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O Passado Também Chuta: Sir Matt Busby

José Luís Montero · 3 min

O Passado Também Chuta: Sir Matt Busby

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o passado tambem chuta

No dia 23 de abril de 1917, na terra mineira de Belshiil, Escócia, somou-se ao mundo um rapaz que foi anunciado à sua mãe, pelo médico, como um futebolista. Acabava de nascer o mítico Matt Busby. As dificuldades e as asperezas da vida no referido lugar, e após as trágicas mortes de familiares diretos na Primeira Guerra Mundial, fizeram com que o pequeno Matt estivesse com um pé nos Estados Unidos da América, enquanto emigrante. No entanto, já começava a correr com uma bola nos pés. Um clube de Manchester, rival do seu United, o City, enquadrou-o na sua equipa. Era um central, um daqueles velhos centrais que se apostavam sozinhos, no meio de dois defesas laterais. Com o tempo, nasceu a cobiça de outros clubes. Foi pretendido. O Manchester United tentou-o, mas foi o Liverpool que o ganhou. Fez o resto da sua carreira lá. Chegou a internacional. A Segunda Guerra Mundial intrometeu-se na sua vida. Havia chegado, então, a hora de assumir outras funções.

A estátua em Old Traford Fonte: footyroom.com
A estátua em Old Traford
Fonte: footyroom.com

Começou a treinar uma equipa do exército. Esta experiência fê-lo madurar. O Liverpool ofereceu-lhe a possibilidade de ser o assistente do gerente George Kay. No entanto, Matt Busby já formara uma ideia de gestão dos clubes de futebol. Não aceitou. O Manchester United, que já o tentara como jogador, aceitou a sua ideia. Em Old Traford, acabava de entrar o homem que transformou a figura do treinador, aquele que projetou o Manchester United para outra dimensão. Ocupou os jogadores em certas tarefas burocráticas, implicou-os na vida integral do clube. Os resultados não se fizeram esperar. Criou a figura de treinador-manager: comprava, vendia, treinava, ocupava-se de tudo o que concernia à equipa. Um dos seus selos está relacionado com o futebol base. Começou a alimentar a equipa com jogadores formados no clube: Bill Foulkes, Bobby Charlton ou Duncan Edwards são alguns exemplos.

O filme de James Srong mostra o que foi o dia de 6 de fevereiro de 1958. Munique encheu-se de dor e luto. Sir Matt Busby lutara para abrir o futebol inglês ao continente. Lutou dialeticamente contra vozes e poderes que reagiam mal à participação de clubes ingleses nas competições europeias. Finalmente, o Manchester United participava e caminhava na Taça da Europa, com êxito. No entanto, num malfadado dia, tal como o Torino de Valentino Mazzola, o avião estatela-se e provoca a morte de 23 pessoas, sendo oito delas jogadores. Matt Busby, como outros, ficou ferido. O choque foi tremendo. Temiam pela sua reação quando soubesse das mortes e da morte do seu capitão. No entanto, sobreviveu, mantendo a força necessária para reconstruir a sua obra: o Manchester United.

A Taça da Europa de Matt Busby Fonte: unitedrant.co.uk
A Taça da Europa de Matt Busby
Fonte: unitedrant.co.uk

Incorporou jogadores como Denis Law e, mais tarde, como George Best. O Manchester recuperou a grandeza. Os campeonatos, as taças e o restante voltaram a cair nas suas vitrinas. Durante a década dos anos 1960, esta equipa chegou a alinhar com três Bolas de Ouro: Bobby Charlton, George Best e Denis Law.

O ano de 1968 bateu à porta. Paris ardia com consignas utópicas. A Taça da Europa vivia uma final inédita: Manchester United – S. L. Benfica. O mítico Estádio de Wembley encheu-se. George Best resolveu o jogo, depois de Eusébio ter falhado o que nunca falhava. O Manchester United tornou-se o primeiro clube inglês a ganhar a Taça da Europa. Sir Matt Busby começava a preparar o seu adeus. No dia 4 de junho de 1969, despediu-se, ainda que, no ano seguinte, voltasse para salvar a sua equipa. Faleceu em 1994, deixando a sua áurea sobre o universo futebolístico. Para mim, forma, com o mítico Helénio Herrera e o atual José Mourinho, o grande triunvirato dos treinadores mundiais.

José Luís Montero

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