Rui Rodrigues foi eleito na Assembleia Geral de acionistas do Vitória SC, cerca de duas semanas após ter vencido as eleições do clube.
Rui Rodrigues é o novo presidente da SAD do Vitória SC, depois da Assembleia Geral de acionistas o ter eleito, realizada na noite de quinta-feira. O dirigente já tinha vencido, há quase duas semanas, as eleições para os órgãos sociais do clube.
Para o Conselho de administração a Assembleia Geral designou Silvério Alves, João Nuno Pacheco, Ricardo Freitas e Célia Magalhães, enquanto Guilherme Dias se mantém como presidente da mesa da Assembleia Geral da SAD.
A Assembleia Geral aprovou ainda a dispensa do caucionamento relativo à responsabilidade dos Administradores, segundo a nota divulgada pelo Vitória SC.
Terminou a fase de grupos do maior mundial da história. Após 72 encontros, o torneio ficou reduzido às tradicionais 32 seleções e entra agora na fase de “mata-mata”. Como sempre, tivemos algumas surpresas e também formações que simplesmente reafirmaram o seu estatuto, quer de underdogs quer de favoritos à vitória final.
Dentro das surpresas, focamos este artigo nas menos positivas. Neste top, visamos as cinco nações que mais desiludiram em território norte-americano e as principais falhas na forma como abordaram a competição.
5.
Fonte: Federação Catari de Futebol
Catar – Depois de organizar o último mundial e com um investimento avultado no desporto rei, esperava-se mais da seleção do Catar. No meio da razia que foi a fase de grupos para as seleções do Médio Oriente, destacamos o bicampeão asiático por ser o caso em que se esperava uma evolução mais notória desde 2022. O empate frente à favorita Suíça até pode ter sido enganador, mas só para quem não viu o jogo.
Num dos grupos teoricamente mais acessíveis, a formação treinada pelo nosso bem conhecido Julen Lopetegui mostrou fragilidades comprometedoras. Com muito menos intensidade que os adversários e com a criação de jogo bastante dependente da criatividade de Achram Afif, o Catar abandonou o mundial apenas com o ponto resgatado no primeiro encontro (apesar do jogo frente à Bósnia ter sido razoavelmente equilibrado). Com apenas duas seleções a chegarem à fase a eliminar, este mundial foi um duro golpe para a confederação asiática.
4.
Fonte: Fédération Tunisienne de Football
Tunísia – A Tunísia era previsivelmente o elo mais fraco do seu grupo e os jogos de preparação realizados em junho também não auguravam nada de positivo para a seleção magrebina, com duas derrotas frente a Áustria e Bélgica. O saldo de zero pontos com 12 golos sofridos e apenas dois golos marcados conseguiu, ainda assim, ser um desfecho pior do que a maioria dos fãs antevia.
A entrada em falso frente à Suécia levou à saída de Sabri Lamouchi do comando técnico e à entrada do francês Herve Renard. Mas um só bombeiro não consegue salvar um prédio em chamas e este acabou mesmo por ruir. Um plantel com muitas limitações na criação ofensiva mostrou também uma falta de consistência defensiva e erros individuais frequentes que contrastaram com as exibições de outras nações africanas (como a Costa do Marfim ou Cabo Verde).
3.
Fonte: Federação Sul-Africana de Futebol
Chéquia – Mais uma seleção que ultrapassou os playoffs da UEFA para reservar bilhete para o mundial e mais uma que deixou as seleções eliminadas (neste caso Irlanda e Dinamarca) a acreditar que fariam melhor figura no seu grupo. A Chéquia até esteve a vencer nos dois primeiros encontros, mas sempre com golos quase “caídos do céu”, com os adversários a terem mais posse de bola e mais remates em ambas as ocasiões.
O golo da África do Sul, surgido após 83 minutos de resistência checa, complicou seriamente as contas da seleção europeia, que chegava assim ao encontro frente ao México com apenas um ponto amealhado. Os anfitriões estavam motivados, mas o sentido de urgência da Chéquia fez-se sentir no primeiro tempo, falhando “apenas” a definição. Na segunda parte, o México acordou e em seis minutos resolveu a partida, ditando a eliminação prematura da equipa orientada por Miroslav Koubek que, apesar do fracasso, não considera abandonar o cargo.
2.
Fonte: Federação Turca de Futebol
Turquia – Vista por muitos como uma das seleções a ter debaixo de olho à entrada para este mundial, a Turquia deitou tudo a perder nos dois primeiros jogos. A falta de eficácia foi gritante e traduziu-se em 62 remates e zero golos frente a Austrália e Paraguai, quando o número de golos esperados (xG) era de 3,6.
Uma geração promissora que contava com estrelas como Kenan Yildiz e Arda Güler levou o seu país à fase final do mundial pela primeira vez em 24 anos. A performance no torneio, no entanto, não se aproximou sequer da de 2002. Viram-se muitos remates de longa distância, que espelharam a falta de capacidade para desmontar as defesas adversárias. O melhor jogo turco surgiu quando as contas já estavam feitas, com uma vitória frente aos EUA a não tirar os comandados de Vicenzo Montella do último lugar do grupo D.
1.
Fonte: FIFA
Uruguai – Uma das grandes potências sul-americanas e detentora de dois títulos mundiais foi uma das maiores desilusões desta edição. Num grupo que não era dos mais exigentes, o Uruguai arrecadou apenas dois pontos frente ao estreante Cabo-Verde e à Arábia Saudita. O semblante dos jogadores após o segundo encontro mostrava o quão complicadas estavam as contas, já que uma derrota frente a Espanha ditaria inevitavelmente a eliminação.
Os princípios tácticos de “el loco” Bielsa foram implementados a espaços, mas nunca de forma consistente. Os dois primeiros jogos foram controlados na sua maioria pela celeste, mas houve momentos de desconcentração e passes falhados que permitiram ao adversário criar perigo e eventualmente chegar ao golo. Muslera também teve um mundial para esquecer e, embora isso não apague o seu estatuto de lenda, foi determinante para a eliminação. Menção de louvor para Maxi Araújo, extremo/lateral sportinguista que foi das melhores figuras uruguaias no torneio e não merecia de todo esta saída.
Milan Skriniar não deve reforçar o Benfica no mercado de transferências de verão. O defesa está feliz ao serviço do Fenerbahçe.
Milan Skriniar foi apontado por João Diogo Manteigas como um dos alvos do Benfica para o mercado de transferências de verão. No entanto, de acordo com o jornalista Yagiz Sabuncuoglu não existe nenhuma oferta oficial, sendo que o defesa central se encontra feliz ao serviço do Fenerbahçe.
A mesma fonte aponta que Milan Skriniar é visto como um sonho para os encarnados, mas que não deve ser realizado. Os turcos não querem perder um dos seus melhores jogadores. O eslovaco tem 31 anos e o Fenerbahçe investiu no seu passe sete milhões de euros no verão de 2025.
🚨 Benfica, Milan Skriniar’ı bir “hayal” olarak görüyor. Resmi teklif yapılmadı. Portekiz ekibi, oyuncunun maaşını karşılayabilecek bütçeye sahip değil. Skriniar, Fenerbahçe’de çok mutlu. Fenerbahçe de onu satılamaz bir değer olarak görüyor.
— Yağız Sabuncuoğlu (@yagosabuncuoglu) June 28, 2026
Antigo jogador assinou contrato como novo diretor-desportivo dos vilacondenses e já começou a preparar a temporada 2026/2027.
João Meira é o novo diretor-desportivo do Rio Ave, de acordo com o Record. O antigo jogador já assinou contrato e trabalha há algum tempo na preparação da nova temporada do emblema de Vila do Conde.
O ex-jogador tinha saído em abril de 2025 do Leixões, onde exercia a mesma função. No emblema dos Arcos, trabalha diretamente com o diretor técnico Bruno Alves e ainda Vítor Gomes, outro jogador que integra a estrutura do clube.
O novo diretor-desportivo, de 39 anos, foi defesa ao longo da carreira como jogador, com passagens por Leixões, Cova da Piedade, Vitória de Setúbal, Belenenses e Mafra, além de algumas experiências no estrangeiro.
Noah Darvich, médio de 19 anos do Estugarda, vai passar a temporada 2026/2027 por empréstimo no recém-promovido Elversberg.
O Estugarda anunciou o empréstimo de Noah Darvich ao Elversberg para a temporada 2026/2027. O médio de 19 anos, com contrato até junho de 2029, teve um papel significativo na equipa sub-21 do Estugarda, ajudando a evitar a descida na Liga 3, na época passada, com dez golos e seis assistências. Fabian Wohlgemuth, membro do conselho do Estugarda, justificou a decisão com a necessidade de desafiar o jovem num nível mais elevado, destacando o Elversberg como um excelente destino para esse fim.
Noah Darvich juntou-se ao Estugarda, proveniente das reservas do Barcelona, no verão de 2025, tornando-se rapidamente um pilar da equipa sub-21, com 16 contribuições diretas para o golo ao longo da época. No final da campanha, foi eleito a revelação da temporada pelos treinadores, capitães e adeptos da liga.
A nível internacional, o jogador já soma 43 jogos pelas seleções jovens alemãs, tendo-se estreado pela sub-20 em 2025/2026, com dois golos em duas partidas, além de ter sido chamado à sub-21 em março de 2026. Em 2023, Darvich conquistou o Mundial sub-17 e o Campeonato Europeu sub-17, os maiores títulos da carreira até ao momento.
Noah Darvich, avançado de 19 anos, cedido por empréstimo até ao final da temporada ao Elversberg, proveniente do VfB Stuttgart. pic.twitter.com/I8qJGeN0Eg
— Diário de Transferências (@DTransferencias) June 26, 2026
Kees Smit está a ser cobiçado em Inglaterra. Os clubes da Premier League querem a contratação do jovem ao AZ Alkmaar.
Kees Smit, jovem de 20 anos, está a gerar o interesse de diversos clubes em Inglaterra. Segundo Graeme Bailey, o jogador do AZ Alkmaar tem como principais interessados o Liverpool e o Newcastle. O médio informou o clube neerlandês que quer sair para dar o próximo passo da sua carreira.
O jogador neerlandês é formado no AZ Alkmaar e estreou-se em 2023/24. Nas últimas épocas, o jogador assumiu a titularidade da equipa e tem-se destacando. Ao serviço do clube são 77 jogos onde fez sete golos e 12 assistências. Kees Smit venceu ainda uma Taça dos Países Baixos e uma UEFA Youth League.
Apesar de existirem vários clubes interessados em Kees Smit, o AZ Alkmaar está disposto a manter o jovem no plantel, e diz que apenas o vende por uma proposta superior a 60 milhões de euros. Real Madrid e Barcelona são outros dois clubes que também se encontram na disputa pelo jogador, mas até ao momento nenhum clube se mostrou disponível para oferecer esse valor.
The race to sign highly-rated AZ Alkmaar midfielder Kees Smit is gathering pace, with Newcastle United leading a growing list of admirers and stepping up their quest to sign the 20-year-old after he made it clear he is open to a move this summer.https://t.co/hVmPtPxCVF
ASRoma tem interesse na contratação de Deniz Undav. O internacional alemão tem vindo a ser uma das estrelas da equipa no Mundial.
Segundo o jornal alemão Bild, vários clubes já contactaram o Estugarda para perguntar por Deniz Undav. Entre os clubes interessados há a AS Roma que anda no mercado a procura de um jogador para fazer dupla com Donyell Malen. O internacional alemão acaba o seu contrato com o clube alemão em 2029.
O avançado Deniz Undav tornou-se, durante o Mundial, uma estrela indiscutível na seleção da Alemanha, ao marcar três golos em três jogos. Com este destaque o jogador tem chamado a atenção de grandes clubes na Europa.
Na temporada passada o internacional alemão realizou 46 jogos, onde apontou 25 golos e 14 assistências pelo Estugarda. Deniz Undav foi contratado em 2024 por 26,7 milhões de euros ao Brighton.
A fase de grupos do Mundial 2026 chegou ao fim e deixou uma certeza: o novo formato veio para ficar. A prova alargada a 48 seleções poderia ter trazido jogos desequilibrados, menor competitividade e algum desgaste competitivo, mas a verdade é que entregou uma primeira fase rica em histórias, surpresas e emoções.
Houve favoritos em dificuldades, estreantes a fazer história, potências tradicionais a cair demasiado cedo e candidatos que começam agora a ganhar forma. O Mundial ficou maior. Mas, pelo menos para já, não ficou menos interessante.
Senegal, Cabo Verde, República Democrática do Congo e África do Sul (quatro das nove seleções africanas apuradas para a próxima fase) ajudaram a dar uma marca muito própria a esta fase de grupos. O Senegal parecia encostado às cordas, mas respondeu com uma goleada categórica (5-0) frente ao Iraque.
Num jogo onde praticamente só a perfeição servia, a seleção africana foi intensa, eficaz e emocionalmente fortíssima (beneficiando de jogar contra 10 unidades mais de 70 minutos), garantindo uma qualificação que parecia muito complicada, mas não deixando de ser igualmente merecida, pois haviam competido muitíssimo bem contra França e Noruega nos dois primeiros jogos.
Cabo Verde, por sua vez, já tinha ganho este Mundial antes mesmo de entrar em campo. A estreia absoluta numa fase final era, por si só, um feito histórico. Mas os Tubarões Azuis foram mais longe e conseguiram chegar aos 16-avos, onde terão o prémio mais mediático possível: defrontar a campeã do mundo Argentina, depois de terem batido o pé à Espanha e tendo eliminado o Uruguai.
Também a RD Congo escreveu uma página muito bonita. 52 anos depois da participação como Zaire, os congoleses regressaram a um Mundial e conseguiram passar à fase a eliminar depois de operarem a reviravolta diante do Uzbequistão. Agora terão pela frente a Inglaterra, num duelo de elevado grau de dificuldade, mas também de enorme simbolismo.
A África do Sul fechou o lote das boas notícias africanas, garantindo o apuramento com uma vitória épica frente à Coreia do Sul. Será precisamente a seleção sul-africana a abrir os 16-avos, diante do Canadá.
Portugal estará nessa fase da prova, mas dificilmente alguém poderá olhar para esta fase de grupos com entusiasmo. O empate frente à RD Congo foi o primeiro sinal de alerta. A goleada diante do Uzbequistão serviu para cumprir a obrigação perante uma das seleções mais frágeis da prova, que terminou com três derrotas e 11 golos sofridos. Já o empate frente à Colômbia voltou a expor limitações preocupantes.
A equipa colombiana foi superior durante largos períodos e merecia ter vencido (inexplicável como o golo de Davinson Sánchez não subiu ao marcador devido à muita questionável nova regra do fora de jogo, que está a desvirtuar o futebol). Portugal voltou a parecer uma seleção sem chama, sem grande intensidade e, sobretudo, sem uma identidade coletiva clara.
Roberto Martínez continua a dominar a arte do discurso diplomático, mas a equipa continua a não dominar os jogos como deveria. Há talento individual para muito mais. Há soluções em praticamente todas as posições. Mas falta uma ideia forte, reconhecível e capaz de transformar uma excelente geração numa verdadeira equipa candidata ao título.
Agora surge a Croácia, com Luka Modric, aos 40 anos, ainda a dar lições de futebol. E o caminho não será simples: no horizonte pode surgir a campeã europeia Espanha, que também não tem deslumbrado, mas continua a ter talento suficiente para resolver jogos em momentos isolados.
Entre os candidatos, a França foi quem deixou a imagem mais forte. A seleção gaulesa terminou a fase de grupos com autoridade e confirmou o estatuto de uma das grandes favoritas ao título. Dembélé e Mbappé somaram quatro golos cada e deram ao ataque francês uma dimensão assustadora. Quando uma equipa deste nível coletivo junta eficácia ofensiva a talento individual desta dimensão, é impossível não a colocar entre as principais candidatas.
O México também merece destaque. Uma das anfitriãs fechou a fase de grupos com três vitórias e zero golos sofridos. Mais do que os resultados, impressionou a maturidade competitiva e a organização defensiva. O duelo frente ao Equador será um excelente teste à real dimensão da equipa mexicana.
Já os Estados Unidos fizeram uma fase de grupos muito interessante. Intensos, agressivos e emocionalmente ligados à competição, os norte-americanos mostraram que não querem ser apenas anfitriões simpáticos. A vitória expressiva frente ao Paraguai abriu caminho para uma campanha que pode continuar a crescer.
O Brasil chega aos 16-avos em crescendo, mas sem dissipar totalmente as dúvidas. A seleção brasileira foi ganhando confiança ao longo da fase de grupos e teve em Vinícius Júnior uma das grandes figuras, com golos em todos os jogos. Ainda assim, o confronto com o Japão será o primeiro grande teste a sério.
E convém lembrar: os japoneses venceram o último confronto entre ambos, ainda que num amigável. Esta seleção nipónica é organizada, intensa e tecnicamente muito competente. Não será um adversário fácil.
A Alemanha, por sua vez, viveu uma fase de grupos estranha. Começou com um 7-1 sobre Curaçau, mas depois sofreu muito para bater a Costa do Marfim e acabou derrotada pelo Equador. Continua a ser Alemanha, e isso nunca é pouco num Mundial. Mas há sinais claros de fragilidade e a possibilidade de defrontar a França nos oitavos de final da competição.
Um dos jogos mais apelativos dos 16-avos será Países Baixos-Marrocos. E talvez seja uma pena que aconteça já nesta fase. Os neerlandeses foram uma das seleções que melhor futebol apresentaram na fase de grupos, com qualidade coletiva, dinâmica ofensiva e uma ideia de jogo bastante clara. Marrocos, por sua vez, voltou a provar que a campanha histórica de 2022 não foi uma exceção, mas sim parte de um projeto competitivo cada vez mais consolidado. É um daqueles jogos que poderia perfeitamente aparecer mais à frente na competição.
A fase de grupos terminou com uma sequência digna de cinema no Argélia-Áustria. Durante largos minutos, assistiu-se a um pacto de não agressão muito difícil de aceitar, semelhante ao que já se tinha visto no Paraguai-Austrália. O empate (2-2) servia interesses mútuos e o jogo entrou numa espécie de bloqueio competitivo pouco bonito para um Mundial.
Até que a Argélia decidiu quebrar o guião. O golo de Mahrez no último minuto de descontos colocou a Áustria à beira da eliminação durante cerca de um minuto. O árbitro concedeu mais um minuto devido às comemorações do golo de Mahrez, e Ralf Rangnick aproveitou para lançar o ponta-de-lança Saša Kalajdžić em desespero e, numa bola bombeada para a área, Gregoritsch acreditou até ao fim e o avançado austríaco acabou por empatar.
The points are shared as Algeria and Austria advance to the knockouts! ⏭️#FIFAWorldCup
A Áustria sobreviveu. A Argélia também. E quem pagou a fatura foi o Irão, eliminado de forma particularmente cruel, depois de também ter sido severamente prejudicado pela arbitragem no encontro frente ao Egito. O Irão vê assim esfumado o sonho de seguir em frente neste Mundial, tendo o seu percurso sido abruptamente terminado de uma forma dramática e até bastante injusta, pois sucederam-se as situações em que foram discriminados e marginalizados.
Nem todos saíram com honra deste Mundial. A Coreia do Sul caiu sem deixar grande marca e com a sua estrela Heung-Min Son a não conseguir ter impacto competitivo. O Uruguai, sempre associado à competitividade e ao espírito de combate, saiu pela porta pequena, e com os métodos de Marcelo Bielsa (outrora replicados por vários treinadores conceituados) a necessitarem de renovação e modernização urgentes.
Já a Turquia foi uma das maiores desilusões da fase de grupos. Havia muita expectativa em torno desta geração, mas a seleção turca pareceu demasiado confiante em vários momentos e acabou castigada pela falta de maturidade competitiva, assim como pela sua falta de acerto. Mais de 60 (!) remates nos dois primeiros jogos do grupo e nenhum golo marcado. Tornou-se assim inevitável a sua precoce eliminação.
E depois há Lionel Messi. Aos 39 anos recém-cumpridos, o argentino continua a jogar como se o tempo não se aplicasse a ele. É o melhor marcador da competição, com seis golos, e está apenas a um de atingir a impressionante marca dos 20 golos em Campeonatos do Mundo.
MESSI LIDERA LA TABLA DE GOLEADORES 🔟🔝
Una vez más, el 10 de la SELECCIÓN ARGENTINA volvió a convertir ante Jordania y alcanzó los 6 gritos en lo que va del Mundial para ser puntero de la tabla.
⚽ A su vez, Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé, Vinícius Júnior y Erling Haaland lo… pic.twitter.com/5lM807TgdQ
A Argentina chega à fase a eliminar como uma das grandes favoritas, mas também com uma certeza evidente: continua profundamente ligada à inspiração do seu número 10. Leo Messi já ganhou tudo. Já provou tudo. Já escreveu mais páginas do que qualquer adepto poderia exigir. Mas continua a jogar como quem ainda tem algo a dizer ao futebol. E talvez tenha mesmo.
Alguns dos duelos dos 16-avos são bastante apelativos. Eis o quadro final de encontros da próxima fase:
Há favoritos claros. Há jogos equilibrados. Há histórias improváveis. E há seleções que já provaram que este Mundial não será decidido apenas pelo peso da camisola. A fase de grupos trouxe milagres, sustos, quedas e confirmações. As contas da fase de grupos ficaram fechadas. A partir daqui, cada jogo vale uma vida e cada erro pode significar uma viagem para casa.
Diogo Dalot analisou o embate da Seleção Nacional frente à Colômbia. O lateral foca as baterias na forte Croácia.
Diogo Dalot abordou o empate da Seleção Nacional frente à Colômbia, num duelo a contar para a última jornada do Mundial 2026. Em declarações prestadas aos jornalistas na zona mista, o defesa analisou o embate perante a equipa sul-americana:
«Não se esqueçam que estamos a jogar contra uma seleção historicamente forte em Mundiais. Há que ter respeito pela Colômbia. O erro que cometemos foi cair no jogo da Colômbia, que é forte nas transições. Fica aquém, não o resultado com a Colômbia, mas com a RD Congo. Tínhamos de ter ganho e não fugimos dessa responsabilidade. Quero passar a mensagem que o mais importante e o que queríamos era passar».
Com Portugal a avançar para os 16 avos de final da competição no segundo posto, o foco vira-se agora para a eliminatória frente à seleção da Croácia. O defesa anteviu este próximo desafio sem margem para erro:
«Agora será uma seleção forte como a Croácia, temos de ganhar e passar à próxima fase».
A rematar a sua intervenção, apelou diretamente ao apoio da nação:
«Esperemos que os portugueses estejam connosco com a Croácia».
Portugal empatou, na madrugada deste domingo, sem golos diante da Colômbia, na terceira e última jornada do Grupo K do Mundial de 2026, terminando a fase de grupos no segundo lugar, com cinco pontos. O resultado confirmou o apuramento para os 16 avos de final, onde Portugal vai medir forças com a Croácia, mas deixou muito mais perguntas do que respostas.
Frente a uma das seleções mais consistentes da competição, a equipa orientada por Roberto Martínez produziu uma das exibições mais pobres dos últimos tempos e só saiu de Miami com um ponto porque Diogo Costa voltou a demonstrar que pertence à elite mundial e porque, já nos descontos, poucos centímetros separaram Davinson Sánchez do golo que teria mudado completamente a história da noite.
Ao contrário daqueles empates em que se nota que podem, de alguma forma, ser um passo em frente, este foi um daqueles que, apesar de não representarem uma derrota, deixam uma sensação de retrocesso difícil de esconder. É certo que o marcador permaneceu inalterado durante 90 minutos, mas o jogo foi quase sempre jogado num único sentido. A Colômbia assumiu riscos quando não precisava, pressionou quando lhe bastava esperar, acreditou sempre que podia vencer e transmitiu uma personalidade competitiva que Portugal nunca conseguiu acompanhar. A classificação mostra um ponto para cada lado, mas o futebol apresentado deixou uma distância muito maior entre ambas as equipas.
O mais preocupante nem sequer foi a incapacidade para vencer um adversário forte, até porque, no fim das contas, isto é futebol e nenhuma seleção está obrigada a ganhar todos os jogos. Na minha ótica, o verdadeiro problema esteve na forma como Portugal voltou a revelar exatamente os mesmos defeitos que já tinham aparecido diante da República Democrática do Congo. O encontro frente ao Uzbequistão tinha deixado uma imagem bastante mais positiva, mas acabou por funcionar como um espelho enganador, nomeadamente porque o contexto competitivo era completamente diferente e bastou o grau de exigência aumentar para muitas fragilidades voltarem imediatamente à superfície.
Nothing to separate Colombia and Portugal at Miami Stadium 🤝#FIFAWorldCup
Durante largos períodos, Portugal pareceu uma equipa incapaz de controlar aquilo que acontecia à sua volta. À imagem do que tinha acontecido na primeira jornada, frente à RD Congo, a posse de bola existia, mas quase nunca servia para ferir o adversário. Era tudo feito de uma maneira excessivamente previsível, os passes acumulavam-se sem provocar desequilíbrios e cada ataque terminava quase sempre antes de realmente começar. Enquanto isso, a Colômbia esperava pelo momento certo para acelerar e, quando recuperava a bola, transformava cada transição numa ameaça séria à baliza de Diogo Costa.
Foi precisamente aí que se começou a notar uma diferença de culturas futebolísticas muito evidente. A equipa sul-americana apresentou uma identidade perfeitamente consolidada. Os jogadores conheciam os movimentos uns dos outros quase de olhos fechados. As aproximações surgiam naturalmente, os espaços eram ocupados de forma inteligente e havia uma permanente preocupação em oferecer linhas de passe ao portador da bola. Tudo parecia treinado ao detalhe, mas sem retirar criatividade aos jogadores mais talentosos.
Portugal apresentou exatamente o oposto. Em muitos momentos, parecia uma equipa construída a partir da soma das individualidades, sem que essas qualidades se transformassem verdadeiramente numa força coletiva. Os jogadores apareciam demasiado afastados uns dos outros, as relações dentro do jogo eram escassas e faltavam pequenas associações capazes de acelerar a circulação ou de desmontar a organização colombiana.
Essa dificuldade não surgiu por acaso. Há muito que esta equipa vive excessivamente esticada em campo. As distâncias entre setores tornam-se enormes e isso impede diretamente aquilo que faz crescer qualquer coletivo: a repetição constante das ligações entre os jogadores que melhor se entendem. Sem proximidade, desaparecem as tabelas, desaparecem os apoios curtos, desaparece a capacidade de conservar a bola em zonas adiantadas. Tudo fica reduzido a ações individuais ou a ataques demasiado rápidos para permitirem que a equipa acompanhe a jogada.
No fundo, foi exatamente isso que aconteceu em Miami. Sempre que Portugal recuperava a posse, quase nunca conseguia prolongar os ataques. Faltava alguém que segurasse a bola, que desse tempo ao bloco para subir, que aproximasse os médios dos avançados e transformasse uma recuperação defensiva numa verdadeira oportunidade ofensiva. Em vez disso, o jogo partia constantemente. Os avançados raramente ofereciam esse apoio e a equipa voltava rapidamente a correr para trás, entrando novamente no jogo que mais interessava à Colômbia.
Fonte: Edmilson Monteiro / Bola na Rede
Também por isso se torna difícil compreender algumas opções estratégicas de Roberto Martínez. A aposta em Rúben Neves acabou por retirar precisamente aquilo que este encontro mais exigia. Num jogo onde a pressão, a intensidade e a capacidade de recuperação eram fundamentais, Portugal perdeu agressividade no meio-campo. João Neves, pelas características que oferece sem bola, pela forma como encurta espaços, vence duelos e acelera a recuperação da posse, parecia encaixar muito melhor no tipo de desafio que o jogo pedia desde os primeiros minutos.
É certo que mesmo quando o centrocampista do PSG entrou, a melhoria foi apenas momentânea. Isto porque Portugal ganhou algum equilíbrio, conseguiu respirar durante alguns minutos, mas nunca encontrou continuidade suficiente para assumir verdadeiramente o controlo da partida, pelo que bastou a Colômbia voltar a aumentar o ritmo para tudo regressar ao ponto de partida.
Além disso, os corredores exteriores nunca funcionaram como deviam. Pedro Neto permaneceu praticamente todo o encontro preso à linha, oferecendo quase sempre a mesma solução. Recebia aberto, procurava ganhar profundidade e acabava inevitavelmente por cruzar. Faltou pausa, capacidade para temporizar, esperar pelos apoios e variar decisões. Do lado contrário, João Félix raramente conseguiu receber nas zonas interiores onde faz realmente a diferença. Sem essas receções entre linhas e com um Nuno Mendes muito mais condicionado do que é habitual nas suas projeções ofensivas, Portugal perdeu praticamente toda a criatividade pelos flancos.
A Colômbia, por sua vez, percebeu rapidamente essas limitações e explorou-as com enorme inteligência. Sempre que recuperava a bola encontrava uma equipa portuguesa demasiado aberta, com espaços generosos entre linhas e pouca capacidade para reagir à perda. Os movimentos constantes de James Rodríguez, a inteligência posicional de Gustavo Puerta, a mobilidade permanente de Luis Díaz e a forma como Jhon Arias aparecia entre setores obrigaram Portugal a defender quase sempre em situações desconfortáveis.
Individualmente, James foi talvez o maior símbolo dessa superioridade coletiva. Aos 34 anos, já não acelera como acelerava há uma década, mas continua a pensar o jogo muito antes de todos os outros. Cada receção sua parecia ganhar sempre alguns segundos extra. Verdadeiramente incrível a forma como o passe certo aparecia quase sempre na altura exata e a forma como comandou o ritmo ofensivo colombiano mostrou que a velocidade de execução continua muitas vezes a nascer da inteligência muito antes de nascer das pernas.
It’s been 12 years since James Rodríguez’s iconic World Cup run and yet, tonight may have been his best-ever performance on this stage:
-76 minutes -5 chances created (most in WC career) -91% pass accuracy (most in WC career) -4 recoveries (most in WC career)
A forma como James Rodríguez comandou o encontro acabou, aliás, por ilustrar uma diferença que se tornou impossível ignorar. Enquanto Portugal parecia precisar de vários passes para encontrar uma solução, a Colômbia resolvia problemas em dois ou três toques. Não havia pressa sem critério nem posse apenas para cumprir estatística. Havia, acima de tudo, uma ideia, baseada no facto de cada movimento ter uma consequência e cada aproximação servir para abrir um novo espaço.
Nesse sentido, Gustavo Puerta percebia sempre quando devia baixar para libertar o camisola dez, Jhon Arias aparecia onde a jogada precisava dele e Luis Díaz continuava a ser uma ameaça permanente sempre que acelerava. Além disso, também é justo dizer que, quando James abandonou o relvado, entrou Juan Fernando Quintero e praticamente nada mudou. Saiu um cérebro e entrou outro. A equipa continuou a pensar da mesma maneira porque a identidade não depende de um único jogador. Esse talvez tenha sido o maior elogio que se pode fazer ao trabalho desenvolvido por Néstor Lorenzo.
É precisamente aí que nasce uma comparação inevitável. Enquanto a Colômbia demonstra uma identidade reconhecível ao primeiro olhar, Portugal continua à procura da sua. Repare-se: os colombianos representam uma forma muito própria de interpretar o futebol sul-americano, feita de talento, mobilidade, aproximações constantes e liberdade criativa dentro de princípios bem definidos. Há comunicação entre os jogadores, há empatia futebolística e existe uma organização que não limita a inspiração individual, antes a potencia. Portugal aparece como a imagem inversa, isto é, há talento em abundância, mas falta pensamento coletivo, falta criatividade na construção e falta flexibilidade para adaptar o plano às necessidades do jogo. De facto, sobram jogadores de enorme qualidade, mas continuam a faltar comportamentos comuns.
Até por isso se torna difícil perceber algumas decisões de Roberto Martínez ao longo da partida. O encontro pedia alterações muito antes de elas acontecerem e, sobretudo, exigia mudanças de características e não apenas de nomes. Portugal precisava de estabilizar a posse, de juntar jogadores por dentro, de prolongar ataques para impedir que a Colômbia encontrasse constantemente espaço para sair em transição. Em vez disso, a equipa das quinas continuou quase sempre presa aos mesmos padrões que estavam claramente a falhar.
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Por conseguinte, há escolhas que acabam, inevitavelmente, por levantar dúvidas. A insistência em Pedro Neto durante praticamente todo o encontro torna-se difícil de explicar quando havia Francisco Conceição no banco como alternativa capaz de oferecer desequilíbrio em espaços curtos, sendo que já se percebeu que Francisco Trincão pouco conta.
Da mesma forma, Gonçalo Ramos continua praticamente invisível nas opções do selecionador. É impossível ignorar o tratamento que tem recebido desde aquele inesquecível jogo frente à Suíça no Mundial de 2022. Nessa noite, mostrou capacidade para assumir responsabilidades ao mais alto nível, mas, desde então, por não ter cumprido as expectativas no jogo seguinte, frente a Marrocos, foi sendo remetido para um papel quase decorativo nas fases finais das grandes competições. Perante um jogo que pedia um avançado capaz de ligar setores, segurar a bola de costas para a baliza e permitir que a equipa respirasse, voltou a não contar verdadeiramente.
A gestão do grupo também acaba irremediavelmente colocada em causa. Há jogadores que parecem viver permanentemente à margem das opções, independentemente do contexto ou das necessidades do jogo. Outros mantêm um estatuto praticamente intocável, mesmo quando o rendimento deixa de justificar essa confiança. Esse desequilíbrio acaba por refletir-se dentro do próprio coletivo, porque reduz drasticamente a capacidade da equipa para apresentar soluções diferentes perante adversários com características distintas.
Neste contexto, Cristiano Ronaldo tornou-se outro dos grandes temas da noite. Contra o Uzbequistão, marcou dois golos e voltou naturalmente a alimentar o entusiasmo em redor da Seleção. No entanto, este encontro voltou a mostrar uma realidade bem diferente. Durante largos períodos, especialmente na reta final, participou muito pouco no jogo. A capacidade para pressionar praticamente desapareceu, as movimentações tornaram-se cada vez mais reduzidas e Portugal acabou muitas vezes por defender com menos um elemento logo na primeira linha. Aos 41 anos, depois de completar os 270 minutos da fase de grupos, torna-se legítimo perguntar até que ponto a gestão física do capitão não deveria ser diferente. Não está em causa aquilo que representa para o futebol português nem a carreira incomparável que construiu. O problema surge quando a importância histórica pesa mais do que aquilo que o jogo está efetivamente a pedir.
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Essa dificuldade defensiva começou justamente na primeira pressão. Portugal nunca conseguiu condicionar verdadeiramente a saída de bola colombiana, pelo simples facto de que, sempre que tentava subir linhas, fazia-o de forma descoordenada. A consequência repetiu-se vezes sem conta e Colômbia saía da pressão com relativa facilidade.
Os números ajudam a confirmar aquilo que os olhos mostraram durante praticamente toda a partida. A Colômbia rematou muito mais, entrou muito mais vezes na área portuguesa, produziu um volume ofensivo claramente superior e obrigou Diogo Costa a uma sucessão de intervenções decisivas, mas até esses dados ficam aquém da sensação transmitida pelo jogo. Houve momentos em que parecia apenas uma questão de tempo até surgir o golo colombiano. Portugal resistia, defendia e sobrevivia, mas raramente dava sinais de conseguir inverter o rumo dos acontecimentos.
Foi então que apareceu, uma vez mais, Diogo Costa. Não foi apenas o melhor jogador português. Foi, provavelmente, o principal responsável por Portugal continuar vivo na discussão do encontro até ao último segundo. Defendeu remates de diferentes zonas, respondeu sempre com enorme segurança e transmitiu uma serenidade que a restante equipa raramente conseguiu encontrar. Quando um guarda-redes termina um encontro desta importância como figura principal da sua seleção, dificilmente isso poderá ser encarado como um elogio ao comportamento coletivo. É, antes, um sintoma claro das dificuldades que a equipa atravessou durante praticamente toda a noite.
E, mesmo depois de tudo isso, Portugal ainda precisou de um último golpe de fortuna. O golo anulado a Davinson Sánchez ficará inevitavelmente como uma das imagens deste jogo, até porque não foi uma questão de largos centímetros nem de uma decisão evidente. Bastou um detalhe quase impercetível para impedir que a Colômbia recebesse um prémio que, olhando para aquilo que produziu ao longo dos 90 minutos, dificilmente poderia ser considerado injusto.
Felizmente, houve competência de Diogo Costa durante toda a partida, houve um corte extraordinário de Rúben Dias quase sobre a linha de baliza, mas também houve uma margem mínima que acabou por sorrir à Seleção Nacional. Numa competição desta dimensão, por vezes também é preciso esse tipo de sorte. O problema aparece quando a fortuna passa a esconder problemas que continuam exatamente onde estavam.
Diogo Costa takes the honours as your @MichelobUltra Superior Player of the Match. 🔥
Posto isto, a maior preocupação nem reside na possibilidade de um mau dia acontecer. Todas as seleções, mesmo as campeãs, atravessam encontros menos conseguidos. O que verdadeiramente inquieta é a repetição quase mecânica do mesmo padrão sempre que o nível competitivo aumenta. Contra o Uzbequistão, Portugal encontrou espaço para acelerar, combinar e finalizar porque o adversário nunca conseguiu retirar conforto à circulação portuguesa. Bastou aparecer uma seleção organizada, intensa e preparada para disputar cada metro do relvado para a equipa voltar a revelar exatamente as mesmas limitações que já tinham surgido diante da RD Congo. A impressão que fica é incómoda, ou seja, Portugal cresce quando lhe permitem jogar, mas continua sem saber impor-se quando alguém lhe discute o jogo de igual para igual.
Adicionalmente, é impossível ignorar a forma como a equipa continua excessivamente dependente de momentos individuais. Quando o plano coletivo deixa de funcionar, espera-se quase sempre que alguém resolva sozinho aquilo que deveria nascer da organização. Um drible, um remate improvável, uma arrancada ou um passe genial acabam por substituir aquilo que o treino deveria oferecer de forma consistente. Contra seleções de dimensão inferior, isso pode bastar em muitos momentos. Contra equipas verdadeiramente competitivas, torna-se uma receita demasiado frágil para alimentar ambições de conquistar um Campeonato do Mundo.
Naturalmente, o empate garante aquilo que era o objetivo mínimo. A Seleção continua em prova e ainda terá oportunidade de escrever uma história completamente diferente. Os torneios a eliminar vivem claramente dessa capacidade de recomeçar a cada jogo. Um encontro pode apagar o anterior e uma eventual grande exibição pode transformar todas as dúvidas em entusiasmo. No entanto, seria um erro enorme olhar apenas para o resultado e ignorar tudo aquilo que este encontro revelou.
Existe, aliás, um padrão histórico que não deixa de provocar algum desconforto. Portugal tem acumulado demasiadas dificuldades rigorosamente nas últimas jornadas das fases de grupos quando precisa de confirmar uma posição mais favorável ou de dar um passo competitivo em frente. Aconteceu em diferentes gerações, em diferentes competições e com diferentes protagonistas. Desta vez, voltou a repetir-se. A Seleção precisava de vencer para garantir um percurso teoricamente mais acessível na fase a eliminar e nunca conseguiu aproximar-se verdadeiramente desse objetivo. O segundo lugar acaba por colocar Portugal num lado muito mais exigente do quadro competitivo e isso aumenta inevitavelmente o grau de dificuldade da caminhada.
A propósito, o registo recente de Roberto Martínez em fases finais também começa a justificar uma análise mais profunda. Os resultados permanecem aceitáveis do ponto de vista estatístico, mas as exibições continuam demasiado inconsistentes sempre que aparecem adversários de maior qualidade. Há talento suficiente para aspirar a muito mais do que aquilo que esta equipa tem mostrado e, na verdade, talvez seja precisamente essa a maior frustração, já que poucas seleções presentes neste Mundial apresentam tanta qualidade individual espalhada por praticamente todos os setores.
É exatamente por conhecer todo esse potencial que esta exibição deixa um sabor tão amargo. Portugal saiu de Miami com um ponto, mas perdeu muito mais do que a possibilidade de terminar no primeiro lugar do grupo. Perdeu confiança, alimentou dúvidas e voltou a deixar a sensação de que continua sem encontrar uma identidade capaz de sobreviver aos grandes testes.
Agora segue-se a Croácia e, com ela, desaparecem todas as desculpas. A fase de grupos terminou e Portugal chega à etapa decisiva sem uma identidade consolidada, sem um modelo coletivo fiável e com demasiadas decisões difíceis de compreender. O talento continua lá, talvez como poucas seleções neste Mundial conseguem reunir, mas permanece aprisionado por uma equipa que vive de improvisos, de rasgos individuais e de uma organização que tarda em aparecer.
Roberto Martínez continua a insistir em escolhas que retiram agressividade à pressão, criatividade ao ataque e equilíbrio ao coletivo, enquanto jogadores que poderiam oferecer soluções diferentes continuam remetidos para um papel secundário. O nível competitivo aumenta e Portugal encolhe. Não pode continuar a ser coincidência.
Este empate valeu o apuramento, mas também serviu para desmontar a ilusão criada pela goleada ao Uzbequistão. Bastou aparecer uma verdadeira equipa, trabalhada, organizada e com uma identidade vincada para Portugal voltar a parecer um conjunto de excelentes futebolistas que raramente joga como uma verdadeira equipa.
Em suma, se nada mudar rapidamente, o Mundial poderá terminar muito antes do que esta geração merece. E, se isso acontecer, dificilmente será por falta de qualidade dos jogadores. Será, acima de tudo, porque continuam a existir demasiadas decisões incompreensíveis no banco e demasiado pouco futebol dentro das quatro linhas para justificar a ambição de conquistar um Campeonato do Mundo.