Mais um craque para o lote dos jogadores que mais admiro. Entre esse grupo de atletas, costumo arrumá-los em prateleiras algures na minha memória, dividindo-os por aqueles que me impressionam pelo fator físico (apesar da baixa estatura), recorte técnico ou pelo saber tático do jogo. Santi Cazorla faz parte dos híbridos. Engloba um pouco de tudo, e isso torna-o num protótipo do jogador moderno.

É indissociável pensar em Cazorla e não o imaginar de amarelo. Não tivesse ele feito a formação e mais tarde, ter-se dado a conhecer ao mundo no Villarreal CF (apesar de ainda ter representado o RC Recreativo de Huelva, por empréstimo). No verão de 2011, é contratado pelo Málaga CF, a troco de 23 milhões de euros. Um valor considerável, se tivermos em conta o nível do clube.

Porém, essa não era uma equipa qualquer, muito menos, o Málaga dos dias de hoje. Cazorla fez parte do projeto que levou o clube do sul de Espanha à Liga dos Campeões. Para além do jogador em análise, nesse mesmo verão, contrataram jogadores notáveis, como Joaquín, Isco, Nacho Monreal, Toulalan, ou até Van Nistelrooy (ainda que, em final de carreira). Terminaram a época 2011/2012 na quarta posição, que os levou à prova milionária.

Bastou uma temporada no La Rosaleda para captar a atenção do Arsenal FC, que gastou 19 milhões na sua contratação. Foi no Emirates, onde mais me impressionou. Dono de uma técnica ao nível dos melhores, aliando-a a um conhecimento tático fora do comum, fruto da alta rodagem que trazia do futebol espanhol. Posteriormente, o seu 1,68m ainda torna mais soberba a adaptação à Liga Inglesa. Uma prova fisicamente tão exigente, de duelos e confrontos. Cazorla sabia “fugir” disso, refugiando-se em espaços livres, nas entrelinhas.

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Ao serviço dos gunners fez 180 jogos, totalizando 29 golos e 45 assistências. Porém, em outubro de 2016, Cazorla sofreu uma lesão no tendão de Aquiles. Anteviam-lhe três semanas de paragem, mas uma infeção adiou a recuperação para quase dois anos, e poucos acreditavam que voltasse a jogar. Após seis anos de ligação aos londrinos, Cazorlita regressa a casa. Ao Villarreal, entenda-se.

Em agosto de 2018, voltou a vestir a camisola do submarino amarelo, e mais importante, voltou a jogar futebol. Uma história de muitos altos e baixos, e não fosse este calvário de lesões, poderíamos estar a falar de um jogador com outro tipo de currículo e palmarés. Um exemplo de profissionalismo e persistência, não esquecendo, a elevadíssima qualidade.

Para além do regresso aos relvados, Cazorla ainda conseguiu a proeza de voltar a jogar pela seleção espanhola, participando nos jogos de qualificação para o Europeu (supostamente, de 2020). Ao longo da carreira como profissional conquistou duas supertaças de Inglaterra, outras tantas taças do mesmo país, bem como dois campeonatos da Europa, em 2008 e 2012.

Repito, uma referência para os jovens futebolistas dos dias que correm. Um maestro dentro de campo, um lutador fora dele.

Artigo revisto por Joana Mendes