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Caro, amigo.
É com toda a sinceridade que te envio este email, para que possas talvez entender algumas coisas que eventualmente tenham “passado ao lado” dos demais, mas não a mim, porque nunca poderiam passar.
Foi sem dúvida um regalo para os olhos e para os corações dos vila condenses este nosso clube a jogar à bola. Uma primeira metade do campeonato onde demonstraste toda a tua qualidade, assente num futebol bonito, suficientemente objectivo e capaz de fazer frente a qualquer clube do nosso campeonato.
No entanto, e com o passar da época, este Rio Ave FC já não é, de alguma forma, o mesmo que era.
Sei que o mercado de Inverno te levou aquele que era o nosso mais virtuoso jogador e com isso perdemos, inevitavelmente, alguma qualidade. Mas também sei de toda a qualidade que o nosso plantel possuía e continua a possuir.
A verdade é que os últimos tempos me têm deixado alarmado. Já não jogamos como antigamente, e se em alguns jogos ainda se disfarça isso, há outras situações que me custam a entender.
Nos últimos oito jogos temos um pecúlio demasiado fraco: sete pontos em 24 possíveis. Duas vitórias, um empate e cinco derrotas. sete golos marcados e 18 (!!!) sofridos. Isto significa que ganhámos por duas vezes em casa: 3-0 ao CS Marítimo e 2-1 ao CD Feirense (com alguma sorte), um empate a zero também nos Arcos com um Aves que poderia ter aqui vencido, e cinco derrotas em outras tantas deslocações.

Fonte: Rio Ave FC
Os resultados são o que são e muitas vezes não espelham o que se passa em campo. Por vezes uma derrota, mesmo que por números “gordos” pode significar muito pouco. No entanto, as que temos tido, a meu ver, significam muito. Significam que podíamos ter o apuramento europeu praticamente assegurado e afinal vamos andar, muito provavelmente, a fazer contas e a ter que estar atentos aos jogos dos outros “europeus” até bem perto do fim da época.
Como é que uma equipa como a nossa leva quatro em Portimão? Cinco no Dragão? Cinco na Luz em 45 minutos? Perde por 2-0 em Alvalade, mas poderia ter levado mais cinco ou seis não fossem os postes e o nosso grande Cássio? Isto é o que me custa a entender e compreender!
Porque é que temos de invariavelmente sair a jogar desde a defesa, mesmo quando somos pressionados perto da nossa área por jogadores e equipas de valor superior ao nosso, como aconteceu nos estádios dos grandes? Algumas vezes esta ideia não parece somente isso mesmo, mas quase uma obsessão.
Como podemos defender tão mal variadas situações ao longo do jogo? Como temos tão pouco ataque pelos corredores laterais? Porque se afunila tanto o nosso jogo? O que nos fez afinal trazer o Barreto, o Leandrinho, o Gabrielzinho, ou mesmo o Gelson se, como dizia o outro, eu não os vejo a fazer nada? Onde está o Miguel capaz de retirar o melhor de cada um dos seus homens em capo? O Guedes na frente é curto? O Yazalde e o Karamanos não deviam ter saído? Então porque os deixámos sair?

Fonte: Rio Ave FC
A equipa sentiu o abalo daquela notícia ridícula sobre aquele caso que não era caso? Os jogadores cansaram-se de jogar bem? Os teus métodos já não têm o carisma suficiente para levar os jogadores para um nível superior? Andaram a fazer-te a cabeça, com promessas de triplicares o ordenado?
Já vai longa esta minha dissertação. Desta forma termino, apelando a alguns instantes da tua reflexão. Porque o Rio Ave FC merece nada mais que 110% de cada um que cá está. Porque temos de oferecer a estas pessoas mais um apuramento europeu, um futebol que orgulhe cada olhar e cada alma vila-condense e a esperança num clube que joga como gente grande e que faz de cada bilhete pago pelos nossos adeptos um valor justo para viverem 90 minutos de entrega, paixão e futebol de qualidade.
A recomeçar já na próxima sexta-feira, para que no final do dia não estejamos “fora da Europa”.
O Presidente
António da Silva Campos
Foto de capa: Rio Ave FC













