve e muito gelo.

Relvado, portanto, pesado e extremamente escorregadio. A certa altura da partida, denotei um relativo receio dos jogadores do Sporting em “meterem o pé” ou arriscarem em duelos físicos. O dérbi esteve de facto bastante presente, eventualmente, no sub-consciente da equipa verde e branca.

O jogo em si não tem muita história para contar… O Sporting acabou por dar cerca de 60 minutos de avanço aos polacos e, quando tentou de facto mudar o rumo dos acontecimentos, sucederam-se as oportunidades falhadas.

Depois da boa exibição de Lisboa, o pesadelo de Varsóvia Fonte: Sporting CP
Depois da boa exibição de Lisboa, o pesadelo de Varsóvia
Fonte: Sporting CP

O Legia de Varsóvia chegou ao golo da vantagem através do brasileiro Guilherme ao fim de meia hora de jogo, e dispôs também de algumas ocasiões para aumentar a vantagem.

Do lado do Sporting, André teve, já na ponta final do encontro, o golo nos pés duas vezes, mas não encontrou o caminho da baliza dos polacos, e de facto a maioria das oportunidades que foram surgindo foi sendo sempre bastante inconsequente.

O árbitro acabou por ter alguma influência no resultado, ao não assinalar uma claríssima mão dentro da área do Legia e consequente grande penalidade a favor dos leões, embora isso não deva servir de desculpa para o resultado obtido, pois, sem dúvida, os grandes culpados foram os jogadores e também a equipa técnica.

O Sporting despede-se assim da Europa nesta época, podendo então dedicar-se exclusivamente às provas internas, algo de que Jorge Jesus tanto gosta.

FC Porto 5-0 Leicester CFC: Não há fome que não dê em fartura

fc porto cabeçalhoJogo decisivo esta noite no Dragão. O FC Porto decidiu o apuramento contra o Leicester, que já estava nos oitavos-de-final.

Os Dragões apresentaram uma alteração no onze inicial – Brahimi entrou para o lugar do lesionado Otávio. Já do lado do Leicester houve mais alterações, uma vez que este jogo não era decisivo para os campeões ingleses.

Nuno Espírito Santo apresentou o tradicional 4-4-2, com Danilo a médio defensivo, Oliver a fazer de pêndulo e Brahimi e Corona a darem largura ao ataque. A equipa portista teve sempre bastante profundidade no jogo, pois Brahimi é um ala, ao contrário de Otávio (ainda que com tendências para jogar pelo interior), e Corona está em grande forma, o que garante que o seu lado direito seja bastante procurado pelo ataque. O Leicester apresentou também 4-4-2 – sem o losango a que os portugueses habitualmente recorrem – com Drinkwater como patrão do meio-campo.

Os azuis e brancos começaram o jogo confiantes, com a bola a circular sem grande dificuldade de flanco para flanco, e aos seis minutos fizeram, no primeiro canto, o golo inaugural. Por vezes tão difícil,  por vezes tão fácil – assim é o futebol. Com a confiança mais reforçada o Porto continuou a carregar no frágil Leicester, e de pouco lhe valeu tentar subir as linhas, visto que a falta de rotina dos jogadores ingleses tornava o seu jogo sofrível. A pressão portista deu frutos mais uma vez com Corona a marcar um grande golo depois do cruzamente de Alex Telles. Na Bélgica o Copenhagen ganhava também por 2-0, o que concedeu a este segundo tento uma importância extra e um novo alívio nas bancadas. A certeza de que os oitavos-de-final não fugiam veio do calcanhar do argelino Brahimi (como não lembrar o grande calcanhar do argelino Madjer em Viena?), que também está em grande forma. Do Leicester só Schlupp tentou criar algum perigo; muito pouco do campeão inglês na primeira parte.

A coesão defensiva portista começa em André Silva e Jota, que garantem pressão logo à saída de bola do adversário, e a equipa coesa a defender torna-se uma equipa coesa a atacar, com o adversário a perseguir o carrossel portista que Oliver Danilo e Jota potenciam com qualidade de recepção e passe até surgir uma aberta na defesa adversária.

Uma exibição de alta qualidade frente ao campeão inglês Fonte: FC Porto
Uma exibição de alta qualidade frente ao campeão inglês
Fonte: FC Porto

A segunda parte começou com duas alterações do Leicester: Schlupp e Musa por Albrighton e Ulloa. De pouco valeram as alterações, já que o Porto continuou a passear o seu futebol com o equilibrio atacante a surgir de três peças fundamentais no jogo portista – Danilo, Oliver e Diogo Jota. Na defesa Marcano e Felipe estão imperiais e são ajudados por uma equipa que se tem apresentado coesa quando perde a bola.

Aos 64 minutos acontece o quarto tento portista, André Silva marca de grande penalidade (outra vez para o lado direito) e quebra a “malapata” do castigo máximo. Jota aos 77’ coloca o ponto final no marcador, num golo merecido pela qualidade que emprestou ao golo e ainda apontamento para a estreia de Rui Pedro na Liga dos Campeões. Da equipa de Ranieiri apenas um ou outro fogacho que Casillas ou o desacerto inglês resolveram.

Não há fome que não dê em fartura e hoje houve golos para todos os gostos. O Dragão precisava de uma noite assim. As notas finais ficam para a consistência defensiva que o Porto apresenta, que resulta em poucos golos sofridos e num ataque mais ou menos constante pautados por uma boa circulação de bola a nível do meio-campo. Esperemos que não volte a maldição da ineficácia e que o Porto se torne mais concretizador, tal como aconteceu neste jogo.

Força da Tática: O SSC Napoli de Maurizio Sarri

força da tática

Ponto prévio: Maurizio Sarri é, provavelmente, o melhor treinador italiano da atualidade, sendo o único que domina os quatro momentos de jogo (organização defensiva, transição defensiva, transição ofensiva, e organização ofensiva). Este trata-se, provavelmente, do verdadeiro herdeiro de Arrigo Sacchi, reconhecidamente um dos melhores treinadores da história do futebol.

O SSC Napoli, partindo de um sistema de 4-3-3 com um pivô no meio campo e dois médios interiores, trata-se de um dos mais entusiasmantes projetos futebolísticos da atualidade. Ainda assim, parece claro que falta à equipa alguma qualidade individual em determinadas posições, sem a qual os resultados dificilmente refletirão a verdadeira qualidade das ideias do seu treinador.

Na defesa a quatro, à frente de Pepe Reina, destaca-se Kalidou Koulibaly, certamente um dos melhores defesas centrais do mundo. Com o senegalês em campo é garantido que a fase de construção se liga, com qualidade, com a criação. Neste particular o SSC Napoli trata-se de uma das melhores equipas da atualidade, sendo que a utilização da dinâmica do terceiro homem se revela preciosa nesse momento. Porém, é Koulibaly quem alia à sua capacidade posicional um tremendo conforto para ligar o jogo, em passe vertical, com os médios ou os avançados. Muitas das vezes esse passe é feito por dentro do bloco adversário com o objetivo de ligar o jogo com quem surge entre linhas.

Koulibaly é uma peça-chave na equipa Fonte: Facebook Oficial de Coulibaly
Koulibaly é uma peça-chave na equipa
Fonte: Facebook Oficial de Coulibaly

É esta dinâmica que permite ao SSC Napoli adotar posicionamentos mais ofensivos em campo, ou seja, que permite que os médios interiores não tenham que baixar no terreno para pegar no jogo desde trás, mantendo-se mais próximos das zonas de definição das jogadas onde estes podem ser, efetivamente, mais perigosos. Koulibaly frequentemente realiza passes verticais que ultrapassam, desde logo, um número significativo de adversários e atraem alguns dos opositores da linha defensiva. O apoio frontal liga então com um médio que fica de frente para o jogo e com possibilidades de explorar a profundidade, sobretudo depois do desequilíbrio que é causado pelo arrastamento dos defesas.