Depois de já ter conquistado Old Trafford, Stamford Bridge e o Emirates, Guardiola viajou até Liverpool para conquistar, depois de várias tentativas falhadas, o Fortress Anfield. Dentro das muralhas desse forte, estava à sua espera a armada Red, que havia sido derrotada em Nápoles, mas que pretendia alcançar o topo da Premier League.

Foi precisamente com isso que Pep jogou, com o desejo de Klopp conquistar o trono do futebol inglês. Assim vimos um Manchester City muito mais cauteloso que o habitual, pretendendo com isso verificar se o Liverpool tem, ou não, o que é preciso para alcançar o topo.

Equipas Iniciais

Liverpool FC

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Em relação ao jogo para a Liga dos Campeões, Klopp fez duas alterações. Lovren e Henderson substituíram Alexander-Arnold e Naby Keita. A grande novidade não foi a entrada de Lovren, mas o facto de isso ter resultado na colocação de Gomez como lateral direito.

Alisson, Gomez, Van Dijk, Lovren, Robertson, Milner, Wijnaldum, Henderson, Salah, Mane, Firmino.

Manchester City FC

Tendo em conta as opções disponíveis, Guardiola não apresentou nenhuma surpresa. Benjamin Mendy voltou ao onze, já Gundogan e Kevin de Bruyne, apesar da expectativa, não reuniram as condições físicas para fazer parte das opções.

Ederson, Walker, Stones, Laporte, Mendy, Bernardo Silva, Fernandinho, Silva, Mahrez, Aguero, Sterling.

O Jogo

Ótima resposta aos estímulos Red, que contribuiu para um City Risk Free

Em Liverpool acontecem fenómenos difíceis de explicar, ou pelo menos, particulares e especiais. O ambiente, os cânticos, as reviravoltas histórias. Agora, e desde que Klopp chegou, podemos adicionar a essa lista o facto de os Reds cometerem uma quantidade maior de erros quando o jogo é acontece a um ritmo mais baixo, do que quando este se joga a uma velocidade e a um ritmo superior.

Assim, particularmente depois dos quinze minutos, vimos o Manchester City baixar o ritmo de jogo através da forma como circulavam a bola. Desde cedo que Bernardo Silva e Fernandinho permaneciam muito recuados no campo, o que diminuía a capacidade de a equipa avançar em direção à baliza do Liverpool, mas procurava garantir um maior controlo no momento de transição.

via GIPHY fonte: Sky Sports

O Liverpool convidou, em especial nos primeiros minutos, o Manchester City a utilizar a dupla Bernardo e Fernandinho para sair a jogar.

Fonte: Sky Sports

Um convite que era nada menos que uma armadilha, e que contribuiu para um nada comum: Manchester City “Risk Free”, com o avançar do jogo.

Fonte: Sky Sports

Os comandandos de Klopp foram bastante competentes na forma como respondia aos estímulos para iniciar a pressão com o intuito de recuperar a posse de bola. Um dos mais evidentes era a qualidade do campo de visão do adversário quando este recebia a bola, por exemplo, se estava de costas para a baliza Red ou não.

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City: Tentativa lateral

O objetivo do Manchester City na fase ofensiva era encontrar Silva e/ou Aguero atrás da linha média do Liverpool. O risco de o tentar fazer através de Bernardo ou Fernandinho projetando os laterais, era enorme, como vimos em cima, assim os citizens procuravam o fazer através dos seus defesas laterais.

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Silva recebia entre linhas, no espaço entre o corredor lateral e o central, colocando em uma situação desconfortável o lateral do Liverpool, já que se encontrava em situação de inferioridade numérica.

Fonte: Sky Sports

Outro fator que mais contribuiu para o nulo, como podemos ver neste mesmo lance já na zona próxima da baliza do Liverpool, foi a quantidade de erros a nível técnico do Manchester City algo incomum, e acabou por prejudicar a capacidade da equipa em agredir os Reds.

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Liverpool: Criar desconforto na linha defensiva

O Liverpool, pretendia fazer subir o bloco do City, para criar distanciamento entre a linha média e defensiva do Manchester City. Podemos argumentar que foi o City que obrigou o Liverpool a tal comportamento, pela forma como evitou os Reds de iniciarem a construção desde trás pelo chão.

Fonte: Sky Sports

Posteriormente, a colocação de Wijnaldum, nas costas de Sterling junto à linha lateral, era não só importante para controlar uma possível segunda bola, mas principalmente para criar separação entre Laporte e Mendy. Wijnaldum “puxava” Mendy ligeiramente para o corredor, abrindo espaço entre o lateral e o central do City.

Em resposta à bola longa da defesa, para o espaço entre a linha defensiva e média do City, Firmino baixava e tocava imediatamente em Salah, já preparado para explorar esse espaço. Movimentos contrários, de Salah e Firmino, que só agravam o desconforto da linha de defensiva do City.

Fonte: Sky Sports

 

Conclusão e linhas gerais

Foi um jogo totalmente diferente daquilo que se esperava. Guardiola com uma postura muito mais conservadora que o habitual, bastava olhar para Bernardo e Fernandinho. A dupla de meio campo esteve em modo “Risk Free“, pressionados desde cedo, ficaram sempre com a ameaça de perder a bola em zonas recuadas, e que pudesse comprometer a sua linha defensiva, a pairar sobre as suas cabeças.

Mapa de ação da dupla Bernardo e Fernandinho, ontem:

Fonte: WhoScored.com

A estranha quantidade de erros a nível técnico, em especial quando chamados a jogar ao primeiro toque, de ambas as equipas, contribuíram para uma primeira parte fraca.

Até se poderia esperar um empate, mas um três a três, nunca um zero a zero. Um zero a zero, onde nenhuma das equipas conseguiu criar oportunidades claras de golo. Nem no penalty de Mahrez a bola foi à baliza.

Não podemos ficar tristes, afinal não é todos os dias que vivemos uma jornada onde um Burnley FC vs. Huddersfield Town teve mais golos que um Liverpool FC vs. Manchester City FC.

 

Foto de Capa: Premier League