Jogadores que Admiro #8 – Ronaldo, o Fenómeno

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    Nunca gostei de máquinas enfiadas nos corpos de quem se movimenta pelos campos de futebol. Máquinas perfeitamente trabalhadas e afinadas para exemplarmente desempenharem o seu papel pelo gramado. Auto-programação técnica, auto-programação táctica, auto-programação técnico-táctica… Improviso zero, jogadas aprendidas num intenso estudo pelos grandes livros do futebol – mas há algum livro que ensine o futebol? Futebol de estatísticas, xadrez táctico, x remates, y cantos, z passes completos. Se isto, aquilo. Pouco prego a fundo pela estrada do génio e da loucura e sempre muita cautela, piscas, retrovisores. Obrigações do futebol moderno, porventura. Valha-nos o diabo do Di María, a saudade do Zidane, o gozo do Gaúcho ou a soberba de Riquelme.

    Sou Ronaldo
    Muito prazer em conhecer
    Eu sou Fenômeno
    Ronaldo Nazário dos Campos

    Ronaldo, o verdadeiro, o primeiro, a extensão do povo brasileiro no relvado. Futebol no seu estado mais puro, futebol inventado, futebol pensado no microssegundo. Ronaldo interpretou-o na perfeição. Contrariava as jogadas pensadas por quem assistia ao jogo, escolhia sempre o mais difícil. É esse o dom dos génios. O mais fácil e mais óbvio é tão mais fácil e tão óbvio que nem os preenche. Precisam da pedalada, do calcanhar e da vírgula para irem felizes para casa. Por isso é que falham mais, mas a memória do adepto é excepcional e guarda só o que é bom de se guardar. Quantos de nós não quisemos ser – e fomos até, nem que fosse na inocência de criança – Ronaldo no pátio da escola? Imitar o que víamos o gordo fazer pela televisão. Fascinava-me toda aquela superioridade do Ronaldo em relação aos adversários. Como podia um homem só ser tão mais rápido e ter tanta mais técnica do que aquele que lhe ousava tentar tirar a bola? Só tentar, porque o dono dela era Ronaldo.

    Ronaldo, o Fenómeno
    Ronaldo, o Fenómeno / Fonte: futebolpiada.com.br

    Também não gosto de misturar números quando se fala de génios que os nossos olhos tiveram o prazer de poder ver. Duas Bolas de Ouro e 352 golos entre Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter, Real Madrid, AC Milan e Corinthians. 67 pela canarinha, a quem deu uma Copa. Esta coisa de ter nascido em 1992 tem as suas desvantagens. O melhor do melhor de Ronaldo – Barcelona e Inter – só mesmo pelo Youtube. Foi por alturas do Mundial de 2002 que estranhei a presença de um extraterrestre, perdão, jogador muito melhor do que os outros. Nesse mesmo verão chegou a Madrid para se juntar a Zidane, Figo e Raúl e formar uma orquestra, perdão, equipa muito melhor do que as outras. Infelizmente, teve um prazo de vida muito curto porque rapidamente passou de orquestra a circo.

    Muitos criticaram o excesso de peso do Fenómeno. Muitos o deram como acabado em 1999, quando o mesmo joelho lhe pregou duas partidas seguidas. Outros tantos queriam afastá-lo para Romário ter espaço. Pobres de espírito que, em vez de se deleitarem com um dos melhores jogadores que este desporto viu, lhe viram o fim sempre tão próximo. Porque as arrancadas, o gozo ao adversário e a condução de bola nunca caberão em palavras, nada melhor do que 16 minutos que nos levam à infância e nos fazem lembrar o porquê de gostarmos tanto disto:

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