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Critérium du Dauphiné – Froome deixa um aviso à concorrência!

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Cabec¦ºalho ciclismo

Em 2013, Chris Froome venceu o Critérium du Dauphiné e, mais tarde, venceu o Tour de France. Voltará a repetir esse desfecho? Veremos, mas a 1ª parte está completa, que foi o de levar de vencida este Dauphiné e deixar uma forte mensagem para todos os seus adversários à camisola amarela no Tour!

Mais uma vez, esta prova surpreendeu e voltou a dar-nos um bom espetáculo entre alguns dos candidatos a vencer o Tour ou a estar no top5/top10 do mesmo. Nibali e Valverde mostraram estar mais preocupados em ganhar mais forma para o Tour do que propriamente lutar por um bom resultado (mesmo assim, o ritmo de ambos foi suficiente para terminarem no 12º e 9º lugar, respetivamente – sendo que Nibali costuma, igualmente, tentar não estar muito forte nestas corridas para que os adversários não vejam quais poderão ser as suas táticas ou formas de corrida durante a prova). Talansky, o vencedor de 2014 desta prova, não conseguiu melhor do que um 10º lugar.

O Dauphiné que começou e terminou da mesma forma: com uma vitória da Sky! Na 1ª etapa, Peter Kennaugh consegue uma excelente vitória fruto da sua coragem e audácia. O restante do pelotão chegou atrás dele com Modolo a ser o mais forte ao sprint e a conseguir o 2º lugar. Na 2ª etapa, num final esperado ao sprint, Bouhanni, o vencedor da camisola dos pontos, consegue a sua 1ª vitória na prova francesa. Na 4ª etapa viria a vencer, novamente, numa chegada ao sprint e a mostrar que era mesmo o sprinter mais forte desta corrida (veremos como irá lidar com sprinters “de peso” no Tour – Modolo e Mezgec eram a maior concorrência para o francês nesta prova, mas o ciclista da Lampre apenas venceu o próprio Bouhanni num sprint para o 2º lugar e o esloveno, da Giant, o melhor que conseguiu foi um 3º lugar na 4ª etapa). No contrarrelógio coletivo ou por equipas, a BMC, campeã do mundo, mostrou exatamente o porquê de ter sido a mais forte nos mundiais e venceu a etapa deixando Rohan Dennis na liderança e Van Garderen numa excelente posição para poder vencer a prova.

Os atuais campeões do mundo de contrarrelógio por equipas não desiludiram e venceram na sua especialidade Fonte: steephill.tv
Os atuais campeões do mundo de contrarrelógio por equipas não desiludiram e venceram na sua especialidade
Fonte: steephill.tv

Depois desse CR e da última etapa ao sprint compacto, finalmente apareceram as etapas de montanha e tivemos as primeiras “lutas” entre os favoritos à geral. Na 5ª etapa, Romain Bardet esteve taticamente perfeito e, arriscando na descida, conseguiu ter uma vantagem suficiente para vencer a etapa e passar a ter a camisola branca da juventude na sua posse (tendo Van Garderen conseguido o 2º lugar na etapa, batendo Froome, e a camisola amarela). Nibali, Valverde e Rui Costa não aguentaram o ritmo dos principais adversários e deixaram-se ficar para trás. Mas é também por momentos como os seguintes que o ciclismo é o enorme espetáculo que é: na etapa seguinte, a 6ª, os mesmos três integraram a fuga principal do dia (juntamente com “dois Tony’s”: Martin e Gallopin). O italiano da Astana poderia ter conseguido, nesse mesmo dia, a camisola amarela e a vitória de etapa, não tivesse com ele um ciclista de seu nome…Rui Costa, claro está! O português, em mais uma “jogada de mestre”, geriu melhor as forças e acabou por bater o italiano, nos últimos metros, com relativa facilidade (pode ver mais acerca desta enorme vitória aqui).

As duas últimas etapas tiveram um nome em comum: Christopher Froome! O britânico da Sky, mesmo sem grande desgaste, deu espetáculo e venceu, com categoria, as duas etapas. Na 7º etapa, numa grande luta com Van Garderen, Froome conseguiu escapar-se do americano a tempo de ainda ganhar 17 preciosos segundos para o seu objetivo de vencer esta prova. Mesmo assim, depois disto, ainda estava tudo em aberto, com o ciclista da BMC a manter o seu 1º lugar por meros 18 segundos. Previa-se uma última etapa de enorme categoria, principalmente pelo facto de termos o homem que estava em 2º lugar numa melhor forma, mas com o Van Garderen a ter a vantagem na sua posse.

O pódio final do Critérium du Dauphiné Fonte: Letour.fr
O pódio final do Critérium du Dauphiné
Fonte: Letour.fr

Chegada a última etapa e chegados os últimos km’s, Froome (quem mais…) desfere um excelente ataque e o camisola amarela nunca mais o conseguiu apanhar (a certa altura chegou a olhar para trás para ver se conseguiria ter a ajuda do grupo perseguidor, mas isso não aconteceu). Esse mesmo grupo perseguidor continha o português Rui Costa (que na etapa anterior perdeu um pouco de tempo devido ao desgaste que teve no dia da sua vitória) e o britânico e uma das jovens sensações do momento Simon Yates (no final do dia conseguiu o 2º lugar na etapa, o 5º lugar da geral e, ainda, “tirou” a camisola de melhor jovem a Romain Bardet) – já agora, referente a jovens sensações do momento, há que ter em atenção, tal como já tenho dito a várias pessoas há uns tempos atrás, o crescimento de Caleb Ewan, venceu agora a Volta à Coreia e, das 8 etapas, ganhou 4. Voltando ao Critérium, quer o Yates, quer o Rui, ainda foram a tempo de superar o Van Garderen e, com as bonificações, o próprio Rui Costa (o ciclista da Movistar Benat Intxausti não foi forte o suficiente na última subida) conseguiu subir a um enorme 3º lugar na geral individual! Já Van Garderen perdeu a liderança, mas mostrou estar em forma para as provas vindouras.

A camisola da montanha até nem foi ganha por nenhum destes maiores intervenientes, mas sim por um ciclista da Eritreia, de seu nome Daniel Teklehaimanot, da equipa sul africana MTN Qhubeka, que foi integrando as fugas certas e conseguiu dar esta vitória a todo um povo eritreu e, até mesmo, a toda uma nação africana, sendo este outro dos grandes momentos deste Critérium du Dauphiné.

Em suma, uma vitória justa do Froome, da Sky (apesar de, por vezes, tentarem meter um ritmo lento nas corridas e que se pode tornar pouco interessante, não deixam de ser uma excelente equipa) e a confirmação de que o britânico não vai estar para brincadeiras no Tour – prova que começa já no princípio de Julho, dia 4! Por fim, igualmente a confirmação de que o Rui Costa deveria optar por fazer mais corridas de 1 semana ou menos, provas onde está a ter, cada vez mais, excelentes resultados. Mesmo assim, aguardamos todos, com boas expetativas, pelo começo do Tour, não só pela batalha que se prevê entre os 4 melhores ciclistas de Grandes Voltas, bem como por um possível top10 da parte do grande Rui Costa (e de boas provas, também, do restante elenco de portugueses que irá estar presente).

Das Astúrias à Catalunha – Uma Deambulação pela Liga Adelante

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Não passo de um mendigo do futebol, ando pelo mundo de chapéu na mão, nos estádios suplico: – Uma linda jogada pelo amor de Deus! E quando acontece o bom futebol, agradeço o milagre – sem me importar com o clube ou o país que o oferece.” – Eduardo Galeano

A edição 2014/15 da Liga Adelante (2.ª Divisão do futebol espanhol) foi provavelmente tão ou mais interessante do que a temporada da Liga BBVA que proporcionou ao Barcelona o 23.º título da sua história no escalão principal do futebol espanhol.

Com o playoff de subida ainda a decorrer (mas que terá  como finalistas o Las Palmas e o Zaragoza), a Liga Adelante já tem, no entanto, um campeão, um vice-campeão e quatro equipas que vão descer de categoria. O Real Betis do regressado Pepe Mel (homem que deixou os adeptos béticos em lágrimas quando deixou a equipa em Dezembro de 2013) sagrou-se campeão, conseguindo 84 pontos em 42 jogos, e com eles segue caminho para a Liga BBVA o surpreendente Sporting de Gijón, que conseguiu uma época notável, terminando a sua campanha com apenas duas derrotas.

A equipa asturiana, comandada pelo antigo internacional espanhol Abelardo Fernández, foi a protagonista de um jogo atípico e ao mesmo tempo emocionante disputado na última jornada do campeonato no Benito Villamarin (reduto do Real Betis), no qual somou os três pontos graças a uma categórica vitória por 3-0. O Sporting de Gijón precisava de vencer esse jogo e esperar por uma escorregadela do Girona em casa perante o Lugo, algo que seria à partida pouco provável, mas que acabou por acontecer já no período de descontos quando o avançado argentino Pablo Caballero conseguiu o empate para a equipa galega. Graças a esse inusitado empate, o Sporting de Gijón de Abelardo Fernández conseguiu uma merecida promoção ao escalão principal do futebol espanhol.

Abelardo Fernández: O Homem que reinventou o Sporting de Gijón Fonte: Sporting Gijón
Abelardo Fernández: O Homem que reinventou o Sporting de Gijón
Fonte: Sporting Gijón

O antigo defesa espanhol, que dividiu a sua carreira como profissional entre o Sporting de Gijón, equipa onde se formou, e o Barcelona, onde passou oito anos bem sucedidos, foi o grande mentor deste regresso da equipa asturiana ao convívio com os grandes. Apoiado pela Escuela de Fútbol de Mareo, a “fábrica” de jogadores do Sporting de Gijón, Abelardo, que conhece a estrutura da equipa asturiana como ninguém, montou um plantel recheado de atletas com imenso talento e composto essencialmente por jogadores espanhóis, algo muito pouco normal nos dias que correm por essa Europa fora.

Jogadores como o canterano Carlos Castro, um jovem avançado espanhol com um potencial tremendo, como Sergio Álvarez, um médio centro de elevadíssima qualidade, internacional pelas selecções jovens de Espanha, e outros mais experientes, como o seu número 10 Nacho Cases, o versátil lateral direito Alberto Lora e o experiente guarda-redes Iván Cuéllar, foram de vital importância nas manobras da equipa durante toda a temporada. Abelardo, que absorveu muito do estilo de jogo Barcelonista durante a sua passagem pelo clube catalão, implementou no Sporting de Gijón um estilo bastante atractivo, baseado no passe curto, nos movimentos rápidos e nas linhas muito juntas, em tudo semelhante àquele que caracterizou o futebol da formação blaugrana durante épocas a fio. Através de um 4-2-3-1 que rapidamente se transformava em 4-4-2 ou 4-4-1-1 graças à versatilidade dos seus homens da frente, Abelardo conseguiu não só construir a melhor defesa da Liga Adelante (apenas 27 golos sofridos em 42 jogos), como fazer do Sporting de Gijón uma das equipas que melhor jogam em todas as categorias do futebol espanhol. Falar da actual carreira de Abelardo Fernández e dos seus tempos como futebolista ao serviço do Barça quase nos obriga a olhar para aquilo que sucedeu ao Barcelona B esta temporada.

Os jovens jogadores do Barcelona B na hora do adeus à Liga Adelante Fonte: Página Oficial da Liga Adelante
Os jovens jogadores do Barcelona B na hora do adeus à Liga Adelante
Fonte: Página Oficial da Liga Adelante

A equipa que costuma abrir as portas do estrelato aos jogadores formados em La Masia terminou a época em último lugar, tendo sido, com isso, despromovida à 2.ª Divisão B. Depois de ter conseguido um 3º lugar em 2013-14, o Barça B foi incapaz de se impor numa liga em que o nível de qualidade futebolística tem aumentado de ano para ano. Apesar de ter um plantel recheado de excelentes jogadores, como o prodígio croata Alen Halilovic, Sergi Samper, Adama Traoré, Munir El Haddadi e Sandro Ramirez, entre outros demais, o Barcelona B não foi capaz nem de perto, nem de longe, de replicar aquilo que fez na temporada passada.

Eusebio Sacristán, o homem que tomou conta da equipa após a saída de Luis Enrique em 2011, não resistiu aos maus resultados e foi substituído no passado mês de Fevereiro por outro homem da casa, de seu nome Jordi Vinyals. Não obstante o bom resultado global da época passada, Eusebio Sacristán nunca conseguiu montar um Barcelona B nem altamente sincronizado, nem extremamente eficaz, como aquele que Luis Enrique criou aquando da sua passagem pela equipa. O treinador asturiano, que foi o responsável por devolver o Barcelona B às ligas profissionais após uma longa ausência de onze anos, viu, de forma algo irónica, o seu trabalho hercúleo ir por água abaixo no ano em que se sagrou campeão nacional e europeu com a equipa catalã.

Foto de Capa: Página Oficial da La Liga (Liga Espanhola)

Downhill’2015: Ronda 3, Leogang, Áustria

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Este fim-de-semana decorreu a 3.ª etapa do Campeonato do Mundo de Downhill. A prova teve lugar em Leogang na Áustria. Com algumas alterações em relação ao ano passado, os participantes encontraram uma pista com cerca de 4 minutos, com bastantes partes técnicas, como por exemplo zonas de raízes e de pedras e partes bastante rápidas com single tracks e Wall rides. O espetáculo para os amantes da modalidade esteve assegurado.

Estas provas dividem-se em dois dias. O primeiro dia destina-se à qualificação, onde apenas os melhores atletas se qualificam para a manga final, que decorre no domingo.

A qualificação ficou marcada por algumas surpresas. Nos júniores os três primeiros qualificados foram  Andrew Crimmins, Laurie Greenland e Jacob Dickson, sendo que o atleta Silas Grandy, que é residente no Algarve e realiza as provas em Portugal pelo Moto Clube de Faro/ XDream, classificou-se em 5º lugar desta categoria. O atleta algarvio que realiza as provas internacionais pela equipa da Nicolai, está a participar no  Campeonato do Mundo de Downhill este ano pela primeira vez , o que torna o seu resultado uma surpresa bastante agradável.

Sila Grandy em acção  Fonte: MTB News
Sila Grandy em acção
Fonte: MTB News

Nas Elites Femininas a suspeita do costume voltou a ficar no lugar mais alto da tabela classificativa. Rachel Atherton, bastante experiente em Campeonatos do Mundo, ficou à frente de Emmeline Ragot e Tahnee Segrave.

Por fim, nos elites Masculinos Aaron Gwin, atleta da Specialized, qualificou-se em primeiro lugar à frente de Connor Fearon e Remi Thirion. É de referir que, nesta categoria, o Atleta Emanuel Pombo, único português a correr nos elites masculinos, não se conseguiu qualificar para a manga final.

Na manga final os resultados da classificação sofreram algumas alterações. Nos júniores o vencedor foi Andrew Crimmins com o tempo de 3:42.706, superiorizando-se a Jacob Dickson e Laurie Greenland. Silas Grandy, atleta que referi anteriormente, terminou em nono lugar desta categoria a cerca de 10 segundos do primeiro classificado.

Aaron Gwin, vencedor dos elites masculinos Fonte: Pinkbike
Aaron Gwin, vencedor dos elites masculinos
Fonte: Pinkbike

Nas Elites femininas a vencedora foi Rachel Atherton com o tempo de 4:04.108 superiorizando-se a Tahnee Segrave e Emmeline Ragot, que trocaram de posições relativamente aos lugares que ocuparam na classificação. Manon Carpenter, uma das favoritas à vitória nesta categoria, acabou por ser desclassificada na manga final, acontecimento que facilitou a vida à atleta da GT bycicles.

Com uma corrida inesquecível, Aaron Gwin foi o vencedor dos elites masculinos. O americano partiu a corrente nos primeiros dez metros de pista, fazendo toda a descida sem pedalar. Mostrando uma fluidez impressionante em cima da sua bicicleta e mantendo sempre a velocidade ao longo da pista, o atleta da Specialized venceu a prova com o tempo de 3:34.354 superiorizando-se a Connor Fearon por apenas 0.045 segundos e a Remi Thirion  por 1.330 segundos.

Terminada esta ronda Aaron Gwin segue em primeiro lugar na geral com 624 pontos, em segundo lugar surge Loic Bruni com 435 pontos e em terceiro lugar está Greg Minnaar com 413 pontos.

A próxima ronda irá decorrer nos dias 4 e 5 de julho em Lenzerheide (Suíça).

 Foto de capa: Pinkbike

Copa América’2015 – Brasil 2-1 Peru: Neymar e +10

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Ai está a primeira vitória de Neymar – desculpem, do Brasil – na Copa América. A ferros, e sobretudo graças ao talento do craque brasileiro, a canarinha bateu o Peru e fez o que lhe competia.

A partir do momento em que foram anunciados os onzes inicias das equipas, percebeu-se que o Brasil iria encontrar dificuldades para levar de vencida uma aguerrida e determinada selecção peruana.  Dunga, seleccionador brasileiro, apresentou algumas novidades na equipa titular, ao lançar Diego Tardelli na frente de ataque, Fred numa das alas e Thiago Silva no banco de suplentes. Do outro lado, o técnico do Peru, Ricardo Gareca, escalou um onze calculista, com muitos jogadores no meio-campo, e com o ponta-de-lança Guerrero sozinho na frente. Num esquema táctico 4-2-3-1 onde os médios do Brasil estavam quase sempre estáticos e o ponta-de-lança longe da baliza, o jogo da canarinha passava pelos rasgos individuais de jogadores como Neymar, William ou Dani Alves.

Os problemas do Brasil no jogo começaram então logo pela disposição da equipa em campo e agravaram-se com o golo madrugador do Perú, logo aos 3 minutos de jogo. Erro de David Luiz, um prenda de Jefferson , o guarda-redes brasileiro, e o golo de Cristian Cuevas para inaugurar o marcador.

A reacção do Brasil não tardou e Neymar, o melhor em campo, respondeu de cabeça a um cruzamento perfeito de Daniel Alves. 5 minutos de jogo, 1-1 no marcador. Como esta Copa América nos tem habituado, também esta partida foi pautada por um ritmo alucinante, com ambas as equipas a procurarem o golo em constantes jogadas de contra-ataque. Um Perú logicamente mais contido não se escondeu no jogo e procurou sempre incomodar a baliza do Brasil durante toda a partida.

Na primeira parte, Cuevas e Guerrero, os melhores jogadores peruanos no jogo, conseguiram criar perigo à experiente defesa canarinha e nem os dois médios de contenção do Brasil foram capazes de travar as iniciativas destes dois jogadores.  No escrete, eram apenas as iniciativas de um inspirado e confiante Neymar que abanavam a defesa peruana, pois faltava presença na área do Perú e por isso foram escassas as oportunidades de golo do Brasil no primeiro tempo.

Neymar foi o melhor jogador em campo Fonte: Facebook Oficial da Copa América'2015
Neymar foi o melhor jogador em campo
Fonte: Facebook Oficial da Copa América’2015

Faltava mais ligação entre o meio-campo e o ataque brasileiro e Dunga demorou a perceber que tinha de mudar a dinâmica de jogo da equipa. Os trincos do Brasil, Fernandinho e Elias foram apenas mais dois corpos presentes no relvado e não tiveram qualquer influência no jogo ofensivo do Brasil e até foram pouco eficazes nas compensações defensivas.  Falando de presenças estranhas no onze brasileiro, Fred e Tardelli revelaram desinipiração na suas acções  e facilmente se percebeu o porquê de a qualidade de jogo canarinha ter aumentado quando estes jogadores foram substituídos por outros bem mais talentosos – Douglas Costa e Firmino.

A entrada destas duas unidades deu um novo impulso ao ataque do Brasil, sobretudo pela velocidade que Costa imprimiu pelo flanco direito. O médio que está prestes a assinar pelo Chelsea foi mesmo o autor do golo que deu a vitória ao escrete, em cima do apito final, após um majestoso passe de Neymar, o abono de família desta selecção.

Sorte para o Brasil e infortúnio para a selecção peruana que, valendo-se do trabalho, garra e dedicação dos seus jogadores, a juntar ao talento de Cuevas (atenção a este jogador), Farfán ou Guerrero, fez por merecer o empate neste jogo.

Quanto ao Brasil, é certo que está numa boa posição para passar à fase seguinte da competição, mas tem de mudar muito o seu estilo de jogo e a disposição táctica se quer vencer esta Copa América. Não esperava uma equipa tão refém de Neymar e com um sentido defensivo tão presente, com dois médios de características iguais que não aquecem nem arrefecem o jogo da equipa. Firmino e Douglas Costa têm de ser titulares e é de esperar que Philippe Coutinho recupere da lesão e apareça no onze do escrete. Isto para bem dos brasileiros!

A Figura:

Neymar – o craque brasileiro está num momento de forma impressionante e é o patrão desta selecção. Faz o que quer com a bola, com os adversários e orienta todo o jogo ofensivo da equipa. Marcou, deu a marcar e encheu o campo. Uma delicia!

O Fora-de-Jogo:

Dunga –  Não consigo perceber como é que uma das melhores do mundo, uma das favoritas à conquista da Copa América, joga com dois trincos estáticos à frente da defesa, com um ponta-de-lança banal e sem presença na área e esá dependente dos rasgos individuais de Neymar. Dunga tem recursos para fazer esta equipa jogar muito mais. Tem é de ser com outros jogadores.

Foto de Capa: Facebook Oficial da CBF

Copa América’2015 – Colômbia 0-1 Venezuela : Assim os cafeteros não vão lá!

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Aí está a primeira grande surpresa da Copa América com a Venezuela a vencer pela margem mínima a favorita Colômbia. Depois da meia-surpresa do empate do Paraguai com a Argentina, Rondón fez o favor de contrariar as odds e dar 3 pontos à seleção Vinotinto, num jogo muito fraco da seleção de José Pekerman.

A Colômbia era teoricamente favorita para esta partida, com um ataque composto por James, Cuadrado, Falcao e Bacca, e seria de esperar uma seleção acutilante, dominadora e a criar muito perigo, mas aconteceu tudo menos isso. A seleção “cafetera” parecia manca do lado esquerdo, já que Bacca e Falcao se fixavam no meio, Cuadrado estava colado à linha e James era um vagabundo a tentar ganhar espaços e a pautar o jogo. Nunca o conseguiu já que os Venezuelanos surgiram bem preparados e foram sempre muito agressivos, às vezes demasiado, a cometer muitas faltas, mas sobretudo foram eficazes a impedir a progressão colombiana.

Por isso foi raro ver um ataque concluído do conjunto comandado por José Pekerman, no primeiro tempo e foram até os venezuelanos a criar mais perigo. Aos 5’, James ainda rematou com a bola a ser desviada num defesa, e depois disso só à passagem do minuto 28 um registo perigoso. Ospina bateu longo, os venezuelanos não intercetaram e a bola ficou a pingar à entrada da área, com Falcao a tentar o chapéu e o esférico a passar por cima da baliza de Baroja.

Já a Venezuela assustou mesmo e o golo esteve perto em duas situações em que Ospina, guarda-redes colombiano do Arsenal, se superiorizou. Primeiro Rondón fez de pivot, como no futsal, segurou a bola de costas para a defesa e fez um passe a rasgar entre os dois centrais colombianos, onde surgiu Vargas, descaído para o lado esquerdo a rematar para a defesa do camisola 1.

Bem perto do intervalo foi Guerra a causar calafrios aos cafeteros num lance digno de futebol de praia. O jogador, à entrada da área, levantou a bola e fez um pontapé de moinho ao qual Ospina correspondeu de forma perfeita. Bonito lance numa primeira parte fraca a nível futebolística, com muita intensidade na disputa de cada bola, onde a Colômbia não correspondeu às expetativas e o esférico foi muito mal tratado.

Jackson e Falcao alinharam lado a lado nos últimos 7 minutos de jogo, mas não conseguiram alcançar o empate Fonte: Facebook Jackson Martinez
Jackson e Falcao alinharam lado a lado nos últimos 7 minutos de jogo, mas não conseguiram alcançar o empate
Fonte: Facebook Jackson Martinez

No segundo tempo, James e companhia vieram mais atacantes, com mais disposição para ganhar o jogo e cercaram a área de Baroja, mas os Venezuelanos continuavam a conseguir sair no contragolpe. O processo de transição ataque-defesa dos colombianos deixa muito a desejar e os laterais bem subidos deixam quase sempre a equipa descompensada e desequilibrada.

A desconcentração que os cafeteros demonstravam também não ajudava e foi por causa disso que acabaram por sofrer o golo ao minuto 60. Num lançamento lateral longo a meio do terreno ofensivo dos venezuelanos, marcado de forma rápida para as costas da defesa, surge Juan Arango descaído para o lado direito, que com dois toques dominou e bombeou a bola para o segundo poste, onde Vargas, de cabeça, cruzou para o centro da área. Rondón, avançado do Zenit, com o seu instinto matador, não iria desperdiçar e cabeceou para o fundo da baliza, com o esférico a entrar junto ao poste esquerdo de Ospina. Sem hipóteses para o guardião!

Estava inaugurado o marcador e com meia-hora para jogar esperava-se o intensificar da pressão colombiana em busca de um resultado positivo, mas o seu ataque sempre esteve muito desorganizado e confuso. James era o mais inconformado, mas sozinho era difícil ultrapassar uma defesa venezuelana bem orientada.

James foi o mais inconformado dos “cafeteros”, mas foi insuficiente Fonte: James Rodriguez – Oficial
James foi o mais inconformado dos “cafeteros”, mas foi insuficiente
Fonte: James Rodriguez – Oficial

Pekerman mexeu e colocou Teo Gutierrez em campo por Bacca (apagadíssimo), mas pouco mudou. Aos 78’, James criou uma situação de perigo com um remate de longe, para boa defesa de Baroja e na recarga Cardona obrigou o guarda-redes a nova intervenção. Na sequência do canto, um jogador colombiano desviou ao primeiro poste e Zapata ao segundo, solto de marcação, falhou de forma inacreditável o alvo.

Logo a seguir entrou Jackson para o assalto final e o avançado, que está de saída do Porto, ainda esteve num lance de perigo. Cruzamento do lado direito, Cha Cha Cha desvia e Cuadrado, na pequena área, tenta um pontapé de moinho mas falha a baliza de forma clamorosa.

O cronómetro corria a passos largos para o fim e a Colômbia não conseguia chegar ao empate e pouco fazia para o conseguir. Nos últimos 5 minutos, fica para a história um cabeceamento de Teo, ao lado e muitos balões sem efeito para a área.

3 pontos para a Venezuela, que foi a equipa mais organizada, mais sólida e solidária e soube aproveitar os contra-ataques de que dispôs. A sensação que dá é que a Colômbia precisa de evoluir muito mais, se quiser fazer jus ao seu estatuto na Copa América. E ainda tem o Brasil no grupo!

A Figura:

Rondón – foi o homem do jogo pelo golo que marcou e pela luta que deu a toda a defensiva colombiana. É um homem de área, mas sente-se muito bem a sair dela e a construir jogo e servir os seus companheiros. É a estrela da companhia!

O fora-de-jogo:

Falcao – 90 minutos a rondar a mediocridade. Longe do fulgor e da qualidade de outros tempos, Falcao foi incapaz de ser uma ameaça para os centrais venezuelanos. Jogou o tempo todo pelo estatuto, mas é incompreensível como Jackson fica no banco e só entra a 7 minutos do fim, com a exibição de El Tigre.

Sporting 2–2 Benfica (2-3 nas g.p.): Águias com estrelinha de campeão nos penalties

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cab futsal

Na jaula do Leão, o Benfica voltou a ser campeão nacional de futsal ao fim de quatro jogos. Os encarnados venceram nas grandes penalidades o Sporting, conquistando a terceira partida nesta final. Com muita polémica, Jefferson concretizou o penálti decisivo, mas o herói foi mesmo Juanjo, com uma exibição sensacional.

O Sporting estava obrigado a vencer o jogo para não ver o seu rival vencer em sua casa e entrou mais forte, a pressionar logo à saída da área do Benfica e a evitar que as águias controlassem os minutos iniciais dos jogos, como sucedeu nas outras três partidas da final. Ora, esse ímpeto inicial iria dar frutos de imediato. Primeiro, Diogo ameaçou com um remate ao lado, mas na oportunidade seguinte, e apenas com dois minutos e 10 segundos decorridos, iria inaugurar o marcador.

Alex ganhou a disputa de bola com Gonçalo Alves, e isolou Miguel Ângelo, que na cara de Juanjo permitiu a defesa para a frente do regressado guarda-redes espanhol (cumpriu um jogo de castigo no jogo 3). Neste momento surge Diogo, que atira para a baliza; Juanjo volta a defender, mas à terceira foi de vez. O camisola 8 dos Leões voltou a ganhar a bola no meio de dois jogadores do Benfica e entrou com a bola pela baliza dentro. Foi o golo 24 de Diogo esta época.

Depois do golo do Sporting, o Benfica ficou mais perigoso, embora com muito jogo direto, com Juanjo a lançar inúmeras bolas e Alessandro Patias a ser o mais inconformado. O encontro estava muito dividido, com inúmeras oportunidades de golo e, ainda antes de estarem 10 minutos corridos, Marcelinho e Patias iriam enviar bolas aos postes. Primeiro o jogador leonino depois de um excelente passe de Alex e, em seguida, Patias a libertar-se de Djo com classe e a fazer abanar a baliza.

Diogo e Ré foram duas das grandes figuras do jogo 4 e de toda a final Fonte: Facebook de Sport Lisboa e Benfica - Modalidades
Diogo e Ré foram duas das grandes figuras do jogo 4 e de toda a final
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica – Modalidades

Intensidade máxima, os guarda-redes a brilharem e a fazerem desesperar os jogadores. Alex falhou o 2-0 depois de se libertar da marcação e atirar para boa defesa de Juanjo, e Ré isolado fez André Sousa brilhar mais uma vez. No minuto final da primeira parte, houve três lances consecutivos que não deixaram os adeptos sentar-se nas cadeiras. Primeiro as águias, numa saída rápida com Patias a fintar Pedro Cary e a soltar em Hemni, descaído para o lado direito, que atirou para mais uma defesa. No contra ataque Alex volta a ameaçar, e o guarda-redes espanhol superiorizou-se novamente. Deu canto, que o Benfica interceptou, e Hemni conduziu mais um ataque que ele próprio finalizou, para André Sousa voltar a brilhar.

O intervalo chegou e, se os adeptos estavam satisfeitos, mal podiam esperar pela entusiasmante e fantástica segunda parte. Nos primeiros dois minutos, Patias ameaçou três vezes o golo, mas seria o Sporting a aumentar a vantagem. Num livre quase frontal à baliza, Diogo simulou o remate e Pedro Cary assistiu Caio Japa, que estava descaído para o lado esquerdo e bateu Juanjo pela segunda vez. Depois de dois minutos e meio loucos com muitas oportunidades, os leões davam uma pancada forte no Benfica e parecia que depois disto o Sporting iria para a goleada.

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Joel Rocha venceu o campeonato e a Taça na época de estreia pelos encarnados
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica – Modalidades

Engano total: o conjunto de Joel Rocha reagiu logo a seguir e fez o 2-1 por Xande, um jogador pouco utilizado nesta final. Bruno Coelho recuperou a bola no meio-campo e criou uma situação de 2 para 1, com Xande contra Marcelinho, e entregou ao seu colega, que reduziu, num remate rasteiro e cruzado.

Os leões não abalaram e criaram uma série de situações que poderiam ter “matado” o jogo. Marcelinho, Fábio Lima, Alex e Djo tentaram bater Juanjo, mas sempre sem efeito! Por duas vezes o poste impediu também o golo.

E como quem não marca sofre, o Benfica iria empatar a partida. A equipa de Nuno Dias acusou tantas perdidas e perdeu o controlo do jogo. Nesta fase, Ré e Patias foram os protagonistas. À entrada dos últimos cinco minutos, o primeiro, a passe do segundo, isolou-se e proporcionou a André Sousa a defesa da tarde. Logo a seguir, em mais um lançamento longo de Juanjo, Patias desviou para a baliza e o internacional português voltou a evitar, desta vez em cima da linha, o tento da igualdade.

Todavia não iria demorar muito a que este chegasse. Ré tabelou com um companheiro, em velocidade ultrapassou Djo, que o derrubou, quando este ficou na cara de André Sousa, descaído para o lado esquerdo. Amarelo para o defensor, mas o lance exigia o vermelho ao camisola 7 dos leões.

No livre, Alessandro Patias cobrou-o de forma exímia, fazendo a bola entrar junto ao poste esquerdo do guardião sportinguista. A três minutos e 43 segundos do fim, o jogo estava empatado e até ao final apenas o livre de Diogo à figura de Juanjo causou perigo.

Que segunda parte fantástica, um hino ao futsal e um jogo que deveria ser gravado em DVD e oferecido a todos os que estão a iniciar-se na modalidade para aprenderem com os melhores ou àqueles que dizem que o Futsal em Portugal perdeu qualidade.

Cristiano foi uma das figuras da final Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica - Modalidades
Cristiano foi uma das figuras da final
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica – Modalidades

E, se no prolongamento, as equipas costumam ter mais medo de perder do que de ganhar, este foi exceção. O Sporting justificou mais golos na primeira parte do prolongamento com mais duas bolas aos ferros e mais algumas brilhantes defesas de Juanjo. Na segunda parte, o Benfica entrou mais ofensivo, criou mais perigo e André Sousa foi determinante. Nuno Dias mexeu, arriscou no 5 para 4, com Alex a fazer de guarda-redes, e mostrou que não queria os penáltis. Não resultou, e tudo foi decidido na marca da grande penalidade.

Uma série de três penáltis para cada equipa, que ficou marcada por muita polémica devido ao posicionamento do guardião leonino, que se adiantou constantemente da linha de golo. Mas já lá vamos!

Djo foi o primeiro e acertou com estrondo na barra, iniciando a série da pior maneira. Patias assumiu no Benfica e fez o 0-1. Seguiu-se Diogo (o melhor jogador de campo do Sporting), que converteu de forma perfeita o seu. Bruno Coelho não tremeu e voltou a pôr o Benfica a liderar. 1-2, e pressão toda em Fábio Aguiar pois, se falhasse, o título era do Benfica, mas o jogador sportinguista não desperdiçou. 2-2, e penálti decisivo para Xande.

O brasileiro partiu para a bola, André Sousa deu uns passos à frente, e defendeu. Delírio dos adeptos na bancada, mas por poucos segundos: o árbitro mandou repetir e isto despoletou muitos protestos. Nuno Dias era o rosto dessa revolta. Certo é que André Sousa se adiantou e o árbitro tinha tomado a decisão certa.

Xande ia preparar-se para repetir, mas os adeptos do Sporting não concordavam e atiravam objetos para a quadra. Os árbitros mudaram de baliza, o que provocou ainda mais confusão nas bancadas. Muito tempo depois, Xande parte para a bola e… volta a falhar! André Sousa adiantou-se de novo, os árbitros nada fizeram e o Benfica desperdiçava a hipótese de título.

Euforia na bancada, que Fábio Lima não aproveitou. Defesa de Juanjo, que voltava a dar Championship point às aguias. Jefferson olhou para André, correu para a bola e falhou, com o internacional português a voltar a adiantar-se. Os árbitros voltam a mandar repetir, o filme do penálti anterior repete-se, mas nada a fazer. Jefferson iria voltar a tentar e à segunda não perdoou, entregando a taça ao Benfica, que voltou a ser campeão nacional de futsal.

Uma final ganha pelos encarnados, mas que acabou da pior forma, justificada pelos ânimos exaltados e os nervos à flor da pele que se viveram neste jogo 4. Independentemente do vencedor, é importante sobretudo dar os parabéns a estas duas excelentes equipas pelos fantásticos jogos que nos ofereceram. Que pena não haver mais jogos, porque o futsal sairia a ganhar.

Parabéns aos campeões, parabéns aos dignos vencidos e que as férias passem depressa para voltarmos a ter espetáculos desta dimensão.

A Figura:

Juanjo – O guarda-redes espanhol esteve formidável, com uma sequência de defesas espantosas que mantiveram sempre o Benfica na rota do título. Foi um grande reforço e um dos melhores do campeonato. Muito da vitória de hoje se deve a ele! Nas penalidades ainda defendeu o de Fábio Lima, que permitiu a Jefferson converter o decisivo.

O Fora-de-jogo:

Os árbitros – Difícil escolher alguém para destacar negativamente nesta partida, mas a escolha recaiu sobre a arbitragem. Apesar de terem estado muito bem na confusão das grandes penalidades, durante o jogo tiveram várias decisões erradas, muita benevolência em algumas faltas duras, perdoando a expulsão a João Matos numa entrada duríssima sobre Ré, e uma má decisão ao só amarelar Djo, quando agarrou o mesmo Ré, que seguia isolado, só com André Sousa pela frente.

Foto de capa: Facebook do Sport Lisboa e Benfica – Modalidades

Todos na casa de partida

hic sunt dracones

No Sporting, Jorge Jesus não vai ter a mesma estrutura nem as mesmas condições de trabalho ou financeiras que lhe eram oferecidas na Luz. Já para os lados do Benfica, Rui Vitória volta à estrutura encarnada para orientar a equipa principal e começar a lançar os jovens da academia para os grandes palcos.

A miríade de opiniões que surgiram após a “bicada” do século era esclarecedora e, ao mesmo tempo, contraditória. Apesar de serem meras opiniões, existia uma grande disparidade entre elas porque a verdade é só uma: ninguém sabe. Ninguém sabe onde é que o Sporting foi buscar tanto dinheiro. Ninguém sabe o que é exigido a Rui Vitória ou a Jorge Jesus para além do óbvio. Ninguém sabe as condições de trabalho oferecidas. Ninguém sabe nada de nada.

Rui Vitória é um treinador que aposta na formação? Jorge Jesus despreza as categorias de base? Clichés! Todos os treinadores trabalham com o que têm. Vitória tem apostado na formação porque não tem tido craques de 15 milhões à disposição. Jesus tem desprezado as categorias de base porque lhe têm dado esses mesmos jogadores. Todos querem uma coisa: ganhar. E para isso costuma ser boa ideia colocar os melhores a jogar.” (António Tadeia)

Apesar de algumas reticências que coloco ao ler a opinião de António Tadeia, que merecia ser muito mais desenvolvida, pergunto-me como não concordar em grande parte com a opinião do comentador de futebol.

Todos juntos na casa de partida
Todos juntos na casa de partida

Mas voltemos ao ponto de partida desta crónica, que, afinal, é sobre o FC Porto. Sim, ponto de partida parece-me o termo mais correto para utilizar neste momento. Tenho ouvido por aí que o FC Porto já começa a época à frente da concorrência porque manteve a estrutura, a equipa técnica e não mudou nada. E ouço-o, inclusive, de adeptos portistas. Passámos uma época a queixar-nos de sermos burgueses, de nos acharmos superiores aos outros. Pior… começámos a época a pensar que estava tudo ganho com uma equipa fabulosa, a “melhor dos últimos 30 anos”.

A casa de partida é a mesma para todos. Ninguém começa com mais ou menos pontos, com mais golos marcados ou menos golos sofridos. Começam todos do zero. A diferença está apenas nas equipas e na maneira como se prepararam e como vão encarando a competição. Pessoalmente? Prefiro acreditar que Jorge Jesus e Rui Vitória serão capazes. Prefiro acreditar que são capazes do que adormecer à sombra de umas “esperadas” prestações aquém do que é normal. Motiva-me mais, incentiva-me a trabalhar mais.

Se querem continuar a achar que está tudo ganho, força. Parece que os “excessos” ainda enchem a pança a muitos enquanto os que têm fome vão definhando.

Foto de capa: fcporto.pt

Copa América’2015 – Argentina 2-2 Paraguai: Perfume argentino durou uma hora

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internacional cabeçalho

Ponto prévio: esta selecção argentina tem um arsenal verdadeiramente assustador para atacar o título na competição de selecções mais antiga do mundo, contando nas suas fileiras com talento para usar, abusar, dar e vender. Já o Paraguai, à partida, seria desde logo um outsider num grupo em que o azul celeste, pelas empíricas regras do favoritismo, garantiria os dois primeiros lugares.

A abordagem de cada equipa ao jogo foi o espelho dessa lógica, com os paraguaios a abdicarem por completo da iniciativa a favor dos argentinos, escalando Ramón Diaz uma formação com praticamente onze elementos atrás da linha da bola. Não estranhou, portanto, que a primeira parte tivesse trazido um jogo de sentido único, com os paraguaios remetidos quase em exclusivo a missões defensivas, formando o sector mais recuado e a linha intermédia um bloco praticamente compacto com a missão de travar a mobilidade de Messi, Di Maria e Agüero.

Os comandados de Tata Martino rapidamente se instalaram no meio campo contrário, não permitindo qualquer tipo de veleidades a uns desamparados Bobadilla, Valdez e Santa Cruz, adivinhando-se que a entrega de Paulo da Silva e dos seus colegas de sector não seria suficiente para travar as sucessivas investidas argentinas. Curiosamente, o tento inaugural chegaria na sequência de um lance infeliz de Samudio, que “assistiu” Kun Aguero com um passe desastrado para as costas da defesa. Com classe e sem contemplações, o dianteiro contornou Anthony Silva e empurrou para o fundo das redes perto da meia hora.

Se a tarefa de evitar a derrota ficara comprometida, parecia ter-se tornado irreversível quando o mesmo Di Maria “cavou” uma grande penalidade a Samudio. Com toda a calma do mundo, Leo Messi ampliou uma vantagem cuja tendência normal seria para dilatar no que faltava jogar.

Pastore em disputa com Victor Cáceres Fonte: Facebook da AFA
Pastore em disputa com Victor Cáceres
Fonte: Facebook da AFA

A segunda metade trouxe a jogo Derlis González para o lugar de Ortiz, e o recém-entrado poderia nem ter estado cinco minutos em campo, tal o ímpeto com que entrou num par de lances consecutivos. A toada de jogo pouco oscilou e dava mostras de querer manter-se até ao final, com mais um ou outro golo alviceleste pelo meio. Puro engano. Inexistente no ataque até aos 60 minutos (momento em que fez o primeiro remate), a turma paraguaia deu um ar da sua graça encurtando distâncias no marcador. E que “ar”, diga-se; um momento de verdadeira inspiração de Valdez a explorar o ligeiro adiantamento de Romero e a inverter por completo o rumo dos acontecimentos.

O encontro pela primeira vez ficava algo partido, com Romero finalmente a ser importunado, mas continuava a ser a Argentina a estar mais próxima de sentenciar a partida. Destaque para a monstruosa defesa de Silva a remate de Di Maria, quando já minutos antes negara a Messi a hipótese de bisar. Martino, apesar da vantagem, decidiu lançar Tevez e Higuaín, opções que acabaram por não surtir o efeito desejado.

Eis então que, contra todas as expectativas, um lance de laboratório equilibraria as contas sobre o minuto noventa. A defensiva argentina permitiu que Lucas Barrios, entrado no decorrer na  segunda parte, aparecesse completamente livre de marcação para dar início à festa guarani na sequência de um livre cobrado na zona da linha divisória.

Por certo nem o mais fanático adepto paraguaio esperaria algo de positivo perante aquilo que todos puderam contemplar na primeira hora do desafio. O perfume argentino foi pairando no relvado sem perspectivas de surgimento de fragrâncias alternativas, mas a dança das substituições e uma difícil de explicar perda do controlo do jogo a meio campo perante uma equipa com evidentes limitações acabou por precipitar uma inesperada divisão de pontos. O espectáculo beneficiou com o jogo disputado a campo inteiro, mas a verdade é que faltou pragmatismo para segurar uma vitória mais do que cantada.

A figura:

Anthony Silva – Exibição seguríssima do guardião paraguaio do Medellin. Defendendo a baliza perante “setas” de classe mundial, mostrou uma enorme confiança e evitou de forma brilhante golos certos que sentenciariam a partida.

O Fora-de-jogo:

Tata Martino – Se do banco paraguaio saiu o fôlego e a inspiração para inverter o rumo dos acontecimento, do lado argentino não se pode dizer o mesmo. O modo como o treinador não foi capaz de equilibrar a equipa após o lance algo fortuito que devolveu uma ténue esperança ao Paraguai e a má gestão das substituições acabou por ter um papel decisivo para o balde de água fria final.

Foto de Capa: Facebook da AFA

O sonho de qualquer criança

internacional cabeçalho

Quando somos novos e adoramos futebol, temos vários sonhos. Quase todos queremos pisar O relvado, ouvir O hino, e acabar a levantar O troféu. Todos queríamos ganhar uma Liga dos Campeões. É um dos mais simples sonhos de qualquer miúdo que pegue numa bola aos cinco anos apenas para dar uns remates e acaba a fingir marcar o decisivo golo da vitória.

A maioria de nós, vulgarmente conhecidos como os comuns mortais, apenas assiste à final pela televisão. Mas e se pudesses ver a final? De ora em diante dedico este espaço a partilhar a minha experiência. A de uma pessoa que por coincidência ou obra do acaso acabou mesmo por vislumbrar a final da Liga dos Campeões.

Sexta-Feira. Hora de levantar. A ânsia de voar para Berlim é cada vez maior. O culminar de uma semana que teimava em não chegar ao fim. Num ápice chegava à cidade, a capital mundial do futebol por um fim-de-semana. Uma cidade marcada pela indústria e a fervilhar desporto das suas paredes de tijolo antigo.

Por todos os locais turísticos se viam adeptos do Barcelona e a introspecção começava. Será que no estádio será semelhante?

Sábado. 17:30, hora local. Hora de ir para a festa da final. Primeiro passo: ir para o UEFA Champions League Village, local em que os patrocinadores recebem os seus convidados. No centro encontra-se um pequeno campo com “jogadores” a representar a Juventus e o Barcelona; não tinham mais do que dez anos e estavam com a maior das informalidades. Um pequeno ensaio da final.

Chegou a hora. Dos altifalantes surge uma voz a informar que as pessoas se devem dirigir para o estádio para se dar o início à cerimónia. E é agora que se dá o início de um momento mágico. A chegada ao Olympiastadion. Um portentoso e renovado estádio marcado pela sua história. A chegada à bancada faz-se numa velocidade estonteante, sem problemas e com um grande arrepio na espinha.

Claque da Juventus
Os inseparáveis adeptos da Vechia Signora

À esquerda, os adeptos do Barça. À direita os da Juve. Um ambiente de loucos em que os blaugrana se faziam ouvir mais do que ninguém. Dá-se início à celebração e entra o hino da Liga dos Campeões. Um momento de arrepiar e duas coreografias a condizer de cada lado das bancadas. “Més que un club” era contraposto com um dar de mãos da Juventus, cuja malapata os quis dividir pelo corte arquitectónico do estádio.

Dá-se o apito inicial. Barça entra melhor e não demora muito a colocar-se em vantagem por Rakitic. Ainda estou estático por estar tão perto de 22 jogadores deste calibre. Quando dou por mim, a partida já vai nos 40 minutos. A primeira parte passa a correr e vamos para a segunda. Como é possível já irmos a meio?
A Juventus entra finalmente em campo e empata o jogo. Três quartos do estádio saltam. Não se percebe se é por se tratar da equipa com “menos” hipóteses de vencer a partida, ou se é simplesmente por dar emoção à festa.

Final da Liga dos Campeões
O início do fim da época 2014/15

Luís Suárez decide dar um murro no estômago de Buffon, e volta a colocar o Barcelona na frente. Pirlo leva a estocada final de Neymar. Final da partida. Um misto de emoções. “VISCA EL BARÇA” dava a banda sonora à imagem da noite: Pirlo! Ninguém conseguiu ficar indiferente às lágrimas deste mago. Fica o sentimento que os experientes italianos mereciam mais, pela sua história, pelo que representam. Mas a tripla Messi-Neymar-Suárez assim não o permitiu. Tenho ainda que mencionar Xavi. O fechar de um ciclo, o culminar de uma ligação muito bonita. Outro arrepio na espinha ao ver estes jogadores jogarem, provavelmente, a sua última grande final.

Foi o final do encontro e passou tudo tão rápido. Nada mais há para além desta partida e fecha-se a época 2014-2015. Foi sem dúvida um momento inesquecível, numa final que definitivamente me marcou. Foi o cumprir de um pequeno sonho.

Que o próximo a cumpri-lo sejas tu.

Ainda o Rallye dos Açores

cab desportos motorizados

O Sata Rallye Açores acabou no fim de semana passado e foi realmente de ouro, ou não fossem os 50 anos da prova. Para concluir a cobertura que o Bola na Rede fez da prova do ERC vou-vos deixar algumas notas finais.

Para quem acompanha a prova há vários anos é notório que a quantidade de continentais, madeirenses e estrangeiros que acompanham a prova vem a aumentar de ano para ano. Este ano tive a oportunidade de encontrar bandeiras da Hungria, da Letónia, da Noruega, do Brasil e do Reino Unido, além de um número crescente de bandeiras madeirenses e de cidades de Portugal Continental. As bandeiras dos Açores também estão cada vez mais presentes; além das dos Açores também aparecem bandeiras da FLA (Frente de Libertação dos Açores). Mas nas bandeiras o grande destaque deste ano tem de ir para a Letónia. Uma bandeira enorme acompanhada por uma falange de loiras e loiros que se destacavam nos locais que escolhiam para ver a prova.

Outro ponto importante para a prova foi a lista de inscritos de que já se falou, que além da quantidade tinha também muita qualidade. Durante muitos anos via-se dez carros e o resto arrastava-se para chegar ao fim (não se trata necessariamente destes números). Este ano foram uns 30 ou mais carros bem pilotados; vê-los passar nas estradas dava gosto, e aqui tenho de voltar a destacar os pilotos dos Juniores. Com carros menos potentes do que os dos candidatos à vitória na geral dão um espetáculo tão bom como estes. Para ajudar claro que contam os carros como os Peugeot 208 R2 e os Opel Adam R2, que são carros interessantes de ver passar quando bem conduzidos.

Os húngaros foram dos que mais se mostravam.
Os húngaros foram dos que mais se mostravam.

O acompanhamento feito pelos meios de comunicação regionais é impressionante, sendo que as rádios dedicam estes dias praticamente só à prova. Os jornais dedicam as páginas iniciais à prova, e a RTP Açores teve durante todos os dias de prova um programa de hora e meia, fora os diretos da Super Especial e da City Stage. O número de jornalistas estrangeiros também tem vindo a aumentar. Fora este acompanhamento existiram durante a prova pelo menos oito guias diferentes de antevisão e com os mapas da prova. Um número impressionante!

Este ano a prova fez-se acompanhar por muito sol, o que proporcionou imagens muito boas em vários troços, com especial destaque para as Sete Cidades. O sol foi tanto que este que aqui vos escreve ficou com a cara e os braços num estado não muito bonito mas com a lição aprendida: protetor solar não é só quando se vai para a praia.

Para concluir estas notas finais da prova de 2015 quero apenas referir algo que é recorrente por quem visita a prova açoriana pela primeira vez e mesmo para quem repete a prova. Falo da dificuldade que os troços de São Miguel apresentam e o gozo que estas dificuldades dão aos pilotos por experimentarem de tudo um pouco na ilha. A beleza da prova também é referida por todos. Este conjunto de fatores faz com que seja referida por vários pilotos como a melhor prova do ERC, e eu gosto de pensar que o é.

A cobertura da prova:
Antevisão
Dias 0 e 1
Dia 2
Dia 3