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João Pinheiro nomeado para quarto árbitro no duelo entre Marrocos e Haiti do Mundial 2026

O árbitro português João Pinheiro foi nomeado pela FIFA para desempenhar funções de quarto árbitro no encontro entre Marrocos e Haiti.

A FIFA voltou a confiar na arbitragem portuguesa para o Mundial 2026, ao nomear João Pinheiro para integrar a equipa de arbitragem do duelo entre Marrocos e Haiti, agendado para 24 de junho, em Atlanta.

O português exercerá funções de quarto árbitro, enquanto Bruno Jesus será o árbitro assistente de reserva. A equipa será liderada pelo neerlandês Danny Makkelie, que contará ainda com os compatriotas Hessel Steegstra e Jan de Vries como árbitros assistentes.

João Pinheiro já apitou nesta competição, na goleada da Suíça frente à Bósnia e Herzegovina (4-1), válido pela segunda jornada do Grupo B.

AC Milan | O palco ideal para a redenção de Ruben Amorim

Há clubes que vivem de vitórias, enquanto há outros que vivem da memória delas, e, depois, há o AC Milan, que pertence a uma categoria ainda mais rara, no sentido em que vive da obrigação permanente de estar à altura da sua própria história.

Em San Siro, cada nova época começa com o peso de sete Liga dos Campeões conquistadas, de gerações inteiras de craques e de uma identidade construída ao longo de décadas. O problema surge quando a realidade deixa de acompanhar a grandeza das recordações. É precisamente nesse ponto que se encontra hoje o histórico emblema rossonero.

A contratação de Ruben Amorim representa, por isso, muito mais do que a escolha de um novo treinador para ocupar o banco técnico. É uma tentativa de redefinir o rumo de um clube que continua a ser um gigante do futebol mundial, mas que há muito procura recuperar uma consistência competitiva capaz de o recolocar entre as principais potências europeias. É inegável que o Milan continua a ter dimensão, prestígio e capacidade de atração, só que o que lhe tem faltado é continuidade, estabilidade e uma ideia de futebol suficientemente forte para sobreviver às mudanças constantes de treinadores, dirigentes e projetos.

O contexto em que surge esta aposta ajuda a compreender a sua lógica, ou seja, a temporada passada deixou marcas profundas na estrutura milanesa, sobretudo com o afastamento dos lugares cimeiros da Serie A, pelo que a incapacidade de consolidar uma posição entre as equipas mais fortes do continente reforçaram a perceção de que o clube necessitava de uma mudança estrutural e não apenas de uma correção pontual.

O objetivo prioritário passa pela qualificação para a Liga dos Campeões, mas essa meta representa apenas a superfície do problema, já que o verdadeiro desafio parece consistir em reconstruir uma equipa capaz de competir regularmente pelos lugares de topo em Itália e de recuperar relevância nas competições europeias.

Rúben Amorim
Fonte: Ana Beles / Bola na Rede

É neste cenário que surge Ruben Amorim. A escolha pode parecer surpreendente para quem olhar apenas para o seu recente percurso em Inglaterra, mas torna-se bastante mais compreensível quando se observa a totalidade da sua carreira. É certo que o treinador português chega a Milão depois de uma experiência difícil no Manchester United, onde encontrou um clube mergulhado numa crise de identidade que se arrasta há mais de uma década. O fracasso em Old Trafford tornou-se inevitavelmente uma mancha no currículo, mas também seria intelectualmente desonesto reduzir a avaliação do seu trabalho a esse episódio.

Existe ainda uma dimensão pessoal que ajuda a compreender o significado deste desafio para o treinador português. Há vários anos, em 2017, Ruben Amorim confessou, numa entrevista à Tribuna Expresso, uma ligação afetiva ao emblema rossonero que remonta à infância: “Quando era miúdo gostava de ver o Benfica e o AC Milan. Lembro-me de ver cassetes do AC Milan com Maldini, Baresi, Gullit, Rijkaard, Savicevic… Os meus sonhos de miúdo eram jogar no Benfica e no AC Milan. Cumpri um. Agora tenho de ser treinador no outro.”

A frase, dita muito antes de este cenário parecer plausível, ganha hoje uma dimensão quase profética. O banco de San Siro deixa de ser apenas um destino profissional para se transformar também no reencontro entre um treinador e uma parte importante do seu imaginário futebolístico.

Neste sentido, convém referir que Amorim continua a ser o mesmo treinador que transformou um Sporting instável numa equipa campeã, altamente competitiva e respeitada tanto dentro como fora de Portugal. Continua a ser o técnico que devolveu confiança a um clube habituado a tropeçar nos momentos decisivos e que construiu um modelo de jogo tão sólido que sobreviveu à saída de vários jogadores importantes sem perder a sua essência. Desta forma, uma má experiência num contexto particularmente complexo não apaga anos de competência demonstrada ao mais alto nível.

Ruben Amorim Manchester United
Fonte: Manchester United FC

Aquilo que torna Ruben Amorim uma figura interessante para o Milan não é apenas o seu currículo, mas, acima de tudo, a clareza das suas ideias. Num futebol cada vez mais dominado por adaptações permanentes e por soluções de curto prazo, o treinador português distingue-se por apresentar uma identidade muito definida. As suas equipas sabem exatamente o que pretendem fazer em cada momento do jogo. Essa convicção pode ser uma virtude extraordinária quando encontra o contexto adequado, embora também possa pesar quando as coisas correm mal, como, aliás, aconteceu em Manchester, fruto dessa “teimosia” e/ou resistência tática que o luso sempre manteve, apesar de não ter os recursos humanos propícios para isso.

A pressão em bloco médio/alto constitui uma das bases fundamentais do seu futebol. As equipas de Amorim raramente aceitam esperar passivamente pelo erro do adversário. Preferem, antes, provocá-lo. Por conseguinte, a organização defensiva começa nos avançados, prolonga-se pelos médios e exige que todos os jogadores interpretem os momentos de pressão de forma sincronizada. Quando este mecanismo funciona, o adversário sente uma constante falta de tempo para pensar e executar.

Contudo, reduzir o futebol de Amorim à pressão seria simplificar excessivamente a questão. A verticalidade é igualmente determinante, visto que, ao contrário de outros treinadores que privilegiam longas circulações de bola e ataques pacientes, o português procura acelerar rapidamente após recuperar a posse, tentando aproximar-se da baliza adversária no menor espaço de tempo possível, aproveitando os momentos de desorganização do rival.

Esta filosofia poderá produzir mudanças profundas no atual plantel do Milan. Algumas peças parecem encaixar naturalmente nas exigências do novo treinador. Outras terão de reinventar o seu jogo para sobreviver ao novo contexto competitivo.

O caso mais mediático será, inevitavelmente, o do internacional português Rafael Leão. Há vários anos que o internacional português representa uma das principais referências ofensivas da equipa. A sua velocidade, capacidade de desequilíbrio e talento individual transformaram-no num dos jogadores mais decisivos da Serie A – inclusive eleito o melhor da competição, em 2021/22. Contudo, a chegada de Amorim levanta questões interessantes sobre a forma como poderá ser utilizado, até porque o jogador formado no Sporting já manifestou publicamente o seu desejo de deixar o futebol italiano.

Posto isto, num sistema de 3-4-3 ou 3-4-2-1, Rafael Leão dificilmente será um ala ou um extremo tradicional encostado à linha. Tudo aponta para que passe a atuar em zonas interiores, partindo de uma posição mais próxima do avançado-centro. Essa alteração pode potenciar algumas das suas características mais perigosas, especialmente a capacidade de atacar espaços entre linhas e aparecer em zonas de finalização. Por outro lado, também exigirá uma participação defensiva mais consistente e uma maior disciplina tática nos momentos sem bola, que me parecem ser justamente as grandes debilidades do extremo luso.

Deste modo, a relação entre treinador e jogador poderá tornar-se um dos fatores mais decisivos para o sucesso do projeto, uma vez que se Amorim conseguir convencer Leão a abraçar plenamente as exigências do modelo, o Milan poderá ganhar um dos jogadores mais influentes do campeonato italiano. Caso contrário, poderá surgir uma incompatibilidade difícil de gerir num plantel que continua a depender significativamente da criatividade do internacional português, pelo que, nesse caso, a sua saída seria mesmo um cenário a ter em consideração.

Também os alas assumirão uma importância central. Quem ocupar essas posições (no atual plantel, os mais compatíveis com essas funções, parecem ser Alexis Saelemaekers, à direita, e Pervis Estupiñán, à esquerda, mas convenhamos que não são nenhuns portentos técnicos) deixará de ser apenas um lateral ou apenas um extremo. Será simultaneamente defensor, construtor e atacante. De resto, o sistema de Amorim exige jogadores capazes de percorrer grandes distâncias, interpretar diferentes momentos do jogo e manter elevados níveis de intensidade durante 90 minutos. E isto não se trata apenas de correr mais, mas de compreender melhor quando acelerar, quando fechar espaços e quando oferecer largura ao ataque.

Rúben Amorim Sporting
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

No centro do terreno, o duplo pivô desempenhará funções igualmente determinantes. Um dos médios terá frequentemente responsabilidades na primeira fase de construção, aproximando-se dos centrais para facilitar a saída de bola. O outro deverá garantir equilíbrio, cobertura e capacidade para pressionar imediatamente após a perda. Esta complementaridade é fundamental para que o sistema funcione com a fluidez que caracteriza as melhores equipas treinadas por Ruben Amorim, sendo que, neste momento, para essa zona do terreno, há um variado leque de opções, que conta com nomes como Luka Modric, Adrien Rabiot, Youssouf Fofana, Ruben Loftus-Cheek, Ardon Jashari e Samuele Ricci.

Ora, se o meio-campo representa o cérebro do sistema, o ponta-de-lança assume frequentemente o papel de coração da estrutura ofensiva. Esta é uma das questões mais relevantes da nova era milanesa, pelo simples facto de que nenhum avançado no presente elenco – Christopher Nkunku, Christian Pulisic e Santiago Giménez – parece cumprir os requisitos.

Nesse sentido, em termos de contratações, vale lembrar que, após uma época no Lecce, os rossoneri ativaram a cláusula de recompra do jovem atacante Francesco Camarda, e Gonçalo Ramos, por exemplo, também poderia ser uma opção e até tem sido associado ao clube. Além disso, será, ainda, curioso perceber se ao contrário do que aconteceu aquando do seu ingresso em Manchester, o técnico luso procurará “repatriar” jogadores com quem já trabalhou.

De facto, o modelo de Ruben Amorim sempre necessitou de uma referência ofensiva capaz de fazer muito mais do que marcar golos. Aliás, o avançado ideal para este contexto precisa de atacar a profundidade, segurar a bola quando a equipa sai para o ataque, ganhar duelos físicos, criar espaço para os colegas e participar ativamente nos momentos de pressão.

Recorde-se que foi exatamente isso que Viktor Gyokeres ofereceu ao Sporting durante os seus melhores anos sob o comando do treinador português. Como é óbvio, não se trata de procurar uma cópia do internacional sueco, algo praticamente impossível, mas sim de encontrar um perfil que permita reproduzir determinadas dinâmicas coletivas, pelo que, caso o Milan não consiga oferecer esse tipo de jogador a Amorim, parte importante do modelo ficará inevitavelmente condicionada.

Todavia, duvido que as alterações táticas se limitarão à organização ofensiva. Parece-me que, entre outros aspetos, a construção desde trás deverá sofrer uma transformação significativa. Nos últimos anos, fosse com Stefano Pioli, com os também portugueses Paulo Fonseca e Sérgio Conceição, ou com Massimiliano Allegri, o Milan alternou entre diferentes abordagens, algumas mais conservadoras e outras mais apoiadas na circulação curta.

Com Amorim, a intenção deverá passar por criar superioridades desde a primeira fase, atraindo a pressão adversária para depois encontrar espaços mais adiantados. A utilização de três centrais facilita precisamente esse processo, oferecendo mais linhas de passe e maior segurança durante a saída de bola.

Este princípio acaba por influenciar toda a estrutura da equipa. Desde logo, porque os centrais passam a ter maior responsabilidade na construção, enquanto os médios precisam de interpretar constantemente os espaços disponíveis, ao passo que os alas se tornam fundamentais para alargar o campo e criar soluções exteriores, e, finalmente, os avançados recebem a missão de explorar rapidamente as zonas libertadas pelo adversário. No fundo, tudo está interligado numa lógica coletiva bastante exigente do ponto de vista tático.

No entanto, a consequência mais visível até poderá surgir na forma como o Milan ocupa os corredores. Durante largos períodos da última década, a equipa revelou uma dependência excessiva das iniciativas individuais dos extremos para criar desequilíbrios, mas o modelo de Amorim procura algo diferente, na medida em que a largura deixa de ser responsabilidade exclusiva dos jogadores mais ofensivos e passa a ser assegurada principalmente pelos alas, o que permite que os atacantes interiores apareçam em zonas mais perigosas e próximas da baliza.

Ruben Amorim Manchester United
Fonte: Manchester United FC

Naturalmente, a implementação destas ideias exigirá tempo. E é precisamente aqui que surgem algumas das principais dúvidas em relação ao projeto, dado que o futebol italiano continua a ser um dos campeonatos mais exigentes do ponto de vista estratégico. A Serie A possui treinadores extremamente preparados, equipas muito organizadas e uma cultura tática profundamente enraizada, logo não existe espaço para ingenuidade competitiva.

Além disso, o passado recente de Amorim em Inglaterra continuará inevitavelmente a acompanhá-lo. Apesar de muitas circunstâncias terem contribuído para o fracasso no Manchester United, a realidade é que os resultados ficaram muito abaixo das expectativas. Alguns críticos argumentarão que a sua rigidez tática foi uma das razões para essa dificuldade de adaptação. Outros defenderão precisamente o contrário, considerando que o principal problema esteve na ausência de jogadores adequados às suas ideias.

Provavelmente, a verdade, como em tudo, encontra-se algures entre essas duas interpretações. O percurso em Manchester mostrou que nenhum treinador está imune ao contexto, ao mesmo tempo que também revelou que a fidelidade absoluta a uma determinada filosofia pode encontrar obstáculos quando o plantel não oferece as características necessárias para a executar. O importante é que, depois de um período sabático, essas lições possam revelar-se importantes na aventura de Amorim por terras transalpinas.

Existe ainda outro fator que não deve ser ignorado: a pressão. Treinar o Milan nunca será um trabalho normal. Na verdade, poucos clubes europeus possuem uma herança tão pesada. Cada derrota gera debate, cada empate provoca desconfiança e cada vitória é encarada como uma naturalidade e uma obrigação. A exigência permanente faz parte da própria identidade do clube.

Rúben Amorim Sporting
Fonte: Luís Batista Ferreira / Bola na Rede

Nesse aspeto, Amorim parece possuir ferramentas interessantes para enfrentar o desafio, até porque, ao longo da sua carreira, demonstrou sempre uma capacidade pouco comum para comunicar sob pressão. Mesmo nos momentos mais difíceis, raramente transmite sinais de pânico ou desorientação, e a sua comunicação tende a ser clara, direta e coerente com aquilo que procura implementar dentro de campo.

De salientar que essa característica se revelou particularmente importante durante a reconstrução do Sporting. Numa altura em que muitos questionavam a aposta milionária feita pela direção leonina, Amorim conseguiu criar uma narrativa de confiança em torno do projeto. Não vendeu ilusões nem prometeu resultados imediatos. Procurou, isso sim, convencer jogadores, dirigentes e adeptos de que existia um plano, pois quando um balneário acredita genuinamente no caminho definido pelo treinador, metade da batalha já está ganha.

Naturalmente, o contexto milanês será diferente. O grau de exigência internacional é superior, o que leva a que margem para errar seja menor e a que a paciência dos adeptos dificilmente seja mais ilimitada. Ainda assim, a capacidade de liderança do técnico português constitui provavelmente um dos argumentos mais fortes a favor desta contratação.

Perante este cenário, importa definir o que representaria verdadeiramente uma época de sucesso. Esperar um título italiano logo na primeira temporada parece excessivamente ambicioso. O Inter continua a apresentar uma base competitiva muito consolidada e parte naturalmente com vantagem. Nápoles, Juventus e outras equipas de topo, tais como a AS Roma ou os ótimos projetos do Como e da Atalanta, também oferecem concorrência significativa.

Por isso, o primeiro grande objetivo deverá passar pelo regresso à Liga dos Campeões. Mais do que uma meta simbólica, trata-se de uma necessidade desportiva e financeira para um clube com as ambições do Milan.

Paralelamente, será importante observar indicadores menos imediatos, mas igualmente relevantes. A equipa joga melhor? Existe uma identidade reconhecível? Os jogadores evoluem individualmente? O modelo produz sinais consistentes de crescimento? As respostas a estas perguntas, entre outras, poderão dizer mais sobre o futuro do projeto do que a simples posição final na tabela classificativa.

Ruben Amorim Manchester United
Fonte: Manchester United FC

Em síntese, a chegada de Ruben Amorim ao AC Milan representa um encontro entre duas entidades que procuram reencontrar-se. De um lado, está um treinador que necessita de provar que a experiência inglesa foi apenas um desvio temporário numa carreira construída sobre competência e inovação. Do outro, encontra-se um clube que continua à procura da estabilidade necessária para regressar ao lugar que a sua história lhe reserva.

As luzes de San Siro já testemunharam algumas das maiores equipas da história do futebol. Viram dinastias nascer, impérios desmoronarem-se e gerações inteiras transformarem-se em lendas. Agora, recebem um treinador português (o terceiro, no espaço de dois anos) que chega carregado de expectativas, dúvidas e ambição.

Ninguém sabe se Ruben Amorim conseguirá devolver ao Milan a dimensão competitiva que os seus adeptos reclamam, até porque o futebol raramente oferece garantias. O que parece evidente é que os rossoneri escolheram um caminho definido, uma ideia clara e uma liderança forte para iniciar mais uma tentativa de reconstrução.

Na esmagadora maioria das vezes, acordar um gigante exige muito mais do que talento. Exige convicção, coragem para enfrentar a desconfiança e, acima de tudo, capacidade de manter uma visão quando os resultados ainda não chegaram.

Em suma, em Milão, Ruben Amorim terá de provar que continua a possuir todas essas qualidades. E talvez seja precisamente por isso que esta história merece ser acompanhada com tanta atenção.

Iván Fresneda reflete sobre a temporada do Sporting e a chegada de Rodrigo Zalazar: «É um grandíssimo jogador»

Iván Fresneda marcou presença no Uruguai x Cabo Verde em Miami, onde prestou declarações à CNN Portugal sobre a campanha e os reforços do Sporting.

Iván Fresneda foi reconhecido à entrada para o Uruguai x Cabo Verde em Miami. Em declarações à CNN Portugal, o defesa-lateral do Sporting revelou que marcou presença no jogo para apoiar os colegas de equipa Maxi Araújo e Rodrigo Zalazar:

«Estamos cá para ver o jogo do Uruguai. Foi o Maxi que arranjou os bilhetes. Para mim, para os meus amigos e para a minha família».

De seguida, o jovem espanhol refletiu terceira temporada ao serviço do Sporting, mostrando-se feliz pelas oportunidades que recebeu e pelo seu desempenho individual:

«A nível individual, fiquei feliz pela última época. Tive mais minutos e consegui estar um nível acima do que aconteceu na minha primeira época. Fiquei feliz, mas não acabou e temos de pensar na próxima época e de fazer o melhor».

Por fim, não escondeu o entusiasmo de jogar ao lado dos dois internacionais uruguaios, deixando fortes elogios ao reforço Rodrigo Zalazar:

«Quero jogar com os dois, claro que sim! O Zalazar é um grandíssimo jogador, toda a gente viu isso em Portugal»

Maxi Araújo Uruguai
Fonte: Federação Uruguaia de Futebol

Pedro Gonçalves na mira do AC Milan: Ruben Amorim quer trazer o médio do Sporting para o San Siro

Ruben Amorim já comunicou com o AC Milan que pretende reencontrar-se com Pedro Gonçalves, que também vê a transferência com bons olhos.

Pedro Gonçalves foi um dos jogadores que mais brilhou no Sporting de Ruben Amorim e pode estar a caminho de um reencontro em Itália. Segundo o Record, o técnico português incluiu o internacional português na lista de alvos do AC Milan para o mercado de verão.

A mesma fonte adianta que o médio de 27 anos também está interessado na possibilidade de voltar a encontrar Ruben Amorim, que disse, em setembro de 2024:

«Se estivesse noutro sítio, se calhar, Pote seria o primeiro jogador que eu dizia que queria».

Pedro Gonçalves tem sido apontado como uma das saídas prováveis no plantel do Sporting, depois de mais uma temporada em que voltou a ter problemas com lesões. Em 2025/26, ‘Pote’ acumulou 15 golos e nove assistência em 41 jogos.

Rúben Amorim e Pote no Sporting
Fonte: Paulo Ladeira/Bola na Rede

Bubista orgulhoso pelo desempenho de Cabo Verde frente ao Uruguai: «Vamos lutar pelo apuramento»

Bubista deixou fortes elogios à exibição e à dedicação de Cabo Verde em mais um empate histórico no Mundial 2026, desta vez frente ao Uruguai.

Cabo Verde voltou a fazer história no Mundial 2026, apontando os primeiros dois golos no torneio num empate 2-2 de grande intensidade frente ao Uruguai e tornando a qualificação para as eliminatórias um sonho cada vez mais realista. Após o apito final, Bubista começou por deixar uma mensagem de orgulho para os jogadores e o povo cabo-verdianos:

«Quero felicitar a equipa e todo o nosso povo pela forma como jogámos, com o coração. A nossa equipa foi corajosa, procurou sempre ganhar o jogo e isso deixa-nos muito felizes».

De seguida, o selecionador colocou o objetivo na passagem à próxima fase:

«Desde o início, dissemos que queríamos competir ao mais alto nível e estamos a tentar fazê-lo. Mais do que o resultado, temos mostrado a nossa identidade, força, união e resiliência. Viemos para tentar um novo sonho, que é a qualificação para a fase a eliminar. Estamos num ponto de dizer claramente que vamos lutar pelo apuramento, depois do que fizemos perante duas seleções de top mundial. Respeitamos os adversários e sabemos da qualidade que têm, mas estamos num ponto de dizer claramente que vamos lutar pelo apuramento. Qualquer equipa tem possibilidade de passar e os jogos [da terceira e última jornada] serão difíceis para todos».

De seguida, reforçou que o plantel está motivado para atingir as eliminatórias:

«Tentaremos. Os atletas estão com essa vontade e fé. Penso que mostrámos isso, num encontro que foi duríssimo, difícil e teve características diferentes do primeiro (empate 0-0 com a Espanha), por causa da agressividade, intensidade e qualidade do adversário».

Bubista deixou também um reparo a Marcelo Bielsa pelo lance com Telmo Arcanjo que acabou por resultar no segundo golo do Uruguai:

«Fiquei um pouco irritado, incomodado nesse caso, até porque o Marcelo Bielsa nos ensinou a ter fair play. Mesmo nas suas conferências de imprensa e nos próprios jogos, aprendemos a ter fair play com Marcelo Bielsa. Por isso, obviamente, tive de ficar um pouco frustrado com a situação, mas faz parte do jogo e do crescimento da nossa equipa, porque acredito que nós próprios também deveríamos ter evitado aquela situação. Também poderíamos ter colocado a bola fora e não o fizemos. Digamos que foi uma conjugação de erros, mas nós tentamos fazer as coisas à nossa maneira, com fair play. Por vezes, também é normal que os jogadores, em determinados momentos, se sintam um pouco pressionados e, neste caso, estou a falar da equipa do Uruguai, e por algum motivo não interromperam o jogo. Mas, para nós, isto faz parte do jogo, vamos crescer com a situação».

Apesar da confiança, o selecionador destacou que Cabo Verde tem de entrar com humildade para o encontro decisivo com a Arábia Saudita:

«Temos de ter os pés no chão, sabendo que o próximo jogo será difícil. Sinceramente, não vejo nenhuma vantagem para nós. Pelo contrário, temos de ter o respeito necessário e a atitude correta para encarar a partida com a máxima seriedade e desportivismo. Devemos isso a todos os nossos adversários. Queremos que as pessoas fiquem a conhecer Cabo Verde pelo que somos. Esta equipa é a identidade do nosso povo».

Por fim, Bubista refletiu sobre a campanha histórica dos tubarões azuis no Mundial 2026:

«Estamos a demonstrar que um país pode ser pequeno e ter dificuldades financeiras, mas, se tiver resiliência e capacidade de sofrimento e trabalhar com organização, consegue ombrear com as grandes seleções. Devemos isso ao nosso continente e ao nosso povo. O desporto, e o futebol em particular, têm a ver com organização, coragem e determinação. Quando se entra em campo, e por mais que o adversário seja dos melhores, muitas coisas se igualam. Pegámos nisso para demonstrar aos outros setores da vida que se podem conseguir as coisas, mesmo com dificuldades, desde que haja um sonho e se corra atrás dele».

Nuno Dias após o jogo 3 do dérbi de Futsal entre Benfica e Sporting: «Só uma grande equipa consegue fazer o que fizemos aqui hoje»

O Benfica recebeu o Sporting no Pavilhão Nº1 da Luz para o jogo 3 da final de Futsal. Nuno Dias reagiu ao resultado no fim da partida.

Nuno Dias prestou declarações rápidas após o dérbi de Futsal entre Benfica e Sporting. Este foi o jogo 3 entre as equipas disputado no Pavilhão Nº1 da Luz. As águias venceram os leões nos penáltis (8-7) após empate 5-5 e vão encontrar-se dia 25 de junho novamente, desta vez, no pavilhão João Rocha.

O técnico do Sporting começou por enaltecer a exibição da sua equipa e destacar a eficácia dos rivais:

«Os golos do Benfica surgiram de situações em que tínhamos bola. Foram mais eficazes. Só uma grande equipa consegue fazer o que fizemos aqui hoje. Acabámos por ter o pássaro na mão no penálti, e não marcámos. O Benfica foi mais feliz».

Contudo, Nuno Dias ainda acredita que os leões podem ser campeões, depois de alguns ajustes:

«Isto só acaba quando uma equipa ganhar três jogos. Vamos recuperar bem, tentar corrigir algumas coisas, melhorar o que já estamos a fazer bem e perceber que estes tipo de jogo ganham-se em décimas de segundo. É um jogo de vantagens, quem a aproveitar melhor vai ser mais feliz».

Nuno Dias Sporting
Fonte: Rui Pereira/Bola na Rede

Cassiano Klein reage à vitória do Benfica frente ao Sporting: «Estamos cada dia mais fortes»

O Benfica recebeu o Sporting no Pavilhão Nº1 da Luz para o jogo 3 da final de Futsal. Cassiano Klein reagiu ao resultado no fim da partida.

Cassiano Klein prestou declarações rápidas após o dérbi de Futsal entre Benfica e Sporting. Este foi o jogo 3 entre as equipas disputado no Pavilhão Nº1 da Luz. As águias venceram os leões nos penáltis (8-7) após empate 5-5 e vão encontrar-se dia 25 de junho novamente, desta vez, no pavilhão João Rocha.

O técnico do Benfica começou por mostrar-se orgulhoso com o desempenho da sua equipa:

«No balnerário elogiei o compromisso, a entrega, a maneira em que entraram no jogo foi fascinante. É de se tirar o chapéu também aos jogadores que não foram convocados, o André Correia que estava fora e a fazer gestos para o Carrera, não tem preço, mostra carácter. O mais desafiante é que as pessoas que estão de fora se sintam parte da equipa. O Raúl [Moreira] estava rouco, o Tchuda estava exacerbado».

De seguida, deixou fortes elogios a Diogo Carreira:

«É um menino fascinante, muito humilde, merece isto, o Vitor Hugo [treinador de guarda-redes] faz um trabalho fantástico. Isto também vem da confiança que ele sente do Léo e do André, eles passam isso. Já na meia-final da Taça tinha defendido um penálti. Está a fazer um trabalho fantástico nos momentos decisivos».

Por fim, Cassiano Klein lançou o jogo 4, que pode dar o título aos encarnados:

«Estamos cada dia mais fortes. Agora é recuperar e descansar para fazer um grande jogo na quinta. Espero que consigamos criar a mesma atmosfera».

Grátis, em canal aberto e não só: onde ver todos os jogos do Mundial 2026 nesta segunda-feira, 22 de junho?

O Mundial 2026 vai ter o último dia com quatro partidas. Sabe onde ver os jogos da noite (e madrugada) desta terça-feira, 23 de junho.

O Mundial 2026 continua a todo o ritmo e com quatro jogos por dia. Esta terça-feira, 23 de junho, disputam-se os encontros do Grupo K, de Portugal, e do Grupo L.

O Grupo K acolhe o Portugal x Uzbequistão e o Colômbia x RD Congo. Já no Grupo L, defrontam-se Inglaterra e Gana e Panamá e Croácia.

Eis os horários e transmissões dos jogos:

  • Portugal x Uzbequistão (18h, 22 de junho): LiveMode TV, TVI e Sport TV 1/5
  • Inglaterra x Gana (21h, 22 de junho): Sport TV 5
  • Panamá x Croácia (00h, 23 de junho): Sport TV 5
  • Colômbia x RD Congo (03h, 23 de junho): Sport TV 5

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Mundial 2026 Trionda Bola
Fonte: FIFA

As 3 razões para o sucesso de Cabo Verde e o ataque mais icónico em competição – Diário do Mundial 2026 #11

Lê também os outros capítulos do Diário do Mundial 2026. 

A posse de bola da Roja | Espanha 4-0 Arábia Saudita

Lamine Yamal Mikel Oyarzabal Espanha Jogadores
Fonte: Federação Espanhola de Futebol

As frases fortes estão para o futebol como um abutre está para os ares da savana. Nem sempre quer sangue, mas quanto mais houver mais prolifera na sua tarefa. O empate da Espanha contra Cabo Verde, o mais surpreendente dos resultados da primeira jornada do Mundial 2026, trouxe consigo um pouco de tudo. A seleção africana de Bubista, Vozinha e companhia foi o maior destaque em Portugal, mas aqui ao lado, a imprensa espanhola fez um funeral antecipado à seleção.

Entre todas as dúvidas que o empate, e bem, levantou, desde logo ao papel dos extremos, à importância do envolvimento dos laterais no ponto de vista ofensivo, ao raio de ação de Mikel Oyarzabal ou à quantidade de ações criativas dos médios, houve uma que ganhou volume e repercussão. Para que serve a posse de bola se não há golos? A matriz espanhola, que permitiu à Roja conquistar três Europeus e um Mundial nos últimos 20 anos, alicerçando todo o trabalho feito na formação dos clubes e uma matriz de jogo comum ao futebol espanhol é, de tempos a tempos, contestada.

Se o processo de reflexão é positivo, permitindo o crescimento constante e reduzindo o risco de estagnação, a tentativa de romper com força as bases de uma identidade cultural são, por si só, um risco a tudo o que foi construído. E a segunda jornada foi a prova disso. A goleada à Arábia Saudita será vista entre algo normal e algo capaz de aliviar. Mais do que isso, é a prova número 746 de que o problema da posse de bola e do seu rendilhar não se mete nas intenções, mas no objetivo. A posse de bola é apenas um meio e não um fim. E foi isso que aconteceu na segunda jornada, ao contrário da primeira.

Lamine Yamal Espanha
Fonte: Federação Espanhola de Futebol

Luis de la Fuente olhou para o banco e chamou Pedro Porro, Dani Olmo, Álex Baena e Lamine Yamal ao jogo. Todos eles foram importantes para desmontar a Arábia Saudita, por mais que os erros tenham tornado essa uma tarefa demasiado fácil para se quererem retirar conclusões precipitadas. A entrada de Lamine Yamal é quase revolucionária. O extremo nem foi fantástico, mas a forma como concentra atenções dos adversários e se torna numa ameaça constante permite dar à posse de bola uma sensação constante de perigo. Por mais que Marcos Llorente seja uma garantia constante de energia, a qualidade de Pedro Porro com bola no pé permite à Espanha aproximações mais perigosas e senso nos cruzamentos que, pela constituição física da equipa, terão sempre de ser baseados na qualidade e menos na qualidade. No meio-campo, Dani Olmo é um perfil diferente de Fabián Ruiz. Quando tudo funcionada de forma oleada, o médio do PSG é fundamental pela capacidade de chegada à área. Quando é preciso algo mais, o jogador do Barcelona aparece. Faz-se valer pela batida na bola e pela forma como descobre caminhos na área. Por fim, e não havendo Nico Williams no nível ideal, o encaixe de Álex Baena na esquerda é muito mais natural que o de Gavi. Titular diante dos sauditas, o médio oferece mais capacidade para se infilitrar por dentro, atacar espaços e causar desconforto nos defesas, abrindo caminhos para as chegadas de Marc Cucurella, a desequilibrar por fora, e para o raio de ação de Mikel Oyarzabal.

Contra Cabo Verde, o avançado não tocou na bola uma única vez nos primeiros 30 minutos. Contra a Arábia Saudita, somou dois golos, o mais rápido bis de um espanhol no Mundial, e uma assistência neste mesmo período. Se a qualidade do jogador é a mesma, o encaixe coletivo foi diferente. De um lado, Lamine Yamal concentrou atenções e abriu espaços. Do outro, Álex Baena apareceu por dentro, deixando livre o espaço para o avançado espanhol atacar, num movimento contrário. Depois, a Arábia Saudita, que sofreu cedo, tentou subir linhas na pressão e desorganizou-se. Estava criado o contexto para Oyarzabal, que continua a ser um avançado de ligação e apoios, mas é cada vez mais um jogador de ruturas e diagonais curtas, aparecer e brilhar. 

Em sentido contrário, a Arábia Saudita deixou para trás a organização da primeira jornada e tentou contrariar o poderio ofensivo espanhol com mais um defesa. Não só não ganhou capacidade de ocupar a área, como perdeu alguma robustez no meio, dando à Espanha esse espaço nas costas dos médios. Depois de sofrer o golo cedo, tentou lançar-se numa pressão sem regras que abriu o caminho à goleada. Num jogo sem história, Firas Al-Buraikan voltou a mostrar argumentos. Pode funcionar como extremo ou como avançado a solo, dando soluções nos corredores, no espaço ou baixando em apoio. Uma mais-valia que de nada valeu para os sauditas, que deixam uma mensagem bem menos limpa do que a estreia tinha evidenciado. 

Anjinhos Vermelhos | Bélgica 0-0 Irão

Leandro Trossard Bélgica Saleh Hardani Irão
Fonte: Federação Belga de Futebol

Quando foram sorteados os grupos, nenhuma seleção esboçou um sorriso tão aberto como a Bélgica. O Egito, o Irão e a Nova Zelândia eram um vislumbre de felicidade quase certa para os Diabos Vermelhos. Diabos no bom sentido da palavra, como uma seleção com sangue nos olhos e uma vontade desmedida de honrar a geração de oura, que se despede, definitivamente, neste Mundial.

No entanto, nenhuma seleção tem desiludido tanto, no grupo das favoritas ou, pelo menos, das seleções com maior estatuto, como a Bélgica. Partindo com favoritismo claro em cada jogo do grupo, a equipa de Rudi García não foi capaz nem de vencer nem, sequer, de ser superior a qualquer uma das seleções com quem já mediu forças. Por maior que seja o respeito a Egito e Irão, seleções organizadas e capazes de competir, a diferença individual é tão gritante que obrigava os Diabos Vermelhos a fazer muito melhor. Mas os Diabos têm sido muito Anjinhos.

Desta feita, nem se pode apontar muito às escolhas de Rudi Garcia, que respeitou o campo e lançou os melhores jogadores de início. Maxim De Cuyper era uma obrigatoriedade no lado esquerdo da defesa, Nicolas Raskin foi oferecer mais organização ao jogo e liberdade a Youri Tielemans e Romelu Lukaku deu a capacidade física e ameaça no espaço que, principalmente sem Doku, a Bélgica precisava. Nada foi suficiente.

Aliza Beiranvand Irão
Fonte: FIFA

É evidente que a geração belga não é perfeita, mas a questão da qualidade individual não pode ser colocada em cima da mesa neste contexto. Há um défice de criatividade coletiva e uma dificuldade enorme da Bélgica para se impor perante adversários que se organizem defensivamente e sejam capazes de retirar espaço. É uma seleção de zero garantias e, contra o Irão, foi Thibaut Courtois o grande destaque. Diz muito sobre a seleção europeia que está longe de ter, sequer, o apuramento consumado. Nem cria situações no ataque, nem oferece provas de solidez defensiva coletiva. A expulsão de Nathan Ngoy é elucidativa. 

Alheio a tudo isto, o Irão está a fazer, dentro das circunstâncias impossíveis de esquecer, um Mundial 2026 de bom nível. Tem uma seleção individualmente inferior às últimas, com jogadores envelhecidos e dificuldades para fazer o rejuvenescimento natural, questões políticas tiraram Serdar Azmoun do grupo e uma das missões logísticas mais delicadas da competição. Não deixa de ser, no mínimo, irónico que a seleção iraniana esteja a ser destaque em solo estadunidense.

Até aos 70 minutos, quando a vantagem numérica mudou o cenário do jogo, foi uma exibição plena de solidez defensiva da formação iraniana. Não mudou o 4-4-2 base, mas como já tem sido feito, assumiu sem grandes problemas uma linha de cinco ou de seis no momento defensivo. A aposta de laterais para funcionar como alas, quer Ehsan Hajsafi quer Ramin Rezaeian, incentivou esta procura e a presença de Mohammad Mohebi nas costas de Mehdi Taremi, mas muitas vezes fechando à esquerda, ditou o propósito. Foi muito pouco o que o Irão permitiu e, quando algo falhou, apareceu Alireza Beiranvand. Já é dono da defesa do Mundial. Depois, na frente, enquanto houver Mehdi Taremi haverá estrada para a seleção iraniana andar. Mesmo a solo, sem um avançado de força física e duelos para enquadrar a bola direta, foi capaz de garantir saídas. Exibição guerreira e em esforço físico durante grande parte do tempo. É a referência espiritual de toda uma nação. 

A sensação Cabo Verde | Uruguai 2-2 Cabo Verde

Cabo Verde Jogadores
Fonte: Federação Cabo-Verdiana de Futebol

Cabo Verde já não é uma revelação do Mundial 2026, mas uma sensação. Depois de empatar com a Espanha por 0-0, os Tubarões Azuis empataram por 2-2 contra o Uruguai, outra seleção já campeã do mundo e, claramente, favorita à vitória no Grupo. Se um empate poderia ser ocasional e obra do acaso – e não foi – dois empates são prova de muita competência. E o jogo caboverdiano é, acima de tudo e novamente, muito competente. Em três momentos distintos. 

Primeiro, a base defensiva de Cabo Verde é muito sólida. Desta vez, não foi preciso uma exibição heróica de Vozinha para os Tubarões Azuis se fazerem valer. Excetuando o final da primeira parte, com dois golos que começaram a ser construídos contracorrente, a seleção africana permitiu muito pouco ao Uruguai. Além dos defesas centrais, com nova exibição de destaque de Diney Borges e Pico Lopes, também Steven Moreira, vencendo duelos à direita, foi esteio na linha defensiva. O 4-1-4-1 cabo-verdiano tem em Kevin Pina um importante gestor de espaços, capaz de impedir inferioridades, e permite ainda a ocupação dos corredores, com os extremos muito solidários na participação defensiva. 

Em comparação com a Espanha, fica também uma exibição de maior capacidade ofensiva. Essencialmente, Cabo Verde conseguiu jogar, mais do que sobreviver. Há personalidade na seleção africana e capacidade para procurar chamar a pressão adversária e tentar desencadear o jogo por duas vias distintas. A primeira, mais direta, com Gilson Benchimol em campo para dar essa possibilidade de atacar a profundidade. A segunda, mais pensada, partindo da capacidade dos dois interiores (Jamiro Monteiro e Telmo Arcanjo) pensaram o jogo e ligarem setores. Especialmente relevante a exibição do jogador do Vitória SC, na seleção mais médio. Esconde a bola e galga metros na condução, entrando no último terço para definir. Se havia alguém a reduzir Cabo Verde à vontade de defender, já não há argumentos.

Sidny Cabral Cabo Verde Agustín Cannobio Uruguai
Fonte: Federação Cabo-Verdiana de Futebol

Por fim, Bubista soube sempre ler o jogo a partir do banco. Já tinha ficado evidente contra a Espanha e agora, diante do Uruguai, com influência direta no resultado. Em desvantagem, o treinador cabo-verdiano trocou as características na frente. Nuno da Costa entrou para permitir um jogo diferente, com mais capacidade de receber bolas diretas e jogar com a equipa, mais do que atacar espaços. À esquerda, o bom jogo de Garry Rodrigues – tal como Ryan Mendes, é um jogador capaz de dar continuidade aos lances e de se destacar do ponto de vista técnico – não impediu o treinador de apostar na velocidade e energia de Hélio Varela. Por muito que o Uruguai tenha feito tudo mal, dos passes a queimar à loucura de Fernando Muslera fora da baliza, não fosse a esperteza de Hélio Varela em pressionar o que estava a dar errado, e não teria havido golo. Também fica na conta de Bubista.

Para lá dos méritos de Cabo Verdes, a ser exaltados e nunca minimizados, o Uruguai está nos cuidados paliativos, à procura de um milagre. A geração uruguaia está longe de ser a melhor da história e a lesão de Arrascaeta retira grande parte da capacidade criativa da seleção, mas há muito pouco a retirar da Celeste. Está num estado mórbido, como o ancião da aldeia respeitado por toda a população, mas a quem já todos ignoram as palavras disparatadas. Salva-se o impacto de Maxi Araújo que, não sendo suficiente para camuflar todos os problemas, vai resgatando o Uruguai. Joga como extremo, com mais presença fixa e menos chegada de trás para a frente, e nos três golos uruguaios neste Mundial, marcou dois e deu uma assistência. Há dias em que os números explicam tudo.

Para lá do sportinguista, os problemas começam noutro jogador do Sporting, tendo Rodrigo Zalazar zero culpas nisso. É certo que Arrascaeta, em condições normais, seria titular e indiscutível na equipa. No entanto, sem ele, Marcelo Bielsa teria de encontrar soluções. Nicolás de la Cruz já somou minutos, mas sempre como suplente de recurso e no fim da fila e Rodrigo Zalazar ainda não deixou o banco. Por muito que, historicamente, a raça e a capacidade de bater (literalmente e não só) sejam identificativos da alma uruguaia, foram sempre complementados por qualquer coisa. Sem esse acrescento a mais, torna-se complicado. A ausência criativa é a ponta de um icebergue de dúvidas levantadas e confirmadas como sintomas de um problema no Uruguai. Fernando Muslera nunca foi um guarda-redes confiável pela regularidade e, aos 40 anos, as lacunas estão evidentes; sem Ronald Araújo e José Maria Giménez, a capacidade de defesa da área e cobertura da profundidade surge afetada; o meio-campo tem força física e brutalidade, mas não há capacidade para organizar e gerir o jogo nem de definir no último terço; acumulam-se jogadores banais nos corredores; e não há uma referência goleadora. Luis Suárez sofreu na bancada, depois de não ser convocado por Marcelo Bielsa. Federico Viñas, protagonista de um dos momentos menos bonitos no Mundial, quando desistiu de ajudar Telmo Arcanjo para atacar uma bola (no lance que viria a dar o primeiro golo) é jogador para responder a cruzamentos e pouco mais e Darwin Núñez, a grande esperança para atacar espaços e responder a situaçoes de cruzamento, está praticamente parado desde janeiro. Entre todas as dúvidas de Marcelo Bielsa, ele que sempre foi um Loco genial, não tem conseguido espremer um limão com pouco sumo. Ou o Uruguai ganha à Espanha ou correrá sérios riscos de ser eliminado numa fase de grupos que apura oito dos 12 melhores terceiros lugares.

Despertar a tempo de fazer história | Nova Zelândia 1-3 Egito

Mohamed Salah Egito
Fonte: Federação Egípcia de Futebol

É conhecido o impacto do Nilo na geografia e na prosperidade do Egito, tornando terras áridas em terrenos verdejantes, propícios à agricultura e à criação de comunidades. Foi este recurso natural a base de uma das maiores civilizações da história, cujo legado, entre Pirâmides e hieróglifos, inspira todo o país. Por alguma razão, a equipa de futebol egípcia é comumente conhecida e apelidada como a dos Faraós, cuja crença dizia serem deuses na terra.

Será uma heresia dizer que Mohamed Hany, Hamdy Fathy ou Emam Ashour alcançam este patamar ou podem, sequer, ser cogitados a essa designação. Só Mohamed Salah, dentro de todo o caráter místico que tem, se aproximará de uma divindade ou algo parecido nas terras egípcias. Ainda assim, em 2026, o Egito estará nos 16 avos de final do Mundial 2026, ultrapassará a fase de grupos e fará a melhor campanha do clube na história da competição. A garantia ainda não é matemática, mas o cenário de tal não acontecer é o mesmo de o Nilo amanhã acordar sem água. E, se o Nilo secar, toda a prosperidade irá embora com o vento.

O Egito alcançou, finalmente, a primeira vitória na história dos Mundiais. Na quarta participação, uma das seleções mais tradicionais do ponto de vista africano, quebrou um enguiço e um peso histórico que, em 2018, havia sido claro entrave na expressão da seleção. Além da vitória, fica a declaração de superioridade na segunda parte. Este Mundial tem sido, como Renato Paiva apelidou há um ano, um cemitério dos favoritos, mas o Egito não só fugiu deste local inóspito, como ele próprio assumiu a versão de matador.

Zico Hossam Hassan Egito
Fonte: Federação Egípcia de Futebol

Não há muitas coisas que Hossam Hassan, ainda o máximo goleador da história da seleção, desconheça sobre o ataque. Ainda assim, as trocas posicionais feitas na frente são, por mais golos que o antigo avançado tenha feito, uma das mais importantes obras ofensivas da sua carreira. Quando Marmoush passou para a esquerda e Emam Ashour rumou à direita, Mohamed Salah ficou com a companhia de Mostafa Ziko por dentro. Nesse momento, tudo mudou. O Egito já queria projetar os laterais, mas a projeção ganhou ainda mais força com um avançado a procurar as movimentações de fora para dentro à esquerda e um médio a querer a bola à direita. Particularmente Mohamed Hany, um dos destaques egípcios no Mundial, cresceu e passou a ter ações mais valiosas na área. Depois, houve encaixes importantes na frente.

Por dentro, Mostafa Ziko foi game-changer. Chegou tarde à seleção, já com 28 anos, mas já é uma das figuras dos Faraós. Estreou-se nos particulares antes do Mundial e, em dois jogos feitos, marcou dois golos. A cadência goleadora só falhou por um jogo; no segundo embate no Mundial, marcou o terceiro golo em quatro jogos e iniciou a reviravolta. Começou pelo corredor direito, mas, por dentro, aproveitando as atenções que Mohamed Salah consegue recolher para si, conseguiu aparecer diversas vezes como elemento surpresa na área para finalizar. Numa deu golo. Para resolver, Mohamed Salah apareceu. É o grande nome do futebol egípcio e, mesmo na curva descendente da carreira, continua a ser o referente técnico da equipa. É protegido pelo modelo de jogo e, por dentro, ganha protagonismo como definidor de jogadas, quer através de lançamentos e passes longos, quer pela capacidade de procurar o remate. Sublime no golo. Ainda houve tempo para Trézéguet marcar. Não julgo as opções do Egito. Também eu, no 7 a 0, já venci o Mundial com Zico, Salah e Trézéguet na frente.

Não vencendo, a Nova Zelândia merece o destaque. Fez uma primeira parte de coragem e com identidade. Chris Wood é uma garantia para jogo direto e Elijah Just, a partir da esquerda, um complemento ideal para atacar o espaço e permitir ao avançado ter sempre uma válvula para o jogo fluir. Ainda assim, há também capacidade para jogar desde trás, principalmente à esquerda, claramente o lado forte neo-zelandês. Liberato Cacace é um lateral com projeção ofensiva, mas também de qualidade técnica. Com Marko Stamenic como o médio de melhores recursos individuais a jogar lá perto e Joe Bell lá perto, geraram-se boas associações. Não é por nada, mas entre 48 seleções, há poucas com tanto carisma como a Nova Zelândia.

Egito dá a volta em 2ª parte perfeita e vence Nova Zelândia para se isolar no 1º lugar do Grupo G do Mundial 2026 e somar o 1º triunfo na história dos Mundiais

O Egito é o novo líder do Grupo G do Mundial 2026. Vitória sobre a Nova Zelândia é a primeira entre todos os jogos deste grupo.

O Egito conseguiu, ao quarto jogo do Grupo G, desencadear o nó dos empates e somar a primeira vitória no Mundial 2026. Reviravolta consumada diante da Nova Zelândia terminou com um 3-1 no marcador. A vitória é também a primeira da história dos faraós nos Mundiais.

Foi a Nova Zelândia quem se meteu em vantagem na partida e chegou ao intervalo em vantagem. Finn Surman (15′) subiu ao terceiro andar num canto e adiantou o conjunto da Oceânia.

A formação egípcia respondeu em dose tripla na segunda metade. Mostafa Ziko (59′), Mohamed Salah (67′) e Mahmoud Trézéguet (82′) deram a volta à partida e deram a primeira vitória a qualquer equipa no Grupo G.

Contas feitas, o Egito descola para a liderança da tabela com quatro pontos, enquanto a Nova Zelândia fecha a fila com apenas um. Pelo meio, Bélgica e Irão, que empataram esta noite, somam dois pontos.

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