O Passado Também Chuta: Ângelo Martins

- Advertisement -

o passado tambem chuta

Quero falar do Ângelo Martins. Como muitos se recordam e outros tantos sabem, foi jogador do Benfica. Pertenceu ao Benfica bicampeão da Europa e pertenceu ao grupo que vinha dos anos 1950. Mas não é deste Ângelo que quero falar; quero falar do outro, do que fabricou na ilha de madeira no Campo Grande muitos, muitos jogadores de grande nível. Foi polémico ainda antes de chegar ao Benfica. Um problema de duplicidade de contratos irradiara-o do futebol. No entanto, quando tinha 20 anos e andava de farda em Santarém, o Benfica lembrou-se dele, lembrou-se daquele miúdo que comia a relva a jogar pelo Académico e que o FC Porto tanto cobiçava. O Benfica solucionou a questão da sua irradiação, e incorporou-se, novamente, no mundo do futebol. Foi um privilegiado, teve grandes companhias assim que chegou em 1950. Foi colega, entre outros, do Rogério e do Félix e acabou a meio da década de 1960 na companhia do Eusébio e do Simões, tendo pelo meio a companhia de jogadores como o José Águas, o Costa Pereira ou o Germano.

Mas eu quero o outro Ângelo, quero aquele que treinou nos juniores do Benfica um colega de colégio meu, o Casquinha, e que fabricou craques sem parar. Dois dos melhores jogadores que pisaram os relvados portugueses depois da época dos bicampeões passaram pela sua cátedra: Fernando Chalana e Humberto Coelho. No entanto, a capacidade de um treinador de formação não se mede, exclusivamente, pelas estrelas que projeta; mede-se pelo número de jogadores que, não sendo estrelas, chegaram a bom nível. Os craques, durante anos, podem não aparecer, no entanto, jogadores com bom nível aparecem se alguém os sabe formar e alentar. Era mais que menino e moço quando ia muitos domingos pela manhã ao Campo Grande, um campo que era do Sporting mas, devido a acordos passados, era desfrutado pelo Benfica. Vi o Nené jogar os primeiros 45 minutos pelo Benfica, vi o Humberto Coelho comandar a defesa dos juniores do Benfica, vi o Raul Águas, o Manuel José, o Camolas, o Vieira, o Arcanjo, o Guerreiro, vi o irmão do Eusébio, o Jujú, jogar também os primeiros 45 minutos pelo Benfica; vi-os e também vi muitos mais, e quem estava no banco, quem estava na cátedra: Ângelo.

Estou a dar nomes, mas alguns leitores podem perguntar-se: e então o Jordão, o Alves, o Vítor Martins, o Artur?… Sim, sim, também esses e mais, muitos mais. O Rachão, que era um médio que arrasava, tal como o Manuel José, nos juniores do Benfica. Passou pelas mãos do Ângelo, também, o Shéu, que foi um trinco sensacional. O Benfica, no tempo do Ângelo, não só alimentava a sua equipa de seniores; das suas camadas saíram jogadores que brilharam a grande altura noutras equipas como, por exemplo, o Guerreiro e o Arcanjo no Vitória de Setúbal. Tanto um como outro conheceram a equipa das quinas.

Hoje o Benfica procura outros alimentos; não sei se faz bem ou mal mas não gosto. Aqueles juniores, quando passavam a seniores, se tinham o caminho barrado, iam para outros clubes mas continuavam a pertencer à casa. A massa associativa alegrava-se dos seus êxitos. O Ângelo Martins, além de um craque como jogador que tinha a garra benfiquista, foi um mestre maiúsculo. E foi humilde, nunca se abraçou aos louros; dizia que o grande mérito era dos jogadores e fundamentalmente do Benfica.

Foto de capa: Sara Matos

José Luís Montero
José Luís Montero
Poeta de profissão, José simpatiza com o Oriental e com o Sangalhos.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Fenerbahçe oferece 12 milhões de euros por ano a internacional português e pode influenciar todo o mercado do AC Milan de Ruben Amorim

O Fenerbahçe já fez uma proposta a Rafael Leão e colocou muitos milhões em cima da mesa. Turcos ainda têm de falar com o AC Milan.

Froya Dorsin chega ao Benfica por empréstimo do PSG

O Benfica oficializou a contratação de Froya Dorsin. Avançada norueguesa chega a Portugal por empréstimo do PSG.

Para Gonçalo Inácio entrar na equação? Barcelona determina novo objetivo de mercado

O Barcelona já definiu que gostaria de contratar um novo defesa central esquerdino, caso Ronaldo Araújo abandone o projeto.

Monza oficializa chegada de Ricardo Mangas por empréstimo do Sporting

Ricardo Mangas já é jogador do Monza. Lateral esquerdo chega a Itália por empréstimo do Sporting com obrigação de compra.

PUB

Mais Artigos Populares

Sporting: saída de 2 jogadores sonantes para fechar ainda esta semana

O Sporting tenciona vender ainda durante esta semana Ousmane Diomande e Pedro Gonçalves. Os jogadores vão abandonar o projeto.

Oskar Pietuszewski está seguro no FC Porto: não há contactos pelo extremo

Oskar Pietuszewski foi recentemente associado ao Borussia Dortmund, mas não existiu qualquer contacto do emblema alemão.

Jurgen Klopp é o novo selecionador da Alemanha e define objetivo: «Uma equipa que reúna as pessoas do nosso país com total convicção»

Jurgen Klopp foi apresentado como novo selecionador da Alemanha. Técnico rubricou um contrato válido até 2030.