A festa da Taça finalmente! Todos os fãs do basquetebol nacional aguardavam uma façanha por parte do Imortal, ou (mais) um ponto de exclamação por parte do Sporting CP na Taça de Portugal. Leões e algarvios viajaram para Matosinhos com expectativas diferentes, mas com o mesmo objetivo: vencer a Taça.

No jogo do passado domingo, o desfecho foi justo para o Sporting, porém inglório para o Imortal, que se viu desfalcado de duas das suas principais referências. Ainda assim, o espetáculo perdurou… durante 20 minutos.

Neste ‘Força da Tática’, o Bola Na Rede irá analisar os aspetos que diferenciaram ambos os conjuntos, num jogo – que só teve história para narrar – durante uns meros dois quartos de jogo (infelizmente para o espetáculo foi o tempo que a equipa do Algarve susteve o poderio do leão).

FALTOU CABEÇA (E PERNAS) PARA MAIS

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Costuma-se dizer que as finais são decididas em detalhes, mas esta foi mesmo em “pormaiores”. Podemos abordar os aspetos táticos do Imortal, mas a principal falha foi o (escasso) discernimento e o (evidente) desgaste que o jogo transato – perante o SL Benfica – provocou. É certo que o Sporting CP também jogou uma meia-final – no mesmo dia – mas não se pode comparar o plantel de ambos os lados, ainda para mais tendo o Imortal sofrido dois duros revés nessa meia-final. Já se sabe que uma lesão ou uma «falha» crucial no Sporting CP não tem o mesmo impacto que uma «falha» ou lesão importante no Imortal… Não é um facto, mas não foge da verdade, ao passo que quando olhamos para o plantel de cada um, as diferenças são gritantes. O Sporting CP, por exemplo, no tempo «morto» da partida, coloca um jogador da qualidade do Francisco Amiel, ou um ‘não muito utilizado’ campeão europeu sub-20 Embaló, e só por aqui já vemos a capacidade e profundidade com que Luís Magalhães opera. Do outro lado, Luís Modesto utilizou, por exemplo, um míudo de 16 anos – Salvador Victo – que ainda está a dar os primeiros passos no mundo «dos grandes».

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Dito isto, aponto desde já, dois fatores chave para o desfecho vitorioso do Sporting CP nesta final: lesões e o desgaste físico algarvio. Mas, sublinho, não explica tudo, e é a partir desta premissa que vamos analisar a final da Taça de Portugal.

FORÇA, «MISSMATCH» E SHAKIR SMITH – AS CHAVES DO SPORTING

Shakir Smith foi eleito o homem do jogo
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Os leões, desde cedo, identificaram o alvo predileto para atacar o cesto. A equipa de Luís Modesto, como referido no parágrafo anterior, não contava com dois homens à conta de lesões – Jalen Jenkins e Tyere Marshall – sendo que, as características de ambos, tais como a sua estatura, dimensão física, luta nos duelos ou ocupação dos espaços faria um jeito tremendo ao técnico português. Isto, ainda para mais tendo do outro lado, nada mais nada menos, que Fields. O poste norte americano é um autêntico monstro (e nem está no seu melhor momento de forma), sendo que o único obstáculo muitas vezes impelido ao poste do Sporting era Hugo Sotta. Nada a apontar ao poste português – que lutou muito – mas Fields é de outra dimensão, ou seja, o missmatch foi facilmente identificado e o Sporting aproveitou, quer em transição, quer em jogo posicional, ataques de forma a isolar Fields.

Depois, o acerto madrugador dos algarvios – parcial 7×0 a abrir – acabou por se revelar exclusivo e momentâneo, uma vez que não mais conseguiram dar uma réplica semelhante aos leões. De resto, os tiros exteriores (que no início pareciam dar um bom repto para a partida) pararam de cair e o desgaste físico, a falta de discernimento e a incapacidade de pensar o jogo – contra um Sporting que gosta de provocar isso no adversário – acabaram por sentenciar as contas e no final da primeira parte o Sporting levou uma vantagem de 12 pontos (32×44), que ainda conseguiu incrementar no final do terceiro quarto para uma diferença de 21. Por fim, sublinhar Shakir Smith, na medida em que atuou a um nível muito elevado (24 pontos, 4 assistências) e aproveitou o estremecer do Imortal no segundo quarto, para dar um golpe crucial no jogo, sendo que nos primeiros 11 minutos em campo, o base somou 17 pontos. Incrível.

No vídeo em baixo irão comprovar alguns dos factores chaves para o Sporting CP ter levado a Taça. Entre os quais a transição ofensiva e defesa a meio-campo dos leões, as falhas do Imortal e, por fim, um ou outro momento de organização ofensiva da equipa algarvia, que esporadicamente conseguiu explorar o pick and roll para libertar os exteriores (ou postes, como foi o caso do Monteiro no início do jogo).

Foto de Capa: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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