Início Site Página 12286

Bulgária – A tarefa hercúlea de Ivaylo Petev

0

internacional cabeçalho

Apesar de não ser uma presença constante nos grandes palcos do futebol europeu e mundial (especialmente durante a última década), a Bulgária já deu muito à modalidade, quer pelos seus clubes, quer através das suas outrora talentosas selecções nacionais. Faz seguramente parte da memória de todos nós a grande equipa búlgara que participou no Mundial de Futebol de 1994 nos EUA, da qual faziam parte jogadores extraordinários como Hristo Stoichkov, Krassimir Balakov, Yordan Lechkov, Borislav Mihaylov e Emil Kostadinov, entre outros.

Pela mão do lendário Dimitar Penev, tio do antigo internacional búlgaro Lyuboslav Penev, a selecção do leste da Europa, que começou como um pária (uma vez que havia apenas conseguido o apuramento no último jogo da fase de qualificação, a expensas da selecção francesa e com dois golos do nosso bem conhecido Emil Kostadinov), atingiu as meias-finais do torneio deixando para trás a Alemanha e caindo apenas aos pés de uma Itália liderada pelo virtuoso número 10 azzurri, Roberto Baggio.

A “Geração de Ouro”, como viria a ficar conhecida essa talentosa equipa, e os tempos de prosperidade do futebol búlgaro foram perdendo tenacidade e o fulgor que lhe haviam assegurado um lugar de destaque entre as potências do futebol mundial e, aos poucos, tudo se desvaneceu. As constantes mudanças de treinador e dos responsáveis pelo futebol búlgaro, associadas aos graves problemas de ordem financeira e social que o país atravessou e dos quais, diga-se de passagem, ainda não se libertou, condenaram o outrora poderoso futebol búlgaro a uma mediocridade arrepiante quer a nível nacional, quer no panorama além fronteiras.

Após ter falhado mais uma vez a presença no Mundial de futebol do passado Verão, a federação búlgara entendeu que deveria continuar a depositar confiança no seu treinador Lyuboslav Penev, que, apesar de ter feito um trabalho relativamente positivo na campanha de qualificação para o Mundial do Brasil, vinha já a perder o controlo da equipa há algum tempo e, em simultâneo, a sua relação com os jogadores estava também longe de ser a melhor.

Contudo, um empate embaraçoso em Sófia contra o modesto conjunto de Malta foi a machadada final no reinado de Lubo Penev à frente da selecção búlgara. Após esse jogo, que teve lugar em Novembro do ano passado e que deixou a Bulgária em muito maus lençóis no seu caminho rumo ao apuramento para o próximo Europeu de Futebol, a federação búlgara decidiu substituir o antigo goleador por um homem, de seu nome Ivaylo Petev, com um currículo bem mais modesto enquanto jogador profissional, mas que parece ter trazido um novo ânimo e alento àquela selecção dos Balcãs.

Ivaylo Petev – o homem responsável por reconstruir uma nova Geração de Ouro no futebol búlgaro Fonte: Facebook de Ivaylo Petev
Ivaylo Petev – o homem responsável por reconstruir uma nova Geração de Ouro no futebol búlgaro
Fonte: Facebook de Ivaylo Petev

Petev, um antigo médio que fez grande parte da sua carreira ao serviço do Litex Lovech, encontrou no papel de treinador a sua verdadeira vocação e, apesar de ser ainda bastante jovem (39 anos), conta já com um excelente palmarés, do qual fazem parte dois campeonatos búlgaros, uma supertaça e uma taça da Bulgária, enquanto comandante do Ludogorets Razgrad. O homem que trouxe o outrora desconhecido Ludogorets da segunda divisão para as luzes da ribalta foi humilhado por alguns adeptos do Levski Sofia, quando, em 2013, o director desportivo da equipa e antiga estrela do futebol búlgaro, Nasko Sirakov, o apresentou à comunicação social como novo treinador do clube, tendo sido praticamente “obrigado” a despir a camisola do Levski por alguns adeptos altamente descontrolados, que irromperam pela conferência de imprensa. Apesar de tudo o que lhe aconteceu, Petev é agora o responsável por trazer a Bulgária de volta aos grandes palcos do futebol europeu e mundial.

Nos dois jogos em que orientou a selecção búlgara, Ivaylo Petev não se saiu mal; pelo contrário, conseguiu um empate frente à Roménia e outro frente à tão aclamada Itália de Antonio Conte. Foi precisamente nesse jogo contra a squadra azzurra que esta “nova e revigorada” Bulgária puxou pelos galões e, após uma primeira parte de luxo, durante a qual o versátil avançado do Kuban Krasnodar (e possivelmente o melhor futebolista búlgaro da actualidade), Ivelin Popov, colocou a selecção italiana em sentido. Contudo, os comandados de Petev acabaram por consentir o empate nos últimos dez minutos da partida.

Ivaylo Petev, que, ao serviço do AEL Limassol, fez tremer o poderoso Zenit de André Villas-Boas durante a fase de qualificação para a Liga dos Campeões no início desta temporada, tem agora uma tarefa hercúlea nas mãos e vai seguramente necessitar de algum tempo para olear a máquina búlgara, que a morosidade do tempo enferrujou. Para completar essa tarefa com sucesso, Petev contará com o talento dos seus jogadores, que incluem o acima referido Ivelin Popov, Nikolay Mihaylov (filho do antigo guarda-redes búlgaro que passou pelo Belenenses e que esteve em grande nível no Mundial de 1994), Vladimir Gadzhev (médio centro de excelente qualidade e actual capitão do Levski) ou ainda Georgi Milanov, um jovem prodígio que faz actualmente parte dos quadros do CSKA Moscovo; contudo, e com alguma urgência, Petev precisa de trazer sangue novo para a equipa, de forma a levar a cabo a tão aclamada e necessária renovação que nunca chegou sequer a ser feita.

O tempo não volta para trás e jogadores com a genialidade de Georgi Asparuhov, Hristo Stoichkov ou Dimitar Berbatov não aparecem todos os dias, mas, num país que já deu tanto ao futebol, Ivaylo Petev, que já provou ser um treinador bastante capaz, irá certamente encontrar matéria prima para voltar a colocar a Bulgária, a curto ou a médio prazo, no lugar de destaque que esta merece.

Foto de Capa: Facebook dedicado ao futebol búlgaro

UFC Fight Night 64: Gonzaga vs Cro Cop II – A redenção de Cro Cop

0

cabeçalho ufc

Este UFC Fight Night, em Cracóvia, não estava destinado a ser bem sucedido. Apesar do combate principal ser entre dois históricos do MMA, pouco mais atraía neste cartaz. Nem o desfecho mais “desejado”, a redenção de Cro Cop, aumentou a excitação em torno do evento que, por falta de combates significativos no que toca a rankings e títulos das respectivas divisões, conquisto mais bocejos que aplausos. O facto de acontecer entre o Fight Night 63, encabeçado por Chad Mendes e Ricardo Lamas, e o Fight Night 65, protagonizado por Lyoto Machida e Luke Rockhold, dois importantíssimos nomes da categoria de Peso Médio, retirou-lhe a aura que a UFC pretendia.

O primeiro combate da noite foi, sem dúvida, um dos mais interessantes e relevantes do cartaz principal. Joanne Calderwood, a número 6 do ranking de Peso Palha feminino, e Maryna Moroz, estreante, procuraram fazer-se notar à UFC e à campeã Joanna Jedrzejczyk, que assistia das bancadas. Ambas estavam invictas à partida para o combate. Este decorreu de forma rápida: Maryna entrou agressiva e não mostrou medo do jogo em pé de Calderwood. Conseguiu, aliás, impor os seus strikes, encostando Calderwood à rede. Esta fechou um clinch, que foi contra atacado por Moroz, levando a adversária para a guarda e fechando, quase de imediato. Ao tentar fugir, Calderwood acabou por dar mais alavanca a Moroz, que aproveitou e obrigou a sua adversária a desistir aos 90 segundos da primeira ronda. Nos festejos, Moroz dirigiu-se à campeã e fez um gesto de cinto à volta da cintura. Moroz merece já uma oportunidade pelo título? Certamente que não, mas a divisão acabou de se tornar mais interessante.

Após a sua vitória sobre Calderwood, Maryna Moroz (na foto) prontamente desafiou a campeã Joanna Jedrzejczyk. Antevê-se um combate pelo título?  Fonte: UFC
Após a sua vitória sobre Calderwood, Maryna Moroz (na foto) prontamente desafiou a campeã Joanna Jedrzejczyk. Antevê-se um combate pelo título?
Fonte: UFC

O segundo combate foi um dos que mais bocejos arrancou ao público. Os meio médios Pawel Pawlak e Sheldon Westcott protagonizaram um combate com um teor bastante técnico e que decorreu junto à rede, durante a maior parte do tempo. À parte uma projecção e alguns golpes por parte de Pawlak, pouco mais se passou. Na segunda ronda, mais do mesmo, pelo que o árbitro por duas vezes teve de mandar os lutadores para o centro do octógono. À segunda, Pawlak percebeu a mensagem e mostrou-se mais agressivo. Levou a luta para o chão e castigou Sheldon a partir dos cem quilos. O polaco entrou com o mesmo espírito, mas a luta acabou por voltar para a rede. Westcott ficou fatigado e Pawlak aproveitou para levar a luta para o chão, novamente, e castigar mais um bocado Sheldon, que se limitou a aguentar até ao final. Vitória fácil, por decisão unânime, mas não vistosa para Pawel Pawlak. Terá de fazer melhor se ambiciona destacar-se nos rankings da UFC.

Num cartaz principal de apenas quatro lutas, o co-evento principal teve como protagonistas o número 9 do ranking de Peso Meio Pesado, Jimi Manuwa, que vinha de uma derrota contra Alexander Gustafsson, e um ícone dos desportos de combate polacos, Jan Blachowicz. Manuwa, apesar de Jan ter tido alguns rasgos, esteve sempre no controlo da luta. Ao longo das três rondas procurou sempre estar no centro do octógono, encurtando os espaços ao seu adversário. Fez uso dos seus fortes pontapés para desgastar o polaco e conseguir alguns pontos do júri. Na ultima ronda, Jan ainda assustou Manuwa com um pontapé alto, mas este rapidamente recuperou o controlo da luta, conseguindo algumas boas sequências e abrandando o ritmo através do clinch. No final, Manuwa venceu, justamente, por decisão unânime. Foi uma boa resposta à primeira derrota da carreira.

À altura do evento principal havia a sensação de que as coisas não iriam correr bem para Cro Cop. Este não era o mesmo desde a derrota no primeiro combate contra Gonzaga, derrota essa que veio por via de um pontapé alto, mesmo ao estilo do croata. Foi humilhante, sem dúvida. Cro Cop nunca teve muito sucesso na UFC, pelo que acabou dispensado em 2011. Fez mais algumas lutas em circuitos asiáticos, vencendo a maior parte delas – sem a espectacularidade de outros tempos, no entanto. Apesar de tudo, valeram-lhe um retorno à UFC e uma tão desejada desforra contra Gonzaga, número 14 do ranking de Peso Pesado, que lhe atirou a carreira para o seu momento mais baixo.

Cro Cop (por baixo) precisou de sofrer muito às mãos de Gonzaga (por cima) até conseguir arrancar uma vitória, na terceira ronda Fonte: UFC
Cro Cop (por baixo) precisou de sofrer muito às mãos de Gonzaga (por cima) até conseguir arrancar uma vitória, na terceira ronda
Fonte: UFC

Aos 40 anos, Cro Cop mostrou que ainda existe dentro dele algo semelhante aos tempos da Pride. Gonzaga castigou a lenda do MMA na primeira ronda, com destaque para a luta no chão, onde quase fechou uma chave de perna e acabou por terminar a ronda a desferir cotoveladas certeiras. Na segunda esquerda viu-se mais do dominador Gonzaga e o mesmo Cro Cop passivo. Mais uma vez, a maior parte do castigo a Cro Cop deu-se no chão. Para além das tentativas de submissão, Gonzaga desferiu feios golpes a Cro Cop, que terminou a segunda ronda com um visível e profundo golpe no sobrolho.

Foi na terceira ronda que o cenário mudou. Nesta ronda Gonzaga entrou mais lento, levou o combate para a rede e tentou a projecção. Após a falha, desferiu uma joelhada ao corpo de Cro Cop, mas deu-lhe espaço para conseguir a primeira grande sequência, que culminou numa cotovelada que abalou Gonzaga. Ainda que a risco, Cro Cop mandou-se para a guarda de Gonzaga, ignorando o seu poderio a nível de Jiu Jitsu, para trabalhar no ground and pound. Após alguns golpes, conseguiu passar a guarda e, do controlo lateral, desferir alguns socos martelo que obrigaram o árbitro a parar a luta, dada a incapacidade de defesa por parte de Gonzaga. Não foi a vingança, a redenção com que Cro Cop certamente sonhou (a vitória mais saborosa seria, de certeza, através do clássico pontapé alto), mas serviu para terminar o pesadelo de oito anos.

É certo que, com eventos destes, a UFC procura potenciar novos mercados, pelo que aposta em lutadores locais e de alto perfil para a cidade ou país em questão. Tem, no entanto, de ter em atenção que, com um evento principal deste calibre, um reviver de um clássico, o apoio dado pelas lutas que o precedem tem de ser mais forte, algo que não se consegue com lutas que pouco ou nada alteram no panorama dito principal da UFC. Fica, pois, a sensação de que Cro Cop e Gonzaga mereciam um palco maior.

Segue-se, já este Domingo, dia 19, o Fight Night 65, encabeçado por Lyoto Machida e Luke Rockhold. Fiquem atentos à análise no Bola na Rede.

Foto de Capa: UFC

Jogo Interior #8 – A excelência do simples – É complicado…

jogo interior

Sempre me fascinou o estudo e a compreensão da excelência: principalmente da excelência no Desporto em geral, e a do futebol e do futsal em específico. Já escrevi algumas coisas acerca da excelência mas é uma temática sobre a qual sei, com certeza absoluta, que nunca irei escrever tudo o que há para escrever. Assim como o CR7 tem a certeza de que nunca fará todas as fintas ou golos que há para fazer. Ou o Manuel Neuer tem a certeza de que nunca fará todas as defesas que há para fazer. Ou o Roger Federer tem a certeza de que nunca conseguirá todos os ases que há para conseguir. Ou mesmo o José Mourinho terá a certeza de que nunca ganhará todas as competições que haverá para ganhar.

Tem isto a ver com a excelência? Saber que seremos sempre uma obra inacabada e que haverá sempre tanto para aprender, e também para ensinar, é um dos caminhos que nos impulsiona para a excelência. Uma insatisfação positiva move-nos nesse sentido e sentimo-nos bem com isso; podemos é não percebê-lo. Dentro dessa insatisfação cabem todas as satisfações do mundo enquanto mestres executantes da tarefa para a qual estamos vocacionados. Ser treinador, atleta ou dirigente e trabalhar no Desporto, muitas vezes quase por carolice, outras vezes até profissionalmente, deverá ser uma missão.

O Desporto é uma escola onde nós recebemos sempre mais do que aquilo que damos, mesmo sendo treinadores. É uma escola de vida. Nesta escola de vida aprendemos tudo mas principalmente aprendemos que nunca iremos aprender tudo o que existe para aprender… Existe, principalmente para os treinadores, uma visão de que aquilo em que trabalham é muito complexo. Inclusive nos cursos de formação de treinadores aprendemos que devemos trabalhar com os nossos atletas partindo do simples para o mais complexo. Em conversas com muitos colegas treinadores algumas vezes ouço a expressão “é complicado”, quando se referem ou à sua equipa, ou à sua classificação, ou aos seus resultados. O que todos parecem não perceber é que aquilo em que pensamos é o que dizemos, mas quase sempre acreditamos naquilo que pensamos. Isto é um grande erro. Não devemos acreditar em tudo o que pensamos. Isso é estúpido. Constantemente criamos crenças limitadoras e desnecessárias, que nos condicionam nas nossas actividades e relacionamentos. E complicamos. Por vezes muito.

Uma vez, julgo que num seminário de futebol em que estive presente, o mister Manuel Cajuda lançou uma frase de que nunca mais me esquecerei:

“Se é tão simples complicar, para quê simplificar?”

Óbvio que é uma ironia. Uma excelente ironia que remete para a nossa grande capacidade de complicar ou de gostar mais do complexo porque é o que dá “pica”. É natural que exista uma fase das nossas vidas em que temos uma maior orientação para o complexo, o elaborado, o estruturado, o organizado. No entanto, numa era em que todos trabalham, quer no desporto, quer noutra profissão, quer mesmo na família e nas relações, em complexidade, porque a realidade actual é mais intrincada, veloz e carregada de pressa, na minha perspectiva quem acaba por se tornar excelente é quem faz do simples a sua arte. Quem utiliza o complexo para chegar ao simples e ter sucesso a partir daí. Aqui é natural que ao leitor surja o pensamento: “Xiii! Isso é complicado!”.

Fonte: DR
Fonte: DR

Há uns tempos estive numa formação com o Seleccionador Nacional de Futsal Jorge Braz e o mister Paulo Tavares (treinador do SC Braga), que alertaram para algo que está a acontecer há já algum tempo e de que eles se têm vindo a aperceber, inclusive com a regular chamada de novos jogadores à selecção, quer A, quer sub-19. Estes atletas entendem muito bem o jogo, os princípios gerais, as metodologias de treino, os modelos, as tácticas, etc., mas na execução têm défice em princípios mais básicos. A que conclusões chegaram, e que podem parecer espantosas para muitos, sendo estes factos até transversais às outras modalidades?

Desde o nível mais básico ou elementar de desempenho, ou seja, desde os 10/11 anos, a maior concentração de atenção e foco do treinador vai para (partindo do princípio de que, tal como abordado num artigo anterior, o foco não é nos resultados) os processos tácticos, descurando um pouco os processos técnicos individuais. Claro que os atletas vão crescendo perante o jogo, podendo até ser talentosos e entendê-los, mas quando chegam ao nível de especialização, mais precisamente ao nível de alta competição internacional, não conseguem ganhar competições porque o grau de preparação é ainda inferior ao de outras selecções.

A exemplar referência ao básico, ao simples, aqui, vai ao encontro do que escrevi anteriormente. Só conseguiremos ser excelentes, por exemplo, vencendo um campeonato europeu ou mundial, em qualquer modalidade, quando entendermos que o que é complexo está dependente do que é simples, e que é preciso primeiro, desde cedo, trabalhar o simples até quase à perfeição. É esse simples individual perfeito que fará com que o complexo, que apesar de tudo é natural e existe em tudo, seja de longe mais consistente e evolua de forma a que nos tornemos excelentes.

Por isso, quando nos ensinam a trabalhar do mais simples para o mais complexo, devemos reflectir sobre se não estaremos a dedicar pouco tempo e poucos recursos ao simples e fundamental, dando mais importância àquilo que é mais elaborado e que achamos que dá mais “pica”… É complicado!

Foto de capa: Mirror.co.uk

ABC ganha, Benfica perde, mas final portuguesa é possível

0

cab andebol

As duas equipas portuguesas presentes nas meias-finais da Challenge Cup tiveram sortes diferentes nos jogos deste fim-de-semana, mas os resultados deixam em aberto a possibilidade de uma inédita final lusitana numa prova internacional de andebol, neste caso na terceira prova de clubes mais importante da Europa, cujo troféu apenas uma equipa portuguesa já ergueu (o Sporting, em 2010).

ABC vence Stord e está bem posicionado para chegar à final

O ABC de Braga ganhou este sábado aos noruegueses do Stord por 25-18 e, no próximo domingo, desloca-se à Noruega para gerir a vantagem de sete golos e tentar chegar pela segunda vez na sua história a uma final da Challenge Cup.

Com o pavilhão Flávio Sá Leite, em Braga, perto da lotação esgotada, o ABC acusou o peso da responsabilidade de uma meia-final europeia e começou mal o jogo. Os minhotos construíram bem o processo ofensivo, mas a baixa eficácia na finalização fez com que o Stord, uma equipa que, apesar de ser oriunda de um país apaixonado por esta modalidade, tem pouca experiência em competições europeias, fosse a espaços tomando o comando do marcador.

Sem querer tirar mérito ao 6-0 compacto dos noruegueses, o maior responsável pelo facto de o Stord ainda poder sonhar com o apuramento para final é o seu guarda-redes Thomas Aagard, que fez uma excelente exibição e mais de duas dezenas de defesas, muitas em momentos-chave do jogo que poderiam ter catapultado o ABC para um resultado mais dilatado e algumas de um grau de dificuldade máximo (impediu, por exemplo, ao longo do jogo, quatro ou cinco golos em situações de um para zero).

Na primeira parte a equipa da casa desperdiçou demasiadas oportunidades de golo, muitas em contra-ataque, aproveitando os incontáveis turnovers do Stord. A formação nórdica apresentou um ataque muito macio (apenas nove golos marcados em cada parte), que muito raramente solicitava o pivô. Em vez disso, privilegiavam o remate exterior (muitos deles nem sequer chegavam à baliza de Humberto Gomes, uma vez que batiam no bloco), pelo que os bracarenses nunca tiverem de mostrar o quão bem sabem defender, qualidade, aliás, que, na minha opinião, foi decisiva para a vitória frente ao FC Porto na final da Taça de Portugal e também na vitória diante do Sporting no terceiro jogo das meias-finais do campeonato nacional.

sa leite 2
O mítico Pavilhão Flávio Sá Leite foi palco de mais uma boa exibição europeia do ABC

A primeira metade da partida terminou com vantagem de três golos para o ABC (12-9), com destaque do lado da equipa da casa para as boas exibições do central Hugo Rocha e do extremo direito David Tavares, ex-Benfica, e do lado dos visitantes para a prestação de Morten Christensen (que terminou o jogo com quase metade dos golos da equipa, sete) e do conflituoso Jesper Traberg.

Os minhotos foram os primeiros a marcar nos segundos 30 minutos, mas um parcial de 4-0 do Stord colocou no placard uma igualdade a 13 que não exprimia o que tinha sido o jogo, dada a evidente superioridade da equipa portuguesa. O empate durou pouco, uma vez que aos 45 minutos de jogo o ABC já vencia por 21-15, depois de um parcial de seis golos sem resposta que impediram qualquer reação da equipa norueguesa. O Stord acabaria por marcar apenas mais três golos até ao fim, e os minhotos, empurrados pelo espetacular apoio do público, dilataram a vantagem para sete pontos, diferença que acaba por ser escassa se atentarmos na diferença de qualidade entre as duas equipas.

Na segunda metade brilharam os Nunos no ABC, com Nuno Grilo, apesar de algo perdulário da marca de sete metros, a terminar a partida com quatro golos, os mesmos de Nuno Rebelo, que confirma assim o potencial que muitos críticos lhe atribuem para crescer. Nota negativa apenas para a equipa de arbitragem russa, que aplicou muitas vezes de forma incorreta a lei do jogo passivo e anulou, mal, um golo magnífico a David Tavares.

Benfica sai derrotado da Roménia mas eliminatória é recuperável

O Odorhei, da Roménia, venceu esta tarde o Benfica em casa por 31-29 e vai deslocar-se a Lisboa no domingo com uma curta vantagem na eliminatória, que o Benfica tem capacidade para anular e, assim, atingir a final da Challenge Cup. O jogo não teve transmissão televisiva mas, segundo informação do site da Federação Europeia de Andebol, ao intervalo os romenos venciam por um golo (16-15).

O Benfica, que vinha de uma eliminação nas meias-finais do campeonato português frente ao FC Porto, teve no jogo de hoje António Areia como o seu melhor artilheiro, com oito golos, seguido do espanhol Javier Borragan Fernandez (seis golos). Do lado da formação da casa, destaque para o georgiano Vladimir Rusia, que terminou a partida com oito golos, e ainda para o romeno Chike Osita Onyejekwe (sete golos).

Caso uma destas duas equipas portuguesas consiga vencer esta competição, na próxima época o quinto classificado da liga nacional terá uma vaga na Taça Challenge, mantendo-se o lugar na Liga dos Campeões para o campeão português e uma vaga na Taça EHF para o vice-campeão.

Fotos: Facebook oficial do ABC de Braga

É possível ganhar a guerra sem o melhor soldado e a melhor arma?

0

eternamocidade

O sentimento é diferente. O entusiasmo do público em nada se compara ao que se vê nos jogos do campeonato. O ambiente no estádio contagia adeptos e jogadores. Quando começa o hino, todos se levantam, com um orgulhoso cachecol que pretende mostrar à Europa do futebol que o clube muito fez para merecer estar ali. Entre as oito melhores do velho continente.

Assim se pode descrever a Liga dos Campeões, sem dúvida a melhor e mais entusiasmante competição a nível de clubes. Com os melhores clubes e os melhores jogadores presentes, quem quer ser bem sucedido tem de estar ao seu melhor nível, trazer o seu melhor fato para aquelas noites europeias que acabam sempre por ficar marcadas na memória. Nesta época, tudo isto tem feito parte do quotidiano portista. Sem meias medidas, a equipa entrou para a temporada sem bilhete para a Champions. Em virtude do que aconteceu na época passada, passar pelo Lille era essencial para se conseguir estar na fase de grupos. De forma natural, duas vitórias deram o mote para um percurso que tem sido intocável. Dez jogos, com sete vitórias e três empates, que deixam o FC Porto como a única equipa sem derrotas na competição e com o segundo melhor ataque da prova, apenas ultrapassado pelo… Bayern de Munique. Fazer uma retrospetiva do percurso europeu da equipa de Lopetegui esta época é obrigatoriamente um exercício que nos deixa com um enorme orgulho, bastando para isso recordar as exibições de luxo feitas na Ucrânia, em Bilbau ou no Dragão, frente ao Basileia de Paulo Sousa.

Bem sei que Lille, Shakthar, Atl. Bilbau, BATE Borisov e Basileia não são a nata do futebol europeu e, por isso, o destino que se exigia a um plantel e a uma equipa como a do FC Porto era a de estar presente nos quartos de final da Liga dos Campeões. Ao contrário do que aconteceu em várias ocasiões no campeonato, em que a equipa deu de mão beijada pontos que lhe dariam uma liderança natural por esta altura, na Champions tudo tem sido diferente. Sem receios táticos e sem distrações absurdas, Lopetegui colocou os jogadores a atuarem como verdadeiros veteranos nesta competição.

Estando entre as oito melhores equipas do velho continente, o FC Porto sabia, antes do sorteio dos quartos de final, que, com exceção do Mónaco, toda e qualquer luta em que entrasse na eliminatória seguinte seria uma batalha que só com muito rigor e sofrimento poderia ser superada. E, bom, calhou-nos o Bayern: por esta altura seria difícil pensar em adversário pior para se defrontar. É certo que o Barça tem Neymar, Suárez e Messi; o Real Madrid tem Bale, Ronaldo e Benzema; mas o que distingue este Bayern de todos os outros é o poder coletivo que a equipa demonstra. Liderado pelo melhor treinador do mundo, a equipa posiciona-se em campo como uma verdadeira orquestra. Dando autêntica liberdade tática aos jogadores, Guardiola faz do seu Bayern uma verdadeira casa de máquinas de futebol atrativo, de posse e de controlo, que sufoca os adversários, obrigando-os a jogar em bloco baixo, sem qualquer poder de reação.

1
“Ilusão e ambição” – as palavras de Lopetegui antevendo o confronto diante do Bayern
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Olhar para este Bayern – para além de jogadores como Robben, Ribéry, Lewandowski, Xabi Alonso, Schweinsteiger, Gotze, Alaba ou Thiago Alcântara – é perceber que existe uma ideia de jogo, trazida por Guardiola de Barcelona para Munique, demonstrando que os jogadores fazem o modelo de jogo mas que o modelo também transforma os jogadores. Sucintamente, é isso que faz do gigante alemão uma das equipas mais temidas da Europa: quem entra numa batalha contra o Bayern, sabe que na maior parte do tempo terá de se sentir desconfortável em campo. Taticamente falando, qualquer adversário que defronte o Bayern sabe que jogar sem bola e aproveitar os seus momentos de jogo são as duas premissas essenciais para derrubar uma equipa cujos pontos fracos são difíceis de apontar. Não existindo nenhuma equipa invencível, obviamente que estes tais pontos fracos existem, sendo que no caso dos alemães isso não é diferente. De qualquer forma, o estilo de posse projetado por Pep faz com que a equipa se una num bloco alto, com os setores interligados entre si numa pressão asfixiante. Jogando como equipa grande, o Bayern nunca se atemoriza e procura sempre controlar todos os momentos.

Por contraditório que isso que possa parecer, penso que este domínio tão absoluto do Bayern durante 362 ou 363 dias do ano faz com que a equipa alemã não tenha a flexibilidade tática para perceber que há adversários que têm poder para contrariar o seu jogo. Não são muitas essas equipas, mas o caso do Real Madrid, nas meias finais da Champions da época passada, é exemplo suficiente para se perceber quão possível é travar este Bayern. Acredito que, na mente da esmagadora maioria dos adeptos do futebol, a eliminatória contra a equipa bávara é uma mera formalidade. A diferença de armas e de poder é tão gritante que qualquer resultado que não o apuramento do Bayern para as meias finais será um desfecho tão ou mais surpreendente do que o título espanhol conquistado pelo Atlético de Madrid na época passada.

Ainda assim, e não foi por acaso que o quis demonstrar, o Bayern tem falhas e pontos que podem ser aproveitados. A eliminatória com o Real Madrid, a Supertaça frente ao B. Dortmund e os jogos da Bundesliga frente a Wolfsburgo e B. Monchengladbach são exemplos que Lopetegui deve compreender. Taticamente, o Bayern é o pior adversário que poderia ter calhado ao FC Porto. Sendo o modelo de jogo do treinador espanhol sustentado na ideia criada por Guardiola em Barcelona, é fácil perceber que, na próxima quarta feira, no Estádio do Dragão, estarão duas equipas à procura da mesma coisa: a bola.

Olhando para o Bayern de Munique, creio que, em termos estratégicos, uma obsessão do FC Porto pela bola nesta eliminatória será a pior coisa que os portistas poderão fazer. Em termos táticos, creio que a única hipótese que pode levar a equipa ao sucesso passa pelo controlo daquilo que é mais importante do que a bola: os espaços. Mais do que querer ser dominador em posse, Lopetegui terá que perceber que, para se derrotar o Bayern, a inteligência mental será o fator determinante. Por isso, saber recuar o bloco e não desposicionar a equipa taticamente – projetando-a para o momento ofensivo através da procura dos melhores espaços na defensiva alemã – será, a meu ver, a chave de que o FC Porto precisa para arrombar o Bayern.

2
O FC Porto é a única equipa que ainda não perdeu na atual edição da Champions
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Bem sei que dizer é mais fácil do que fazer e que, em largos momentos do jogo, o Bayern vai empurrar o FC Porto para espaços de que a equipa não gosta, obrigando-a a praticar um estilo de jogo de que não é o seu. Realisticamente, creio que é aí que reside o maior desafio de Lopetegui: com uma equipa tão jovem e que está tão habituada a dominar os jogos dentro de portas, como será possível transformar o modelo e fazer deste FC Porto uma equipa taticamente solidária entre setores? Sem Tello – jogador que seria fundamental para aproveitar as transições – e possivelmente sem Jackson – elemento fundamental no arrastar de marcações e nos desequilíbrios na defensiva alemã -, facilmente se chega à conclusão de que a tarefa portista é hercúlea.

É verdade que Alaba, Robben e Ribery serão provavelmente baixas nos bávaros, mas creio que a não presença de Tello e Jackson Martinez serão, à luz da estratégia que Lopetegui teria em mente, muito mais difíceis de colmatar. E isto porque, na máxima força e com uma estratégia adequada, a tarefa portista seria muito mais exequível. Assim, sem o melhor soldado e sem a melhor arma para o contra ataque, serão precisas outras ideias, outras formas para procurar desafiar todas as probabilidades e acreditar, tal como em 1987 no Prater, em Viena, que ainda é possível ao David derrubar o Golias.

Quarta feira, pelas 19h45, lá estarei com os 50 mil que esgotarão o Dragão: com confiança de que é possível chegar mais longe, com esperança de voltar a ver a equipa a trazer o seu melhor fato para a melhor competição. Com esse sentimento diferente, do ambiente contagiante, com o hino que nos prende e com a ansiedade que nos preenche. Assim se descreve a Champions. Agora, só resta ao FC Porto continuar a honrá-la. Eu acredito que é possível.

 

P.S. – O SL Benfica lançou uma campanha nas redes sociais a que deu o nome “colinho”, cujo objetivo é chamar mais famílias aos jogos no Estádio da Luz. No anúncio publicitário, que corre já nas rádios nacionais e que começa a inundar as redes sociais, é percetível que o clube benfiquista procura gozar com Julen Lopetegui, que tem, não raras vezes, alertado para o facto de o Benfica ter sido esta época não raras vezes beneficiado no campeonato.

Mais do que voltar a afirmar o que é óbvio – que o Benfica foi ajudado em algumas partidas, dando-lhe pontos que justificam em parte a sua vantagem pontual no campeonato -, creio que este vídeo deveria ser um argumento para a estrutura portista refletir. Numa fase tão decisiva da época, com campeonato e Champions a serem decididos, acho que a estrutura dos dragões, de dirigentes a jogadores, devia olhar para este vídeo e pensar no que quer para o resto da época. Querendo acreditar que o FC Porto ainda é o clube que sempre foi, espero que este vídeo provocador chegue aos jogadores. E depois, claro, como sempre acontece no futebol, que a resposta a este vídeo e ao campeonato da mentira seja dada em campo. Nunca com vingança, mas sempre com a responsabilidade de uma camisola como a do FC Porto.

Foto de capa: Futebol Clube do Porto

Pressão como alavanca

cab premier league liga inglesa

A pressão exerce sobre nós uma força estranha. Dependendo das personalidades (moldáveis, sempre!) de cada um, pode ser motivadora ou repulsiva. Há quem apenas consiga trabalhar se se vir “apertado” e, depois, cumprir prazos de entrega quando o relógio bate a meia-noite do dia designado e há aqueles que não dispensam a organização e que submetem os referidos trabalhos com muita antecedência depois de planear etapas que lhe permitam trabalhar com tranquilidade.

As primeiras pessoas sentir-se-ão mais aptas a agir no caso de uma emergência, por estarem habituadas à invasão do sentido de urgência, já as segundas poderão sentir mais dificuldade. Ambas se deparam com o famosíssimo dilema “luta ou fuga”. Umas são precavidas, e apesar de atingirem os objectivos tranquilamente, não conseguiram lutar contra uma adversidade inesperada, as outras serão mais flexíveis, ainda que seja preciso “apertar” com elas.

O futebol não escapa a esta analogia. No “nosso mundo” encontram-se inúmeros exemplos do efeito da pressão sobre uma entidade – pessoa ou clube -, que tanto pode cair numa espiral depressiva depois de não conseguir atender à imposição de vitórias levantada por adeptos e direcção como pode ficar motivada com o facto de precisar de vencer e haver margem para melhoria a cada fim-de-semana.

Inglaterra, como não podia deixar de ser, tem exemplos assim. Dentro dos que sucumbem ao poder da pressão, o do Blackpool é o mais flagrante. A equipa milita no segundo escalão (Championship) do país e encontra-se no último lugar, averbando 25 derrotas em 42 jogos disputados, nos quais sofreu 83 golos. Não resistiu à cobrança dos adeptos, e não consegue vencer desde 31 de Janeiro. A descida à League One (terceira divisão inglesa) está consumada.

Dentro dos exemplos positivos (que são muitos), aqueles em que a pressão exerce uma força motivadora, destaca-se o do Crystal Palace. No começo da temporada sabia-se da dificuldade de fazer jus ao legado de Tony Pulis e seus pupilos depois de a equipa ter acabado de subir de divisão e ter assegurado uma Premier League 2013/2014 tranquila, terminando a época num cenário longínquo daquele traçado pelos analistas desportivos.

Desde que a despromoção começou a pairar em Sellhurst Park, a equipa somou 25 pontos. O obreiro foi Alan Pardew.
Fonte: Facebook do Crystal Palace

O Palace começou a época com uma deslocação ao Emirates, tendo perdido de forma natural contra o Arsenal, depois compôs-se, mas acabou por entrar numa sequência de resultados negativos, somando apenas uma vitória entre Outubro de 2014 e Janeiro de 2015, terminando o ano na linha de água. A pressão no início do ano que corre era, portanto, grande. Não que fosse esperado mais desta equipa por parte da imprensa, mas a cobrança dos adeptos era, agora, maior, e a direcção, tendo noção do quanto tinha custado a subir, não quereria voltar a descer. Foi chamado Alan Pardew para substituir o treinador que começara a época, Neil Warnock. A equipa não tinha mudado a sua organização, mas o “mindset” passou a ser outro. Pardew passou a sua habilidade para saber lidar com a pressão para o balneário e todos os “nutrientes” necessários para a enfrentar.

Os resultados são claros como água: traçando uma linha temporal que se inicia na altura em que mudou de treinador e terminando no último fim-de-semana, o Palace é a segunda equipa que mais pontos somou na Premier League (25, atrás do Arsenal, que somou 30).

Tudo começou com o poder de saber lidar com as exigências dos adeptos e direcção, manifestadas nas vitórias sobre o Tottenham, Burnley e Southampton que lhe sucederam, e está agora à vista o que é que esta equipa é capaz de fazer na plenitude das suas capacidades, atravessando uma forma absolutamente fantástica, com quatro vitórias consecutivas, as últimas duas particularmente impressionantes. A primeira em casa, ante o campeão City, onde venceu, justamente, por 2-1, e a segunda no terreno do Sunderland, indo ao Stadium of Light golear os anfitriões por 4-1, exibindo-se a um nível tão alto que o treinador comparou a performance da sua equipa à da selecção brasileira. Yannick Bolasie foi a figura do encontro, apontando 3 golos, mas a segurança e a confiança desta equipa são as verdadeiras razões por detrás do excelente momento que atravessa, tendo a manutenção praticamente assegurada, com 16 pontos para a linha de água quando há 18 para disputar, e estando no 11º lugar em que terminaram a última época. Os Eagles, agora, apontam à superação dessa marca, que parecia uma meta inimaginável há três meses atrás.

Sem pressão e a habilidade de lidar com ela, não se conseguiria conceber um cenário semelhante.

Foto de Capa: Facebook do Crystal Palace

Challenge Cup: Aprender com os erros

0

cab Volei

Uma hora e três minutos foi o tempo que o sonho benfiquista de conquistar a Challenge Cup durou.

Na Luz, era preciso um Benfica que se transcendesse para dar a volta à desvantagem de 3-1 vinda da Sérvia. No país balcânico, o Vojvodina tinha sido mais forte. O Benfica foi sempre uma equipa a correr atrás do prejuízo, só conseguindo equilibrar a partida no único set que ganhou. De resto, os sérvios provaram ser mais fortes.

Agora, num Pavilhão da Luz bastante composto, o Benfica tinha de entrar a ganhar. Vencer o primeiro set era obrigatório para continuar a sonhar. Os encarnados teriam de ganhar por 3-0 ou por 3-1 para empatarem a eliminatória e tentarem vencer a prova. Já o Vojvodina precisava apenas de vencer dois sets para se sagrar vencedor da Challenge Cup.

O primeiro set acabou por ser muito equilibrado. Os sérvios iam à frente no marcador, mas sempre por um ponto ou dois de vantagem. O Benfica voltava a correr atrás do prejuízo, mas ficava no ar a ideia de que era possível vencer este set e dar a volta a eliminatória. Os benfiquistas sonharam ainda mais quando o Benfica conseguiu dar a volta e chegar aos 24-23 depois de estar a perder por 20-23. Mas quando parecia que o Benfica tinha tudo para vencer o primeiro set, a equipa encarnada voltou a cometer os mesmos erros do início da partida, muitas falhas no serviço, o que permitiu aos sérvios dar a volta e vencer por 26-24. Com tudo na mão, o Benfica deixava escapar o primeiro set e bastava perder o segundo para ver o título fugir.

Talvez por ter deixado escapar assim o primeiro set, o Benfica entrou desorientado no segundo. A equipa demorou a encontrar-se e chegou a ter uma desvantagem de seis pontos. As alterações na equipa foram determinantes para o Benfica recuperar e chegar aos dois pontos de desvantagem. Mas mesmo assim não impediu o Vojvodina de vencer o segundo set por 25-21 e calar o Pavilhão da Luz. O sonho tinha acabado, a Challenge Cup já não escaparia aos sérvios, que foram superiores nos dois jogos. Para o Benfica restava agora lutar pelo orgulho e tentar vencer o jogo, por uma questão de honra.

Carregado por um pavilhão que nunca deixou de apoiar os jogadores, o Benfica deu a volta ao resultado. Já sem pressão, tudo saiu bem ao Benfica, que venceu os restantes sets por 25-16, 25-23 e 10-15. A equipa encarnada caía com honra, com os adeptos do Benfica a aplaudirem os atletas pelo esforço. O triunfo da equipa sérvia foi justo, pois foram melhores enquanto se jogou a sério. Ao Benfica faltou não cometer tantos erros, principalmente no serviço. Se as coisas tivessem corrido tão bem como correram depois de a eliminatória estar perdida, o Benfica poderia ter saído campeão.

No entanto, há que dar os parabéns aos atletas do Benfica pelo grande percurso que realizaram na Challenge Cup. Percurso quase imaculado, com apenas uma derrota, na primeira mão da final, honrado a instituição Benfica e o voleibol nacional. Hoje o Benfica é visto de forma diferente no mundo do Voleibol internacional. Aprende-se com os erros e espero que o Benfica tenha aprendido com estes dois jogos. Realçar mais uma vez os adeptos do Benfica, que foram enormes no apoio.

Vit. Setúbal 1-2 Sporting: Entre o processo e o resultado…

escolhi

O processo é o meio pelo qual chegamos ao resultado. O conjunto de princípios que nos aproximam, ou não, dos resultados. O processo é a nossa forma de percorrer. O caminho.  O resultado é apenas o fim. Mas é tudo ao mesmo tempo, porque no futebol – como em qualquer outra modalidade – o que conta é o fim. Mas a que escala devemos olhar? Há mais razões de sobressalto num jogo com processo e sem resultado ou sem processo e com resultado? Dir-me-ão os mais precipitados que, se houve resultado, está tudo bem. Resultado é o fim. Mas, a menos que se trate de uma final ou do último jogo da temporada, há mais resultados para conquistar. E quem apresenta o processo está mais perto de conseguir os próximos resultados do que o contrário. Pela regra básica que nos diz que quem joga bem está mais perto de vencer do que quem joga mal.

Por isso disse a uns amigos sportinguistas, no final do jogo,  que preferi o empate com o Paços a esta vitória sobre o Setúbal.

Disse-o porque considero que dificilmente o Sporting perderá o terceiro lugar ou chegará ao segundo – o que me leva a relativizar a importância do resultado naquele contexto. Mas disse, sobretudo, porque frente ao Paços vi princípios que já há algum tempo tinham desaparecido do conjunto de Alvalade: pressão alta, extremos por dentro, intensidade na procura, etc. Vi, no fundo, um processo capaz de nos conduzir a mais resultados. Hoje, o Sporting voltou a ser uma equipa descaracterizada. De elementos demasiado distantes, de jogo exterior forçado até à exaustão, de bola longa enquanto resultado da falta de linhas de passe próximas. Vi um processo aleatório que gerará, no meu entender, resultados aleatórios. 

O Vit. Setúbal é um conjunto muito inferior ao Sporting. O recente histórico desfavorável dos leões em Setúbal não pode ajudar a menorizar a diferença entre as equipas. Posto isto, não é normal ver nos primeiros 10/15 minutos de encontro a equipa de Alvalade com tantas dificuldades em impor-se no jogo devido a uma pressão forte da equipa da casa. Menos normal se torna, na segunda parte, ver o conjunto leonino a recuar linhas assim que vê a sua vantagem no marcador reduzida a um golo. Se chegou aos golos com bola e linhas subidas, porquê abdicar dos princípios que fizeram surgir a vantagem? Porquê renunciar ao que nos faz ganhar? É esta falta de processo – ou aleatoriedade de processo, se preferirem – que me preocupa.

Hoje, tudo foi demasiado cinzento embora ainda assim um pouco mais luminoso do que no adversário. Por outras palavras, o Sporting não jogou bem mas mesmo assim justificou a vitória mais do que o Setúbal. Pelo meio, Olegário Benquerença fez uma segunda parte mi-se-rá-vel ao expulsar anedoticamente Ewerton e com uma mão cheia de intervenções erradas que retiraram ao Sporting a possibilidade de terminar mais cedo o encontro. Ainda assim, há um mundo de distância entre este Sporting e aquele que, a certa altura, entusiasmou a massa associativa. O mesmo que merecia ter passado a fase de grupos da Liga dos Campeões, que eliminou o Porto da Taça de Portugal ou que em nada ficava a dever – antes pelo contrário! – ao Benfica. E é esse que peço de volta ao Marco Silva. Porque gostava do processo? Não! Pelos resultados que gerava e poderia vir a gerar; que não há mais resultadista do que eu.

A Figura

Suk – Num jogo de poucos destaques, o avançado asiático do Vitória apontou um golaço e provou que foi uma excelente aquisição por parte da equipa sadina. Forte fisicamente, tem potencial para crescer e vir a jogar num colectivo que lhe proporcione algo mais do que esta equipa o faz.

O Fora de Jogo

Olegário Benquerença – Se ainda não viste o lance que origina o segundo amarelo de Ewerton, vai ver. Quando vires, entendes que não preciso de justificar esta escolha.

Foto de capa: FPF

O Melhor do Mundo do Apito – Entrevista com Pedro Proença

entrevistas bola na rede

Pedro Proença é considerado, pela generalidade da crítica, o melhor árbitro português de sempre.  Foi eleito o melhor do século para a Federação Portuguesa de Futebol e apitou as finais da Liga dos Campeões e Campeonato da Europa de Seleções em 2012. Em exclusivo para o nosso site, Pedro Proença abre o jogo e dá a conhecer algumas das suas posições relativas ao campo da arbitragem, ao seu futuro profissional e até pessoal. O Bola na Rede deixa votos de sucesso para o futuro da carreira profissional e agradece a amabilidade e pronta disponibilidade do antigo árbitro português para nos conceder a entrevista.

Arbitragem e Controvérsia:

Bola na Rede: Que imagem pensa ter deixado perante o público português (englobando, logicamente, clubes, desportistas e adeptos)?

Pedro Proença: Estou convicto de que deixei uma imagem de credibilidade, de profissionalismo e de competência, junto de todos os intervenientes no panorama desportivo. A prova disso mesmo foi dada aquando do anúncio do meu abandono da arbitragem, em que árbitros, associações e clubes me deram a honra de estarem presentes, bem como as cerimónias de homenagem ao meu percurso na arbitragem, que tenho recebido, com enorme satisfação, desde então.

BnR: Qual é que foi o momento mais marcante, pela positiva, da sua carreira como árbitro? E pela negativa?

PP: Não tenho um jogo particular que me tenha marcado pela negativa. Óbvio que aqueles que nos correram menos bem, em termos de decisões tomadas enquanto árbitros, foram menos positivos. No entanto, tive a felicidade de ter bastantes momentos marcantes pela positiva. A nível nacional, tive a sorte de arbitrar dezenas de derbys, bem como finais da Taça da Liga e da Taça de Portugal; a nível internacional, o expoente máximo ao dirigir a final da Liga dos Campeões e a final do campeonato da Europa, em 2012.

BnR: Considera-se o melhor árbitro português da história?

PP: Face ao meu curriculum nacional e internacional, penso que deixei, definitivamente, o meu nome na história da arbitragem portuguesa. Aliás, o reconhecimento do meu percurso fica indelevelmente marcado com a presença na final das duas maiores competições do futebol europeu, culminando com a atribuição do prémio de melhor árbitro do mundo em 2012 (algo inédito no futebol português) e, mais recentemente, com o prémio de melhor árbitro português do século, no centenário da Federação Portuguesa de Futebol.

BnR: O que lhe faltou conquistar ao longo da sua carreira?

PP: Penso que não faltou nada. Deixei a arbitragem, orgulhoso do meu trajeto e realizado por tudo o que consegui. Não alteraria o meu percurso! Atingi os objetivos a que me propus, por isso, esta decisão foi tomada em consciência de dever cumprido.

BnR: Era apontado pela generalidade da opinião pública como o favorito a arbitrar a final do Mundial de Clubes. No entanto, isso acabou por não acontecer. Consegue explicar o que se passou? Houve, de facto, pressão por parte da equipa do San Lorenzo?

PP: Não penso ter existido qualquer pressão por parte de quem quer que seja. Neste tipo de competições internacionais, a UEFA e a FIFA selecionam um grupo de árbitros que reúnem um determinado perfil desejado, tendo, por fim, de efetuar uma escolha. No caso em concreto, acabou por ser escolhida uma outra equipa de arbitragem, e eu respeito, como sempre, esse tipo de decisões.

BnR: A recente greve dos árbitros portugueses, que poderá colocar em causa o funcionamento dos últimos jogos da Liga, é reveladora do estado atual da arbitragem portuguesa?

PP: É uma situação que necessita de uma rápida resolução, acima de tudo. Esperemos que não comprometa o normal decorrer das últimas jornadas do campeonato principal. Que possa existir diálogo entre as entidades envolvidas e que os compromissos assumidos sejam honrados, a bem da arbitragem e do futebol português.

Proença anunciou o fim da carreira no início de 2015 e agora procura novos desafios Fonte: FPF
Proença anunciou o fim da carreira no início de 2015 e agora procura novos desafios
Fonte: FPF

O Futuro Profissional:

Bola na Rede: Há uns tempos não fechou a possibilidade de uma futura candidatura à liderança na Liga de Clubes, bem como à APAF. Pode confirmar se essas hipóteses ainda estão nos seus horizontes?

Pedro Proença: Não fecho a porta a nenhuma ideia. Até ao momento, ainda não existe qualquer projeto. Se aparecer e for aliciante, será obviamente analisado. Atualmente, dedico-me exclusivamente à minha carreira enquanto gestor e, desportivamente, estou focado apenas na eleição para o comité de arbitragem da UEFA.

BnR: É adepto confesso do Benfica. Admitiria a possibilidade de, um dia, integrar a estrutura diretiva do clube da Luz?

PP: Não sabemos o dia de amanhã, mas parece-me que muito dificilmente isso aconteceria. Seja na estrutura do Sport Lisboa e Benfica ou em qualquer outro clube.

BnR: O que se vê a fazer pelo futebol português num futuro próximo?

PP: Nesta altura, em termos desportivos, a minha total concentração está dirigida para o comité de arbitragem da UEFA. Se entretanto aparecer algum projeto, certamente terei de o analisar.

Pedro Proença foi eleito o árbitro do século para a FPF Fonte: FPF
Pedro Proença foi eleito o árbitro do século para a FPF
Fonte: FPF

O Plano Pessoal:

Bola na Rede: Quando é que tomou a decisão de ser árbitro de futebol?

Pedro Proença: No momento em que quis conjugar e articular a minha vida académica com a prática de uma atividade desportiva.

BnR: O que é que será mais benéfico para a arbitragem portuguesa: a profissionalização ou uma Academia própria para jovens árbitros?

PP: Esses dois projetos, quer o conceito da profissionalização, quer o da academia de arbitragem, já existem, ainda que numa fase inicial. Tudo o que seja criar condições para termos os melhores árbitros, bem preparados a todos os níveis, será sempre de salutar.

BnR: Tem opinião formada sobre a formação no futebol português? Considera que os clubes portugueses estão a caminhar no sentido correto?

PP: A formação de jogadores em Portugal é, reconhecidamente, uma das melhores do mundo. Exemplo disso são os muitos jogadores portugueses espalhados por campeonatos mundiais, bem como o facto de termos, na nossa história, três jogadores considerados melhores do mundo: Eusébio, Figo e Cristiano Ronaldo.

BnR: O que sentiu quando arbitrou pela última vez um jogo como árbitro profissional?

PP: Um sentimento de dever cumprido e de orgulho neste percurso de 26 anos.

BnR: Sente que, alguma vez, acusou a pressão de um jogo? Em qual?

PP: A pressão de ser competente e fazer o melhor existe em qualquer profissão. Enquanto árbitro, sempre estive ciente da importância das minhas funções dentro de campo e de tudo o que um bom ou menos bom desempenho implicava. Em todo o caso, sempre me preparei do mesmo modo para todos os jogos, com o máximo de empenho e concentração, para que, na eventualidade do erro, pudesse sair do terreno de jogo com a consciência tranquila de que dei o meu melhor.

BnR: Acha que o facto de ter sido nomeado para a final do Europeu de Seleções, bem como para a Liga dos Campeões, em 2012, foi decisivo para adquirir o mediatismo que tem hoje em dia?

PP: Acredito que sim, que possa ter contribuído para esse mediatismo. A presença nas finais dessas duas competições foi, acima de tudo, o reconhecimento do valor da arbitragem portuguesa. Para os jovens árbitros foi também a prova de que, com trabalho e dedicação, é possível atingir um patamar de excelência e alcançarem os seus sonhos.

BnR: Qual o jogo que mais gozo lhe deu arbitrar?

PP: Todos! Obviamente que arbitrar jogos decisivos, finais, é algo sempre marcante. Em todo o caso, para quem tem paixão pelo fenómeno do futebol, poder contribuir para um bom espetáculo, com bons intervenientes, em estádios repletos de adeptos vibrantes, é sempre motivo de regozijo.

BnR: Cumpriu todos os seus sonhos?

PP: Sim, deixei a arbitragem muito realizado. Tive uma carreira recheada de sucessos, fui um privilegiado… Arbitrei alguns dos melhores jogadores do mundo, clubes e seleções, nos estádios mais fantásticos e nas competições mais importantes no futebol mundial.

Entrevista realizada por Mário Cagica Oliveira e Vítor Miguel Gonçalves

Ganhou o do costume – e bem!

cab desportos motorizados

Tal como ele próprio disse ainda antes da corrida, Xangai é de facto um excelente palco para Lewis Hamilton. O inglês conseguiu a quinta pole no circuito chinês e juntou-se assim a nomes como Michael Schumacher ou Ayrton Senna. Mas Hamilton desvalorizou, foi humilde, relembrou que também havia conseguido a pole-position na Malásia, e Vettel acabou por conquistar a vitória. Esperou que a corrida falasse por si. E assim foi.

O piloto britânico controlou a prova do princípio ao fim e não deu espaço ao outro Mercedes, de Nico Rosberg. Sebastian Vettel ficou na terceira posição, e o pódio da qualificação não foi alterado. O outro Ferrari, Kimi Raikkonen, ultrapassou os dois Williams e confirmou o quarto lugar; foi, mais uma vez, “o melhor dos outros todos”. Isto porque o Mundial de F1 2015 está claramente partido, separado entre Hamilton, Rosberg e Vettel, e os “outros”. Dificilmente haverá outros vencedores; arrisco-me até a dizer outros nomes nos pódios, que não estes três.

Voltando à corrida desta manhã, as últimas duas voltas foram cumpridas atrás do safety-car, depois de Max Verstappen (Toro Rosso) ter ficado parado na recta da meta. Mais um motor Renault a ter problemas; a época está difícil para a marca francesa. Com o safety-car em pista, Hamilton tinha já a vitória garantida a duas voltas do final. Pastor Maldonado (Lotus) obteve um feito (negativo…) quase histórico: três GPs, três abandonos. O venezuelano sofreu um toque de Button (McLaren) e não teve condições para continuar em prova.

Já depois do fim da prova, os dois pilotos da Mercedes voltaram a protagonizar um momento pouco bonito. Mais uma vez sem papas na língua, Rosberg acusou o colega de correr com pouca velocidade, pondo em risco o segundo lugar do alemão, que teve Vettel a poucos metros. Lewis Hamilton defendeu-se e disse que não entendia as críticas, que Rosberg até podia tê-lo ultrapassado e não o fez. Hamilton é elegante. Pode até ser egoísta e mau colega, mas nada transparece cá para fora.

Ganhou o do costume. Venha o Bahrain, a 19 de Abril.

Foto de capa: Página de Facebook da Mercedes AMG Petronas