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Em Direto da Copa #5

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Chegado a Salvador da Bahia, cidade bem maior do que eu pensava e com um trânsito de cortar a respiração em hora de ponta, fui quase directo fazer um pequeno reconhecimento ao Arena Fonte Nova, estádio que acolhe hoje um Suiça-França que pode ditar já mais uma equipa apurada para os oitavos-de-final da Copa. É um palco fantástico, plantado no meio da cidade (fica próximo do famoso centro histórico de Pelourinho), e que é rodeado por favelas e casas tradicionais que lhe dão um aspecto urbano absolutamente irresistível. Por dentro, como se pode perceber na televisão e como puderam confirmar os portugueses que lá foram ver o jogo com a Alemanha, é imponente e tem as bancadas quase caídas sobre o relvado.

Ao mesmo tempo, jogava-se o Uruguai-Inglaterra e Suárez voltava a mostrar porque é que é um dos mais badalados craques da actualidade. Dois grandes golos frente a uma Inglaterra que está praticamente fora da competição e uma performance que pede à equipa que o acompanhe nesta luta renhida pelo acesso à fase seguinte. Nessa, já se encontra o Chile, talvez a grande sensação da prova até ao momento e a selecção de quem tenho visto mais adeptos espalhados pela rua (à excepção dos dias de jogo). De facto, e também à custa de ter derrotado uma Espanha que já todos pareciam fartos de ver ganhar, este Chile está na moda por cá e entre as equipas outsider só mesmo a Colômbia lhe faz frente como 2ª selecção preferida dos brasileiros. E ontem até houve golo do nosso Quintero!

Termino com a referência a uma notícia que acabo de ver: os tumultos em São Paulo, às portas do estádio local. Este tipo de acontecimentos pode dar uma ideia errada sobre a forma como o Mundial está a ser vivido pelos brasileiros. Ao contrário daquilo que vemos neste tipo de imagens, que acontecem sempre na mesma cidade (é um assunto estritamente político, motivado por uma facção extremista de São Paulo que se aproveita da Copa para atingir outros fins), o Brasil está de braços abertos para a competição. Totalmente. Nunca se esqueçam disso quando recordarem esta edição da maior prova do Mundo.

Deixo-vos ainda com uma imagem do Arena Fonte Nova (no cabeçalho), visto de cá de baixo do relvado. É lindo, não é?

Obrigado e um abraço,
João Cunha

Carta Aberta a: todos os Portugueses

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90 minutos… quatro golos sofridos, zero marcados, um jogador fora do Mundial, um castigado e dois em claras debilidades físicas para o que resta da fase de grupos. Registo francamente mau para nós, portugueses, principalmente quando temos o melhor do Mundo e de sempre em Portugal no auge da sua carreira. Mas ainda faltam 180 minutos. Por que estão a fazer um funeral antecipado a Portugal? Só somos portugueses quando ganhamos? Quando vencemos heroicamente a Suécia de um tal “Ibra” num jogo com um clima altamente contraditório? Caso achem que sim, então não, não são portugueses. São, isso sim, apenas falsos adeptos da selecção das quinas. Perdemos com a actual melhor selecção do mundo, que se dá ao luxo de tirar Muller e fazer entrar Podolski, tendo ainda no banco um… Klose. Nós temos Hugo Almeida, Postiga e Eder. Milagres? Já os temos feito.

Relembro os últimos primeiros resultados de Portugal em fases finais de campeonatos do Mundo e Europa: Euro’2000 – vitória sobre a Inglaterra (3-2); Mundial’02 – derrota EUA (3-2); Euro’04 – derrota Grécia (2-1); Mundial’06 – vitória sobre Angola (1-0); Euro’08 – vitória frente à Turquia (2-0); Mundial’10 – empate com a Costa do Marfim (0-0) e Euro’12 – derrota diante da Alemanha (1-0).

Depois deste exercício de memória, podemos concluir que nas últimas sete participações de Portugal em fases finais perdemos por três vezes, ganhámos por outras três e empatámos uma, no jogo inaugural. Neste Mundial voltámos a entrar com o pé esquerdo, mas relembro que as nossas melhores prestações surgiram a partir de derrotas no jogo inaugural (final do Euro’04 e meia-final do Euro’12, quando perdemos com a poderosa Espanha por penaltis, impondo o único empate ao fim de dois anos). Não temos nada a temer, Portugueses! Ergamos a cabeça, ponhamos a mão direita sobre o peito e gritemos bem alto, até a voz não poder mais, até o coração parar, até ao último minuto… E no fim falaremos. É sabido que jogamos melhor sob pressão, então aproveitemos o facto de termos duas finais pela frente; e as finais são para se ganhar, não para se jogar! Eu acredito neste Portugal, acredito no meu seleccionador (e não é momento para apontar o dedo às suas escolhas) e em toda a estrutura de Portugal. É A MINHA EQUIPA!

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Na hora da adversidade, é preciso continuar a acreditar e apoiar!
Fonte: superesportes.com.br

Precisamos de nos juntar mais do que nunca, precisamos de ser uma só voz em todos os “ecrãs gigantes” espalhados pelo país e entoar o nosso hino de forma a que este chegue, uniforme, ao Brasil. Os jogadores terão de sentir que estamos com eles, sentir o arrepio que é vestir a camisola de Portugal e representar toda uma nação. Não é só apoiando quando se ganha. Felizmente éramos Portugueses antes do Mundial, felizmente ainda o somos, e, “se não me engano”, continuaremos a sê-lo quando as cortinas do Brasil se fecharem. O futebol não é tudo, mas representa muito daquilo que é a nossa cultura. A paixão que temos por este jogo não pode chegar à loucura de pôr seres humanos em causa. Tenho orgulho na minha selecção, e fui dos poucos que não se foram embora da “baixa de Faro” ao intervalo. Eu fiquei até ao fim, aplaudi de pé e sofri quando falhámos o nosso tento de honra, perto dos 90 minutos. Amo-te Portugal, e estou casado contigo, de tal forma que nunca deixarei de te apoiar. E não será por mim que não terás apoio; estarei sempre aqui, contigo. Irei expressar o meu apoio em todos os 90 minutos da tua existência, sozinho ou acompanhado, à chuva ou ao sol, de dia ou de noite.

E é isso que vos peço, Portugueses. Demonstrem paixão, orgulho e amor pela nossa pátria. Volto a dizer: o futebol não é tudo, mas representa muito no nosso coração, mexe com o povo, desde o rico ao pobre. Ninguém consegue ser indiferente aos 11 jogadores equipados com as quinas ao peito.

Vamos dar as mãos e acreditar em que ESTE é o nosso ano! Levaremos o Fado mais bem tocado de sempre a terras onde reina o Samba, e sairemos de cabeça erguida! A começar neste domingo, às 23 horas, frente aos EUA.

Posso contar com vocês, minha gente?

Japão 0-0 Grécia: Nem com Tsubasa o Japão conseguiria ultrapassar a muralha grega

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O RESCALDO

O Japão – Grécia começou com um grande ambiente na bancada, sabendo-se que, no mesmo grupo, a Colômbia já estava qualificada para a próxima fase. Jogavam-se os últimos cartuchos de duas seleções que não são, de todo, favoritas a chegar longe na prova e estão no máximo a lutar por um segundo lugar no grupo.

De um lado, um Japão apoia-se sempre na velocidade e transições rápidas. Do outro, a Grécia, comandada por Fernando Santos, que apresenta sempre numa postura mais defensiva e expectante, com uma clara aposta nas bolas paradas. Se por um lado a Grécia tem uma média de alturas na ordem dos 1.84 metros, o Japão tem uma média a rondar os 1.78 metros, o que dá para perceber algumas diferenças no estilo de jogo das equipas.

O que se previa era um jogo bastante disputado, em que o Japão apostaria no jogo apoiado e a começar de trás para a frente com a bola controlada, contra uma Grécia mais física e de choque. Porém, de forma expectável, o jogo foi mesmo muito parado na primeira meia hora.

Ambas as equipas entraram com medo de sofrer o primeiro golo, que as poderia deixar quase arredadas do Mundial. E era isto que viríamos a vislumbrar durante todo o encontro. O Japão arriscava mais mas sempre com medo de deixar a defesa descompensada. Valia-se dos alas e do maior brilhantismo de Honda. Já do lado grego assistíamos a um Mitroglou muito desapoiado, até mesmo por Samaras, e ao mais espevitado de todos, Kone, em velocidade.

Salvo um ou outro lance assistimos a uma primeira parte sem história até Katsouranis levar o segundo amarelo e respetiva expulsão. A Grécia estava assim com a tarefa ainda mais difícil, ainda para mais depois da lesão de Mitroglou, que o levou a abandonar o campo. Mas, por incrível que pareça, os gregos acordaram. Acabaram por reagir à expulsão e quase aumentaram o marcador por Torosidis, ainda na primeira parte.

Uchida apoia Katsouranis  enquanto este abandona o campo  Fonte: FIFA
Uchida apoia Katsouranis enquanto este abandona o campo
Fonte: Getty Images

Ainda assim, estávamos longe de assistir a um bom jogo de futebol. E, na minha opinião, isto é muito pouco para duas equipas que lutam por se qualificar.

Na segunda parte, assistimos a um jogo um pouco mais intenso, talvez pelo maior cansaço dos jogadores e dificuldade em cumprir a tática das respectivas seleções. Surgiram mais lances de perigo, de ambos os lados. A Grécia surgiu mais agressiva e quase fez o golo através de bola parada. O Japão respondeu com duas perdidas incríveis, nomeadamente a de Okubo, que deveria ter feito bem melhor, tamanha era a oportunidade.

Ao fim ao cabo quem mereceu mais a vitória no encontro foi o Japão, mas a Grécia conseguiu mesmo o empate. A Grécia só depende de si própria para passar, precisando apenas de ganhar à Costa do Marfim. Contudo, é impossível gostar deste estilo de jogo grego. Demasiado defensivo, sem arriscar, sem grande intensidade, e apenas vale pela qualidade defensiva. O Japão foi demasiado perdulário e acabou por perder dois pontos, e, provavelmente, a última esperança de qualificação. A Grécia pode dizer que ganhou um ponto.

A Figura:

Honda e Nagatomo: Foram as grandes figuras do encontro, mobilizando a equipa japonesa para o ataque. Foram os responsáveis pelas jogadas de perigo da seleção asiática e fizeram por merecer uma melhor resposta dos seus companheiros, que não conseguiram finalizar as jogadas.

O Fora-de-Jogo:

Katsouranis: Parece que estou a repetir o fora-de-jogo do meu último rescaldo – França vs Honduras –, uma vez que na altura coloquei Palacios pela sua displicência na abordagem ao lance que levou ao seu segundo amarelo. Desta vez foi Katsouranis – com a sua experiência não podia cometer tamanho erro aos 38 minutos. O ex-jogador do Benfica acabou por levar o segundo amarelo, deixando a sua equipa descompensada quase a uma hora do final do encontro.

Inglaterra 1-2 Uruguai: Suárez mata Inglaterra

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O RESCALDO

O grupo D, o verdadeiro “grupo da morte” deste Mundial, com três selecções campeãs do mundo, tem-nos oferecido alguns dos melhores encontros desta competição. Depois de na primeira jornada termos assistido ao surpreendente desaire do Uruguai frente à Costa Rica e ao empolgante duelo entre Inglaterra e Itália que sorriu aos azzurri, hoje tivemos duas históricas nações do futebol à procura dos seus primeiros pontos e de um balão de oxigénio antes da ronda final. Foi o super-Suárez, que os ingleses tão bem conhecem, a resolver a questão, bisando para a vitória do Uruguai.

A primeira parte foi marcada pelo equilíbrio, com três oportunidades para cada lado. O Uruguai defendeu sempre com as linhas mais juntas e mais próximas da área, espreitando o contra-ataque; a Inglaterra, procurando os quatro homens da frente, terminou com mais posse de bola mas foi menos objectiva. A diferença fez-se num lance de génio protagonizado pela fabulosa dupla de avançados celeste: Cavani, naquele seu jeito aparentemente desengonçado, cruzou com frieza e precisão para a cabeça de Suárez, que mostrou todos os seus dotes de finalização. Na retina ficaram ainda duas grandes ocasiões para Rooney – primeiro num livre directo que rasou os ferros e depois num cabeçamento ao poste, em resposta a um cruzamento-livre de Gerrard.

Os primeiros dez minutos do segundo tempo mostraram um Uruguai muito pressionante, encostando os britânicos às cordas e ameaçando várias vezes dilatar da vantagem. Foi este o único momento do jogo em que os uruguaios conseguiram estabelecer-se no meio-campo adversário. Depois disso, os soldados de Roy Hodgson voltaram ao domínio da bola e do jogo. As entradas de Barkley e de Lallana (saídas de Welbeck e Sterling) foram importantes para conseguir circular com mais fluidez e menos erros. A um quarto de hora do fim, Rooney, o mais influente do ataque inglês, finalizou com sucesso uma jogada construída sobre a direita por uma tripla do Liverpool – Henderson, Sturridge e Johnson – e recolocou a igualdade no marcador.

Quando o Uruguai já não conseguia subir o bloco e só se via a Inglaterra à procura da reviravolta, Muslera lançou longo de uma ponta à outra do campo, Gerrard isolou Suárez com um cabeceamento muito mal medido e El Pistolero não perdoou – fuzilando Hart, sorriu depois para o espontâneo festejo de uma vitória arrancada a ferros, absolutamente decisiva para as aspirações uruguaias.

Suárez voltou a ser o talismã do Uruguai - dois golos que relançam o Uruguai na corrida  Fonte: Getty Images
Suárez voltou a ser o talismã do Uruguai – dois golos que relançam o Uruguai na corrida
Fonte: Getty Images

Do conjunto inglês há a destacar as exibições positivas de Baines, Rooney e Sturridge, assim como as entradas revigorantes de Barkley e Lallana. Sterling, demasiado individualista e inconsequente, foi jogador menos inspirado d’Os Três Leões. Com a responsabilidade de operar a ligação entre a defesa e o ataque somente entregue a Gerrard e Henderson, exigia-se maior capacidade de decisão do “quarteto-da-frente-metade-United-metade-Liverpool”. Para os anais ficará a provável despedida do mítico Steven Gerrard dos relvados dos Mundiais.

O Uruguai tem uma selecção plena de raça, querer e entrega, que faz do espírito guerreiro a sua maior arma e tem chegado muito longe assim. Apaixonante! Tabarez ganhou o meio-campo ao apostar no trio A.Rios/C.Rodriguez/A.González a fechar o centro. Os três estiveram concentrados e agressivos, criando superioridade no miolo e fechando todos os espaços aos irreverentes atacantes opositores – a chave do jogo. Foram eles que permitiram a Lodeiro, Cavani e Suárez brilhar no ataque. Lodeiro apareceu muito bem como “número 10”, trabalhando com afinco no momento defensivo e pegando na batuta no momento da transição ofensiva. Cavani trabalhou muito para a equipa e fez uma assistência incrível; Godín foi líder na defesa. A exibição de Arevalo Ríos – um pittbull, uma carraça, um soldado; em todo o lado! – e a imagem de Álvaro Pereira a gritar para o banco pedindo para entrar em campo depois de ter ficado inconsciente são o espelho perfeito da alma da selecção uruguaia e do seu povo. O confronto com a Itália na última jornada promete ser absolutamente imperdível!

A Figura

Luís Suárez – um atraso de cinco jogos de suspensão na Premier League não o impediu de se tornar “co-Bota de Ouro” da última temporada; um jogo de atraso por lesão nesta Copa também não foi o suficiente para o deixar de fora da luta pelos melhores marcadores do torneio. São dois golos que o definem como jogador – inteligência e matreirice no posicionamento, determinação e bravura em cada acção, supless e frieza na hora H – e que mantêm La Celeste viva. É impossível não ficar rendido ao carácter e ao talento de Suárez.

O Fora-de-Jogo

Inglaterra – de certo modo, é uma nomeação injusta, uma vez que os britânicos foram altamente competitivos nos dois jogos que disputaram neste Mundial. Vontade não lhes faltou! A verdade é que continuam com os mesmos zero pontos, o que significa que se a Costa Rica pontuar amanhã contra a Itália a derrota de hoje representa o fatídico adeus dos ingleses ao Brasil. Faltou um plano B a Roy Hodgson.

Costa do Marfim 1-2 Colômbia: Venceu a eficácia

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O RESCALDO

Colômbia e Costa do Marfim entraram para este encontro com os oitavos-de-final à vista. Tendo saído vencedoras nos jogos da primeira jornada, ambas as equipas procuravam a vitória neste duelo, o que significaria um passo enorme rumo à passagem à fase seguinte da competição para qualquer uma das formações.

A primeira parte deste jogo foi algo incaracterística. Tanto a equipa sul-americana como a africana apresentaram um estilo de jogo muito calmo e paciente, não exercendo pressão e não arriscando muito. De resto, a nota de maior destaque, entre vários ataques que não chegavam a bom porto devido a más decisões no último passe, foi um falhanço do avançado colombiano Teo Gutiérrez mesmo à boca da baliza ao passar do minuto 27. Poucas oportunidades e alguns remates ao lado tornaram esta primeira parte um período algo aborrecido e pouco caro, já que não houve uma equipa dominante mas também nenhuma das formações se deixou dominar.

O intervalo refrescou as equipas, os jogadores e as ideias. Tanto a Colômbia como a Costa do Marfim entraram para a segunda parte dispostas a mudar o rumo do encontro e dispostas a arriscar mais, fazendo com que esta segunda parte nada tivesse a ver com a primeira. Equipas mais atrevidas, lances de elevada nota técnica, boa circulação da bola e aproveitamento dos espaços livres foram rasgos característicos das duas equipas no início do segundo tempo. Não deixa de ser irónico, no entanto, que o primeiro golo do encontro, marcado pelo colombiano James Rodríguez ao minuto 64, tenha sido de bola parada. Um canto batido na esquerda por Cuadrado, que já tinha atirado uma bola ao poste na fase inicial do segundo tempo, foi parar à cabeça do ex-jogador do FC do Porto, que não vacilou e meteu a bola no fundo das redes, marcando o seu segundo golo da competição em outros tantos jogos.

Celebração animada dos cafeteros após James Rodríguez ter inaugurado o marcador Fonte: FIFA
Celebração animada dos cafeteros após James Rodríguez ter inaugurado o marcador
Fonte: FIFA

A selecção colombiana, que já tinha vindo a crescer e a tomar conta do encontro desde o início da segunda parte, ganhou mais força e ímpeto – nota também para o excelente apoio dos colombianos no Estádio Nacional de Brasília – e, seis minutos depois, a bola estava no fundo da baliza costa marfinense. Deste feita, Juan Quintero, jogador do FC Porto que tinha saltado do banco ao minuto 52, concluiu da melhor forma um lance que começou no aproveitamento por parte de James Rodríguez de um erro do defesa africano Die.

O jogo parecia decidido, mas um lance de pura genialidade do extremo costa marfinense Gervinho, que sentou três jogadores colombianos e deferiu um remate que só podia acabar em golo, relançou a esperança para a formação africana ao minuto 73.

Até ao fim do encontro sucederam-se alguns lances de ataque de parte a parte, sendo que a selecção do continente africano exerceu uma pressão maior do que a colombiana. O jogo chegou ao fim e a Colômbia, por ter sido mais equipa, está com um pé nos oitavos-de-final da competição, marca que pode alcançar ainda hoje, dependendo do resultado do encontro entre Grécia e Japão.

A FIGURA:

James Rodríguez: O jovem jogador colombiano que já passou pelo campeonato português, assumiu-se como a principal referência da selecção sul-americana e a estrela deste jogo. Quebrou o gelo marcando o primeiro golo e assegurou a vitória iniciando com muita perspicácia a jogado do segundo golo.

O FORA-DE-JOGO:

A primeira parte: Os primeiros 45 minutos de jogo foram aborrecidos, enfadonhos e pediam muito mais às duas formações, que contam nas suas linhas com jogadores de alto nível. Um período que não foi digno de fazer parte da maior competição de selecções a nível mundial.

A seleção do homem rico

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Aqui na localidade onde vivo houve um homem rico que quis criar uma equipa de futebol. Não por diversão, não porque gostava de futebol, mas porque via neste desporto uma forma de enriquecer ainda mais.

A fórmula era bastante simples – escolhia alguns jogadores e dizia-lhes: “eu deixo-te jogar na minha equipa. Para tal, tens de assinar um contrato que diz que os teus direitos desportivos passam a ser meus. Na prática, podes jogar, podes marcar golos, podes desfrutar deste fantástico desporto… mas se alguém estiver interessado em ti, terá de me pagar a mim. E se ninguém estiver interessado e eu já não te quiser na minha equipa, eu próprio escolho a tua próxima equipa, para a qual serás obrigado a ir.”

Como é óbvio, nem todos os miúdos da minha localidade se sujeitaram a este esquema. Alguns continuaram a achar que deviam ser donos do seu próprio destino. Alguns continuaram a achar que nesta nova equipa deveriam jogar os melhores da localidade e não aqueles que tinham contrato com o homem rico. Apesar disso, mantiveram-se sempre disponíveis para jogar naquela equipa, desde que noutras condições.

O homem rico não aceitou. Começou então a escolher jogadores mais fracos. Fez escolhas tão ridículas e irrisórias que as pessoas da localidade se começaram a aperceber do esquema. Miúdos que nunca tinham jogado, que não tinham experiência e que eram claramente mais fracos que outros preteridos, eram chamados. O contrato que fizeram com o homem rico dava-lhes a segurança de estarem presentes na equipa.

Algumas pessoas – as que não tinham amigos ou conhecidos na equipa da localidade – revoltaram-se. Chegaram mesmo a dizer que nunca apoiariam aquela equipa enquanto o processo de escolha fosse aquele. Na segunda-feira, quando a bola começou a rolar, muitos se esqueceram da sua revolta. Afinal, futebol também é isto. O que num dia é verdade, no outro é mentira. E para esta competição que agora começou pedem-nos para apoiar a equipa da nossa localidade, porque quem não a apoiar “é contra a localidade”.

Eu não a apoiarei de certeza. Ainda não me esqueci do homem rico nem dos miúdos que ficaram de fora por falta de “inteligência burocrática”. Mas que não se confundam as coisas: Amo a minha localidade. Não a sua seleção de amigos do homem rico.

Kikas e Von Rupp em altas em Los Cabos

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Começou no passado dia 16 de junho mais um WQS, evento que ajuda os surfistas a ganharem pontos para se qualificarem para aquela que é a mais prestigiosa competição de surf do mundo, WCT (World Championship Tour).

Com quatro portugueses inscritos e o galês Gony Zubizarreta, muito acarinhado pelos portugueses, José Ferreira foi o primeiro a entrar na água. Com ondas a rondar o meio metro de altura, José Ferreira não conseguiu melhor do que o terceiro lugar, saindo assim diretamente eliminado da competição. Também neste heat estava o surfista da Ericeira, Gony Zubizarreta, que garantiu a primeira posição. Guillermo Satt e Vehiatua Prunier ficaram em segundo e quarto lugar, respetivamente.

Infelizmente não foi só José Ferreira a perder precocemente. Também Vasco Ribeiro saiu de competição logo no primeiro heat, ao deixar-se ir abaixo contra os norte-americanos Cory Arrambide e Konoa Igarashi. Em último lugar ficou outro norte-americano, Victor Done.

Nicolau Von Rupp passou à fase seguinte, terminando a sua bateria em segundo lugar. À sua frente só ficou  o australiano Connor O´Leary, com um score total de 13.66 pontos em 20 possíveis. Nic acabou com um score de 12.50. Luel Felipe e Slade Prestwich ficaram nas últimas posições.

Nicolau Von Rupp a “partir”. Fonte: Surftotal.com
Nicolau Von Rupp a “partir”.
Fonte: Surftotal.com

Dia 17 ficou marcado pela subida do mar em Los Cabos. E parece que a sorte continuou para os dois portugueses. Primeiro foi Frederico Morais que passou a sua bateria em segundo lugar (13.40 pontos), ganhando assim passaporte direto para o round três. Thomas Woods ficou à frente de Kikas, com um score total de 15.30 pontos.

Também Nicolau terminou em segundo lugar, tendo acesso direto para o round três. O seu forte surf de backside foi o seu melhor amigo naqueles minutos de prova. Deste modo, terminou a bateria com um total de 14.30 pontos. Em primeiro lugar ficou o norte-americano Cory Arrambide, que já tinha eliminado Vasco Ribeiro.

É de referir que esta prova está cheia de grandes estrelas do WCT, como Josh Kerr, Damien Hobgood, Yadin Nicole, Brett Simpson e Patrick Gudauskas.

Camarões 0-4 Croácia: Grupo A ao rubro!

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O RESCALDO

O jogo de hoje era muito importante para a classificação do Grupo A. A Croácia vinha de uma derrota perante o anfitrião Brasil, embora tenha efetuado uma boa exibição, lutando até ao final da partida por um resultado positivo.

Os Camarões realizaram um jogo fraco diante do México e podiam mesmo ter perdido por uma margem superior caso não tivesse tido dois golos mal anulados. Portanto, o jogo de hoje era decisivo para as contas do grupo.

A Croácia tinha de entrar muito bem na partida, visto que só os três pontos manteriam os croatas na luta pelo apuramento. Logo aos 11 minutos, Olic inaugurou o marcador num pleno golo de oportunidade. Grande início de jogo!

A partir do primeiro golo o encontro foi mais bem disputado, com a Croácia a causar inúmeras oportunidades para voltar a marcar, enquanto os africanos pouco fizeram para tentar empatar. Subiram no terreno, trocaram melhor a bola, tentaram causar algum perigo, mas, no que toca a oportunidades flagrantes de golo, não dispuseram de nenhuma.

Ao minuto 39, Alex Song comete um absurdo, agredindo um adversário. Com esta atitude, este será o último jogo do jogador do Barcelona, e a sua equipa foi tremendamente prejudicada.

A segunda parte não podia ter começado da melhor maneira para os croatas: Perisic aproveitou um passe do guarda-redes Itandje, fez uma grande arrancada e marcou um belíssimo golo!

Ao minuto 60, Mandzukic faz o 3-0 e, aos 72, o 4-0, bisando assim na partida.

O jogo estava claramente decidido, e a seleção croata exibiu-se, outra vez, a um excelente nível. Ao minuto 89, os Camarões finalmente causaram uma oportunidade flagrante que resultou num remate à barra.

Mario Mandzukic, a grande figura do encontro ao apontar dois oportunos golos. Fonte: Fichajes.com
Mario Mandzukic, a grande figura do encontro ao apontar dois oportunos golos
Fonte: Fichajes.com

O jogo terminou e ficou na retina mais uma boa exibição dos croatas, que tudo fizeram para vencer. O resultado poderia ter sido mais avolumado, face às inúmeras oportunidades de golo de que dispuseram. Os Camarões fizeram um jogo fraco, desorganizados defensivamente e tiveram muito poucas oportunidades de golo.

De realçar também a boa arbitragem do português Pedro Proença.

O jogo entre o México e a Croácia será certamente um jogo de altíssimo nível, visto ser aquele que decide o segundo lugar e respetiva qualificação.

A Figura:

Mandzukic tem, obviamente, de ser considerado a figura do encontro devido aos dois golos que marcou, golos esses que contribuíram e muito para a importantíssima vitória do seu país.

O Fora-de-Jogo:

Alex Song é claramente o jogador escolhido para este lugar. Devido à sua infantilidade, prejudicou a sua equipa e prejudicou-se a si próprio. Foi uma péssima atitude de um jogador que possui uma vasta experiência e que devia ter-se contido. Não havia qualquer necessidade de fazer o que fez.

Espanha 0-2 Chile: A queda dos reis

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O RESCALDO

Quem diria! A Espanha, campeã do mundo em título, está fora do Mundial do Brasil. A derrota com o Chile por 2-0 não dita apenas o afastamento desta competição; marca o fim de ciclo de uma geração que ganhou tudo o que havia para ganhar e que ficará para sempre na história. No dia em que o rei Juan Carlos assinou a lei que torna oficial a sua abdicação do trono, os reis do futebol caem aos pés dos guerreiros chilenos, que deixaram a pele em campo e que já têm lugar marcado nos oitavos (tal como a Holanda).

Em relação à primeira jornada, Del Bosque trocou Piqué por Javi Martínez (que também esteve desastrado) e Xavi por Pedro, passando Iniesta para o corredor central. No entanto, a jogar com um duplo pivot composto por Xabi Alonso e Busquets e com laterais pouco participativos, a Espanha voltou a apresentar um futebol lento e demasiado previsível. Do outro lado esteve um Chile que usou a agressividade para compensar as lacunas defensivas da equipa. Sampaoli abdicou de Valdivia e colocou Francisco Silva em campo, voltando ao sistema habitual com três centrais. E a estratégia deu resultado. Os sul-americanos marcaram numa transição rápida, com Aranguiz a assistir Vargas para o primeiro golo. Em vantagem, a equipa baixou o bloco e entregou a posse de bola aos espanhóis, que tiveram dificuldades para penetrar na defensiva chilena (tiveram apenas uma grande oportunidade, com Diego Costa a rematar à malha lateral). O 2-0 surgiu ainda antes do intervalo, numa fase em que o Chile não o justificava. Casillas defendeu o livre de Alexis, mas na recarga Aranguiz bateu o guardião espanhol, que voltou a não estar isento de culpas.

Eduardo Vargas festeja o primeiro golo Fonte: Fifa
Eduardo Vargas festeja o primeiro golo
Fonte: FIFA

Para a segunda parte, Del Bosque lançou Koke para o lugar de Xabi Alonso, que esteve irreconhecível. A equipa surgiu com mais intensidade e Alba esteve mais activo no flanco esquerdo, mas Bravo – talvez o melhor em campo – foi um obstáculo intransponível. Com o passar dos minutos, os campeões do mundo deixaram de acreditar na reviravolta e podiam ter sofrido o 3-0. Alexis e Vargas, que para além dos desequilíbrios ofensivos fizeram um trabalho incansável a defender, puseram em sentido a desorientada defesa espanhola. Até ao final, os chilenos limitaram-se a gerir a posse de bola perante uma equipa sem alma. Mérito para Sampaoli – hoje deixou as “loucuras” de lado e teve uma abordagem inteligente ao jogo – e, claro, para os jogadores chilenos, que cumpriram na perfeição as suas funções.

A Figura:

Charles Aranguiz – Foi decisivo neste encontro. Apesar de Bravo ter feito uma exibição espectacular na baliza, o médio fez uma assistência e um golo e confirmou as boas indicações deixadas na partida contra a Austrália. Um jogador com muita disponibilidade física, intenso na recuperação e que chega bem à área contrária.

O Fora-de-Jogo:

Espanha – Hoje, num jogo de tudo ou nada, veio a confirmação de que o desaire frente à Holanda não foi apenas um acidente. Foi mais uma exibição medíocre de uma equipa desgastada – tanto a nível físico como mental –, sem ideias e com jogadores a pedir férias (Casillas, Ramos e Xabi Alonso tiveram uma prestação horrível no Brasil). Del Bosque tem muitas culpas no cartório, não só por ter feito uma convocatória com base no estatuto dos jogadores, mas principalmente por ter falhado na abordagem aos jogos. Entrar com Busquets e Xabi Alonso num jogo em que precisava de ganhar demonstrou algum receio (podia perfeitamente ter lançado Koke de início) e tendo em conta o modelo de jogo da equipa seria preferível alinhar com Fàbregas como falso 9. Veremos se, depois desta fraca prestação, o seleccionador campeão mundial continuará no cargo.

Austrália 2-3 Holanda: Um jogo mesmo muito bem disputado

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O RESCALDO

A Austrália apresentou-se em campo em 4-2-3-1, depositando em Tim Cahill as esperanças australianas. Por sua vez, a Holanda optou por um 5-3-2, com os laterais bem abertos. Enquanto os primeiros necessitavam de pontuar neste jogo para poderem adiar para o último jogo com a Espanha o jogo que iria decidir, ou não, a passagem para a próxima fase da Campeonato Mundial 2014, os holandeses, ainda embevecidos com a vitória alcançada perante os bi-campeões europeus e actuais detentores do título mais cobiçado do futebol entre selecções – o de campeão mundial – previam uma tarefa, teoricamente, fácil. O favoritismo não se verificou no decorrer do jogo e pode-se assumir, até, que foi uma partida extremamente bem disputada entre ambas as selecções.

A primeira parte, tal como em grande parte do jogo, foi disputada muito “taco a taco”; a Holanda tentava utilizar as maiores ao seu dispor em Robben e Van Persie e a Austrália pressionava bastante, sendo que Cahill dava o exemplo. Uns primeiros quarenta e cinco minutos em que o meio campo holandês se mostrava fraco e, apesar dos nomes que tinha, muito pouco criativo e em que Leckie e, para não variar, Cahill provavam ser os jogadores mais perigosos do maior país da Oceânia.

Aos 20 minutos, numa jogada relâmpago protagonizada por Robben, o marcador era inaugurado e, logo de seguida e sem deixar os adeptos holandeses festejarem, Tim Cahill no minuto seguinte surpreendeu o mundo do futebol com um golaço digno de registo.

O resto da primeira parte continuou com inúmeras jogadas perigosas para ambos os lados. Bruno Martins Indi, jogador nascido no Barreiro, acabou por sair lesionado numa casa, depois de uma entrada fora de tempo por Tim Cahill, que iria levar um cartão amarelo. Depay acabaria por substituir o defesa holandês.

Com o começo da segunda parte da partida e a alteração forçada por parte de Louis Van Gaal a selecção jogava agora num 4-4-2 e as mudanças tácticas mostraram-se eficazes. Contudo, nem 10 minutos passaram e a Austrália, numa grande penalidade convertida por Jedinák, dava, pela primeira vez no jogo, a liderança ao seu país. Mas, como já tinha acontecido anteriormente no jogo, pouco tempo se prolongou esta vantagem e três minutos volvidos Robin Van Persie marcava, também ele, um belo golo na grande área.

Mais uma vez o jogo estava partido, com ambas as selecções a fazerem inúmeras jogadas perigosas perto das balizas adversárias. Foi aos 68 minutos que Depay desfez, até ao final do jogo, o empate e desferiu um remate com muito efeito que acabaria por entrar na baliza defendida por Langerakm, que ficaria mal na fotografia. De reparar que este golo foi no seguimento de uma jogada de muito perigo por parte da Austrália. Contudo, após o golo marcado por Depay, o jogo ficaria (ainda mais) partido, mas nunca conseguindo a Austrália empatar e dar alguma justiça ao resultado.

A Holanda começou como favorita, mas batalhou bastante para conseguir este triunfo perante uma lutadora Austrália. De acordo com o que foi o jogo, julgo que um empate teria sido mais merecido, visto que foi um jogo realmente muito disputado. Com esta derrota e com o amarelo mostrado à sua maior estrela, que a impede de jogar o próximo jogo, os australianos já não têm muitas esperanças para passarem para uma próxima fase.

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Robben foi a figura mais perigosa por parte dos holandeses e mostrou estar numa forma realmente assustadora
Fonte: facebook.com/fifaworldcup

A Figura:

Arjen Robben – O veloz extremo holandês jogou a um alto nível e está numa forma assombrosa. Mais uma vez foi o maior impulsionador do ataque holandês e foi o jogador mais perigoso da selecção.

O Fora-de-Jogo:

Meio campo holandês – Apesar de contar com nomes como Wesley Sneijder e Jonathan De Guzman, o sector do meio campo foi uma sombra do que é capaz e só com a entrada de Memphis Depay é que este sector se mostrou mais perigoso. A falta de um criativo e organizador de jogo como Rafael Van der Vaart fez muita falta neste jogo.