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Suzuka: Quando a classificação é o que menos importa

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Há dias em que se esquece tudo o que nos outros interessa. Por um ou outro motivo, ignora-se. Esta semana, a Fórmula 1 pôs os resultados de lado e centra as suas atenções em Jules Bianchi – o herói da Marussia que lutou pelos primeiros pontos da equipa e agora pela vida.

Eram 16h57’ no Japão. Adrian Sutil sofrera minutos antes um acidente que o colocou fora da pista e da corrida. Saíu ileso. Entretanto, a grua entrara pelo acesso mais próximo para iniciar os trabalhos de remoção do carro da Sauber enquanto as bandeiras verdes voltavam a ser mostradas. Seguiam-se as regras, dado que nenhum dos veículos estava numa zona que atrapalhasse o desenvolvimento da prova.

A corrida começou com o safety car em pista devido à forte chuva que se fazia sentir. As previsões não eram as melhores, o piso não ajudava e a visibilidade era cada vez melhor. Ainda assim, e depois de um compasso de espera, seguiu-se com a ‘etapa’ do mundial. Lá na frente, Hamilton trocava as voltas a Rosberg para ‘roubar’ o primeiro lugar ao seu colega de equipa. E viria mesmo a vencer mas… A dada altura tudo isso deixou de interessar.

Da frente da corrida (que uma vez mais pode ter tido um impacto significativo na classificação geral) passou-se para uma outra luta, bem mais significativa: hoje, Jules Bianchi luta pela vida. Voltemos então ao minuto 58 da 17ª hora do dia 5 de outubro, no Japão. Estávamos na 44ª volta e a corrida não mais seria a mesma: o carro de Sutil estava já a ser removido da pista quando, inesperadamente, Jules Bianchi perde o controlo do seu Marussia e, sem conseguir uma travagem significativa, embate no Sauber.

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Marussia festeja ‘P9’ no Mónaco — o melhor fim-de-semana da sua história
Fonte: beyondtheflag.com

O acidente passou despercebido pelas transmissões televisivas durante algum tempo até que a ambulância entrou em pista para dar início aos cuidados intensivos. Não havia imagem televisiva que conseguisse demonstrar o “acidente arrepiante” (mais tarde descrito por Sutil, que testemunhou tudo e confessou “nunca vir a conseguir esquecer o momento”). Por esta altura, já a corrida pouco importava a quem inicialmente a seguia. Os tweets dirigidos a Jules Bianchi, à sua família e equipa aumentavam; esperavam-se updates sobre o seu estado.

A especulação era muita e a ansiedade claramente visível na box da Marussia. Ouvia-se um motor. Um outro motor. O de um helicóptero, que depressa chegou ao local para levar o francês de vinte e cinco anos ao hospital mais próximo. Chuva. Outra vez a chuva. Se no início havia adiado o início da corrida, colocava agora dificuldades na equipa que dirigia o veículo voador e, assim, foi tomada a decisão de abdicar do mesmo. E lá foi a ambulância.

Enquanto Hamilton, Rosberg e Vettel (pela sexta vez consecutiva no pódio de Suzuka) subiam sem festejar aos três lugares mais altos do circuito japonês, a Marussia, a Fórmula 1, a França, o mundo torciam pela maior vitória da vida de Jules. Hoje, ainda luta por ela.

“Estável mas em estado crítico.” É assim que é considerado nos comunicados oficiais, é assim que é visto pelos vários médicos que o rodeiam e operaram a sua cabeça (de forma a impedir a propagação de sangue) poucos minutos após a chegada ao hospital. Entre eles está Gérard Saillant, especialista em desporto de alto nível e responsável por uma das intervenções de Michael Schumacher. Todos os dias, a cada minuto, o mundo do desporto vai esperando uma total recuperação do primeiro homem a pontuar pela Marussia (após 82 tentativas da equipa) na história do Mundial de F1. Aconteceu no Mónaco, ao terminar no nono lugar.

Bandeiras vermelhas, corrida interrompida e dada como terminada. Ficaram por cumprir nove voltas, que assumem agora um significado completamente diferente na vida de Bianchi. A Fórmula 1 está com ele.

Existe vida depois dos trinta?

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bundesliga

“200 toques na bola? Precisava de uma época inteira para os fazer”. Thomas Müller era, no fim do jogo contra o FC Köln, mais um que espelhava a surpresa pela quantidade de vezes que Xabi Alonso tocou na bola. O espanhol bateu o recorde, que estava fixado em 177, e suplantou o seu colega de equipa e de selecção Thiago Alcântara.

A entrada de Alonso na equipa da Baviera tem sido surpreendente – assumiu desde logo a titularidade e consequentemente a batuta. Para os mais cépticos, a contratação do espanhol não era coerente devido à idade avançada do jogador mas Xabi tem provado que a classe não é temporária e o futebol de posse que Pep tanto privilegia lhe assenta na perfeição.

Os números ajudam-nos a esclarecer a importância do basco na manobra da equipa e confirmam a sua preponderância. Guardiola não hesitou em contratá-lo devido às lesões de Javi Martínez, Bastian Schweinsteiger e Thiago. E em boa hora o fez. Em trinta e cinco dias conseguiu calar as bocas que diziam que já não teria nada para acrescentar e foi nomeado cinco (!) vezes Homem do Jogo.

Na imagem, que se pode observar em baixo, vê-se a omnipresença do basco em campo. O jogador não se cinge a nenhuma zona do relvado e é ele o farol da equipa.

O mapa de todos os toques na bola dados por Xabi Alonso  Fonte: espnfc.com
O mapa de todos os toques na bola dados por Xabi Alonso no jogo frente ao FC Köln
Fonte: espnfc.com

É relevante é justificar esta subida de rendimento: a partir dos trinta anos, por norma, só os guarda-redes é costumam atingir o ponto máximo de maturação, enquanto os jogadores de campo entram na fase descendente da carreira.

No caso de Xabi Alonso, como no de Pirlo, por exemplo, a bonança não vem depois da tempestade mas depois dos trinta. E quando falo de bonança não falo de títulos, já que ambos tinham os troféus mais desejados do futebol no palmarés antes dos trinta. Falo, sim, do reconhecimento como jogadores que fazem parte de uma elite restrita e que em nada ficam a dever àqueles que fazem os estádios levantar com dezenas de golos por época. A inteligência é fundamental neste processo e, com menos força nas pernas e sem a energia da juventude, é o cérebro que assume o controlo total. O espanhol é um perfeito exemplo disto, sendo um jogador que lê de forma perfeita o jogo e que neste Bayern não se cinge só à primeira fase de construção – é também incluído no carrossel que se gera na frente do ataque.

Esta situação vem mostrar que existe uma vida depois dos trinta e que um jogador com a categoria do basco pode assumir o protagonismo de uma grande equipa, mesmo que ladeado por imensos jogadores de topo como Lewandowski, Götze, Ribéry ou Robben.

Futebol a fundo

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tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Ao longo da sua história, o futebol esteve sujeito a muitas e variadas transformações – começou como um mero jogo de onze homens que se juntavam para tentar meter uma bola numas gaiolas e hoje é uma industria que movimenta muitos milhões de euros e mexe com os corações de outros tantos adeptos. É, claro, de prever que tanto dinheiro e tanta paixão junta resultem numa mistura de desporto, política e negócios, por vezes necessária e transparente, outras vezes promiscua.

Olhando para o trajecto dos clubes portugueses na Europa ao longo dos tempos, percebemos que se encontram bolsas de oxigénio no meio de muita dificuldade em respirar, e que o nosso futebol, apesar de superar os feitos do país em quase todas as áreas, por vezes acompanha o desenvolvimento e competitividade do país.

É impossível, para um clube português, almejar competir constantemente com os melhores da Europa na busca da máxima glória europeia. Não há dinheiro suficiente para comprar jogadores com provas dadas nos melhores campeonatos; temos, portanto, de ir descobrir jogadores a campeonatos menos competitivos, potenciá-los e transformá-los em verdadeiras estrelas. E, com maior ou menor eficácia, é o que o FC Porto (e outros clubes portugueses) têm feito desde há muito tempo; mas esta estratégia pode estar ameaçada. Há 10 anos o Porto podia-se dar ao luxo de comprar  jogadores bons a preço de saldo no Brasil ou na Argentina, mas o crescimento económico do futebol sul-americano fez com que os jogadores outrora baratos se transformassem em jogadores não tão baratos assim – lembro o caso do Danilo, por exemplo.

Foi então que o FC Porto, a par de outros clubes, começou a recorrer a fundos para conseguir comprar os jogadores. Fica com os direitos desportivos e cede uma percentagem ao fundo que detém os direitos económicos – mais uma vez a tal mistura entre desporto e negócios vem ao de cima. A solução não é a ideal, até porque a sobrevivência dos Dragões como clube de topo tem assentado na estratégia de comprar barato e vender caro, mas é a necessária se queremos continuar a ter uma palavra a dizer na Europa.

80% do passe de Brahimi pertence à Doyen  Fonte: fcporto.pt
80% do passe de Brahimi pertence à Doyen
Fonte: fcporto.pt

Há uns meses atrás surgiram umas vozes, roucas e enfadonhas, a revoltarem-se contra esta estratégia que foi legalmente usada. Talvez porque quem desdenha quer comprar, ou por mera inveja, as vozes dispararam para todo o lado (vozes que disparam até contra a própria equipa, o chamado friendly fire) sobre mais uma grande injustiça no futebol – os fundos. A verdade é que os fundos foram legalmente usados e com conhecimento da FIFA e, portanto, mais uma vez, e como tem sido habitual, as vozes caíram em saco roto. Simplesmente clubes competitivos têm adeptos exigentes e precisam de usar as estratégias disponíveis para obter vitórias; outros, não tão exigentes, não precisam delas porque o peso da derrota não é tão grande.

Recentemente, Blatter confirmou que a FIFA pretende proibir os fundos de investimento no futebol, o que vai obrigar a repensar a estratégia de compra e venda de jogadores. Que não se pense que alguém obteve uma vitória com isto – pode parecer que o futebol está de volta à sua essência mas a análise a frio revela que o fosso entre os clubes europeus vai aumentar e que a competitividade na Europa pode estar seriamente ameaçada, principalmente para clubes como o FC Porto, que são exigentes com os resultados. O departamento de scouting vai ter de trabalhar ainda mais, terão de se correr mais riscos financeiros e, porventura, a exigência na Europa terá de diminuir. Veremos como clubes como o Porto se irão adaptar a estas novas regras e de que forma manterão a competitividade com os seus pares europeus.

O regresso da Selecção: mesmo com Santos não haverá milagres

cab seleçao nacional portugal

A escolha

Não haveria muitos treinadores com perfil para caberem no restrito lote de seleccionadores nacionais. Neste não faria muito sentido incluir um técnico estrangeiro: nem os que estariam disponíveis constituíam uma opção aliciante, nem o apertado calendário recomendava uma opção por alguém que tivesse que vir e aprender quase tudo sobre o futebol português e os jogadores que teria que liderar. A escolha acabou por recair sobre Fernando Santos, treinador com curriculum de seleccionador, mas com um castigo por cumprir que, confirmado pouco depois da sua nomeação, fará com que não se sente no banco para jogos oficias praticamente toda a fase de qualificação que ainda resta. Não parece uma decisão prudente, sobretudo tendo em conta que, com o tempo escasso que um seleccionador tem para o treino, a sua função ficará praticamente limitada à escolha dos jogadores. Uma decisão de teor altamente discutível.

O critério pareceu ser o da figura consensual. Como já anteriormente havia sido quando se procuraram os serviços de Paulo Bento, escolha então tão elogiada como foi agora Fernando Santos. A FPF mais uma vez parece mais preocupada com os frágeis equilíbrios do que com o essencial, acabando por cair neste absurdo de ter contratado apenas “meio” seleccionador. Não fora esse importante pormenor e a escolha não mereceria qualquer contestação, mesmo sem entusiasmar – na verdade nenhum o faria – Fernando Santos seria uma escolha natural.

Teorias da conspiração

A chegada de Fernando Santos permitirá descobrir alguns “ovos de colombo” do futebol português: (i) a qualidade à disposição é reduzida, e que não há muitas alternativas ao grosso do que que eram as escolhas de Paulo Bento. (ii) A maioria dos jogadores seleccionados continuarão a sair do lote de jogadores agenciados por Jorge Mendes sem que isso signifique menor honestidade ou independência do seleccionador. Não foi por aí que falhou Paulo Bento porque é uma inevitabilidade a participação maioritária daquele empresário e porque não creio que haja, entre os seus colegas de profissão, quem lhe possa dar lições nesta matéria. Foi essa independência e desassombro que o levaram a afrontar Pinto da Costa, com as célebres “postas de pescada” e, quem sabe, muito concorreram para actual escolha de Fernando Santos, de quem não se esperam afrontas idênticas.

"Quanto tempo se manterá o sorriso de Fernando Santos?" Fonte: fpf.pt
“Quanto tempo se manterá o sorriso de Fernando Santos?”
Fonte: fpf.pt

Milagres que não estão ao alcance de Santos

Não será preciso ter dons milagreiros para alcançar a qualificação apesar da hecatombe da jornada inicial. Bastará algum bom-senso, que não parece faltar a Santos mas que já parecia ter saído debaixo dos pés a Paulo Bento. Mas o trabalho pela frente será muito e difícil, uma vez que não poderá contar com a sorte de alguns que o antecederam no cargo, especialmente Humberto, Oliveira, Scolari e ainda que em menor grau, Queiroz. Estes antepassados não ficaram famosos pela qualidade e profundidade do seu trabalho, não deixando mais do que uma colecção de resultados quase obrigatórios, atendendo que a quantidade e qualidade era a que era então. Mas ideias estruturantes, estratégia e planeamento que contrariasse a habitual falta de visão, inércia e conformismo das direcções de Madaíl e que deixasse outro legado que aquele que escorreu com o passar do tempo não se viram. Confesso que as minhas expectativas para o mandato de Fernando Santos não são mais nem melhores considerando que, no imediato, devolver a selecção à razoabilidade de escolhas e exibições, voltando-a a colocar no caminho da qualificação será a principal preocupação.

Renovação ou revolução?

Renovação e a falta dela foi o chavão escolhido para justificar a triste presença em terras brasileiras. E parece que essa obrigação continua a ser exigida agora a Fernando Santos. A primeira convocatória permite perceber que Fernando Santos não se deixa levar pelos cantos das sereias. Fazer regressar Tiago e Carvalho, a que juntaria Quaresma, Bruno Alves e José Fonte demonstra que essa é a menor das suas preocupações. Estes nomes não merecem tratamento idêntico, mas remetem-nos para a realidade: a “geração de estrangeiros”, composta por jogadores de qualidade e experiência – seja lá a importância que esse aspecto terá – onde a selecção alicerçou muito do seu sucesso, algum dele relativo, está no limiar da extinção do seu prazo de validade. Não há ainda valores seguros nos seus sucessores e Fernando Santos em Portugal terá que se contentar também com valores emergentes mas longe de oferecer a segurança dos há muito idos Figo, Rui Costa, Couto, Paulo Sousa, João Pinto, Nuno Gomes, Pauleta e outros. Não haverá milagres.

Um caso de poucas ideias fixas (será?)

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Oito jogos, oito equipas iniciais diferentes. Na baliza, defesa, meio-campo ou lá na frente, contam-se até agora por uma mão vazia os ‘onzes’ repetidos por Julen Lopetegui. O relógio continua, o calendário perde folhas e a equipa portista não tem maneira de encontrar estabilidade. Mas será que esse é um objectivo?

Cumpridos praticamente dois meses de competição, é difícil pensarmos no caso Lopetegui como um processo em evolução cujo objectivo passa por encontrar um onze ‘à Porto’. Arrisco e digo que é mesmo insensato tentarmos fazê-lo. E digo-o por respeito ao técnico, por confiança nas suas certezas e desejo de que estejam certas.

Da Liga Portuguesa à Liga dos Campeões (incluindo a qualificação), não houve um único onze inicial igual a um dos anteriores. Até na baliza Julen ‘mexeu’. Tirou um jovem, pôs outro, deixou um, talvez dois. A palavra que predomina no universo azul e branco 2014/2015 é ‘rotatividade’. Até Jackson ficou de fora. O técnico espanhol já por várias vezes havia avisado e agora, passados mais de quatro meses desde que chegou ao Dragão, não deixa espaço para dúvidas.

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Lopetegui muda; Lopetegui engenha; Lopetegui surpreende; Lopetegui treina.
Fonte: shakhtar.com

Acredito no seu trabalho e acredito nos jogadores. Na sua tenra idade e talento – porque se assim não fosse o meu ponto de vista e convicções seriam outros. Afinal, Julen desde há muito trabalha com jovens jogadores. Este ano, a média de idades não chega aos 25. Com o que tem entre mãos, não será provável que as poucas ideias fixas sejam premeditadas? Ou melhor, não será provável que a falta de 1) estabilidade, para uns, ou de 2) consistência, para outros, seja natural?

Danilo e Alex Sandro nas alas, Quintero, Óliver, Rúben Neves e Brahimi no meio do terreno, e Tello, Ádrian, Quaresma, Jackson (sem esquecer Kelvin) lá na frente. O plantel não se fica por aqui mas, para mim, seria já uma autêntica dor de cabeça. Mas uma dor de cabeça boa, daquelas que nos é causada pela abundância de talento. É inegável: todos estes conseguem ser mágicos dentro do campo; à sua maneira, no seu sítio, com o seu ritmo. Todos eles o fazem, sim, mas muitos deles (a maioria) são ainda muito novos.

E a idade é sempre um ponto fundamental a ter em consideração: todos nós desejamos chegar aos 16, 18 anos. Queremos ser livres, conquistar o mundo, dominar a nossa própria vida. Uns têm já essa capacidade, outros precisam das asas dos seus pais durante mais um par de anos até que estejam verdadeiramente preparados. Há ainda aqueles que o tentam e voltam às origens por mais um ano ou outro. No futebol não é muito diferente.

Óliver, Rúben e Cristian são alguns dos casos mais pragmáticos. Talento não lhes falta mas, por vezes, não aparece. Ou não aparece quando era preciso, ou da maneira desejada. Quintero, por sua vez, ainda não é capaz de começar aos 0’ e ter o mesmo rendimento de quando entra a meio da partida. Por isto, Julen não pode, não quer, não tem um onze. Tem um plantel que roda e gere de forma a tentar aproveitar o melhor de cada um… No momento ideal.

Top10 – Jogadores da minha vida

Esta lista compila os dez jogadores que mais marcaram a minha vida enquanto adepto de futebol. Não serão os melhores que vi jogar mas os que mais significam e significaram para mim enquanto o faziam.

[tps_title]10º João Vieira Pinto[/tps_title]

Fonte: Serbenfiquista.com
Fonte: Serbenfiquista.com

João Vieira Pinto foi o meu primeiro ídolo, o primeiro que eu “quis ser”. Era o oásis de um Benfica que começava a cair na decadência. Só mesmo um Benfica moribundo o pôde escorraçar para fora do clube. A nota 10 atribuída pelo jornal “ABOLA” aquando dos 3-6 em Alvalade diz tudo do “menino de ouro”.

Temos líder!

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O campeonato nacional de Futsal não poderia ter começado de melhor maneira para a turma de Alvalade. Venceu a Supertaça diante do Fundão por 7-0, resultado muito dominador e nunca alcançado anteriormente, e venceu as primeiras quatro jornadas da competição.

O rival Benfica venceu igualmente as primeiras três jornadas, mas ontem cedeu um empate em casa diante do Modicus, empate esse que ditou os primeiros pontos perdidos pela renovada equipa encarnada.

Foi um jogo bem disputado com oportunidades para ambos os lados. O Benfica, como não podia deixar de ser, era favorito, como aliás o é na grande maioria dos encontros; todavia favoritismo e vitórias não são sinónimos, e ontem a equipa do Modicus demonstrou isso mesmo. Realizou um jogo interessante, posicionou-se bem em campo e dispôs de algumas oportunidades para marcar. Recordo que, aos cinco minutos, André Gomes gelou o Pavilhão da Luz, inaugurando o marcador com um bom golo.

Os encarnados reagiram muitíssimo bem e, aos oito minutos, Alan Brandi igualou a partida com um golo de excelente execução face ao apertado ângulo de que dispunha. O marcador do golo foi claramente o mais inconformado com o resultado.

O Benfica esteve por cima no jogo, protagonizou bons momentos de Futsal e teve boas ocasiões para marcar, contudo são estes resultados e estes intensos jogos que fazem os adeptos tornarem-se amantes da modalidade e seguirem-na diariamente.

Com este resultado, o Modicus arrecada sete pontos, e a turma de Joel Rocha 10 pontos, deixando escapar a liderança da prova para o eterno rival Sporting.

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Alan Brandi foi claramente o mais inconformado com o resultado
Fonte: slbenfica.pt

Uma das revelações do ano passado, o Braga, apresenta-se novamente forte e será certamente uma enorme dor de cabeça para todos os seus adversários, visto ser uma equipa com uma entrega exemplar, ter uma estrutura muito bem definida e possuir jogadores de enorme qualidade. Ontem, venceu os Leões de Porto Salvo por 7-6 num jogo frenético e de enorme emoção. É uma grande e importante vitória, embora fique a impressão de que esta poderia ter caído para ambas as equipas devido ao esforço, garra e empenho demonstrados por ambas.

O Fundão, que na temporada transata fez uma belíssima e histórica temporada, mantém-se uma equipa muito temível e a ter obviamente em conta para esta temporada.

Mesmo com saídas de enorme relevo, como é o caso do guardião André Sousa, o pivô Noé Pardo e o grande treinador Joel Queiroz (este que se mudou para o Benfica), o Fundão conseguiu dar uma resposta positiva, estando neste momento em 4º lugar com três vitórias e uma derrota, derrota que ocorreu diante do Benfica na 1ª jornada por 3-5.

Já que estamos a falar de revelações/bons inícios de temporada, queria destacar a equipa do Cascais, que venceu o Póvoa Futsal por 4-3 e se encontra com seis pontos. É uma equipa que particularmente admiro devido ao elevado nível de intensidade que apresenta em todos os jogos que disputa e pelo facto de ter jogadores com muita qualidade.

Através do empate ontem na Luz, o Modicus provou que nesta época vai, certamente, surpreender, e acredito numa temporada muito positiva por parte da equipa de Sandim, Vila Nova de Gaia.

Uma das grandes surpresas (pela negativa) é o péssimo arranque do Belém, que conta até ao momento com zero pontos, estando no último lugar da classificação. É uma equipa que nos tem habituado a boas épocas, tendo inclusive conquistado uma Taça de Portugal em 2010.

A turma de Alvalade entrou em campo com uma motivação extra: caso conquistasse os três pontos isolava-se no topo da classificação. O Sporting venceu o Boavista por 1-3 num jogo muito intenso, bem disputado e com incerteza no resultado quase até ao fim. O Sporting entrou bem na partida e logo aos três minutos marcou, por intermédio de Pedro Cary num fortíssimo remate sem qualquer hipótese de defesa para Rui Pedro. O Boavista reagiu ao golo de forma extremamente positiva, causando boas oportunidades que esbarraram nas mãos de Cristiano.

Foi uma primeira parte muito bem disputada, em que o Boavista conseguiu dividir o jogo com o campeão nacional, tendo inclusive oportunidades para igualar a partida. O resultado ao intervalo era de 0-1.

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Pedro Cary inaugurou o marcador com um remate certeiro sem hipótese de defesa. Foi claramente o golo do jogo
Fonte: futsalsporting.com

O segundo tempo começou, e o Boavista voltou igual à primeira parte: lutador, concentrado, à procura do golo e a disputar todos os lances com uma enorme garra, enquanto o Sporting voltou dominador, a tentar marcar, todavia não estava a fazer um grande jogo.

A equipa axadrezada dispôs de uma grande penalidade, mas Cristiano efetuou uma enorme defesa, dando literalmente o corpo à bola. Como quem não marca sofre, Caio Japa, ao minuto 28, faz o 0-2 num golo extremamente oportuno. Com este golo antevia-se um jogo mais tranquilo para os leões, no entanto, não foi o que se sucedeu devido à enorme garra da equipa da casa, que, passado um minuto, reduziu por intermédio de Nandinho.

Estávamos a assistir a um grande jogo de futsal e, faltando 10 minutos para o fim, tudo podia acontecer! O Sporting atacava e o Boavista ia respondendo, os dois guarda-redes mostraram-se muito concentrados e cientes da importância que tinham para o desenrolar do jogo.

Diogo, aos 38 minutos do jogo, mata o encontro ao dilatar o resultado em 1-3. Até ao golo, o jogo estava bastante equilibrado, todavia Diogo sentenciou a partida e respetiva vitória leonina.

Com este resultado, a equipa de Nuno Dias alcança a quarta vitória consecutiva e está na liderança do Campeonato, com dois pontos de vantagem sobre o Benfica. Foi uma vitória sofrida mas justa por parte do Sporting. Não queria deixar de realçar o enorme jogo realizado pelo Boavista.

Considero o Sporting o principal candidato ao título, devido ao facto de já ter conquistado a Supertaça, devido ao facto de disputar a mais importante prova de clubes, a UEFA Futsal Cup, de poder alcançar um tricampeonato, algo que motivará certamente os jogadores, e devido ao facto de Nuno Dias ser um conquistador, um treinador que estuda muito bem os adversários e que gere muito bem todos os momentos de um jogo. Porém, também se tem de ter em conta o Benfica, por ter alterado a sua estrutura, ter reforçado bastante bem o seu plantel e possuir um treinador com uma enorme qualidade e uma invejável ambição.

uefa cup
A UEFA Futsal Cup começa no próximo mês, e a expectativa para ver o Sporting em ação é enorme
Fonte: uefa.com

Estão assim conhecidos os 16 clubes que, de 20 a 23 de novembro, divididos em quatro grupos, irão disputar as quatro vagas da Final Four da Uefa Futsal Cup:

Sporting Paris (FRA), FK EP Chrudim (CZE), Nikars Riga (LET), Pro Vama (BUL), Dina Moskva (RUS), Charleroi (BEL), Inter Movistar (ESP), Lokomotiv Kharkiv (UKR), Baku United (ING), Ekonomac (SRB), Berettyóújfalu (HUN), Slov-Matic (SVK), Sporting, Barcelona, Araz e Kairat Almaty.

Benfica 4-0 Arouca: Só foi fácil depois do primeiro

cabeçalho benfica

Depois da má exibição na Alemanha, o Benfica procurava a redenção na sua casa frente ao Arouca. Mesmo sabendo que iria continuar líder no final da jornada, o campeão procurava beneficiar de uma possível perda de pontos entre FC Porto e Sporting de Braga, equipas que estavam atrás na classificação e que jogavam entre si. Jorge Jesus tirou Jardel e deu a estreia a Lisandro no centro da defesa.

Do outro lado estava um Arouca que está a ter um início de campeonato calmo e que demonstrou isso mesmo na Luz. A equipa de Pedro Emanuel deu muitas dores de cabeça ao Benfica na primeira parte. Sempre com a baliza de Artur em vista, a equipa nortenha colocou por várias vezes o guardião brasileiro à prova. De facto tinha sido uma entrada má por parte do Benfica, que também teve as suas oportunidades mas que demonstrou sempre um vazio de ideias. Samaris era o espelho da equipa, mau com bola e sem ela e demasiado faltoso. Ao intervalo, o resultado ajustava-se ao jogo. Duas equipas que procuraram o golo, mas um Benfica surpreendido pela boa entrada do Arouca e que teve em Artur o melhor jogador em campo até ao momento. Jesus teve de mexer ainda antes do intervalo, ao colocar Jonas (a estreia pelo Benfica) na vez de Lima, que se lesionou. O espanhol entrou e arrancou aplausos ao fazer um cabrito. Ao intervalo, Gaitan saiu para o lugar de Ola John, uma das armas secretas de JJ para o campeonato quando o jogo não corre bem, à imagem do que já tinha acontecido contra o Moreirense.

O jogo mudou. O Benfica teve ainda mais bola, quis arriscar, e o Arouca estrategicamente baixou as linhas, adivinhando uma maior pressão dos encarnados. Mas mesmo com o Benfica a ter o controlo do jogo, faltava sempre algo mais, as oportunidades não apareciam como a bancada queria. Mesmo quando o Benfica era mais perigoso, estava lá o poste para impedir o golo. Mas estava lá mais uma vez um brasileiro que tem vindo a destacar-se no Benfica e que mais uma vez desbloqueou o jogo. Falo de Talisca, que, numa tabela com Derley, abriu o marcador aos 75 minutos.

Talisca está a melhorar Fonte: Carlos Alberto Costa/ Zerozero
Talisca está a melhorar
Fonte: Carlos Alberto Costa/ Zerozero

A partir do primeiro golo tudo ficou mais fácil. O Benfica jogou a seu bel-prazer e, passados cinco minutos, Salvio, depois de um fantástico trabalho, assiste Derley para o segundo. Mais outro jogador que se tem mostrado e que pode vir a ser útil para a equipa. Com o Arouca já rendido, os golos sucederam-se. Ola John voltou a mostrar porque começa a merecer a titularidade. É certo que está tapado por dois dos melhores jogadores do plantel, mas o holandês tem estado muito bem sempre que é chamado e está a mostrar que está um jogador bastante diferente. Prova disso são as duas assistências. Primeiro para Salvio e depois para Jonas marcar no seu primeiro jogo pelo Benfica. Estreia feliz do espanhol. Queria destacar também o Lisandro. Entrou nervoso, cometeu alguns erros mas foi melhorando. Precisa de mais minutos e tem de ser lançado aos poucos para se habituar a estas andanças.

No final, o Benfica sai por cima e com uma goleada. Mas não foi fácil. O resultado é enganador e pesado para um Arouca que se bateu de igual para igual na primeira parte. Ainda assim, há motivos para sorrir, há aqui jogadores que estão a crescer.

 

A Figura:

Talisca – O brasileiro foi alvo de criticas na pré-temporada (justas) mas tem crescido. Ainda não está preparado para tudo, como se viu na Alemanha, mas é um jogador a ter em conta. Mantenho a minha opinião: bem trabalhado, o Talisca vai dar um bom jogador e tem o treinador ideal para o ajudar. Para já, está no bom caminho e já é o melhor marcador da Liga, com seis golos.

O Fora de jogo:

Samaris – Hoje esteve em dia não. Apagado do jogo, demasiado faltoso, merecendo o cartão vermelho, podemos dizer que se viu grego para travar as investidas do Arouca. Mau também na construção do jogo, o grego ainda não convenceu. Mesmo sabendo que é muito difícil substituir Enzo, o grego foi contratado para uma possível saída do argentino, mas demora a encaixar na equipa.

FC Porto 2-1 SC Braga: Baralhar, partir e resolver a partir do banco

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Uma das críticas que muitas das vezes aponto ao adepto português é a sua obsessão pelo mero resultado. Bem sei que só com vitórias é que as equipas podem aspirar a títulos, mas nada como um belo jogo de futebol, como vimos esta tarde no Estádio do Dragão, para perceber que uma vitória pode ser tanto mais festejada quanto suada se for perante um adversário com tanta qualidade como o Sp. Braga.

Ao contrário do que tem acontecido esta temporada, Lopetegui optou por não mudar grande coisa relativamente ao onze que havia empatado, na última quarta-feira, na Ucrânia, perante o Shakhtar: Jackson Martinez foi o único regressado ao onze portista, substituindo o outro ponta de lança do plantel, Aboubakar. Do lado bracarense, Sérgio Conceição colocou Tiago Gomes no lugar do lesionado Djavan e recolocou Aderlan Santos ao lado de André Pinto, retirando do onze Vincent Sasso.

Na primeira parte, destaque para a postura do Sp. Braga: indo ao encontro daquilo que tinha dito na antevisão ao jogo, Sérgio Conceição montou uma estratégia ofensiva, sem nunca se amedrontar pelo poderio portista. Dessa forma, não raras vezes o Dragão viu o FC Porto errar na primeira parte, devido em grande medida à forte pressão que Rafa, Pardo e Zé Luís faziam sobre a primeira fase de construção defensiva portista. Com um meio-campo muito combativo, desenvolvido a partir da qualidade tática de Rúben Micael e da inteligência de Pedro Tiba, os portistas nunca conseguiram ser pragmáticos no momento da decisão, com Marcano a não construir jogo ofensivo, enquanto Herrera e Óliver perdiam quase sempre os duelos e as bolas no meio-campo.

Martins Indi estreou-se a marcar com a camisola azul e branca  Fonte: zerozero.pt
Martins Indi estreou-se a marcar com a camisola azul e branca
Fonte: zerozero.pt

Por isso, as transições ofensivas do Sp. Braga foram uma constante e as oportunidades acabaram por se repartir, o que fazia adivinhar que o golo iria aparecer mais tarde ou mais cedo. E foi mesmo isso que aconteceu: aos 25 minutos, Bruno Martins Indi aproveitou o desvio de Maicon ao primeiro parte para cabecear para a baliza deserta do Braga, fazendo o primeiro para a equipa portista. Mesmo em vantagem, e à semelhança da história escrita na Ucrânia, os portistas voltaram a acionar o verbo “complicar”: por entre passes errados e desconcentrações na marcação aos avançados do Braga, a equipa de Sérgio Conceição foi conseguindo chegar com cada vez mais perigo à baliza de Fabiano. O empate, à passagem do minuto 32, por Zé Luís, foi suficiente para perceber que, entre a pressão dos bracarenses e os erros infantis portistas, o empate a uma bola ao intervalo era o desfecho justo, mesmo que antes do apito de Pedro Proença para o descanso Danilo tenha enviado uma bola à trave da baliza do brasileiro Matheus.

Ao intervalo, as entradas de Rúben Neves e Quintero, para os lugares de Marcano e Herrera, foram opções naturais de Lopetegui: depois de um primeiro tempo com um meio-campo tão apagado, era preciso mais velocidade e intensidade na construção do jogo ofensivo portista. Tal como aconteceu no jogo da Liga dos Campeões frente aos ucranianos, o técnico espanhol acabou por jogar as cartadas certas: Rúben Neves foi o pêndulo que o FC Porto precisa em frente aos centrais; enquanto Juan Quintero foi um verdadeiro quebra-cabeças para o meio-campo bracarense. Entre os dribles a meio-campo e as tabelas com Brahimi, Tello e Jackson, o pequeno colombiano acabou mesmo por dar a estocada decisiva na equipa de Sérgio Conceição: ao minuto 59, uma tabela com Brahimi levou Quintero a desfeitear o guarda-redes do Braga.

Tello foi um perigo à solta para a defesa arsenalista  Fonte: zerozero.pt
Tello foi um perigo à solta para a defesa arsenalista
Fonte: zerozero.pt

Até ao final da partida, o FC Porto procurou sempre apostar nas transições ofensivas, com Tello a mostrar-se a um grande nível, enquanto Brahimi acabou por fazer uma exibição irregular. Com a entrada de Evandro para o lugar do argelino, os portistas ficaram mais sólidos no meio-campo, ainda que o Sp. Braga se tenha aproximado não raras vezes com perigo da área portista. O remate ao poste de Aderlan Santos, na sequência de um livre, é apenas um exemplo do constante perigo que o Sp. Braga hoje demonstrou no relvado portista. Com muito suor e dificuldade, fica para a história o regresso às vitórias do FC Porto e a brilhante réplica dada pelo Braga no Dragão.

 

A Figura
Pedro Tiba/Tello
– o excelente jogo no Dragão levou a que eu tenha optado por uma nomeação repartida. O médio bracarense e o extremo portista foram as principais figuras das respetivas equipas e merecem a distinção.

O Fora-de-Jogo
Herrera
– o médio mexicano fez mais uma exibição muito fraca e acabou por sair ao intervalo. A qualidade de Herrera é inegável, mas a quantidade de erros que comete é confrangedora e decisiva numa equipa como o FC Porto.

A notoriedade e os que não perdem a bola

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escolhidificil

“Espero siempre la mejor versión de cada jugador. El que sea. Vosotros os fijáis en los goles, yo en algo más que los goles

As palavras são de Luis Enrique, técnico do Barcelona, depois do encontro frente ao Athletic em que o Barca venceu por 2-0 e Messi ficou sem marcar. Na altura, dizia o treinador espanhol que estava satisfeitíssimo com a exibição do argentino porque se tinha apresentado a grande nível, embora sem fazer golos. E Luis Enrique não é parvo nenhum, pois não?

É possível Messi – ou qualquer outro jogador – apresentar-se a um nível mais alto num jogo em que não marca golo nenhum do que numa outra partida em que faz dois ou três golos? Muitos dirão que não, mas claro que sim. O golo é apenas o momento de maior notoriedade na partida e, por consequência, aquele de que mais se fala, que aparece nos resumos e que acaba por sentenciar um jogador à aclamação ou deterioração da sua imagem aos olhos de adeptos e imprensa. Mas se a recuperação da bola ou o início da jogada que não entram no resumo não existissem, não haveria golo. A ideia é simples mas regularmente esquecida pelos amantes do futebol. O mesmo se aplica às movimentações ofensivas dos avançados ou médios que são muitas vezes esquecidas, mas cruciais. No Sporting, Fredy Montero é quem mais sai prejudicado por esta forma redutora de avaliar os futebolistas.

A equipa leonina tem-se apresentado, do meio campo para a frente, com elementos criativos, que procuram todos eles uma forma comum de jogar e pensar. Toque maioritariamente curto, maior procura de espaços interiores, muita movimentação sem bola e regular oferta de linhas de passe diversificadas ao portador da bola. A excepção é Slimani. O argelino, muito acarinhado pelos adeptos leoninos, tem características opostas às referidas, tendo no seu jogo aéreo o seu ponto mais forte e um dos poucos em que é realmente bom. Como se explica a adoração da massa adepta pelo seu ponta-de-lança? Ele peca nos momentos de menor notoriedade (embora em quase todos eles!). No banco está Montero, que é tudo aquilo que se procura na equipa de Marco Silva.

Montero e Slimani são dois avançados de características opostas  Fonte: ojogo
Montero e Slimani são dois avançados de características opostas
Fonte: ojogo

Então, como avaliar um jogador? “The art is to play the ball so that the receiver can go to action effectively“, dizia Johan Cruyff. Guardiola, por seu lado, diz que o melhor jogador é o que nunca perde a bola. Em tanto uma como outra definição, quem é o que (muito) mais se aproxima do pedido? Fredy Montero, pois claro. Mas sair da zona de conforto, no meio dos centrais, e oferecer uma linha de passe – muitas vezes decisiva para o desenrolar da jogada, até quando a bola acaba por não lhe ser concedida a si – não aparece nos resumos e não encanta os adeptos. Pelo contrário, Slimani não só não oferece novas soluções como é incapaz de dar seguimento a grande parte das bolas que lhe são endereçadas, tornando-se ora um peso morto na dinâmica da equipa, ora um jogador incapaz de dar continuidade aos ataques do Sporting. Qualquer olhar mais atento constata este facto.

A falta de unanimidade nesta matéria deve-se depois à outra face que divide os dois avançados: devido à sua agressividade, porte físico e capacidade de cabeceamento, Slimani é um jogador que se coloca em evidência nos momentos de maior notoriedade com muito mais facilidade do que Montero. O colombiano é igualmente importante na altura da finalização, mas privilegia a sua inteligência e leitura de jogo dentro da área para aparecer, como ontem frente ao Penafiel, em posições de golo. Quantos pensaram ontem que Slimani nunca faria o golo que Montero fez? Poucos, porque o essencial no golo é a leitura do 10 do Sporting que lhe permitiu antecipar a oportunidade. E essa competência oferece muito menos notoriedade do que a agressividade no cabeceamento, por exemplo.

Dirão alguns que a maior tarefa dos avançados é fazer golos. Eu acho que é aproximar a equipa do golo. Quer seja marcado por eles, ou não.

Vídeo da autoria do blog Sporting Visto Por Nós