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Olhar tático ao FC Porto x Arouca: o sucesso da pressão dos dragões e a manipulação das referências do Arouca

O FC Porto regressou ao Estádio do Dragão e venceu o Arouca, por 2-0, na 3.ª jornada da Primeira Liga, protagonizando, frente à equipa de Vasco Seabra, uma das melhores exibições da temporada até ao momento. Do outro lado esteve uma equipa que, neste início de época, tem apresentado ideias claras, variabilidade na construção e qualidade individual para criar problemas aos adversários.

Perante os diferentes mecanismos de construção do Arouca, Francesco Farioli procurou desde cedo condicionar a primeira fase de construção adversária através de um bloco alto em 4-4-2, sustentado por referências HxH em todo o campo. Para evitar que a equipa perdesse as referências individuais perante as diferentes configurações utilizadas pelo Arouca na saída de bola – fosse com Taichi Fukui a lateralizar para a esquerda, Espen Van Ee a baixar para junto dos centrais ou Tiago Esgaio a assumir uma posição mais baixa – o FC Porto procurou pressionar desde a saída de bola da equipa de Vasco Seabra. Os timings de Victor Froholdt e William Gomes na forma como ajustavam as suas referências foram particularmente importantes para o sucesso da pressão portista.

O FC Porto alterou também a orientação da pressão, procurando direcioná-la para o lado esquerdo do Arouca. Pepê pressionava de fora para dentro Ignacio de Arruabarrena, condicionando a saída para José Fontán. Esta alteração acabou por surpreender a equipa de Vasco Seabra, como o próprio treinador referiu em conferência de imprensa. A sair pelo lado esquerdo, o Arouca encontrou muitas dificuldades para construir com qualidade, mesmo quando procurava criar superioridade numérica através da presença de mais um jogador na primeira fase de construção.

Saída de bola do Arouca e orientação da pressão por parte do FC Porto

Na saída de bola, a equipa procurava projetar os laterais para fixar Zaidu e William Gomes e criar uma situação de 3×2, utilizando Ignacio de Arruabarrena como elemento adicional na construção, juntamente com José Fontán e Javier Sánchez. Taichi Fukui procurava também receber de frente, criando condições para ativar a dinâmica do terceiro homem, apesar da vigilância de Victor Froholdt. Ainda assim, a equipa de Vasco Seabra mostrou muitas dificuldades perante a agressividade defensiva do FC Porto. Nas situações em que procurou recorrer à saída longa, também encontrou dificuldades para ganhar os duelos aéreos, apesar de ter Iván Barbero como referência ofensiva.

Nas combinações curtas, a intenção passava muitas vezes por jogar por fora para depois voltar a entrar por dentro, mas o Arouca foi sendo condicionado pela pressão do FC Porto. Tornou-se também difícil potenciar a qualidade com bola dos jogadores mais ofensivos em corredor central, nomeadamente através das movimentações para dentro de Nais Djaouahra, Alfonso Trezza e Hyun-ju Lee. Nesse sentido, e com uma primeira parte em que o FC Porto conseguiu ter bola durante grande parte do tempo, destacou-se a paciência dos centrais Bednarek e Kiwior para encontrar as melhores soluções e o momento certo para iniciar cada jogada ofensiva.

Do outro lado, o Arouca apresentava referências HxH no meio-campo, enquanto Hyun-ju Lee e Iván Barbero assumiam a primeira linha de pressão em 4-4-2, procurando condicionar Pablo Rosário e os dois centrais do FC Porto. A partir daqui, tornou-se evidente o crescimento da mobilidade e das soluções do FC Porto na construção. Se na temporada passada se falava de uma equipa mais fácil de identificar, sobretudo pela sua rigidez posicional, a realidade é que a equipa técnica de Francesco Farioli tem acrescentado maior mobilidade e diferentes formas de sair em organização ofensiva, com Gabri Veiga a assumir um dos principais papéis.

Posicionamento de Gabri Veiga na construção do FC Porto em determinados momentos

O médio espanhol teve, uma vez mais, liberdade posicional para construir, lateralizando para a direita ou aparecendo na largura pelo lado esquerdo. Por vezes, estabeleceu trocas posicionais com Zaidu ou procurou criar situações de dupla largura com o lateral nigeriano. Esta mobilidade retirava referências a Espen Van Ee e tornava mais difícil ao Arouca controlar as suas próprias referências de pressão HxH no meio-campo. Outra das soluções utilizadas pelo FC Porto passou pelo alargamento de Gabri Veiga, mas também, em determinados momentos, de Victor Froholdt. Esta dinâmica obrigava o Arouca a aumentar as distâncias entre os seus jogadores e, a partir daí, surgia André Silva a baixar para receber e funcionar como apoio frontal.

Se na primeira parte foi mais difícil para o FC Porto encontrar André Silva nessas condições, na segunda parte os dragões conseguiram fazê-lo com maior frequência, aumentando a capacidade para progredir pelo corredor central. Com os laterais, sobretudo Lebedenko, mais projetados quando o Arouca tinha bola, o FC Porto procurou também aproveitar as transições ofensivas, colocando Pepê e William Gomes em situações de maior preponderância e profundidade.

Apesar disso, na primeira parte foram várias as ocasiões criadas pelos dragões, mas a equipa foi encontrando em Ignacio de Arruabarrena um obstáculo importante. O guarda-redes do Arouca respondeu com intervenções de qualidade, enquanto o FC Porto voltou a revelar alguma falta de eficácia e dificuldades na definição no último terço.

Lateralização à vez dos médios interiores do FC Porto e as maiores coberturas que os médios do Arouca teriam de fazer. André Silva a baixar para apoio frontal

Na segunda parte, com um FC Porto mais agressivo ofensivamente e com os interiores a aparecerem, por vezes, numa linha mais subida, os dragões acabaram por chegar ao golo. A jogada nasceu pelo lado direito, com William Gomes a libertar-se bem e a encontrar Gabri Veiga, que fez o primeiro golo ao minuto 67. Isto depois de o FC Porto já ter visto um golo de Jakub Kiwior ser anulado por posição irregular.

Vasco Seabra foi procurando dar maior frescura à frente de ataque, de forma a manter a intensidade da primeira linha de pressão, com as entradas de Dylan Nandín e Pablo Gozálbez, além de procurar subir o bloco. No entanto, foram os dragões que acabaram por sentenciar a partida através de uma saída desde trás. Pepê assistiu Borja Sainz, que voltou a sair do banco para dilatar a vantagem do FC Porto ao minuto 86, tal como já tinha acontecido frente ao Rio Ave.

O FC Porto volta, assim, a vencer e, perante os perigos que o Arouca poderia criar no pré-jogo, conseguiu antecipá-los através da agressividade ofensiva e defensiva que apresentou durante os 90 minutos. A equipa dos dragões é agora líder isolada da Primeira Liga, com nove pontos conquistados em três jornadas. Do lado do Arouca, é novamente importante destacar a coragem da equipa de Vasco Seabra, a variabilidade que apresenta em organização ofensiva e a qualidade dos seus jogadores. Pela qualidade individual dos jogadores e pelas ideias de Vasco Seabra, o Arouca tem os argumentos necessários para continuar a ser uma das equipas mais interessantes de acompanhar ao longo da temporada.

Rodrigo Lima

Relatório Tático – FC Porto x Arouca

1. Arouca

Organização defensiva

  • Estrutura: 4-4-2 em bloco médio.
  • Primeira linha de pressão: Hynju Lee e Iván Barbero a condicionarem os dois centrais do FC Porto e a fecharem as ligações para Pablo Rosário.
  • Orientação da pressão: pressão ao central do lado da bola, com o segundo avançado a ajustar para fechar a linha de passe para Pablo Rosário, procurando encaminhar a construção do FC Porto para os corredores.
  • Referências individuais: procura de pressão HxH no meio-campo, com Espen Van Ee e Taichi Fukui como referências sobre Gabri Veiga e Victor Froholdt.
  • Controlo interior: Nais Djaouahra e Alfonso Trezza a posicionarem-se mais por dentro, procurando controlar o corredor central e as zonas interiores ocupadas pelos laterais do FC Porto.
  • Controlo de André Silva: a estrutura e as referências individuais permitiram neutralizar, sobretudo na primeira parte, algumas das ligações de André Silva entre linhas.
  • Aumento da pressão: em determinados momentos, Espen Van Ee subiu para pressionar Pablo Rosário, com Javier Sánchez a ajustar a sua posição e a pressão sobre Gabri Veiga.
  • Timings da pressão: quando Van Ee saltava sobre Pablo Rosário, procurava simultaneamente fechar a linha de passe para Gabri Veiga, evitando que a subida do médio criasse uma solução interior livre.

Organização ofensiva

  • Primeira fase: procura de criar superioridade numérica através de uma saída a 3, com Ignacio de Arruabarrena como elemento adicional e José Fontán e Javier Sánchez como centrais.
  • Taichi Fukui: utilização do médio japonês de frente para a construção, procurando participar na dinâmica do terceiro homem, com vigilância de Froholdt (4×3).
  • Fixação dos extremos: projeção dos laterais para fixar Zaidu e William Gomes e criar condições para uma superioridade de 3×2 perante Pepê e André Silva.
  • Estrutura: Na saída de bola através de 1-2-4-4 e diferentes configurações de linha de três durante a construção.
  • Mobilidade dos médios: Fukui e Espen Van Ee com diferentes movimentos para alterar a estrutura da primeira fase, podendo lateralizar, baixar entre os centrais. Ainda a possibilidade do lateral Tiago Esgaio estar mais baixo na mesma linha dos centrais Fontán e Javier Sanchéz.
  • Projeção dos laterais: Lebedenko e Tiago Esgaio projetados na segunda fase de construção, enquanto Nais Djaouahra e Alfonso Trezza procuravam ocupar zonas mais interiores.
  • Ocupação interior: procura de criar quadrados/losangos com vários jogadores por dentro para aumentar as soluções de progressão.
  • Última linha: perante a pressão orientada do FC Porto, procura de construir através de Fontán ou Fukui e, em determinados momentos, recorrer à bola longa para explorar a capacidade de Iván Barbero no jogo aéreo.
  • Saída pelo lado direito: Javier Sánchez a posicionar-se atrás de Pepê, com Arruabarrena a procurar o passe por cima sobre o extremo brasileiro para ultrapassar a orientação da pressão.
  • Nais Djaouahra: liberdade para alternar entre largura e zonas interiores, embora com maior frequência nos movimentos de fora para dentro.

Comportamentos-chave

  • Laterais projetados: Lebedenko e Tiago Esgaio a subirem ainda na primeira fase, permitindo ao Arouca criar situações de 3×2 ou 4×3, dependendo do posicionamento de Fukui.
  • Javier Sánchez: posicionamento atrás de Pepê para criar uma linha de passe e aumentar as condições para sair pelo corredor direito.
  • Variação da saída a 3: utilização de diferentes jogadores para formar a linha de três – Tiago Esgaio, Taichi Fukui ou Espen Van Ee – procurando alterar as referências HxH do FC Porto.
  • Djaouahra e Trezza por dentro: procura de maior presença no corredor central depois de ultrapassada a primeira linha de pressão.
  • Alternância da pressão: inicialmente Iván Barbero e Hynju Lee e, na segunda parte, Dylan Nandín e Pablo Gozálbez, a alternarem os saltos à pressão sobre Pablo Rosário e o central do FC Porto com bola.

Limitações

  • Saída pelo lado direito: dificuldades em progredir através de Fukui ou Fontán. O Arouca queria beneficiar de uma pressão orientada do FC Porto da direita para a esquerda, mas encontrou uma pressão diferente da esperada, dificultando a saída pelo seu lado esquerdo.
  • Pressão do FC Porto: perante a subida do bloco dos dragões, o Arouca recorreu mais frequentemente à bola longa, mas revelou dificuldades em ganhar os duelos subsequentes.
  • Combinações exteriores: mesmo quando procurou sair através de combinações, a pressão de William Gomes e Froholdt revelou-se rápida e agressiva.
  • Jogo interior: pouca capacidade para potenciar Nais Djaouahra e Hynju Lee em situações de receção e progressão por dentro, devido à forma como o FC Porto ajustava as suas referências.
  • Duelos: dificuldades em contrariar a agressividade defensiva do FC Porto, sobretudo nos duelos aéreos. Iván Barbero e, pontualmente, Trezza eram os jogadores com maior capacidade para competir nestas situações.
  • Bola longa sobre Pepê: a tentativa de colocar Javier Sánchez atrás de Pepê e procurar que Arruabarrena recorresse ao passe aéreo permitia ultrapassar a primeira pressão, mas a trajetória aérea da bola dava tempo ao FC Porto para reajustar as suas referências e reorganizar-se.
  • Transição defensiva: as projeções de Lebedenko e, em alguns momentos, Tiago Esgaio deixaram espaço nos corredores após perda, permitindo ao FC Porto encontrar condições para acelerar em transição ofensiva.

2. FC Porto

Organização defensiva

  • Estrutura: 4-4-2 em bloco alto/médio-alto e 5-4-1 / 5-3-2 em bloco mais baixo, com Pepê a assumir um comportamento híbrido.
  • Pressão HxH: subida do bloco com referências individuais em todo o campo.
  • Adaptação à saída a 3: quando o Arouca construía com três jogadores, William Gomes saltava sobre Fukui quando este lateralizava ou sobre Lebedenko quando este assumia uma posição mais baixa, com Froholdt a ajustar à referência que surgia no meio-campo.
  • Bloco médio/alto: em 4-4-2, Pablo Rosário baixava para a linha defensiva como central direito, Kiwior assumia o corredor esquerdo e Zaidu subia para médio esquerdo.
  • Bloco baixo: Zaidu ajustava como defesa esquerdo numa linha de cinco e Pepê retomava uma posição mais exterior.
  • Pepê no 5-3-2: preocupação inicial em fechar o corredor central e impedir a entrada da bola em Alfonso Trezza.
  • Primeira linha de pressão: orientação da pressão para a esquerda do Arouca, com Pepê e André Silva como referências da primeira linha.
  • Pepê: pressão de fora para dentro sobre Ignacio de Arruabarrena, condicionando a saída pelo lado esquerdo do Arouca.
  • Compactação: manutenção de um bloco curto e compacto, reduzindo os espaços interiores para os jogadores do Arouca que procuravam ocupar essas zonas.
  • Referência individual: Pablo Rosário a acompanhar pontualmente as descidas de Hynju Lee.
  • Ajustamento das referências: timings bem definidos na adaptação às diferentes estruturas do Arouca, permitindo ao FC Porto manter as referências posicionais apesar das constantes alterações na construção adversária.

Organização ofensiva

  • Centrais como pilares: utilização de Kiwior e Bednarek para iniciar a construção e criar as condições necessárias para esperar pelo momento adequado de progressão.
  • Passe longo: utilização frequente dos dois centrais para procurar William Gomes e Pepê nos corredores e na profundidade.
  • Gabri Veiga: liberdade para lateralizar à direita e formar uma saída a três com Kiwior e Bednarek.
  • Froholdt: movimentos horizontais para a meia-direita, procurando arrastar Fukui e libertar espaço no corredor direito para a ligação direta entre central e extremo.
  • Laterais por dentro: utilização dos movimentos interiores dos laterais para libertar espaço exterior e facilitar as ligações diretas entre centrais e extremos do FC Porto.
  • Médios interiores: Gabri Veiga e Froholdt a alargarem e lateralizarem em diferentes momentos, obrigando Fukui e Van Ee a percorrer maiores distâncias para manter as referências individuais.
  • Liberdade de Gabri Veiga: mobilidade para retirar a referência individual de Espen Van Ee e criar diferentes soluções na construção.
  • Trocas posicionais: Gabri Veiga e Zaidu a trocarem posições no corredor esquerdo, com o médio espanhol a dar largura ou a criar situações de dupla largura com o lateral nigeriano.
  • André Silva: descida para zonas de apoio frontal, beneficiando do espaço criado pelo alargamento de Gabri Veiga e Froholdt.

Comportamentos-chave

  • Alargamento dos médios: a largura de Gabri Veiga e Froholdt obrigava o Arouca a ajustar as referências ou a sair do bloco para pressionar nos corredores, aumentando as distâncias de Fukui e Espen Van Ee.
  • André Silva em apoio: o espaço criado pelos movimentos exteriores dos médios permitiu ao avançado baixar e procurar receber entre linhas, sobretudo na segunda parte.
  • Paciência na construção: a pressão do Arouca obrigou o FC Porto a circular entre os centrais à procura do momento adequado para progredir.
  • Evolução durante o jogo: na primeira parte, o Arouca conseguiu limitar mais estas ligações; na segunda, o FC Porto encontrou com maior frequência Bednarek/Kiwior → André Silva.
  • Gabri Veiga: a liberdade posicional criou dúvidas a Nais Djaouahra sobre o momento de saltar à pressão, sobretudo quando o médio espanhol lateralizava para a direita.
  • Transição ofensiva: procura imediata da profundidade através de William Gomes e Pepê após recuperação, explorando a projeção dos laterais do Arouca.
  • Froholdt: movimentos de trás para a frente para aparecer em zonas de cruzamento e atacar a área.
  • Reposicionamentos: quando Gabri Veiga assumia maior liberdade, Zaidu e Froholdt ajustavam as suas posições para manter o equilíbrio estrutural.
  • Froholdt /Zaidu: quando Gabri Veiga alargava, Zaidu procurava ocupar zonas interiores; quando o espanhol lateralizava para a direita, Froholdt ajustava a sua posição para manter a ocupação do meio-campo.

Limitações

  • Definição no último terço: apesar da capacidade para ultrapassar a primeira fase de pressão, o FC Porto revelou dificuldades em transformar algumas oportunidades claras em golo.
  • Aproveitamento das vantagens: em alguns momentos, a equipa conseguiu criar condições favoráveis através dos movimentos interiores/exteriores, mas não conseguiu dar continuidade às vantagens criadas no último terço (finalização).

Impacto competitivo

  • Manipulação das referências HxH: os movimentos de Gabri Veiga e Froholdt para zonas exteriores obrigaram o Arouca a tomar decisões sobre as suas referências individuais e criaram maiores distâncias para os médios adversários.
  • Liberdade de Gabri Veiga: a mobilidade do médio espanhol foi um dos principais mecanismos para retirar referências ao Arouca e criar novas linhas de passe.
  • André Silva: o espaço criado no corredor central permitiu ao avançado aparecer mais frequentemente em apoio frontal, sobretudo na segunda parte.
  • Saída de pressão: a paciência de Kiwior e Bednarek, aliada à mobilidade dos médios, permitiu ao FC Porto ultrapassar a primeira linha de pressão.
  • Transição ofensiva: a projeção dos laterais do Arouca criou espaços que o FC Porto procurou explorar rapidamente através de William Gomes e Pepê.
  • Controlo defensivo: os timings de adaptação às diferentes estruturas do Arouca permitiram ao FC Porto manter as referências HxH e limitar a progressão interior adversária.

Rodrigo Lima

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: O Gabri Veiga tem tido mais liberdade posicional esta temporada em organização ofensiva, aparecendo muitas vezes tanto na largura à esquerda e na direita para dar soluções na construção. Gostaria de lhe perguntar de que forma é que o FC Porto tem beneficiado dessa mobilidade do Gabri, tanto na primeira fase de construção como no último terço?

Francesco Farioli: São dinâmicas. Eu gosto, às vezes, de colocar os jogadores numa posição mais calma para receber a bola, mas, obviamente, é normal que, em determinados momentos, para estar ou entrar no jogo, tenhamos de ir à volta para tocar na bola, e o Gabri fez isso muito bem. O que foi mais importante foi a adaptação dos outros jogadores para compensar essa possibilidade, para ele conseguir entrar no jogo e tocar na bola. Acho que, na primeira parte, e devido à organização do Arouca, ao intervalo tínhamos 64 ou 65 passes dos dois centrais, e o terceiro jogador com mais passes teve 20. Foi um jogo em que tivemos de ter demasiada paciência para ter as condições certas para atacar e acho que foi um jogo que manuseámos bem para ganhar, especialmente nessa calma, nessa paciência e depois nessa agressividade que tivemos nos metros para atacar. O apoio dos adeptos também foi importante para termos esses momentos de calma e momentos em que o jogo ficou mais decisivo e em que o jogo ficou decidido.

Bola na Rede: Por volta dos 60 minutos, o mister substituiu os dois jogadores da frente, o Barbero e o Lee. Pergunto-lhe se essas alterações se deveram sobretudo ao desgaste provocado pela primeira fase de pressão, pela necessidade de controlar o Pablo Rosário e os dois centrais do FC Porto? Por outro lado, temos visto também o Arouca apresentar várias soluções na primeira fase de construção, com o Fukui a lateralizar, o Espen Van Ee a aparecer muitas vezes entre os centrais e, noutras situações, a equipa a construir a três, com o lateral a ficar mais baixo. Gostaria de lhe pergunta qual é a importância de ter jogadores com esta qualidade com bola para criar diferentes alternativas nesta primeira fase?

Vasco Seabra: Nós tentámos alterar o Dylan e o Pablo Gozalbez pelo Lee e pelo Barbero, e isso teve a ver com aumentarmos a nossa frescura física em termos daquilo que é a nossa capacidade de pressionar e de impedir que a primeira fase do FC Porto pudesse empurrar-nos para trás. A verdade é que o Barbero e o Lee fizeram um trabalho excelente, mas também sentimos que tanto o Dylan como o Pablo, principalmente o Pablo, pela facilidade que tem em ter receções boas entrelinhas, têm normalmente uma capacidade muito grande, num curto espaço do terreno, para ter receções orientadas que tiram jogadores da frente e nos fazem progredir no terreno. O Lee é um jogador mais de transporte e condução e não estava a conseguir tanto essa mesma condição para quebrar as linhas, e nós quisemos ir mais pelas ligações, para descobrir o espaço entrelinhas pelo Pablo, que depois nos pudesse abrir o campo e chegar um pouco mais à frente. Em relação àquilo que é a mobilidade e a qualidade dos nossos jogadores, é verdade que o tipo de jogadores e o perfil que procuramos é para que nos possa dar precisamente esse tipo de soluções. O Lebedenko e o Mário, que foram contratados agora, têm essa possibilidade de jogarem mais alto ou mais baixo, a construir por dentro. Temos a possibilidade de todos os nossos médios terem muita mobilidade e qualidade para jogar dentro ou fora do bloco e, portanto, nós, em termos de modelo de jogo, apesar de ser uma coisa que eu goste que a minha equipa tenha capacidade para fazer, a verdade é que vamos tentando também potenciar as características deles para lhes dar conforto dentro daquilo que é uma ideia global.

Estoril Praia acerta saída de médio para Espanha

Jandro Orellana vai trocar o Estoril Praia pelo Cádiz. O médio espanhol está a caminho da La Liga 2 e regressará a Espanha.

Jandro Orellana vai deixar o Estoril Praia e regressar a Espanha para jogar na La Liga 2. De acordo com o Mundo Deportivo, o negócio está fechado e o médio prepara-se para ser incorporado no plantel do Cádiz.

À sua espera, o médio tem um contrato válido por duas temporadas com mais uma por opção. Internacional jovem pela Roja por 14 ocasiões, o jogador de 26 anos vai regressar a Espanha, depois de em 2022 ter deixado a equipa B do Barcelona.

Nas últimas duas temporadas, Jandro Orellana fez, respetivamente, 23 e 20 jogos pelo Estoril Praia. Esta temporada, já com Vasco Matos, foi utilizado em dois jogos, ambos como suplente utilizado.

Continua a acompanhar o mercado do clube canarinho.

Newcastle garante contratação de ex-FC Porto por 55 milhões de euros

O Newcastle selou a contratação de Nico González. Médio espanhol troca Manchester City pelos magpies.

Nico González vai mudar de clube na Premier League. Depois de trocar o FC Porto pelo Manchester City em janeiro de 2025, o médio espanhol prepara-se agora para deixar os cityzens e reforçar o Newcastle.

Segundo Fabrizio Romano, o negócio está selado com a transferência avaliada em 55 milhões de euros fixos, aos quais se podem juntar mais 3,5 por objetivos. O médio já deu luz verde aos magpies onde será figura chave no projeto do clube e ocupará a vaga que ficou livre com a saída de Bruno Guimarães para o Arsenal.

Na última temporada, Nico González fez 40 jogos pelo Manchester City, nos quais marcou dois golos. O médio tem 24 anos e ainda procura a primeira internacionalização pela seleção principal da Roja.

Giorgi Kochorashvili no Sevilha: «É o momento perfeito para mostrar o que sempre quis ser»

Giorgi Kochorashvili falou sobre os primeiros dias como jogador do Sevilha e, inclusive, revelou conversa com Odysseas Vlachodimos.

Giorgi Kochorashvili deixou o Sporting e reforçou o Sevilha neste mercado de verão. Entretanto, o médio de 27 anos falou aos meios de comunicação oficiais do clube espanhol e abordou a chegada:

«Muito bom, muito intenso, mas as pessoas do clube e os meus colegas de equipa facilitaram-me muito as coisas. Chegar, viajar e ver como a equipa disputou o jogo ontem… Estou encantado. Muito feliz, e vamos pôr mãos à obra. Desde a viagem, desde o jantar do dia anterior, já criei uma forte ligação com eles. É um ambiente realmente saudável, que é o mais importante num balneário. Muitas vezes, esse ambiente pode decidir jogos e campeonatos».

«Falei bastante com o Odysseas [Vlachodimos] ao jantar. Joguei contra ele nas eliminatórias para o Europeu e temos muito em comum. Ele também jogou em Portugal e criei uma boa ligação com ele. A união dentro da equipa facilitou-me muito as coisas», prosseguiu Kochorasvili, que também revelou conversa com o treinador Luís García Plaza:

«Falei recentemente com o treinador. Ele explicou-me tudo e eu conheço-o da época em que esteve no Alavés. Sei como ele trabalha e acredito mesmo na utilização de vídeo para conhecer os jogadores. Explicaram-me como querem que joguemos. Conheci os meus colegas de equipa através de vídeo, apesar de ainda não ter treinado com eles. Sei do que gostam em campo e sei que o Luis [García] é uma pessoa exigente, mas estou a gostar imenso. Quero viver isso nos treinos. Estou com muita vontade, há muito trabalho pela frente e o que me espera é algo bonito, com sacrifício. Tenho a certeza disso».

«Todos os anos são importantes. Mas este é um momento da minha carreira em que a maturidade, o trabalho, o esforço, o trabalho em equipa… tudo se conjuga. É o momento perfeito para mostrar o que sempre quis ser», disse ainda.

Luciano Spalletti desfaz-se em elogios para Francisco Conceição e ataca o próprio avançado: «Tem de perceber que não joga há 2 anos e há um motivo para isso»

Luciano Spalletti analisou a vitória da Juventus sobre o Frosinone. Treinador falou de Francisco Conceição e de Randal Kolo Muani.

Luciano Spalletti fez a análise do triunfo da Juventus diante do Frosinone por 1-0, na primeira jornada da Serie A. No rescaldo da vitória, o treinador deixou palavras duras sobre Randal Kolo Muani e deixou elogios a Francisco Conceição.

«Para mim o Francisco é intocável. Houve um momento em que todos estavam no mercado, até eu, porque não nos qualificámos para a Champions League. Depois as coisas foram tratadas, os responsáveis do clube foram competentes a equilibrarem as contas e o Francisco é um ótimo jogador que queremos manter», destacou Luciano Spalletti que falou de forma muito menos amistosa sobre Randal Kolo Muani, avançado contratado em agosto.

«Fomos buscá-lo, acarinhamo-lo e sabemos qual é o seu valor, mas ele tem de perceber que não joga há dois anos e há um motivo para isso. Às vezes, pensa-se que se tem um nível excecional e, afinal, deixou-se algo para trás que é preciso recuperar. O Kolo sabe segurar a bola, atacar o espaço, é forte fisicamente, mas estes são jogos em que é preciso que ele traga golos para casa», explicou o treinador.

Recorde-se que Randal Kolo Muani já representou a Juventus na última temporada, mas a título de empréstimo. Já Francisco Conceição, apesar do interesse do Al Hilal, está de pedra e cal no projeto do clube de Turim.

Marc Cucurella: «Espero ter a sorte de fazer grandes épocas e conquistar a Champions League»

Marc Cucurella foi apresentado esta segunda-feira no Real Madrid. Fica com as declarações do lateral espanhol.

Marc Cucurella aponta à conquista da Champions League e ao primeiro jogo no Estádio Bernabéu. O lateral espanhol de 28 anos é um dos vários reforços de verão, já fez uma partida oficial (triunfo na casa do Espanyol) e prestou declarações, numa cerimónia de apresentação:

«Espero ter a sorte de fazer grandes épocas e conquistar a Liga dos Campeões. Estou ansioso por jogar no Bernabéu. Sei o impacto que tem. Vai ser uma das etapas mais bonitas da minha carreira e espero que tudo corra bem para que possamos fazer felizes os madridistas».

«É um orgulho. É um dia muito especial. O verão pareceu longo, mas é uma honra vestir esta camisola, a do melhor clube do mundo. Espero que seja uma grande etapa e que possamos conquistar muitos títulos», também referiu Marc Cucurella.

Eis a data da chegada de Seko Fofana a Portugal para voltar a reforçar o FC Porto

Seko Fofana chega ao FC Porto esta terça-feira para regressar aos dragões. Médio volta a ser emprestado ao clube azul e branco.

Seko Fofana vai aterrar em Portugal esta terça-feira para reforçar o FC Porto. De acordo com o jornal O Jogo, o médio deverá chegar à cidade do Porto para voltar a assinar contrato.

O médio regressa ao clube azul e branco num empréstimo sem custos associados à taxa, ficando o FC Porto apenas com o salário para suportar. Este, avança a mesma fonte, será inferior ao que o Rennes paga ao internacional A pela Costa do Marfim.

Recorde-se que Francesco Farioli falou recentemente de Seko Fofana e não escondeu a admiração pelo jogador, que pode mesmo regressar. No período de empréstimo ao FC Porto, o médio fez 18 jogos e marcou três golos, fundamentais na caminhada azul e branca até ao título.

Seko Fofana no FC Porto
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

À atenção de Pedro Neto e Francisco Conceição: Al Hilal a fechar extremo do Arsenal por 60 milhões de euros

O Al Hilal está a trabalhar na contratação de Gabriel Martinelli e já o quer disponível para o próximo jogo. Eis a situação.

O Al Hilal está mais perto de fechar a contratação de Gabriel Martinelli, avança o jornalista Sacha Tavolieri em exclusivo. Além do extremo do Arsenal, duas outras opções para o emblema saudita eram os internacionais portugueses Pedro Neto (Chelsea) e Francisco Conceição (Juventus).

Entretanto, de acordo com a fonte, Gabriel Martinelli é esperado em Riade (capital da Arábia Saudita) nas próximas 48 horas para completar a mudança, que pode concretizar-se por uma verba a rondar os 60 milhões de euros.

É noticiado ainda que Gabriel Martinelli, a concretizar-se, vai receber 12 milhões de euros por ano e o Al Hilal já o quer disponível para o próximo jogo. O extremo brasileiro de 25 anos está no Arsenal desde a época 2019/20 e tem contrato por mais uma época.

Paços de Ferreira despede treinador após três jogos

O Paços de Ferreira despediu Nuno André Silva depois de três derrotas em três jogos. Os castores ocupam o último lugar do Grupo A da Liga 3.

O Paços de Ferreira anunciou a rescisão de contrato com Nuno André Silva. O treinador de 39 anos deixa os pacenses depois de contabilizar três derrotas em três jogos. A gota de água para a direção da comitiva da Capital do Móvel foi a derrota por 4-1 frente ao Varzim.

O treinador-adjunto Pedro Silva vai assumir provisoriamente o comando dos castores. O técnico interino começou já a preparação do embate frente ao Fafe, num encontro referente à Taça de Portugal.

O Paços de Ferreira ocupa neste momento o último lugar do Grupo A do Terceiro Escalão Português, ainda sem pontuar. Este é o segundo despedimento na Liga 3 desde o início da temporada. A UD Santarém havia também despedido Gonçalo Carvalho do comando técnico.

AC Milan de Ruben Amorim considera avançar por defesa do Manchester United

O AC Milan de Ruben Amorim pode avançar por Noussair Mazraoui, diz a imprensa inglesa. Há interesse no lateral.

O AC Milan de Ruben Amorim tem interesse em Noussair Mazraoui, garante o Caught Offside. A mesma fonte refere que o emblema da Serie A está a ponderar uma tentativa de última hora para contratar o defesa do Manchester United.

É noticiado ainda pela imprensa inglesa que Ruben Amorim continua a ser um admirador de Mazraoui, sendo que trabalharam juntos no Manchester United. O lateral marroquino de 28 anos está a cumprir a terceira época em Old Trafford.

Noussair Mazraoui tem atualmente contrato válido com o Manchester United até ao verão de 2028. Na última época, o internacional marroquino registou 20 partidas pelo clube inglês.