Depois da derrota em Amesterdão, por expressivos 3-0, Die Mannschaft viajou até Saint-Denis para enfrentar o atual campeão do Mundo. A Seleção Francesa, por sua vez, vinha de empatar a duas bolas frente à equipa Islandesa, em um encontro amigável.

Um período que não é particularmente feliz para Joachim Low, que está a ser alvo de muita contestação em solo alemão. A prestação alemã na Rússia, veio dar voz aqueles que começavam a criticar as escolhas do selecionador, desde a ausência de Leroy Sané (principalmente a justificação de Low para a escolha) até à polémica com Ozil, o efeito bola de neve parece não ter um fim à vista.

Contudo, e apesar da derrota, o que se viu ontem foi o princípio de uma nova Alemanha. Tenho esperanças que os responsáveis da federação alemã também o tenham visto.

Equipas inicias| Alemanha a Surpresa de Low resultou (até ao intervalo)

Para tentar sair da lista de equipas que ainda não tinham marcado qualquer golo na Liga das Nações, Joachim Low apostou em um esquema de 3-4-2-1. Poucos estariam à espera desta mudança, particularmente em um jogo tão importante para Die Mannschaft, mas essa aposta resultou na perfeição no primeiro tempo.

Fonte: Sport TV

Com Neuer na baliza, os três centrais foram Hummels, Sule e Ginter. Os papeis de alas laterais ficaram a cargo de Kehrer (direita) e Schulz (esquerda). Interessante como a colocação de Schulz no onze, apesar de surpreendente é uma escolha sem grande risco, e foi sem surpresa que o jogador do Hoffenheim (conheço este papel na perfeição) acabou por ser o melhor jogador alemão em campo, na minha opinião (apesar da prestação de Kroos). No meio campo, Kroos e Kimmich fizeram parceria no apoio ao trio dinâmico composto por Werner, Sané e Gnabry.

Equipas Iniciais | França equipa que ganha não se mexe (até ao intervalo)

Sem contabilizar com ter sido forçado a substituir o lesionado Samuel Umtiti, Deschamps não alterou absolutamente nada na onze inicial. Kimpembe, apesar do jogo péssimo frente à Islândia, foi a aposta do selecionador francês para substituir o jogador do FC Barcelona.

De resto, foi o 4-2-3-1 de sempre. Hernández (esquerda) e Pavard (direita) como laterais, Varane e Kimpembe no papel de defesas centrais na retaguarda da dupla Kanté e Pogba. No apoio ao ponta de lança Giroud, Matuidi jogou pela esquerda, Griezmann pelo corredor central e o prodígio Mbappé na direita.

Choque Inicial e Domínio Alemão

Uma vantagem, consoante a perspetiva, para os adversários, que enfrentam a seleção gaulesa, é o facto de já saberem a receita de cor e salteado. Defender em bloco baixo, convidando o adversário a avançar e a arriscar para depois, e assim que recuperam a bola procurar a “ancora” Giroud, para iniciar as temíveis transições ofensivas, com Mbappé e Griezmann a aproveitar os espaços resultantes do choque entre o avançado do Chelsea e os defesas adversários.

Face a esta postura passiva, percebemos facilmente como a aposta pelo esquema de três centrais deu o domínio do jogo à Seleção Alemã. A superioridade numérica dos visitantes na primeira fase, permitia-lhes iniciar a construção desde trás sem problemas. Com a possibilidade de circular a bola ao longo da linha defensiva, sem serem pressionados, vinha também a liberdade para a dupla de meio campo procurar espaços para receber a bola entre a linha média e atacante Francesa. (Como vemos em baixo).

Fonte: Sport TV

Também com recurso à imagem em cima, vemos como foi decisivo o dinamismo do tridente ofensivo no domínio alemão no primeiro tempo. Em constante movimento, entre a linha defensiva e a de meio campo, ora buscando a profundidade ora baixado para receber entre Kante e Pogba, foram uma ameaça constante para a seleção francesa. Uma ameaça que era agravada pela criação de espaços entre os jogadores gauleses, apenas possível pela constante largura providenciada pelos alas laterais, os já mencionados Kehrer e Schulz. Tudo isso permitiu e contribui para Kroos ter muito mais bola e ditar os ritmos da partida.

Até Kanté precisa de ajuda …

Mbappé está estrategicamente ausente de grande parte das ações defensivas, e compreende-se tal é o impacto do jogador do PSG nas ações de transição ofensiva e/ou contra-ataque. Contudo, tudo têm um preço, e neste jogo esse foi o de dar mais liberdade a Schulz. Como referi anteriormente, devido ao esquema de três centrais, Giroud e Griezmann estava constantemente em inferioridade numérica e não conseguia fazer nada para destabilizar o início de construção visitante.

Com isto, Matuidi, Pogba e Kanté estavam constantemente em situações de desvantagem numérica, com muitos adversários ao redor. Em qualquer das ações destes jogadores, em processo ofensivo como defensivo, haviam sempre dois a três jogadores da Alemanha por perto.

Como aconteceu no golo germânico, reparem como as zonas de Pogba e Kanté estão completamente sobrecarregadas de jogadores adversários:

Fonte: Sport TV

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A brincadeira acabou ao intervalo

No segundo tempo, Deschamps mudou para um 4-3-3. Griezmann veio para a ala direita, Mbappé para a esquerda e Matuidi juntou-se a Kanté e Pogba para completar o trio de meio-campo. Esta alteração veio equilibrar a balança, que tendia fortemente para o lado alemão.

Para além de alterar as peças, o selecionador francês deu indicações para estes pressionarem mais à frente, abandonado a postura passiva que tinham no primeiro tempo. Isto, e a colocação de Matuidi no meio campo equilibrou o jogo.

E no fundo, os campeões do mundo só precisam disso, para vencer jogos: um jogo equilibrado. Com a qualidade individual que há nas fileiras francesas, Deschamps sabe com só precisa de garantir equilíbrio para vencer jogos.

Quem passa com esta facilidade por Sule, um monstro fisicamente…

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Foto de Capa: DFB

Artigo revisto por: Jorge Neves

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