O Boavista FC do início do século é, certamente, recordado com um grande carinho pelos adeptos. Depois da conquista inédita do campeonato nacional na época 2000/2001, a equipa liderada por Jaime Pacheco – que esteve ao serviço dos axadrezados nove anos – voltou a quebrar barreiras, desta feita na Europa.

Estávamos na temporada 2002/2003. No ano anterior, os boavisteiros não revalidaram o título, mas conseguiram um honroso segundo lugar na liga. O troféu desse ano acabou por ir parar ao museu do Sporting CP, que conquista o campeonato pela segunda vez em três épocas. Já em 2002/2003, o Boavista FC assiste, claramente, a uma perda de força no campeonato nacional, acabando mesmo a época na décima posição. Contudo, brilhava noutro lado.

Após a eliminação na terceira pré-eliminatória Liga dos Campeões ante o Liverpool FC, os boavisteiros são repescados para a Taça UEFA e é aqui que iniciam uma caminhada gloriosa quase perfeita. A primeira vítima foi o Maccabi Tel Aviv. Os israelenses ainda ousaram sonhar com a passagem, ao vencerem em casa o Boavista FC. Mas os panteras negras terminaram logo com a ilusão ao ganhar de forma categórica por 4-1 na segunda mão.

A eliminatória seguinte também não trouxe grande dificuldade para os portuenses. Duas vitórias nos dois jogos frente ao Anorthosis Famagusta FC, do Chipre, arrumaram com a questão. Na terceira ronda apareceu um adversário mais complexo: Paris Saint Germain (PSG). Os parisienses de 2002/2003 não eram a “super equipa” dos dias de hoje, mas, ainda assim, representaram o primeiro oponente de peso para os boavisteiros.

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A primeira partida teve lugar na capital francesa e, apesar de passar grande parte do jogo em superioridade numérica, o Boavista FC não foi além de uma derrota por 2-1. Contudo, este golo marcado por Luiz Cláudio aos 75 minutos de jogo (tinha entrado apenas 10 minutos antes) revelou-se decisivo nas contas da eliminatória: uma vitória por 1-0 no antigo Estádio do Bessa empatou a ronda em número de golos, mas foi suficiente para garantir a passagem dos axadrezados pelo golo fora.

A quarta pré-eliminatória da Taça UEFA teve uma história semelhante à anterior: derrota em Berlim frente ao Hertha BSC por 3-2, pelo que “bastou” ao Boavista FC uma vitória em casa por 1-0 para selar a presença nos quartos de final. Neste momento, os corações dos adeptos boavisteiros já batiam mais rápido. Eliminatória após eliminatória, jogo após jogo, o sonho de trazer um troféu internacional para o museu do Boavista FC tornava-se cada vez mais uma realidade.

A 1ª mão das meias-finais jogou-se no mítico Celtic Park
Fonte: UEFA

Quartos de final. Adversário: Málaga CF. Os panteras negras não conseguiram responder ao golo de Júlio Dely Valdés aos 17 minutos, no Estádio La Rosaleda. A remontada teria que acontecer em casa, no Estádio do Bessa. E aconteceu. Após uns penosos 83 minutos de jogo, Luiz Cláudio marca para a equipa da casa e empata a eliminatória, levando a partida para prolongamento. O filme do jogo não se alterou e foi necessária a marcação de grandes penalidades. Aqui, os boavisteiros não vacilaram e marcaram 4 penáltis, contra um do Málaga FC. O guarda-redes Ricardo foi um dos que fez gosto ao pé.

Chega o momento da meia final. O sorteio dita um embate com o Celtic FC, enquanto que na outra meia final entram em campo o FC Porto e a SS Lazio. A vontade de jogar a final da Taça UEFA (e conquistá-la) era o principal estímulo dos boavisteiros. A possibilidade de jogá-la frente ao rival da cidade, o FC Porto, seria a “cereja no topo do bolo”.

A primeira mão deu alguma esperança aos axadrezados, com um empate por 1-1 no Celtic Park. Os escoceses ainda tiveram oportunidade de passar para a frente do marcador aos 74 minutos, através da marcação de um penálti. Contudo, Ricardo comprovou que a sua especialidade era mesmo defender penáltis – viria a ser o talismã da Seleção Nacional no Euro 2004 – e negou o golo a Henrik Larsson.

Adivinhava-se uma segunda mão aguerrida no Estádio do Bessa. Ao Boavista FC bastava o empate sem golos para carimbar a passagem à final, mas não resistiu a um golo de… Henrik Larsson. O sueco vingou-se da oportunidade falhada na partida da primeira mão e acabou com o sonho dos boavisteiros, com um tiro certeiro aos 79 minutos.

Na outra meia final, o FC Porto não deu hipótese à SS Lazio e foi vingar os axadrezados na final jogada em Sevilha: vitória por 3-2 frente ao Celtic FC e a taça veio mesmo parar à cidade do Porto, mas não à Boavista.

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