Aos 39 anos de idade, o antigo artilheiro russo Dmitri Kirichenko tem em mãos um pequeno gigante do futebol, criado por Kurban Berdyev, e vê, sem que muito tenha contribuído para isso, mais uma vez o seu nome escrito na história do desporto-rei à conta de um FC Rostov que surpreendeu a Europa do futebol ao deixar para trás o RSC Anderlecht e o AFC Ajax conseguindo o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões.
Dmitri Kirichenko, o “herdeiro acidental” de Kurban Berdyev Fonte: Sovsport
Kirichenko, que, para além de ter sido um prolífico goleador, foi também o autor do golo mais rápido de sempre em Campeonatos da Europa de futebol (marcou aos 67 segundos de jogo frente à Grécia no Euro 2004), voltou às luzes da ribalta após a saída intempestiva do mágico do Turcomenistão, Kurban Berdyev, do comando do FC Rostov após a vitória por 2-0 em Bruxelas diante do RSC Anderlecht. Kirichenko, que trabalhava como treinador-adjunto dos Selmashi desde 2014, viu-se de um momento para o outro obrigado a assumir as rédeas da equipa, assumir apenas em teoria, porque, na verdade, Berdyev nunca deixou a formação do FC Rostov.
Já começou mais uma edição da Liga Espanhola e, se há muitos jogadores mundialmente consagrados, há também outros que estão prontos para se darem a conhecer ao mundo. Apresento aqui cinco desses jogadores ainda relativamente desconhecidos, mas que valerá a pena seguir com atenção, porque poderão ser os grandes nomes do futuro.
Nesta seleção, incluí apenas jogadores que chegaram recentemente à Liga Espanhola, deixando de fora alguns jovens de grande potencial, mas já bastante conhecidos apesar da sua tenra idade, como Marco Asensio, Dani Ceballos, José Luis Gayà ou Samu Castillejo.
Rúben Ribeiro – As transições ofensivas dos vilacondenses passaram obrigatoriamente por Rúben Ribeiro, que trata a bola pela segunda pessoa do singular. A técnica inegável do médio ofensivo abrilhantou, assim, uma partida nem sempre bem disputada com ótimos pormenores e passes para ocasiões flagrantes de golo.
William Carvalho – Havia muitos jogadores que podiam ter sido os melhores em campo. Desde Rúben Semedo a Bruno César, passando por Slimani ou Gelson Martins, todos estiveram fantásticos. Contudo, o meu maior destaque é William Carvalho. A qualidade galática com que trata a bola é de uma beleza incrível. Consegue fazer com que o adversário fique a uma distância tão grande da bola que mais fácil seria atravessar um deserto. É um dos dois reis do meio campo leonino, um dos melhores jogadores do campeonato e um dos melhores médios do Mundo. Só lhe falta uma finalização mais agressiva para se tornar um jogador apreciado por todos. Quase se pode considerar batota ter um jogador destes na liga portuguesa.
Bruno César – Indiscutivelmente o melhor em campo. A partir do momento em que Jorge Jesus ajustou a sua posição no terreno, assumiu um papel preponderante no jogo ofensivo dos leões. Entrou para o clássico como uma das surpresas de Jorge Jesus e saiu, inegavelmente, como a peça fundamental. Xeque-mate.
Caro João Mário Naval da Costa Eduardo… Ou João Mário, como sempre te “conheci”:
Há paixões que nunca se esquecem, amores que perduram e memórias a relembrar. Pode parecer quase o início de uma carta de amor para ti mas, descansa, não é. O que nos une é o amor pelo nosso Sporting Clube de Portugal.
Diziam que te ias embora. Corriam rumores de que ias trocar Lisboa por Milão, de que ias mudar a tua casa de Alvalade para San Siro. Era bom que não fosse assim, não era? Era bom que ficasses a defender as riscas verdes e brancas em vez de ficares a defender as azuis e negras. Mas, como a todos os filhos, vamos ter de largar a tua mão e deixar-te voar.
Levantaste voo em França: jogo após jogo foste mostrando todas as valias a que nos habituaste tanto; a nós, sportinguistas, bem como aos adeptos de outros clubes, por muito que a maior parte não queira admitir. Gostavam de ti como o João Mário, o médio da seleção, aquele que espalhava magia e classe como há muito tempo não se via; já como o João Mário, aquele com as mesmas características que o da seleção, o que jogava de leão ao peito, havia melhores e com mais potencial, que fariam mais dinheiro para outros clubes e não para nós. A diferença entre nós e eles, João (trato-te assim pela facto de a nossa diferença de idades não ser assim tão grande e por pertencermos à mesma família), é que nunca te vimos como uma máquina de fazer dinheiro; para nós, João, sempre foste um dos nossos meninos de ouro, que tentámos proteger a todo o custo. Eu acredito em ti e defendo-te com garras e dentes quando falam mal de ti, porque tu, mais do que muitos que jogam no nosso clube, sempre o mereceste. Sempre deste tudo de ti dentro e fora do Sporting.
João Mário foi ovacionado aquando da sua saída, aos 90 minutos, no último jogo Fonte: Sporting CP
Diziam que te ias embora. Não sabia se era verdade ou mentira, se estava por horas, dias ou semanas. Mas a ti, João, quero fazer um pedido público, que fica registado, quer tenha a sorte de o leres ou não: mostra o que tens sido e nunca te movas nas redes do dinheiro, como acho que nunca o tens feito. Mostra que ainda tens a raça de leão dentro de ti e que sabes o que queres para o teu futuro. Eu, como sportinguista, vou acompanhar sempre o teu percurso. Decidiste que isto seria o melhor para ti, e eu aceito o facto de teres decidido voar. Não digo mais alto ou mais baixo, porque aí as opiniões divergem. Pode ser o começo da viagem da tua vida, tanto profissional como pessoal. Poderá ser uma nova experiência.
A minha voz é a última a contar, eu sei. Gostaria de te ver esta época a jogar com as nossas cores. Partiu-me o coração, e de certeza que a mais uns milhares, ver aquela ovação como uma espécie de despedida no fim-de-semana passado. Não quis acreditar. Ainda não quero acreditar que é uma realidade.
Eu acredito que vais continuar a torcer por nós. O bichinho ficou e de certeza que se vai manter. Só espero que nunca deixes de acreditar que querem o teu bem.
Sobretudo, quero ver-te como um jogador feliz. A fazer aquilo de que mais gostas e a defender as cores do clube que te recebe. Eu irei sempre ver como te está a correr a temporada; estarei a torcer para que sejas mais e melhor, para que superes os desafios que te propõem e para que nunca deixes de pensar no que poderás fazer.
Diziam que te ias embora mas, para mim, és e ficarás sempre leão.
De uma pessoa que espera que voltes a vestir um dia as nossas cores,
O Rio’2016 acabou e Portugal não teve uma grande prestação, a verdade é esta. Partiu-se com boas esperanças mas os resultados, em alguns casos, não foram os melhores, apesar de algumas boas surpresas como José Carvalho no K1 Slalom.
Estivemos perto das medalhas em vários casos mas o facto é que apenas trouxemos uma medalha do Rio’2016, quando o objetivo seria duas, segundo o contrato-programa existente, logo não podemos dizer que tenha sido positiva a presença no Brasil.
Em Londres’2012 Portugal conseguiu uma prata e nove diplomas, enquanto este ano, no Rio’2016, conseguiu um bronze e 10 diplomas, um resultado que para as entidades oficiais é melhor e que tendo a concordar, apesar da medalha conquistada ser de um nível inferior. No entanto, no final saímos do Brasil como entrámos, uma medalha por edição, o que é manifestamente pouco, muito pouco, para um país como Portugal. A desculpa de país pequeno não pega, esta não é razão para tão poucas medalhas na nossa longa história olímpica.
Portugal ficou em último no ranking de medalhas Fonte: Google
O certo é que agora a sociedade critica tudo e todos por apenas uma medalha, os Desportistas criticam tudo e todos pela falta de condições mas na realidade ninguém faz nada para mudar esta situação.
As expectativas saíram defraudadas mais uma vez, como saíram em 2012, mas porquê? A maioria culpa a falta de condições de treino e de apoios monetários, são importantes, sim, mas não são únicas, são talvez apenas uma das partes mais visíveis do problema, que, infelizmente, penso que agora só voltará a ser levantado no pós Tóquio’2020, quando nos voltarmos a perguntar porque não obtivemos bons resultados, esquecendo que não fizemos nada enquanto sociedade para mudar os resultados.
O Arnold, desta vez, não chorou – e ainda bem que o destino lhe fez a vontade. Fico sempre constrangido, sem reacção e palavras, perante as imagens de um homem feito a desfazer-se em lágrimas (e este mês já me chegaram alguns olímpicos mais sensíveis). O Setúbal visitou a Luz, fez o seu joguinho, utilizou as suas armas, com faltas e faltinhas, cãibras e outras maleitas ligeiras, marcando um golinho – e nenhum tribunal reparou que, nesse lance, a bola é enviada para um atacante em fora-de-jogo de dois metros que, embora não se fazendo ao lance, é, no momento do passe (que define a aplicação da regra), o óbvio receptor do mesmo? –, abusando do useiro anti-jogo, beneficiando da complacência do juiz – que, sabe-se agora, é prova de coerência do novo paradigma de nomeações do futebol português – e, bem fechadinho lá atrás, conquistou, com o mérito que alguns especialistas lhe dão, um preciso ponto na luta pela manutenção.
Este empate é doloroso – é-o sempre quando a nossa equipa faz por ganhar. No entanto, importa compreender a posição adversária: as suas fragilidades e limitações. Cada qual dá aquilo que tem, faz aquilo que pode, e foi exactamente isso que o Setúbal fez; ao contrário do Benfica, que pode melhorar, tem de melhorar e, arrisco mesmo dizê-lo, vai certamente melhorar. O melhor, portanto, é deixar a vida acontecer, dentro e fora do campo, o mais rapidamente possível, esperando que a próxima jornada nos traga um Benfica mais competente e próximo daquele que – e como às vezes me adoro repetir! – conquistou três campeonatos consecutivos e oito dos últimos 12 títulos disputados em Portugal.
A seleção brasileira de futebol venceu a medalha de ouro destes Jogos Olímpicos 2016. Era o único título que faltava à seleção canarinha. Os brasileiros, nos dias que correm, brincam e pedem para que seja inventado um novo torneio de futebol, pois o escrete já venceu todos aqueles que existem.
A campanha do Brasil foi, pode-se dizer, meritória. Em seis jogos (três na fase de grupos e mais três no “mata-mata”) sofreu apenas um golo – precisamente na final. E se é verdade que esteve em branco contra os modestos Iraque e África do Sul (ambos 0-0), a seleção de sub-23 do Brasil acabou por ser o melhor ataque da prova, com uns impressionantes 13 tentos, nessas mesmas seis partidas disputadas.
A festa ficou mesmo em casa Fonte: Liberal
É verdade que a FIFA nunca deixará que o Comité Olímpico Internacional (COI) ofusque os seus torneios. Se pensarmos que, não raras vezes, na maioria dos desportos como as provas de atletismo, natação, equitação, e até mesmo o andebol, vólei, ou basquetebol, existe uma maior projeção ao ser-se campeão Olímpico do que campeão Mundial, no futebol isso não acontece. Aliás, eu diria até que ser campeão continental (Europeu ou Americano, por exemplo), é muito mais importante do que ganhar uma “mera” medalha de ouro nas Olimpíadas. Até porque esse ouro é só um. Não é dividido pelo número de atletas que compõem essa seleção.