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O caso Doyen e porquê fechar as portas dos Fundos?

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a norte de alvalade

O Sporting expõe por estes dias os seus argumentos no caso contra empresa Doyen, uma das muitas de fundos de investimentos. Como é sabido por todos, o conflito entre o clube e a referida empresa remonta à venda de Rojo ao Manchester United, envolvendo simultaneamente os direitos económicos sobre Labyad, que ainda se mantém como nosso jogador.

A estratégia poderia ter sido outra?

O caminho seguido pela administração neste caso, à semelhança de outros, foi de elevado risco. Vencendo, recolherá os louros de uma vitória muito importante para a sua estratégia. Sendo derrotada, terá de arcar com as consequências que se estenderão para lá das importantes repercussões económicas. Porque, como não é difícil de adivinhar, a derrota terá um significado importante na já de si sempre atribulada vida interna do clube. Veremos se o risco assumido compensa. Mas afigura-se-me muito difícil de prevalecer o argumento de apenas devolver o dinheiro investido por um parceiro, ficando o clube com a totalidade dos lucros, argumento já repetido naquilo que parece ser o futuro caso Carrillo.

No meu entender, tendo em conta as consequências que uma decisão negativa pode representar para a recuperação económica da SAD, seria mais avisado deixar extinguir a validade e acção dos contratos deste género e, uma vez que a SAD os entende como perniciosos, deixar de recorrer a eles, o que me parece que tem sido seguido. Mas também é verdade que me falta o conhecimento total dos contratos e dos argumentos das partes e, mais importante que tudo o mais, competência jurídica para os apreciar. Estimo que a decisão se tenha estribado em sólidos argumentos dessa natureza e que tenha sido tomada após cuidada reflexão interna.

A árvore e a floresta 

Foi a partir deste conflito de interesses que o Sporting, através do seu presidente, encetou uma luta não apenas contra a Doyen mas contra toda a forma de partilha de direitos dos jogadores por entidades externas aos clubes, conhecida hoje pelo acrónimo TPO’s (third party ownership).

É muito provável que as razões de desconfiança relativamente à Doyen sejam mais que justificadas. E que, por exemplo, o valor inflacionado que nos foi pedido pelo Aboubakar, superior ao que o FCP acabou por pagar pelo jogador, seja apenas uma das pontas de um enorme iceberg, cuja parte que fica abaixo da linha de água conhecemos muito pouco.

A recente promoção feita pela empresa em Madrid foi aquilo que se pode chamar verdadeiro tiro pela culatra para os interesses da própria. A falta de abrangência dos convidados, o atabalhoamento e a falta de argumentos capazes de contestar os que são geralmente apontados como os principais defeitos chegoaram a raiar o confrangedor. Parece-me, contudo, que se confundiu aqui apenas uma das árvores com toda a floresta.

Argentina v Slovenia - FIFA Friendly Match
Rojo está no centro da polémica entre Sporting e Doyen
Fonte: taringa.net

A enxurrada proibitiva é apenas destrutiva, não regula.

Ora, a Doyen é apenas uma das muitas operadoras no mercado. O Sporting lidou com algumas delas e o recente resgate de parte dos passes de alguns jogadores em condições favoráveis e sem conflito é a prova de que o relacionamento é possível e pode ser interessante para todas as partes.

Mas quando se fala de TPO’s esquece-se de que não existe apenas a possibilidade do uso de entidades financeiras e fundos de investimento como parceiros de negócio. Há uma diversidade de outras possibilidades, algumas das quais são usadas por clubes cujas circunstâncias e contextos se assemelham em muito aos do nosso clube.

Um bom exemplo disso são os clubes holandeses: embora o país produza mais riqueza que o nosso (o PIB deve situar-se num valor perto do quádruplo do nosso), as limitações impostas pela demografia (menos de 17 milhões) reduzem-lhes o mercado alvo, impedindo-os de competir com os mais ricos (alemães, espanhóis, ingleses e italianos).

Detendo uma forte imagem de grande capacidade de formação, os clubes holandeses, para contrariar a saída precoce dos seus talentos, têm usado uma ferramenta que julgo que o Sporting não deveria ter desdenhado. Por exemplo, o Ajax, cujas possibilidades económico-financeiras impede o clube de oferecer salários superiores a um milhão de euros anuais, tem oferecido aos seus jogadores, nos momentos de negociação de novos contratos, um valor percentual dos seus passes.

Ora isto não só permite, no momento de uma futura venda dos passes, uma compensação justa para os jogadores, como os co-responsabiliza pelo seu sucesso. Por isso não é de estranhar que um dos responsáveis do Ajax se tenha referido recentemente à extinção generalizada dos TPO’s, numa entrevista à Bloomberg, como devastadora para os interesses particulares do seu clube e generalizado aos clubes que vivem em circunstâncias semelhantes.

O exemplo acima é apenas um dos muitos que poderiam ser dados. E um dos vários de que o Sporting poderia socorrer-se como forte argumento negocial, particularmente com os jovens que querem tanto ganhar dinheiro – aspiração tão diabolizada como justa – como gostariam de poder continuar a evoluir tranquilamente no clube que escolheram para se formar.

O que UEFA e a FIFA tomaram foi uma não-decisão baseada no ruído de fundo

Sem grande convicção e enfermando da mesma escassez de conhecimento da realidade e de argumentos, ambas as organizações muniram-se de um machado legislativo para cortar o mal pela raíz, invocando quase sempre o mesmo argumento: a falta de transparência. Ora estas entidades estão longe de poder ser consideradas um modelo de virtudes neste âmbito e muitos outros. Por norma, abstêm-se do uso do seu poder regulador, sendo pouco pro-activos e mais reactivos e permeáveis à força da opinião pública.

Por isso, estou em crer, se viraram para os TPO’s – muito por causa do ruído de fundo construído à volta do caso Rojo, quando já de trás se ouviam muitos zunzuns. Como não há barulho sobre os tão confidenciais mas duvidosos verdadeiros seguros de derrota, alguns clubes já deitam mão para se prevenirem das perdas por ausência da Liga dos Campeões e ambas as organizações assobiam para o lado.

O medo como argumento

Muito desta campanha foi fabricado sobre a irracionalidade que o medo e a ignorância provocam. No Sporting, particular e algo justificadamente, depois de duas experiências que, tendo começado com o inefável e infeliz exemplo de Pongolle, se saldaram emresultados desastrosos. Exemplos não faltam, até ao nosso lado, de que era possível ter feito outro caminho. Ora, este resultado não se deveu tanto ao uso dos fundos em si, mas ao total falhanço por parte da administração desportiva propriamente dita. Se bem que considere que a discussão sobre a quantidade e extensão do seu uso seja não só plausível como obrigatória.

Olhando para os jogadores adquiridos não deixo de me perguntar o que seria se o Sporting tivesse conseguido juntar-lhes estabilidade e algum dos três últimos treinadores. Ou melhor, o que seria na próxima época o Sporting se JJ tivesse ao seu dispor os recursos que Domingos teve na sua primeira época. Nunca saberemos.

Foto de capa: Página de Facebook de Bruno de Carvalho

Euro Sub-21’2015 – Outra fornada de miúdos prontos a explodir por nós

A selecção portuguesa inicia a participação no europeu de sub-21, na República Checa, esta semana. Portugal está inserido no grupo B, em que jogará frente à Inglaterra no dia 18, Itália no dia 21, e Suécia, no dia 24. Não é um grupo fácil, mas penso que temos legítimas esperanças de sonhar com o título, ou, pelo menos, garantir a qualificação para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Para este segundo objetivo, basta atingir as meias finais.

Passando então à lista, um dos destaques é a ausência de Bruma. O extremo, que abandonou o Sporting para rumar ao Galatasaray no início da época passada, perdeu algum fulgor em relação ao que já prometeu e, perante a forte concorrência que existe neste momento entre os jovens nacionais, foi preterido pelo técnico. Quanto a mim, esta é uma decisão aceitável, dado que Carlos Mané, Ivan Cavaleiro, Ricardo Horta, Ricardo Pereira, Iuri Medeiros ou mesmo Rafa e Bernardo Silva são atletas que fizeram boas épocas e podem perfeitamente fazer a posição desempenhada por Bruma. O lateral esquerdo Rafa e o médio Rony Lopes já eram ausências esperadas, dadas as suas presenças no Mundial sub 20, na Nova Zelândia.

Para completar o setor atacante, existe ainda o único ponta de lança de raiz do grupo: Gonçalo Paciência. O avançado do FC Porto ainda recupera de lesão mas deve recuperar a tempo, o que é uma ótima notícia dada a sua enorme qualidade.

Olhando para a baliza, penso que o titular será José Sá. O guardião do Marítimo B (embora não lhe ficasse nada mal a titularidade na equipa principal, no lugar de Salin) tem sido normalmente a primeira escolha de Rui Jorge e assim deverá continuar. Bruno Varela também dá algumas garantias. Já Daniel Fernandes não deixou boas indicações no jogo amigável em que participou e penso que não passará de terceira escolha. Ainda assim, creio que este é o setor menos forte da nossa equipa.

Rui Jorge tem uma das melhores gerações portuguesas de sempre ao seu comando Fonte: fpf.pt/Diogo Pinto
Rui Jorge tem uma das melhores gerações portuguesas de sempre ao seu comando
Fonte: fpf.pt/Diogo Pinto

Na defesa, opções de qualidade não faltam. Temos como laterais Ricardo Esgaio, João Cancelo e Raphael Guerreiro, todos eles com um enorme potencial e com experiência de primeira divisão, seja em Portugal, seja nos campeonatos espanhol e francês. Já no eixo da defesa, penso que também não temos motivos de preocupação. Ruben Vezo foi o principal preterido, perante Frederico Venâncio, Tiago Ilori, Tobias Figueiredo e Paulo Oliveira. Ilori e Oliveira devem ser os titulares; formam uma dupla coesa, forte no jogo aéreo, e experiente. Ilori jogou esta temporada no Bordéus e Paulo Oliveira já leva três anos de Primeira Liga. Inclusivamente, este ano foi o patrão da defesa do Sporting, o que só por si já indicia a qualidade que tem. Na minha opinião, até repetirá na próxima época a presença em Europeus, quando a seleção nacional participar no Euro 2016 em França. Mas isto apenas será confirmado para o ano…

No meio campo, está a novidade que me deixou ainda mais confiante relativamente a esta competição: as presenças de Wlliam Carvalho e João Mário. Dois jogadores que já jogaram na Seleção A, titularíssimos do Sporting, só vêm enriquecer a nossa equipa. Quem não gostaria de ter um dos melhores médios defensivos do mundo numa seleção sub 21?

Até acho que o maior elogio que podemos fazer a este meio campo é dizer que jogadores com a qualidade de Ruben Neves, Tozé ou Sérgio Oliveira poderão não ser titulares. Não nos podemos esquecer de que também vamos ter Bernardo Silva, outro jogador claramente de Seleção A, que pode fazer a diferença neste Europeu e que tem de ser titular desta equipa. O desgaste de alguns jogadores poderá ser o principal entrave, mas espero que Rui Jorge e a sua equipa técnica consigam gerir da melhor maneira os recursos disponíveis para que possamos fazer uma boa campanha. De referir ainda que Bernardo Silva e William Carvalho integraram primeiramente os trabalhos da Seleção A. Só depois é que ficaram livres para a Seleção de Esperanças.

Em relação aos dois nomes que ficarão de fora da convocatória final, as escolhas de Rui Jorge recaíram em Ruben Pinto e Bruno Fernandes. Os dois médios começaram os treinos de preparação com a equipa mas acabaram por ver o seu sonho esfumado nos últimos dias.

Se havia esperança em nomes como Gelson Martins, André Silva, Nuno Santos ou Rony Lopes para chegar longe no Mundial sub 20, então que dizer de uma seleção sub 21 que pode contar com Paulo Oliveira, Raphael Guerreiro, William Carvalho, João Mário, Gonçalo Paciência, Iuri Medeiros, Ivan Cavaleiro, Carlos Mané ou o pequeno grande artista que é Bernardo Silva? Temos de ter a ambição de chegar à República Checa, “partir” aquilo tudo com grandes exibições e regressar a Portugal com a taça!

Foto de capa: fpf.pt

Finais da NBA: Gettin’ Iggy Wit It

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cab nbaFantástico! Soberbo! Esplêndido do início ao fim! Expectável. Estas são as palavras que caracterizam as Finais da NBA – mais à frente logo falaremos sobre isto.

Foi um trajecto quase incólume por parte dos Cavaliers a nível de resultados, bastante azarado a nível de lesões. Começaram por ganhar 4-0 aos Celtics – sem nenhuma estrela assumida -, mas perderam Kevin Love; venceram por 4-2 aos Chicago Bulls – uma equipa debilitada, com Pau Gasol muitos furos abaixo do expectável e Derrick Rose a jogar bastante bem, embora não o suficiente para carregar a equipa – e, mais uma vez, varreram os Atlanta Hawks, perdendo Kyrie Irving pelo caminho (ele acabaria por voltar a jogar contra os Warriors).

Por sua vez, os Golden State Warriors também começaram num ritmo bastante acelerado, vencendo os New Orleans Pelicans, de Anthony Davis, em quatro jogos; vencendo em seis os Memphis Grizzlies de Marc Gasol e Zac Randolph; e, em cinco jogos, os Houston Rockets de James Harden e Dwight Howard.

Agora, as Finais. Um começo surpreendente para a série. Em dois jogos, dois prolongamentos – algo inédito até hoje. No primeiro jogo, Golden State ganharam em casa; no segundo, a trupe de Cleveland roubou um jogo em Oakland – naquela que é, e verificou-se ser, uma das arenas mais barulhentas na liga. O ambiente que se vivia parecia ser para lá de surpreendente.

Por esta altura aparentava ser uma série bastante equilibrada, com LeBron James a mostrar todo o seu portefólio de habilidades. Tristan Thompson e Matthew Dellavedova mostravam estar a ser jogadores-chave numa equipa que já estava extremamente debilitada. Thompson como uma máquina de ressaltos e Dellavedova, no máximo das suas capacidades e no máximo possível, a conseguir anular o MVP da fase regular, Stephen Curry.

Dellavedova foi um dos jogadores que mais se preocupou em defender Curry. Fonte: news.com.au
Dellavedova foi um dos jogadores que mais se preocuparam em defender Curry
Fonte: news.com.au

Tanto David Blatt como Steve Kerr andavam a tentar descobrir como usar os recursos humanos à sua disposição – Kerr tinha aquilo que acabaria por vir a ser o maior trunfo, a equipa mais completa; Blatt continuava a querer fazer omeletes com aquilo que fosse mais próximo de ovos. Pelo meio, mais um azar para os Cleveland – apesar de ter “recuperado” a sua lesão, Irving acabou por fraturar a rótula e ficar, oficialmente, de fora para o resto das Finais no prolongamento do primeiro jogo.

Steve Kerr tornou o cinco inicial o mais híbrido possível, colocando Draymond Green (um extremo-poste baixo) a jogar a poste. Trabalho soberbo de um treinador que recebeu bastantes críticas antes de assinar e que poderia ter ido para os Knicks Fonte: USA Today
Steve Kerr tornou o cinco inicial o mais híbrido possível, colocando Draymond Green (um extremo-poste baixo) a jogar a poste. Trabalho soberbo de um treinador que recebeu bastantes críticas antes de assinar e que poderia ter ido para os Knicks
Fonte: USA Today

Pegando agora no título, o jogador que mais tarde viria ser coroado como Finals MVP, Andre Igoudala, foi o “Fator X” da equipa. Começando no banco nos três primeiros jogos, acabou por fazer parte do cinco inicial nos últimos. Mais uma vez, em Cleveland, os jogos foram divididos, se bem que o jogo 4 tenha aparentado ser o cantar de algo que parecia, principalmente a partir daí, inequívoco: nesse jogo, os Cleveland não só abrandaram o seu próprio jogo ofensivo, como o trabalho defensivo de Dellavedova começou a ceder e a exaustão mostrava estar a causar algum dano no base dos Cleveland.

Igoudala, a cada minuto que passava, logo desde o primeiro jogo, estava a ficar mais focado ofensivamente e, incrivelmente, a sua defesa feita a LeBron James estava a ser mais sufocante. E, atenção, as estatísticas apresentadas pelo número 23 enganam bastante em relação àquele que foi o trabalho de “Iggy”. No quarto jogo, Igoudala bateu o seu recorde de máximo número de pontos em play-offs, 22 – a maior parte deles cruciais.

Nos últimos dois jogos, incrivelmente sempre no quarto período, havia invariavelmente um festival de triplos que acabava por abalroar os Cavaliers. Andre Igoudala, historicamente pouco eficaz como lançador de triplos, marcou e foi dos jogadores mais utilizados e mais em foco dos Warriors.

Steph Curry (esquerda) e Andre Igoudala (direita) foram dois foram os principais “obreiros” do título dos Warriors Fonte: bayareasportsguy.com
Steph Curry (esquerda) e Andre Igoudala (direita) foram dois foram os principais “obreiros” do título dos Warriors
Fonte: bayareasportsguy.com

Também Stephen Curry foi fantástico durante toda a série – o mago dos triplos demonstrou que todo o seu leque de movimentos é muito mais do que “apenas” um dos melhores lançamentos já visto na história da NBA.

Apesar de este texto estar a ser algo repetitivo em termos de nomes, há que destacar que o gigante Timofey Mozgoz mostrou ser um bastante habilidoso poste; Klay Thompson é muito mais do que “apenas um lançador de triplos” e, quando o jogo assim o pede, consegue defender e sufocar o seu opositor; J. R. Smith mostrou, mais uma vez, que é um jogador no qual não se pode confiar – é bastante errático e não tem cabeça nenhuma; Harrison Barnes irá dar, sem qualquer sombra de dúvidas, enormes dores de cabeça, tanto a Steve Kerr como aos dirigentes da equipa, pois explodiu e mostrou que também não é um jogador unidimensional e consegue, não só defender em tempos LeBron James e outros atletas, como ser um jogador que pode fazer parte das jogadas ofensivas e ser eficiente; Shaun Livingston foi uma agradável surpresa.

Copa América’2015 – Colômbia 1-0 Brasil: Pouco Neymar é pouco Brasil

internacional cabeçalho
Após a inesperada derrota da selecção da Colômbia frente à Venezuela na primeira jornada, eram os cafeteros que partiam em desvantagem para a partida de hoje. Para além do mau resultado ficou a imagem do pobre e desgarrado futebol que a equipa colocou em campo, muito longe de ter criado grandes problemas à selecção venezuelana. Por seu lado, o Brasil, carregado por Neymar, vencera mas não convencera no duelo frente ao Peru, em que chegou à vitória apenas no cair do pano.

Curiosa a opção de Dunga por Firmino no lugar de Tardelli, procurando uma maior mobilidade que pudesse incomodar a já de si frágil defesa colombiana mas as constantes trocas entre o jogador do Hoffenheim, Neymar e Willian não eram suficientes para criar perigo. Acabou por ser a Colômbia a ficar dona e senhora do jogo na primeira parte, aproveitando a passividade defensiva da canarinha – um problema que se arrasta há muito tempo e que parece não ter solução. A facilidade com que a Colômbia disparava para o ataque colocou a equipa de Dunga em vários embaraços, que só tinham resposta pelas tímidas tentativas de Neymar ou Willian levarem a equipa para a frente.

Não é algo que surpreende e vai ao encontro daquilo que o João Pedro Oca escrevera no rescaldo do jogo frente ao Peru: esta selecção brasileira está completamente dependente da inspiração de Neymar e não apresenta um fio de jogo minimamente condizente com a categoria dos seus jogadores. A vantagem da Colômbia ao intervalo, carimbada por Jason Murillo após uma bola parada mal resolvida pelos brasileiros – o habitual -, espelhava bem o que se passava no Estádio Monumental.

A desinspiração de Neymar reflectiu-se no jogo do Brasil Fonte: ca2015.com
A desinspiração de Neymar reflectiu-se imenso no jogo do Brasil
Fonte: ca2015.com

No início do segundo tempo a toada de jogo manteve-se a mesma, com um ritmo alto e tão típico de jogos entre equipas sul-americanas, com a bola sempre perto das duas balizas e um jogo pouco pensado e a arrastar-se a meio campo. Face à desvantagem no marcador, o Brasil viu-se obrigado a assumir a sua responsabilidade de favorito e tentar chegar à igualdade. Recuou a Colômbia e o Brasil, sempre com Neymar a criar praticamente todo o jogo ofensivo, criou algumas oportunidades do Brasil para chegar ao golo. Fica na memória uma perdida inacreditável de Firmino com a baliza de Ospina completamente deserta. A Colômbia fez por justificar a vitória na primeira parte, dada a superioridade que a equipa de Pékerman revelou sobre o adversário nesse período. Neymar e companhia apareceram num nível superior nos segundos 45 minutos e talvez o empate se apresentasse como o resultado mais justo. Mas, é claro, os jogos não têm 45 minutos e só Neymar não chega… Ter treinador também dá jeito. Neymar, expulso, não entra nas contas para decisiva partida frente à Venezuela. Veremos o que (não) faz esta equipa sem o craque do Barcelona.

A Figura
James Rodríguez – Sem ter deslumbrado como sabe fazer, o craque do Real Madrid exibiu-se a um belo nível essencialmente na primeira parte. Com ele, a bola tem olhos. E tão bom seria a bola olhar para Jackson Martínez e não para este Falcao, a anos-luz do que já foi.

O Fora-de-Jogo
Dunga – Este Brasil de Dunga é uma equipa incrivelmente previsível e quão estranho é isso tendo Neymar, Douglas Costa, Willian, Firmino, Coutinho, … Do meio-campo para a frente, todos os jogadores têm praticamente as mesmas características e parecem não encaixar num jogo colectivo.

O imbróglio tático na obra do “Engenheiro”

futebol nacional cabeçalho

A Seleção Nacional terminou a época com duas vitórias nos dois jogos finais da estação desportiva. No jogo “a sério”, alcançou uma vitória suada na Arménia, por 3-2, numa partida que ficou marcada pela paupérrima exibição dos comandados de Fernando Santos, disfarçada pelo fator CR7. Na partida “a brincar”, foi a Itália que cedeu face à equipa das quinas, pela margem mínima. Uma Itália que não é mais do que uma sombra daquela que vimos no Mundial do Brasil. Se bem nos recordamos, essa squadra azzurra, apesar de ter apresentado um futebol agradável, não foi capaz de passar aos oitavos de final da prova, o que por si só já diz muito.

Mas não é só a equipa italiana que está desencontrada. Em boa verdade, desde que Fernando Santos assumiu o comando técnico da Seleção, ainda não foi capaz de definir uma tipologia de jogo que sirva como base para o estilo que o “Engenheiro” procura implementar ou, quem sabe, introduzir. Apesar destas condicionantes, os resultados têm aparecido. E esse é, talvez, o maior problema que se criou em redor da “equipa de todos nós”. É bem sabido que o adepto português valoriza muito mais o resultado do que a qualidade exibicional. Para o propósito atual, as vitórias têm servido, mas julgo que todos sentem o mesmo: num nível competitivo mais exigente, como o da fase final de um Europeu, a sorte e o cinismo podem não chegar.

Vejamos: quando substituiu Paulo Bento, Fernando Santos tentou fazer do tradicional 4-3-3 um 4-4-2 losango, onde Tiago e Moutinho desempenharam o papel de médios-interiores, com Danny a jogar nas costas de Ronaldo e Nani, os elementos mais adiantados. Na ausência de um avançado fixo, a equipa portuguesa perdeu a sua referência atacante e passou a depender dos raides dos dois jogadores mais virtuosos. Se a pressão exercida sobre a saída de bola do adversário aumentou (como se viu no jogo na Dinamarca), o jogo português perdeu profundidade nas alas. Por muito bons executantes que Ronaldo e Nani sejam, não podem estar em dois sítios ao mesmo tempo.

Gorada a hipótese acima descrita, passou-se para um 4-2-3-1 mutante, que surgiu frente à Sérvia e, mais recentemente, na Arménia. Aqui reside a grande fonte de confusão tática da Seleção. Fábio Coentrão é extremo no momento ofensivo e, aquando da transição defensiva, “fecha” com os médios mais recuados, Tiago e Moutinho. Isto acaba por gerar alguma anarquia no miolo, porque quando Portugal encontra adversários rápidos a contra-atacar, muitas vezes deixa o “duplo-pivot” em inferioridade numérica, algo que aconteceu na Arménia, com Mkhitaryan a destroçar por completo o meio-campo luso. Ronaldo é vagabundo na frente de ataque, mas, quando vem buscar jogo atrás ou às alas, deixa (novamente) o ataque órfão de referências.

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Danilo esteve bem e pode ser opção para futuros encontros
Fonte: Facebook das Seleções de Portugal

O facto mais curioso acaba por ser o seguinte: os melhores momentos da ‘era Fernando Santos’ surgiram quando a equipa assumiu o clássico 4-3-3. Frente à Argentina, nos instantes finais do jogo e, como se viu nos 90 minutos, frente à Itália. Com um alvo na área (Éder, em ambos os casos), a equipa portuguesa recupera o seu ADN. Um médio mais posicional, o tradicional trinco, que pode ser William ou Danilo (excelentes indicações) e dois interiores mais adiantados, Moutinho e Tiago. Ronaldo pode ser deslocado para o eixo do ataque, transformando Éder na segunda alternativa, como é natural; ainda assim, e para que não fique tão limitado nas suas ações, o capitão pode trocar de posição com os extremos, para que se crie a noção de rotatividade constante, que poderá confundir marcações e oferecer mais soluções aos restantes companheiros.

Que fique bem claro: o 4-3-3 não resolve os problemas. Pode ser o ponto de partida, que esteve sempre lá, mas há inúmeros retoque a fazer na “obra” tática da Seleção. Há que tentar tirar o máximo de cada jogador e indicar-lhe qual é o seu papel exato no sistema e modelo de jogo. Para que tal aconteça, a prioridade é criar um onze base. Isso já depende de Fernando Santos, e convém que o selecionador não ignore as evidências. José Fonte é o central português em melhor forma, Coentrão tem que jogar a lateral e Vieirinha é, de momento, a solução mais viável para a direita defensiva. William Carvalho e Danilo Pereira são indispensáveis ao equilíbrio (pelo menos um deles), e Moutinho é o pêndulo. Tiago empresta mais solidez ao setor intermediário, mas não é um “criativo”. Bernardo Silva pode ser a chave para este lugar, em alturas que a espontaneidade de um “número 10” seja necessária. E, na frente, Nani, Ronaldo e Danny têm de ser as opções mais recorrentes, pela qualidade e experiência que acarretam.

O jogo com a Itália tinha tudo para correr mal, pelas ausências e pelo cariz amigável, desprovido de pressão. Talvez por isso se tenha transformado numa agradável surpresa. Éder marcou o primeiro golo de quinas ao peito, matou-se mais um “borrego” e fiquei convencido de que pode existir solução para o problema qualitativo do processo de jogo português. Há um longo caminho pela frente, mas a ideia já surgiu. Só é preciso que alguém pegue nela.

Foto de Capa: Facebook das Seleções de Portugal

Desejos para 2015/16: o renascer da fénix Falcao

internacional cabeçalho

Nos últimos dias, têm surgido notícias que dão Falcao como certo no Chelsea. Devo confessar que fiquei bastante agradada com esta transferência; desde a grave lesão que sofreu, em 2014, que o jogador colombiano não conseguiu voltar a brilhar tal qual nos havia habituado.

Apesar de não ser adepta do FC Porto, considero Falcao “nosso”. E acho que não sou a única. El Tigre ficou internacionalmente conhecido em Portugal. Tornou-se um craque em Portugal. Deve, no meu entender, muitos dos seus sucessos ao clube portista e ao nosso país. E é por estes motivos que fico feliz e anseio pelo renascer do avançado. As duas épocas no Atlético de Madrid confirmaram o potencial que emergiu na cidade invicta: Falcao marcou 70 golos ao serviço dos colchoneros e é, dois anos volvidos, um dos grandes símbolos da história recente do clube.

Mas com a rotura de ligamentos no joelho esquerdo, já no Mónaco, também a sua carreira sofreu um valente rombo. Fora dos relvados durante meio ano, ausente do Mundial do Brasil, Falcao deixou de estar presente na linha cimeira do futebol internacional. E o empréstimo ao Manchester United só agudizou essa situação. Se alguns (incluindo-me nesse grupo) acharam que o futebol inglês era o sítio certo para um típico number nine, “rodinhas baixas” mas que marca golos de cabeça com tanta categoria como Jardel, a história fez questão de os provar errados. A travessia por terras britânicas foi um deserto de golos, exibições e concretizações, com os red devils a confirmarem o término do empréstimo ainda em Maio.

Falcao deve jogar no Chelsea na próxima temporada Fonte: Facebook Oficial de Falcao
Falcao deve jogar no Chelsea na próxima temporada
Fonte: Facebook Oficial de Falcao

E chegamos, então, ao presente mercado de transferências. Que dá Falcao como certo no Chelsea. Chelsea de Mourinho. Não encontro treinador mais certeiro para o colombiano. Nacionalismos à parte, atenção. Mourinho sabe o que é ser grande no FC Porto; sabe o que é estar num enormíssimo clube espanhol; sabe o que é lutar pela glória em palcos mais distantes e quiçá esquecidos (Mourinho em Itália, Falcao em França); e sabe, acima de tudo, que é possível renascer das cinzas e voltar a singrar. Anseio pelos resultados desta parceria e, quem sabe, por uma reprodução da dupla Mourinho/Drogba.

Hoje, Falcao joga frente ao Brasil, na segunda jornada da Copa América. Embora a concorrência de Jackson Martínez seja feroz, acredito na afirmação de El Tigre ao serviço da selecção colombiana. Depois de uma época desapontante, o avançado precisa de vitórias, de adrenalina, de bola no pé e, acima de tudo, de golos.

Pep Guardiola disse um dia que Radamel Falcao era “sensacional, um dos mais talentosos do mundo”. Subscrevo.

Foto de Capa: Página de Facebook Oficial de Falcao

Copa América’2015 – Paraguai 1-0 Jamaica: Quando não há jeito e a sorte não Kerr nada connosco…

internacional cabeçalho

Depois dos dois jogos emocionantes de ontem, os ânimos da Copa América voltaram a ficar mais calmos na vitória do Paraguai por uma bola a zero sobre a seleção da Jamaica. Numa partida mal jogada, os paraguaios chegaram aos 4 pontos, ficando em boa posição para lutar pelo apuramento para os quartos de final.

A primeira parte foi inteiramente dominada pela seleção sul-americana, mas sem criar grandes chances de golo. Não é por acaso que o Paraguai é atualmente das seleções menos cotadas do seu continente. Têm um conjunto envelhecido e com muito pouca criatividade, muito pouca magia do meio campo para a frente. Derlis González, titular na partida de hoje, acaba por ser uma pequena luz dentro do meio campo sombrio dos paraguaios. Ainda assim, foram eles que dominaram territorialmente no primeiro tempo, circulando a bola no meio campo adversário. Contudo, esta circulação nunca assustou verdadeiramente a baliza amarela. Existiram algumas tentativas de Derlis González, Raúl Bobadilla e Roque Santa Cruz, mas nunca conseguiram criar grandes dificuldades a Kerr.

O jogo esteve sempre nesta toada morna até surgir o momento caricato do encontro. Aos 36 minutos, Víctor Cáceres lançou uma bola para a frente de ataque, mas com demasiada força, estando o lance condenado ao insucesso. Contudo, Duwayne Kerr, guardião jamaicano que alinha no Sarpsborg 08, da Noruega, quis resolver o lance fora da área, tentando fazer o corte de cabeça. O guarda redes até acertou com a testa no esférico, mas com tanta precisão que cabeceou contra Edgar Benítez, o extremo paraguaio que corria para tentar captar o lançamento longo de Cáceres. A bola encaminhou-se para a baliza deserta e estava feito o primeiro golo da partida. Num jogo mal disputado, com poucos pormenores de qualidade, tinha de ser um erro grosseiro (com alguma infelicidade à mistura) a desbloquear o resultado.

 Foi o joelho de Edgar Benítez que intercetou a cabeçada de Kerr e marcou o golo Fonte: Site oficial da Copa América
Foi o joelho de Edgar Benítez que intercetou a cabeçada de Kerr e marcou o golo
Fonte: Site oficial da Copa América

Na segunda metade, o Paraguai voltou a entrar melhor com dois lances perigosos. Primeiro, foi um livre estudado que resultou em golo mas foi bem anulado por posição irregular; depois, foi Víctor Cáceres a rematar de longe para uma defesa apertada de Kerr. Entretanto, a Jamaica começou a tentar atacar mais um pouco mas, se o Paraguai não conseguiu fazer grande coisa em termos ofensivos, os jamaicanos ainda fizeram menos, praticamente nada que assustasse a baliza de Anthony Silva. Aos 60 minutos, tivemos a melhor jogada do encontro, novamente para o lado paraguaio. O lateral esquerdo Samudio aventurou-se no ataque, correu em direção à entrada da área, tabelou com Bobadilla e disparou forte, com a bola a embater com estrondo na baliza de Duwayne Kerr. Foi uma das raras jogadas do encontro que conseguiu combinar intencionalidade e qualidade técnica.

O treinador alemão dos jamaicanos, Winfried Schäfer, tentou refrescar o ataque com as entradas de Laing e Deshorn Brown, mas Anthony Silva continuou sem precisar de se aplicar para defender a sua baliza. O jogo poderia ter ficado mais facilitado para a equipa orientada por Ramón Díaz perto dos 70 minutos, quando Wes Morgan devia ter sido expulso por agressão a Roque Santa Cruz e, na jogada seguinte, Michael Hector cortou com o braço, dentro da área, um cabeceamento do avançado paraguaio. Esteve mal nestes dois lances o árbitro equatoriano Carlos Vera.

Até final da partida, apenas merece destaque um remate de McCleary que passou a rasar o poste direito da baliza paraguaia e um cabeceamento disparatado de Mattocks, já em período de descontos, numa jogada em que Anthony Silva tinha saído em falso.

Os paraguaios voltaram assim a vencer um jogo na Copa América, coisa que já não acontecia desde 2007. Foi um jogo muito fraco, entre duas equipas muito esforçadas, com jogadores muito possantes fisicamente, mas que, na sua esmagadora maioria, pecam bastante em termos técnicos.

A Figura

Miguel Samudio – É difícil escolher um jogador que se tenha destacado pela positiva neste jogo. Assim, nomeio o lateral esquerdo do Paraguai pela raça que mostra em todas as jogadas, sempre ativo a tentar apoiar o ataque. Além disso, foi dele a melhor iniciativa do encontro, num lance finalizado com um remate à trave da baliza jamaicana. Merecia melhor sorte…

O Fora de Jogo
Duwayne Kerr – É certo que o guarda redes também teve azar, pelo facto de a bola ter ido direitinha para a baliza, após ressaltar em Benítez. Contudo, isso não desculpa o erro grosseiro que cometeu nesse lance. Além disso, houve uma mão cheia de cruzamentos em que o guardião jamaicano também mostrou insegurança.

Foto de capa: Site oficial da Copa América

Portugal 1-0 Itália : Será que já temos ponta de lança?

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Naquele que foi o último encontro da temporada para os jogadores das duas seleções, que devem começar os estágios nas respetivas equipas daqui a cerca de duas semanas, Portugal derrotou a Itália por 1-0, num jogo disputado em Genebra, na Suíça, graças a um golo de Éder no início da segunda parte.

Por se tratar de um jogo de caráter particular, e na sequência da operação de renovação a que a seleção nacional tem sido sujeita desde a saída de Paulo Bento, Fernando Santos manteve apenas no onze inicial cinco jogadores que tinham sido titulares diante da Arménia, no sábado (Vieirinha, Bruno Alves, Fábio Coentrão, João Moutinho e Tiago) e deu oportunidade ao médio Danilo Pereira, do Marítimo.

Disposta num 4-3-3 clássico, a equipa de Portugal tinha contra si o histórico de confrontos com os italianos: em 24 jogos realizados, entre oficiais e particulares, registaram-se apenas quatro vitórias portuguesas e dois empates. Para além disso, Cristiano Ronaldo já tinha saído da comitiva lusa e não entrava nas contas da partida, o que segundo a imprensa teria feito baixar o preço do cachê pago à Federação Portuguesa (informação que a FPF se apressou a desmentir) e resfriar o entusiasmo da comunidade portuguesa na Suíça, que não encheu o estádio.

O início de jogo lento parecia confirmar os receios que tinham surgido nos últimos dias: um jogo a meio do mês de junho, sem implicações nas contas do apuramento para o Europeu, com jogadores cansados depois de épocas longas e extenuantes, resultaria num encontro sem interesse, com pouca intensidade e baixa velocidade, uma autêntica pasmaceira. Nada disso. Bartolacci começou por mexer com o jogo aos 18 minutos com um remate perigoso à entrada da área, e pouco depois El Shaarawy arrancou pelo flanco esquerdo, fez o movimento para o meio e rematou em arco com muito perigo. A Itália estava por cima e nem precisava de acelerar muito o ritmo de jogo. O segredo estava, como sempre está, na cabeça de Pirlo, por onde passa toda a construção de jogo.

Uma informação extra dava conta da importância do jogo para a formação transalpina, que não se resumia só ao tradicional “honrar” da camisola – uma vitória faria com que Itália ultrapassasse a Croácia no ranking FIFA e se posicionasse, assim, como cabeça de série no sorteio da fase de grupos de apuramento para o Mundial de 2018. Contudo, a partir da meia hora de jogo, Portugal começou a equilibrar as operações. O trio da frente (Varela, Quaresma e Éder) apostava na pressão alta na saída de bola dos centrais italianos, o que resultou, aos 30 minutos, no momento de viragem do jogo. Éder consegue, em esforço, roubar a bola ao guarda-redes Sirigu e oferece, num passe atrasado, o golo a Varela, que só não marca porque um defesa italiano cortou a bola em cima da linha.

Se Pirlo é o “cérebro” da sua seleção, Moutinho é o coração de Portugal, tão ou mais importante do que Ronaldo. Daí que a decisão de afastar Meireles e Miguel Veloso da equipa para incluir Tiago tenha não só feito brilhar ainda mais Moutinho como consolidou a dinâmica do meio-campo, onde hoje Danilo se exibiu em bom plano – parece mais completo que William Carvalho, sobretudo mais rápido, e não comprometeu numa posição nevrálgica, a de médio-defensivo.

Danilo fez uma boa exibição na sempre exigente posição 6
Danilo fez uma boa exibição na sempre exigente posição 6
Fonte: FPF/Francisco Paraíso

Na segunda parte, acentuou-se o domínio da turma da quinas, embora Bonucci tenha ameaçado adiantar a Itália no marcador logo aos 49 minutos, com um remate ao poste. Logo a seguir, Eliseu, com talento e alguma sorte, consegue galgar uma série de metros e descobrir Quaresma solto na ala esquerda, de onde uma saiu uma trivela perfeita para Éder finalizar. Estava feito o golo de Portugal. A partir daqui, a iniciativa de jogo pertenceu muito mais a Portugal, que sobretudo em contra-ataque foi construindo oportunidades para dilatar a vantagem. Daniel Carriço, que fez a estreia pela seleção principal, Cédric, Adrien e Pizzi foram lançados no decorrer do jogo. Afinal, serão eles, ao que tudo indica, que daqui a cinco/seis anos vão ser considerados os indispensáveis no onze português.

Na parte final do desafio, a formação italiana dispôs de três claras oportunidades para fazer o empate, o que, a acontecer, teria sido tremendamente injusto. Tanto Gabbiadini como Vasquez e Ranocchia esbarraram em Beto. É já mais que evidente, até pela exibição de Rui Patrício na Arménia, que a baliza tem de mudar de dono.

A fechar, destaque positivo para uma (mais uma) boa performance de José Fonte e, pela negativa, destaca-se a lesão de Coentrão, cuja gravidade ainda está por confirmar. Com esta vitória, Portugal quebra um jejum de 39 anos sem ganhar à Itália e confirma a tremenda irregularidade exibicional na era Fernando Santos, onde tanto se pode assistir a jogos miseráveis como a exibições muito bem conseguidas. Agora digo: a jogar como hoje, e com Ronaldo em boa forma, o Europeu não é uma miragem e está ao nosso alcance. Eu acredito.

A Figura:

Éder – Depois de tantos jogos onde nada se viu dele, marcou hoje o seu primeiro golo ao serviço da seleção, mostrou a capacidade que tem de segurar a bola de costas para a baliza e de correr quilómetros a pressionar a defesa. Agora a expetativa é a de que se multipliquem exibições como estas para poder devolver Ronaldo à sua posição natural.

O Fora-de-jogo:

Quaresma – À exceção do cruzamento artístico que deu o golo a Éder, pouco mais se viu. Sucederam-se as perdas de bola, cruzamentos mal medidos, fintas idiotas, etc. Deu a ideia de que foi uma espécie de birra pelo facto de não ter jogado no sábado.

Foto de capa: FPF/Francisco Paraíso

Crónica rápida

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O meu texto, hoje, será muito curtinho. Enxuto. Mas não desprovido de conteúdo (espero).

O que será do Brasil nesta Copa América? Será que pode voltar a vencer? Uma competição que lhe escapa desde 2007. A Argentina já deu o exemplo de que o favoritismo não é tudo; aliás, mais ainda, vencendo ao intervalo por 2-0, acabou por ceder o empate ao Paraguai – uma seleção que hoje em dia já não está tão cotada mas sonha, porém, voltar à ribalta. Agora que o Brasil continua a ser o favoritíssimo. Disso não tenho dúvidas. Mas do deve ao haver… a distância é grande.

Mesmo que a canarinha levante o caneco no Chile, os exigentes torcedores brasileiros só vão voltar a perdoar a equipa daqui a algum tempo, pois o Mundial da Rússia, em 2018, é só daqui a três anos. Parece que ainda sei fazer contas. Porém, o tempo passa a voar. E sabemos bem que apenas o título de campeão do Universo pode saciar os gulosos egos dos habitantes da terra do pau-brasil. Num país onde crescem talentos como cogumelos e ainda por cima em tão pouco tempo, a equipa que se apresentará no Mundial vindouro poderá ser diferente desta (assumindo que o Brasil participará na próxima Copa). Não esquecendo que haverá Jogos Olímpicos pelo meio (precisamente em Terras de Vera Cruz), mestre Dunga quererá já contar com os pupilos em quem confia. Até porque a equipa do Brasil é muito jovem.

Vencendo a Copa América, o escrete garantirá uma presença na Copa das Confederações, a jogar-se na Rússia um ano antes do Mundial. O tal torneio de teste, para verificar se tudo está em ordem. Mas se não vencer, os brasileiros não precisam de ficar tristes. Afinal de contas, desde que a Taça das Confederações foi criada, nunca o vencedor da mesma saiu triunfante do Mundial do ano seguinte. Os nossos irmãos que o digam: vencendo em 2005, 2009 e 2013. Mas nos respetivos anos consequentes de cada um destes três falharam. Superstições. Assim a vida tem mais piada.

Foto de capa: Facebook da Copa América

Olheiro BnR – Danilo Pereira

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Um dos jogadores que promete ser uma das figuras deste defeso de Verão é o médio-defensivo Danilo Pereira, futebolista que se tem assumido como a principal figura do Marítimo e até já chegou à selecção nacional A. Afinal, acreditando na imprensa desportiva portuguesa, Danilo Pereira estará a ser disputado pelo FC Porto e Sporting, sendo certo que a subida de patamar competitivo chega numa altura em que o jovem de 23 anos se encontra mais do que preparado para tal.

Terminou formação no Benfica

Danilo Luís Hélio Pereira nasceu a 9 de Setembro de 1991 em Bissau, Guiné-Bissau, mas desenvolveu toda a sua carreira futebolística em Portugal, tendo passado pelas camadas jovens do Arsenal 72, Estoril-Praia e Benfica. Em 2010, contudo, no salto para o futebol sénior, o médio-defensivo preferiu abandonar as águias e assinar pelo Parma, tendo permanecido ligado a esse clube italiano por três temporadas, ainda que só tenha feito cinco jogos oficiais e todos como suplente utilizado.

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Danilo despertou interesse de Benfica, Sporting e FC Porto, aquando da passagem pelo Marítimo
Fonte: Facebook de fãs Danilo Pereira

Ganhou impacto no Roda

Pelo meio da ligação parmesã, existiram ainda empréstimos ao Aris Salónica (2011) e Roda (2012/13), sendo de destacar a campanha que Danilo Pereira fez no clube holandês, uma vez que foi titularíssimo, somando 35 jogos (um golo) na Eredivisie. Ainda assim, no rescaldo dessa excelente passagem por Kerkrade, Danilo Pereira haveria de se mudar em definitivo para o Marítimo, clube onde rapidamente se impôs como uma das principais figuras e até já serviu de trampolim para a cobiça de grandes emblemas e a chegada à selecção nacional. Afinal, em duas temporadas, são já 70 jogos e quatro golos pela equipa insular.

Tem evoluído imenso

Danilo Pereira é um “seis” que se destaca pela imponente presença física (188 cm, 78 kg), inteligência posicional e capacidade de recuperação, sendo fundamental para manter o equilíbrio defensivo do Marítimo.

Forte na ocupação dos espaços e nos duelos individuais, tem ainda uma capacidade inata para recuar criteriosamente até ao eixo defensivo (posição que também faz sem quaisquer problemas), permitindo então aos insulares, e sempre que necessário, entrar no processo defensivo com três centrais. Onde tem evoluído imenso, por outro lado, é na construção, sendo inegável que Danilo Pereira é agora um jogador que apresenta uma interessante qualidade técnica e de passe, algo que o torna muito importante no início do processo ofensivo e, acima de tudo, que o colocou num outro patamar de excelência.

Foto de Capa: Facebook Oficial de Danilo Pereira